Após casamento gay, homofobia cresce assustadoramente na França 1

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As queixas de atos de homofobia aumentaram 78% em 2013 na França, em relação ao ano anterior, de acordo com um relatório da associação francesa SOS Homofobia. A organização avalia que a alta é uma consequência dos debates sobre a legalização do casamento entre casais homossexuais, aprovada em 2013 pelo Parlamento.

“Nos últimos 20 anos, as denúncias de homofobia recebidas pela nossa associação só aumentaram. Mas esse número literalmente explodiu em 2013”, afirma o documento, que relata 3.500 casos.

Os atos de discriminação incluem insultos recebidos na internet, no ambiente profissional ou na rua (39%), e ameaças ou agressões físicas (6%). A cada dois dias, uma agressão física foi registrada pela associação no território francês, um aumento de 54% em relação a 2012.

A SOS Homofobia percebeu também uma “explosão” do número de agressões verbais realizadas através da internet – eram 656 casos em 2012 e foram 1.723 ocorrências em 2013. O número de queixas de atos homofóbicos feitos no ambiente escolar subiu 25%.

Efeito colateral

“Nós comemoramos a aprovação da lei sobre o casamento para todos e todas, um novo passo em direção à igualdade. Mas essa vitória deixou um gosto amargo”, diz a entidade, segundo a qual “os argumentos” pronunciados pelos opositores ao casamento homoafetivo, durante os debates sobre o assunto, “legitimaram os insultos e as violências homofóbicas”. Na época, centenas de milhares de franceses religiosos e conservadores foram às ruas para protestar contra a aprovação da lei.

A associação destaca que, para muitos homossexuais ou transsexuais, a homofobia faz parte do cotidiano, como receber cartas anônimas ofensivas de vizinhos ou ouvir frases desrespeitosas na rua. “Em duas ocasiões, uma vizinha já me disse que todos os gays deveriam ter aids e que seria melhor para mim se eu gostasse de mulher”, relatou o parisiense Antonin, à ONG.

Opinião

O casamento homoafetivo foi uma grande conquista dos franceses. Resta ao governo fazer programas educativos e punir com rigor os casos homofônicos e transfóbicos.

*Com informações da RFI

Rio sem homofobia capacita policiais para apoio à comunidade LGBT Resposta

Desde junho de 2013, mais de 3,2 mil policiais do Estado do Rio estão aprendendo a acolher melhor a comunidade LGBT tanto nas delegacias quanto nas ruas. O programa estadual Rio Sem Homofobia vem tentando mudar o perfil de atendimento a este público na Jornada Formativa de Segurança Pública e Cidadania LGBT. No total, até o fim do ano, cerca de 8 mil policiais vão passar pelo curso, que está sendo ministrado em todas as Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs), pelo coordenador do programa, Claudio Nascimento, além da equipe dos quatro Centros de Cidadania LGBT no Rio.

Esta é a segunda edição da jornada, que já foi realizada entre 2009 e 2011, e formou mais de quatro mil policiais. De acordo com Nascimento, a iniciativa pioneira no estado, que visa garantir os direitos dos homossexuais, surgiu da necessidade de melhorar a formação dos servidores públicos.

- Trabalhamos os direitos e a cidadania, as práticas respeitosas e cidadãs de atendimento, além das principais demandas do público – afirmou Nascimento.

São realizados, em média, seis encontros mensais da Jornada, nos batalhões e delegacias de todo o estado. Até dezembro, ainda serão realizados cerca de 70 encontros. Na Academia Estadual de Polícia (Acadepol), serão nove encontros. O aluno da Diogo Sobral Cunha acredita que o curso serve para ampliar e reforçar o conhecimento que os aspirantes a policiais civis já recebem nas aulas de direitos humanos durante seis meses.

- A minha turma tem 48 alunos e isso é unanimidade. Todos acham que essas aulas são muito importantes para garantir os direitos da comunidade LGBT. Nós já aprendemos muito nas aulas de direitos humanos – disse o aluno.

Fonte: O Fluminense

Projeto de lei anti-homofobia empaca no Rio de Janeiro e preocupa LGBTs Resposta

O presidente do Grupo Arco-Íris, Julio Moreira, e seu companheiro, Clayton Alexandre Cassiano / Agência O Globo

O presidente do Grupo Arco-Íris, Julio Moreira, e seu companheiro, Clayton Alexandre Cassiano / Agência O Globo

 

Um dos primeiros estados do Brasil a estender aos companheiros homossexuais de servidores estaduais os direitos sobre pensão e previdência reservados aos héteros, o Rio de Janeiro está no meio de um impasse que deixa desprotegidas as minorias sexuais. Tramita há sete meses na Assembleia Legislativa, sob forte oposição da bancada religiosa fundamentalista, um projeto de lei estadual para punir estabelecimentos públicos e privados que discriminarem pessoas em função de sua orientação sexual.

Apresentado ano passado pelo então governador Sérgio Cabral, o PL 2054/2013 quer substituir a lei 3.406, de autoria de Carlos Minc, que vigorou de 2000 a 2012 e foi considerada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça numa ação patrocinada por grupos ultraconservadores. A decisão se ateve a um tecnicismo: como a lei previa punições a servidores públicos em caso de manifestações de homofobia, ela deveria ter partido do Executivo.

Os defensores da proposta atualmente em tramitação na Assembleia argumentam que a aprovação de uma lei estadual é fundamental para reforçar o combate à discriminação nos 92 municípios fluminenses. Entre as alegações está o fato de não existir ainda uma legislação de maior abrangência, em âmbito federal, que puna a discriminação contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. O texto do projeto apresentado na Alerj prevê advertência e multas, que vão de 50 Ufirs (R$ 127) a 50 mil Ufirs (R$ 127 mil), a estabelecimentos que barrarem ou constrangerem em função de orientação sexual, além de cassação de alvará, em caso de reincidência.

Mudança para agradar a evangélicos

Depois de passar pelas comissões e de receber nada menos que 117 emendas ainda no ano passado, o projeto ganhou um defensor de peso: o próprio deputado Minc (PT-RJ), autor da lei original invalidada. Ele critica o pesado lobby religioso no Legislativo estadual e já cogita até fazer concessões, incluindo no texto punições para discriminação religiosa ou étnica.

— Quando a lei original foi derrubada pela Justiça, o argumento era de que, como definia punições também para o funcionário público que discriminasse, a iniciativa tinha que ser do Executivo. Por isso o ex-governador Sérgio Cabral reapresentou o texto. Agora, no entanto, o problema é político. Há muitos deputados evangélicos que não querem a aprovação — critica.

Para Júlio Moreira, presidente do Grupo Arco-Íris, que milita pelos direitos civis de minorias sexuais, a expectativa é grande pela aprovação da proposta. Ele crê que o projeto faz justiça à antiga lei suspensa, uma das primeiras aprovadas no país, de caráter “educativo e de cidadania”.

— A proposta em tramitação agora mostra que é preciso acolher a todos, em qualquer espaço público. Ela não leva em conta um viés econômico, que trata de poder de consumo, mas aborda a questão da cidadania, educando mais do que punindo — pondera o ativista, que diz, no entanto, estar temeroso: — Neste momento de pré-eleição, acho muito difícil que o projeto seja aprovado, uma vez que existe um forte cenário de barganha política. Como é um tema delicado, não deve passar neste momento.

O coordenador do programa estadual Rio Sem Homofobia, Cláudio Nascimento, discorda: ele afirma crer que há chances de o projeto ser aprovado na Casa. Nascimento admite existirem fortes obstáculos em função do alto número de emendas apresentadas, que acabaram atrasando a tramitação. No entanto, o ativista observa que os acréscimos e as modificações e não partiram de um número muito amplo de parlamentares.

— Tudo é possível, mas estou confiante. É fundamental a aprovação da nova lei. Hoje, para se ter ideia, 40% das denúncias que chegam para nós no Rio Sem Homofobia são de discriminação por orientação sexual. Contamos com a sensibilidade da Assembleia. Não estamos inventando nada, a lei existiu por 12 anos — lembra.

‘Eu voto contra’, diz opositora da ideia

Se depender de uma ala considerável da Alerj, no entanto, os obstáculos serão mesmo grandes. A própria vice-presidente da Comissão de Combate à Discriminação e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional, Rosângela Gomes (PRB), defende a derrubada da matéria. Ela chegou a participar, no final do mês passado, de uma reunião na Alerj que discutiu o projeto, a convite do deputado Carlos Minc, presidente da mesma comissão, mas se retirou logo no início do encontro. A parlamentar alega que, apesar de ser contra qualquer tipo de discriminação — “a índios, negros, mulheres ou pessoas pela sua orientação sexual” —, sua formação conservadora não lhe permite apoiar a iniciativa:

— A gente tem que respeitar a posição dos proprietários de estabelecimentos comerciais, que não são obrigados a receber dois homens se beijando. Eu voto contra. Que eu saiba ainda não existe o terceiro sexo. Não tenho nada contra a pessoa, mas a minha visão conservadora é essa.

Quem faz coro é o deputado Flávio Bolsonaro (PP), filho de Jair Bolsonaro, um dos mais conhecidos representantes do ultraconservadorismo na Câmara dos Deputados, em Brasília. Segundo ele, não há diferença entre discriminar um gay ou um hétero num estabelecimento aberto ao público, como um restaurante. Para o deputado estadual, o que os militantes querem é levantar uma bandeira ideológica e política:

— Não é uma bandeira social, é palanque político. Os militantes ficam querendo justificar seus salários bancados pelas ONGs que vivem disso (defender os homossexuais). A pessoa que agride tem que ser responsabilizada independentemente da sexualidade de quem é agredido.

Opinião

Está na Constituição que todos devem ser tratados da mesma maneira, então é um verdadeiro absurdo um estabelecimento comercial permitir que casais heterossexuais se beijem e troquem carícias e casais homoafetivos não. Isso é discriminação. Como pode a vice-presidente da Comissão de Combate à Discriminação e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional defender uma coisa dessas. Claro que pode, a comissão não trata, pelo menos no nome dela não consta ORIENTAÇÃO SEXUAL e IDENTIDADE DE GÊNERO. Rosângela Gomes é negra, imagina se um estabelecimento impedisse os negros de entrarem lá só por causa da cor de suas peles? Vamos enviar uma mensagem, via Twitter, para a deputada, protestando? O twitter dela é @rosangelasgomes. O email dela é rosangelagomes@alerj.rj.gov.br

Já o Flávio Bolsonaro é um caso perdido, nem adianta mandar mensagem para ele.

Não se trata de opinião conservadora, mas de direitos humanos, é lamentável que algumas pessoas ainda vejam os LGBTs como aberrações.

Então quer dizer que um casal homoafetivo não pode demonstrar carinho em público, pois pode ser expulso de um estabelecimento comercial no Rio de Janeiro? É bom lembrar que a cidade do Rio é um dos destinos mais procurados por LGBTs, a cidade perderá turistas e consequentemente, dinheiro, se o PL 2054/2013 não for aprovado.

Com informações do jornal O Globo

Homofobia e homossexualidade no futebol ainda são tabus nas arquibancadas Resposta

O ano de 2013 foi expressivo para a discussão de dois grandes tabus do futebol brasileiro: a homossexualidade e a homofobia. Em 9 de abril, torcedores do Atlético-MG fundaram a Galo Queer, uma página no Facebook que reúne torcedores alvinegros com uma postura anti-homofobia e anti-sexismo. “Galo” é o apelido do clube de Minas Gerais e “Queer”, em inglês, significa gay. Em 15 dias, a página ganhou cinco mil fãs, e hoje conta com mais de 6.600.

O gesto da torcida atleticana motivou outras a fazerem o mesmo. Ao longo do mês de abril, surgiram páginas semelhantes de torcidas de todo o país: Cruzeiro, São Paulo, Náutico, Grêmio,Vitória, Bahia, Internacional, Palmeiras, Corinthians, Flamengo, entre outros. A lista é extensa e mostra que a discussão da homofobia no futebol, até então, ainda estava dentro do armário.

Integrante da Galo Queer no Mineirão Facebook/Reprodução

Integrante da Galo Queer no Mineirão Facebook/Reprodução

“O estádio é um ambiente super homofóbico. Lá não se vê nenhuma manifestação de diversidade afetiva”, diz o jornalista – e palmeirense – William de Lucca, colaborador da Folha de S. Paulo em João Pessoa, na Paraíba. Ele é homossexual assumido e se esforça para prestigiar os jogos do Palmeiras em cidades próximas, como Recife ou Natal. William já era militante LGBT e, assim que ouviu falar, aderiu à página anti-homofóbica “Palmeiras Livre”.

“Em 2008, eu morei alguns meses em São Paulo e tinha um namorado que era palmeirense também. A gente foi até aconselhado por um amigo dele da torcida organizada a não ter nenhuma demonstração de afeto dentro do estádio, porque a gente poderia ser agredido”, lembra. “A gente sempre fica com medo. Em outros ambientes, sou muito seguro quanto a manifestar meu afeto: ando de mão dada e tal, inclusive na rua, mas acho que o estádio de futebol é mais hostil do que a própria rua, sabe? A homofobia é muito mais explícita”, conta.

“A gente só não tem mais relatos disso porque os homossexuais que torcem nos estádios não arriscam nenhum tipo de demonstração afetiva”, conclui William.

Dentro da Palmeiras Livre, assim como nas outras organizações, ainda se discute quais serão os próximos passos. Os integrantes querem ocupar as arquibancadas, mas temem agressões físicas, já que as verbais ocorrem diariamente. “Dia sim e outro também nós recebemos ameaças”, conta a fotógrafa e analista de mídias sociais Thaís Nozue, também integrante da Palmeiras Livre. “As pessoas vem ameaçando, dizendo que estão mexendo com o time errado, que eles vão descobrir quem é, que não sei o quê”. Por enquanto, a hostilidade está restrita a mensagens no Facebook como: “Vão morrer”, “Experimenta aparecer na torcida e vocês vão apanhar”, “A Mancha [maior organizada do Palmeiras] bate em polícia e não vai bater em um monte de bicha?” – o que não significa que a ameaça venha da Mancha, como explica Thaís.

Segundo ela, a causa da Palmeiras Livre também foi rechaçada pelas organizadas alviverdes. “A gente até tentou uma aproximação com as organizadas, mas elas deram um recado para a gente não se meter com elas. Às vezes aparecem pessoas se dizendo das organizadas nos ameaçando, mas a gente não tem como comprovar se são mesmo”, diz.

A homofobia veste verde?

Procurado pela Pública, Marcos Ferreira, o Marquinhos, presidente da Mancha Alviverde, não quis dar uma entrevista sobre a polêmica da homofobia e sobre um episódio envolvendo o volante e lateral Richarlyson, hoje no Atlético-MG e tido como homossexual, apesar de sempre se declarar heterossexual.

No início de 2012, o Verdão estudava a possibilidade de contratar Richarlyson. A Mancha Verde convocou um protesto no dia 4 de janeiro, na frente do Centro de Treinamento (CT) do Palmeiras, zona oeste de São Paulo. Segundo a torcida o motivo era uma rixa antiga com o jogador, que estava à beira de um acordo com o Alviverde, mas acabou indo jogar no rival São Paulo. Porém, uma grande faixa estendida por duas pessoas durante aquele ato dizia: “A homofobia veste verde”.

Ao telefone, Marquinhos negou repetidas vezes que a Mancha tenha algo a ver com a faixa – ela seria obra de duas pessoas desconhecidas da organizada que foram ao protesto. Mas ele disse que “não via nada de agressivo na faixa”. A Pública também tentou contato com Richarlyson, mas foi informada pelo seu empresário, Julio Fressato, que ele estava se recuperando de uma cirurgia.

O selinho de Sheik e o voo das gaivotas

Sheik deu selinho em amigo e causou a ira de torcedores do Corinthians

Sheik deu selinho em amigo e causou a ira de torcedores do Corinthians

Na esteira das iniciativas anti-homofóbicas, dois episódios jogaram o Corinthians no centro da discussão. O atacante Emerson Sheik, herói corintiano da inédita conquista da Libertadores em 2012, foi vítima de uma onda de ataques homofóbicos depois da vitória do Corinthians sobre o Coritiba por 1 a 0, no Pacaembu, no dia 18 de agosto. Para comemorar, Sheik postou uma foto em seu perfil oficial no Instagram em que aparecia dando um selinho em um amigo de longa data, o empresário Isaac Azar. “Tem que ser muito valente para celebrar a amizade sem medo do que os preconceituosos vão dizer. Tem que ser muito livre para comemorar uma vitória assim, de cara limpa, com um amigo que te apoia sempre”, escreveu.

No dia seguinte, cinco integrantes da Camisa 12, segunda maior torcida organizada do Corinthians, foram ao CT do clube protestar contra a atitude de Sheik, levando três faixas que diziam “Vai beijar a P.Q.P. Aqui é lugar de homem”, “Respeito é pra quem tem” e “Viado não”.

Dois meses depois, o jornalista e apresentador Luiz Felipe de Campos Mundin, que assina como Felipeh Campos, anunciou que faltava pouco para fundar a já polêmica Gaivotas Fiéis, primeira torcida organizada com conceito gay do Corinthians.

A Pública conseguiu entrevistar um personagem importante em ambos os episódios, Marco Antônio de Paula Rodrigues, de 34 anos. Conhecido pelo apelido “Capão”, por ter crescido no Capão Redondo, bairro periférico da zona sul de São Paulo, ele é presidente da Camisa 12, e foi um dos cinco que protestaram contra o selinho de Sheik. Ele revela ter sido o autor da faixa que dizia “Viado não” – a única, dentre as três, que considera agressiva. “Só essa foi um pouco mais forte, foi um excesso. Eu que risquei com o spray essa faixa, eu até pensei [que era agressiva], mas depois que nós já estávamos lá, a gente não podia voltar atrás”, diz. Trajado da cabeça aos pés com roupas da Camisa 12 (boné, camiseta, agasalho, bermuda e até meias da torcida), Capão é assertivo, olha nos olhos e tem a voz rouca. Aceitou falar durante uma hora e meia com a reportagem da Pública na sede da torcida, no bairro paulistano do Pari, região central, para “dar a explanação” sobre os dois episódios.

Sobre a iniciativa de Felipeh Campos, Capão vê a nova torcida gay como puro marketing. “Acredito que ele está pensando mais numa autopromoção do que numa torcida organizada. Porque para nós, uma torcida organizada começa como a gente sempre troca ideia nas torcidas: o cara vai para uma caravana, o cara participa de vários jogos do Corinthians na arquibancada e não na numerada, a pessoa participa de inúmeras manifestações corintianas que teve nesses últimos anos, tanto de protesto contra diretoria, contra jogador. Tem uma caminhada ideológica dentro de uma instituição para você fundar uma torcida organizada. Torcida organizada não é um comércio, mano”, argumenta.

“Tomei muita borrachada da polícia por aí, passei muita fome na estrada, nunca fomos pra qualquer lugar e fomos bem recebidos por qualquer órgão que cuida da organização do jogo no estádio, da segurança pública, nós sempre fomos maltratados por muitos deles, então a torcida organizada não é simplesmente chegar e falar: ‘Ó, vou criar uma torcida hoje. Vou criar uma camisa e vou pro estádio’”.

Torcedores foram ao CT exigir pedido de desculpa de Emerson Sheik por selinho em amigo

Torcedores foram ao CT exigir pedido de desculpa de Emerson Sheik por selinho em amigo

Para Capão, é “inaceitável” a escolha do nome da torcida gay e a corruptela do símbolo do Corinthians – no brasão da Gaivotas, além da nova ave, o símbolo do Corinthians tem como fundo um espelho de maquiagem com direito a pincel e lápis, e a bandeira do Estado de São Paulo foi pintada com as cores do arco-íris, ícone do movimento gay.

Símbolos da Gaviões da Fiel e da Gaivotas Fiéis. Para a Gaviões, houve plágio do jornalista Felipeh Campos (Foto: Reprodução)

“Eu acho que o rapaz lá acaba beirando até o ridículo… Ele está transmutando as nossas coisas. Tanto pelo nome que ele coloca se referindo a uma torcida que tem uma puta tradição [Gaviões da Fiel, a maior organizada do Corinthians, fundada em 1969] quanto do nosso símbolo do Corinthians, ele colocar um espelho e uns negócios de maquiagem no símbolo… Numa entrevista que eu vi, perguntaram: ‘Mas por que isso daí?’ E ele: ‘Ah, porque na verdade o corintiano vai gostar de se pintar na arquibancada’. Meu, torcida do Coringão é 90 minutos, mano. A gente gosta é de cantar, de sofrer, de chorar pelo Coringão. Não é de se pintar. Com todo o respeito, nem as nossas mulheres fazem isso”, afirma Capão, que é contra a existência de uma torcida gay. “Já digo de pronto que eu não sou favorável a ter uma torcida gay, porque eu acho que os gays não precisam disso daí pra poder se achar numa sociedade que já está abrangendo todo mundo”.

Perguntado se existem gays na Camisa 12, Capão não hesita: “Nós não temos gays na torcida, mano. Pelo menos nunca soubemos, entendeu. Meu, se o cara tá lá, tá assistindo o jogo. Tudo bem, nós vamos respeitar, mas qualquer faixa assim, nós somo contra mano. Nós não queremos, de verdade mano, aqui dentro da 12. Pra nós é sério o estádio, não é só pra brincar”. Capão, explicando que, se “no meio de um gol os dois de repente se beijarem no meio da nossa torcida”, seria “ruim”: “O estádio pra nós é um templo”.

O lastro, para Capão – que não se considera homofóbico –, é sempre a tradição. “O cara ir pro jogo, se for um homem, de shortinho amarradinho, camisa amarradinha e todo pintado… Pra nós não rola meu, de verdade. Porque o nosso tradicionalismo, infelizmente, meio ogro, tá ligado, até beirando homem da caverna não permite isso daí, certo?”. Se a Camisa 12 fosse homofóbica, exemplifica Capão, “a gente juntava os associados da 12 e ia lá na passeata gay quebrar todo mundo. No entanto que ninguém tá muito se manifestando [sobre a Gaivotas Fiéis], certo? Por quê? Porque tudo que a gente fala, a mídia distorce”.

Sobre o episódio do selinho do Sheik, Capão diz que o problema foi o atacante ter declarado que o beijo era para comemorar a vitória do Corinthians. “Quando ele falou que ele estava fazendo aquilo pra comemorar o jogo ele já transferiu a responsa pro Corinthians”, afirma, explicando que, depois do episódio, onde quer que o Timão jogue é recebido com gritos de “beija beija beija” pelos torcedores rivais. “Estávamos ali [no protesto] representando muitos torcedores. Muitos pediram para que a gente tomasse a frente, tanto que eu recebi inúmeras congratulações depois”, diz.

Gaviões X Gaivotas

A Gaviões da Fiel, maior organizada do Corinthians, fez uma denúncia de crime contra a propriedade industrial no 1º DP de Guarulhos, contestando a sátira à marca da torcida, que é registrada. A torcida reclama que a proximidade dos nomes e símbolos das duas pode induzir ao erro. “Eu não sei onde eles enxergaram plágio”, contesta Felipeh Campos, da Gaivotas. “A minha torcida chama Gaivotas Fiéis, não é gavioa. Já começa que Gaivota é feminino, não é masculino. Se eu tivesse colocado cílios e salto alto no gavião, aí eu até acredito que poderia ter sido uma questão de plágio. Porém eu não estou utilizando as peças do emblema para plagiar alguma coisa. Entendo isso como uma retaliação homofóbica”, diz.

Feliphe Campos apresenta novo logo da torcida Gaivotas Fiéis

Feliphe Campos apresenta novo logo da torcida Gaivotas Fiéis

Felipeh conta que vem sendo ameaçado nas redes sociais, e que foi agredido verbalmente na semana passada, na Avenida Paulista. “As ameaças são coisas do tipo ‘Cuidado, eu vou te matar’, ‘Você já tá jurado de morte’, ‘Abre teu olho’. Então você vê que são atitudes extremamente homofóbicas e preconceituosas, elas não têm outros motivos”, diz. Sobre a agressão ao vivo, ele conta que ocorreu na saída de seu trabalho, na sede da TV Gazeta, na avenida Paulista. “Eu estava com um amigo meu na Paulista e um cara passou, me esbarrou e começou a me xingar. E eu falei: ‘É comigo que você tá falando?’ E ele: ‘ Você acha que é com quem? Tá pensando que você e a sua turminha vai entrar em estádio? Não vai não, mano’. E eu falei: ‘Bom, vamos conversar, abaixa o tom de voz’. E aí ele continuou a gritar e eu falei: ‘Ótimo, a polícia está vindo ali, eu vou te incriminar agora em crime de homofobia e você vai sair daqui para a cadeia’. Aí na hora que ele viu que a polícia vinha vindo a pé, ele meio que saiu de canto e deu um pinote”, relata.

Felipeh Campos conta que desde pequeno frequenta estádios. “O futebol nas décadas de 70 e 80 era uma grande festa. Mas foi crescendo de uma forma tão grande que deixou de olhar para a questão democrática. Não está escrito na porta do estádio que só é permitida a entrada de homens, né? Eu acredito que não só os gays têm que frequentar os estádios, como a mulher, as crianças, entendeu? O futebol é pra todos”, diz. “Mas é claro que o conceito da torcida é gay e o meu objetivo maior é inserir o público gay no estádio de futebol. Eles [as organizadas] monopolizaram os estádios”, diz.

De fato, a divisão do estádio do Pacaembu é um dos argumentos de Capão para rejeitar a convivência com as Gaivotas. Por determinação da Federação Paulista de Futebol, as organizadas do Corinthians têm que ocupar as arquibancadas Verde e Amarela, atrás de um dos gols, nos jogos em que o clube é mandante. Se ficasse fora desse setor, a Gaivotas estaria violando a regra. “Mas dentro desse setor, nós já temos seis torcidas: temos a Gaviões da Fiel, temos a Camisa 12, a Pavilhão 9, a Estopim da Fiel, a Coringão Chopp e a Fiel Macabra. São seis torcidas que estão ali e todas elas obtiveram a caminhada. Ninguém chegou do nada não”, argumenta Capão.

Felipeh garante que o objetivo não é “fazer represália com qualquer tipo de segmento sexual”. Porém, sobre dividir espaço com as outras organizadas, ele é enfático. “Nem que eu tiver que pedir segurança para o exército. Mas que a minha torcida vai entrar nos estádios, isso vai, com certeza. Nem que a gente tenha que chegar de carro-forte, de tanque”. Ele ressalta que a sua torcida será profissional e que todo o corpo diretivo será remunerado, diferentemente das outras organizadas.

Procurado pela Pública, Jerry Xavier, diretor da Gaviões da Fiel, disse que a torcida não se pronuncia sobre esse tema. O Corinthians também afirmou, via assessoria, que não se manifesta a respeito de torcidas.

Homofobia bate recorde no Brasil

O Brasil, o país do futebol, vem sendo líder no ranking de mortes por homofobia. Segundo dados do relatório “Assassinatos de Homossexuais (LGBT) no Brasil”, de 2012, do Grupo Gay da Bahia, o Brasil concentra 44% do total de assassinatos por motivação homofóbica no mundo. Em 2012, foram registradas 3.084 denúncias de violações ligadas à homofobia e 310 homicídios por esse motivo.

Estádio: a terra do macho

“Por ser o estádio um ambiente que tem uma série de permissões nas relações masculinas – carinhos, afetos, às vezes até mesmo agressões – é necessário que esse ambiente seja considerado seguro para os homens. Para garantir essa suposta ‘segurança’, os torcedores precisam reforçar a sua masculinidade. E uma das coisas que melhor reforça a masculinidade na nossa cultura é a homofobia. Por isso ela aparece de forma tão gritante”, afirma o pedagogo e professor da UFRGS, Gustavo Andrada Bandeira, autor da tese de mestrado “‘Eu canto, bebo e brigo…alegria do meu coração’: currículo de masculinidades nos estádios de futebol”.

Para Bandeira, esse é o motivo da rejeição às torcidas gays: “Se a torcida do Corinthians, do Grêmio ou do Internacional for a primeira a levantar uma bandeira pró ações afirmativas, ela poderá ser chamada de a ‘torcida gay’, e as torcidas acham que isso é um problema”, diz.

Para Marco Antonio Bettine de Almeida, professor livre docente na Pós-graduação em Mudança Social e Participação Política da EACH-USP, a reação é “natural” num espaço que sempre foi dominado pelo masculino. “A partir do momento que as agendas de visibilidades desses grupos excluídos, que tiveram seus direitos cerceados, que são espancados, é natural, vendo a representação que o futebol tem no Brasil, começar toda essa movimentação de garantir uma representação nesse espaço eminentemente masculino, do macho, do falo”. Para ele, no entanto, há espaço para negociação entre os grupos LGBT e as organizadas. “Uma mulher no estádio é aceita, por exemplo, mas tem que representar os papéis dentro do estádio, que é torcer, xingar, participar. As torcidas gays ou não gays têm que incorporar um pouco da história desse espaço do torcer. E conhecer, minimamente, os códigos, senão vai gerar conflito. Porque o espaço é um espaço sagrado e tem uma carga cultural muito forte”.

Bandeira discorda. “Se é uma torcida gay, que ela tenha comportamentos diferentes das torcidas não gays. É sempre complicado quando a gente quer transgredir as regras de gênero sexual num ambiente muito marcado. Mas me parece que seria muito mais interessante se eles fizessem algo diferente”. Foi essa a aposta da Coligay, a primeira torcida homossexual do país, que em plena ditadura militar conquistou seu espaço dentre os torcedores do Grêmio (leia Box).

Uma inspiração para o caso brasileiro pode ser a GFSN (Gay Football Supporters Network, Rede de Torcedores de Futebol Gays, numa tradução livre). Fundada em 1989, a associação do Reino Unido tem diversas iniciativas para a inserção do público LGBT no futebol. “Estamos em contato permanente com muitos clubes para recomendar políticas anti-homofóbicas por parte deles”, afirma Simon Smith, do departamento de comunicação. “Ajudamos, por exemplo, a consolidar os Gay Gooners, a torcida LGBT do Arsenal e conseguimos o apoio formal de representantes do Liverpool e do Everton para a parada do orgulho LGBT da cidade de Liverpool. Dentro de campo, organizamos há dez anos campeonatos de futebol voltados ao público LGBT para a inclusão no esporte”, conta Smith.

A GFSN também registra com precisão britânica a ocorrência de gritos e cânticos homofóbicos nos estádios – e faz campanha permanente contra eles. “Na temporada passada, os torcedores do Brighton & Hove Albion FC sofreram com cantos homofóbicos em 72% dos jogos que disputaram. Nós documentamos isso e enviamos à FA (Football Association, a CBF inglesa), que ainda não tomou nenhuma atitude. Mas nós continuamos pressionando”, diz.

No próximo ano, a Copa do Mundo promete ser palco de discussão sobre homossexualidade – pelo menos em São Paulo, onde mais de 40 mil pessoas são esperadas para acompanhar a transmissão dos jogos nos telões da Fan Fest, no Vale do Anhangabaú, centro da cidade. Ali, a prefeitura planeja realizar uma intervenção para discutir homofobia, com direito a exibição de vídeos em telas e distribuição de folhetos sobre o tema. Outra ação que está sendo estudada é transmitir os jogos em telões no Largo do Arouche, um “point” LGBT da cidade, para esses torcedores.

Fonte: Ig Esporte

Ativismo gay tem interesses financeiros, diz Silas Malafaia 1

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O pastor homofóbico Silas Malafaia concedeu uma entrevista ao jornal “O Povo”, de Fortaleza (CE), onde esteve na semana passada durante a Escola de Líderes Associação Vitória em Cristo (Eslavec) que aconteceu entre os dias 5 e 9 de novembro.

Entre os assuntos abordados na reportagem, o líder religioso falou sobre a polêmica que envolve seu nome e movimentos homossexuais que o acusam de homofobia.

Malafaia rejeita o título e diz que não pode ser considerado homofóbico, pois a “homofobia é uma doença classificada na psiquiatria em que objetivo é matar, destruir, o homossexual” coisas que ele não deseja.

O motivo da discussão entre o pastor evangélico e os ativistas seriam motivos financeiros. “Aqui tem um interesse de grana, mamam grana dos governos federal, estaduais e municipais, de empresas estatais”, disse ele separando os homossexuais dos ativistas que fazem “sindicalismo gay”.

“A gente discute tanto liberdade de expressão e como é que podem rotular uma pessoa de homofóbica, na maior cara de pau, porque eu expresso uma opinião contra uma prática?”, questiona.

O pastor presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) volta a reafirmar que o homossexualismo não é condição, mas um comportamento. “Não existe uma prova de que alguém nasça homossexual”, afirmou.

Na entrevista o pastor também falou sobre política, dizendo que se manifesta não por ser evangélico, mas por ser cidadão. Também disse que seu chamado é influenciar as pessoas e não se candidatar a um cargo político.

“Não fui chamado para ser deputado, acho isso um absurdo, sou um pastor. Agora, como pastor sou cidadão”, disse.

Em documentário de Stephen Fry, Jair Bolsonaro diz que “não existe homofobia no Brasil” Resposta

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“Um dos mais estranhos e sinistros encontros que já tive na vida”: assim o famoso comediante inglês Stephen Fry define a entrevista que fez com o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) para seu documentário Out There, atualmente em exibição pela BBC no Reino Unido. No documentário, Fry mostra como  a homofobia avança em várias partes do mundo. Infelizmente, para nossa vergonha, o Brasil aparece ao lado de Uganda e Rússia como um dos países onde existem políticos e líderes religiosos que perseguem homossexuais.

Fry, que é gay assumido, chegou a tentar o suicídio durante as filmagens, certamente deprimido com o que presenciou. “Ver tanta ignorância, brutalidade, estupidez e horror não ajudou”, reconheceu. No encontro com Bolsonaro, o comediante conta que se concentrou para não perder a calma diante dos absurdos que ouviu. “Nenhum pai tem orgulho de ter um filho gay”, afirma o deputado, atribuindo as agressões a homossexuais em nosso país ao uso de drogas e à prostituição. “Mas não há razão para clamor, não existe homofobia no Brasil”, dispara, antes de cair na gargalhada.

Em documentário para abordar o avanço da homofobia no mundo, o comediante e ator Stephen Fry entrevistou o deputado para falar de seu veto contra a criminalização dos crimes em virtude de orientação sexual.

No vídeo, Bolsonaro insinua que “não existe homofobia no Brasil”, afirmando que a maioria dos homossexuais do Brasil morrem em locais de consumo de drogas, de prostituição e até assassinados por seus próprios parceiros.

Entre as frases mais polêmicas, destacam-se “sua cultura é diferente da nossa. Nós não estamos preparados para isso no Brasil, porque nenhum pai vai comemorar por ter um filho gay”. E, principalmente: “Eles querem que os heterossexuais continuem gerando crianças, para que essas crianças se transformem em gays e lésbicas para satisfazê-los sexualmente no futuro”. 

(Parêntese: não adianta se irritar: o único jeito de se livrar de figuras como Bolsonaro é não votando nele. Espalhe essa ideia.)

Assista o trecho do documentário, com legendas em português, onde Stephen Fry entrevista a mãe de Alexandre Ivo, garoto carioca de 14 anos assassinado em 2010 por skinheads, e Jair Bolsonaro. Íntegra de Out There aqui (sem legendas).

Formada com destaque em curso para vigilante, travesti diz que transfobia impede trabalho Resposta

Para manter a forma e evitar a depressão, Milena se exercita na academia improvisada pelo companheiro Foto: Rafael Moraes / Extra

Para manter a forma e evitar a depressão, Milena se exercita na academia improvisada pelo companheiro Foto: Rafael Moraes / Extra

É esperado que um vigilante tenha postura firme, coragem e saiba se impor. Essas características não faltam a Milena Sara Sandim. Ela deixou de ser André aos 14 anos e hoje, aos 28, é a primeira travesti formada vigilante no país. A coragem de assumir a identidade de gênero, que marcou a vida pessoal, no entanto, parece atrapalhar a profissional.

- Quando passei a morar com o Alessandro (seu marido), me interessei pela atividade dele, que é vigilante há anos – conta ela, que se formou no curso em maio e, desde então, tenta sem sucesso entrar no mercado de trabalho.

No curso de vigilante, Milena recebeu menção honrosa. Foi nota 10 em prevenção e combate a incêndio e conquistou média 8,51, com aprovação sem ressalvas em armamento em tiro e primeiros socorros. Quando se candidata a uma vaga de trabalho, Milena precisa se identificar como André, com a observação de que é travesti. Nunca foi chamada para uma entrevista sequer.

Milena Sara, formada com menção honrosa no curso profissionalizante para vigilante Foto: Rafael Moraes / Extra

Milena Sara, formada com menção honrosa no curso profissionalizante para vigilante Foto: Rafael Moraes / Extra

- A sociedade me cobra uma profissão que ela considere digna. Me qualifiquei naquilo que gosto e agora a mesma sociedade me fecha as portas e me inclina novamente para as ruas. Entrei para um curso de formação, aprendi a abordar, imobilizar, atirar. Me joguei no chão, rastejei, mas o difícil mesmo é ficar aqui cinco meses, tendo me candidatado a todas as vagas de Barra Mansa e Volta Redonda, e não ter recebido um retorno sequer. Em São Paulo, fiz ponto e consegui ganhar até R$ 4 mil por mês. Já me prostituí quando foi preciso e estou me esforçando para ter uma vida diferente. Travesti não pode ficar restrito à rua ou ao salão de beleza.

Ela mora com Alessandro Mario Sant’Anna (23), em Barra Mansa, na casa que ela construiu com o dinheiro conquistado na rua. A prostituição em São Paulo, onde viveu dos 14 aos 23 anos, também pagou os 600 mililitros de silicone dos seios, o Metacril (substância sintética usada para preenchimento estético) nas nádegas e coxas e a plástica no rosto.

Milena e o companheiro Alessandro: ele não tem dificuldade de encontrar emprego Foto: Rafael Moraes / Extra

Milena e o companheiro Alessandro: ele não tem dificuldade de encontrar emprego Foto: Rafael Moraes / Extra

Desde que se conheceram pela internet em 2010, o marido de Milena nunca ficou desempregado, passando por três firmas diferentes.

- E eu não consigo – lamenta Milena.

Em Volta Redonda, segundo ela, uma travesti consegue R$ 4 mil por mês prostituindo-se. Já o salário base mais benefícios do vigilante, diz Alessandro, chega a R$ 1,4 mil. Mas, enquanto a oportunidade não chega, Milena treina para se manter em forma e longe da depressão.

- Caminho para manter meus 74 quilos. Levantar peso, não é sempre, para não ficar musculosa – conta ela, do alto de seu 1,76m, na academia improvisada pelo marido.

Alessandro herdou o gosto pelo trabalho como segurança do pai adotivo, um oficial do Exército que reprova o casamento do filho. A família de Milena apoia o casal e mora na casa ao lado.

Segundo a diretora do Sindicato dos Vigilantes de Volta Redonda e Sul Fluminense, Valéria Martins, o mercado de trabalho para mulheres já enfrenta preconceitos na profissão.

- As empresas só selecionam homens. Para cada 100 contratados, menos de dez mulheres conquistam uma vaga. Acredito que exista um preconceito ainda maior no caso de uma travesti.

Coordenador do projeto Damas, da Prefeitura do Rio, que busca a capacitação e a inserção de travestis no mercado de trabalho, Carlos Alexandre Lima diz que até mesmo empresas de recurso humanos criam obstáculos para fazer encaminhamento de travestis para vagas de emprego.

- A resistência das empresas é imensa. Nunca deixou de existir. A inexistência de tal dificuldade é exceção.

Cláudio Nascimento, coordenador do programa estadual Rio Sem Homofobia, diz que travestis e transexuais são o segmento mais perseguido na comunidade LGBT.

- Existe um estigma muito grande sobre elas. A maioria não consegue terminar o ensino fundamental. As que conseguem, encontram extremas dificuldades para inserção profissional – afirma Nascimento.

*Informações Extra

RJ: Parque Madureira recebe debate sobre homofobia Resposta

O Parque Madureira recebeu, na última terça-feira, a 1ª edição do ciclo de debates “Discutindo a Homofobia”, promovido pela Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual.

O debate contou com a participação do coordenador especial da Diversidade Sexual, Carlos Tufvesson; Luciana Mota, defensora pública e coordenadora do Núcleo da Defesa da Diversidade Sexual e dos Direitos Homoafetivos (NUDIVERSIS) Mario Luiz da Silva, delegado titular da 77ª Delegacia de Icarai; e Loren Alexsander, presidente do Movimento de Gays, Travestis e Transformistas (MGTT) e organizadora da Parada LGBT de Madureira. A mediação ficou por conta do jornalista Thiago Araujo.

O objetivo do encontro é levar ao público o entendimento sobre a questão da homofobia e debater sobre o aumento do número de crimes contra homossexuais.

O delegado Mario Luiz disse que a polícia está se preparando para este novo cenário da sociedade, já que nenhum policial se forma sem aprovação em disciplinas relativas à diversidade, orientação e identidade sexual.

Carlos Tufvesson, destacou que “não é preciso ser negro para lutar contra o racismo, não é preciso ser mulher para lutar contra o machismo, nem ser gay para lutar contra a homofobia”.

Fonte: SRZD

Estado do Rio Grande do Sul lança campanha contra a homofobia Resposta

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A campanha estadual contra a homofobia “Amor, seja como for: Respeitar a diversidade é promover a igualdade” foi lançada na segunda-feira (26/08), em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Promovida pela Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH), a iniciativa conta com peças temáticas retratando casais gays e uma chamada pelo respeito à diversidade sexual, que passam a estampar outdoors nas ruas da capital e demais municípios da Região Metropolitana, além de oitenta busdoors de várias linhas de Porto Alegre. Já para o interior, haverá distribuição de material impresso sobre homofobia e transfobia. A campanha faz parte do Programa Rio Grande sem Homofobia, promovido pela Coordenadoria de Diversidade Sexual da SJDH.

“Essa campanha é fruto de uma preocupação com a violência contra o público LGBT que tem aumentado. Também deixamos claro que esse amor não se restringe somente ao casamento, o amor pode ser o de uma noite ou de uma vida, e merece respeito”, explicou o coordenador estadual de Diversidade Sexual da SJDH, Fábulo Nascimento da Rosa.

A diretora do Departamento de Direitos Humanos e Cidadania da SJDH, Tâmara Biolo Soares, explicou que a campanha está sendo construída desde o ano passado, quando iniciaram as ações do Rio Grande Sem Homofobia, e agora chega às ruas com o mote do respeito à diversidade sexual. “É tarefa do Estado ser propulsor de campanhas como essa, é também uma forma de dizer para a sociedade que essa cultura homofóbica está ultrapassada”. Tâmara espera que a campanha promova debates e a reflexão das pessoas que ainda acreditam “não ter nada com isso” ou que têm preconceito homofóbico. “Esperamos que a campanha lançada hoje seja uma semente”, completou ela.

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Representante da Associação dos Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul, Marcelly Malta destacou o fato de pela primeira vez uma campanha como essa ir para as ruas e, em um segundo momento, chegar ao Interior. “Pode causar um estranhamento no início, mas vai fazer a sociedade parar e refletir. Eu acredito que a SJDH acertou”, afirmou Marcelly. O casal Valéria e Luís, que estampam uma das três peças da campanha, esteve presente no lançamento. Valéria, que é transexual, diz se sentir “muito feliz em poder contribuir com a questão”. Todas as peças publicitárias são ilustradas com casais reais.

O secretário adjunto de Livre Orientação Sexual de Porto Alegre, Albano Assis, elogiou a iniciativa da SJDH. “Essa campanha é realmente maravilhosa. Nós, representantes do governo, somos obrigados a nos unir por essa luta”, afirmou Albano.

Parceria com a Secretaria de Educação

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A campanha tem o apoio do Comitê Estadual de Enfrentamento à Homofobia, que aproveitou a oportunidade da presença de seus membros e realizou a 2ª reunião do órgão. Na ocasião, a diretora Tâmara Biolo Soares destacou uma parceria com a Secretaria de Educação, em que a SJDH participou de diversas ações, como a capacitação de professores. Segundo uma pesquisa citada por ela, o bullying é hoje uma realidade nas escolas e as principais causas são a homofobia, o racismo e a diversidade religiosa. “Elaboramos com a Secretaria de Educação uma campanha chamada ‘Educar sem discriminar’, que é basicamente um projeto de curso de capacitação de diretrizes diretivas, ou seja, com a direção e os professores das escolas”, acrescentou a diretora.

É hora de discutir a homofobia no futebol 1

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O selinho do jogador corintiano Emerson Sheik no amigo Isaac Azar trouxe à tona a questão da homofobia no futebol em função da reação agressiva de torcedores do clube que protestaram contra a atitude do herói da Libertadores de 2012.

Mas não é uma questão nova, ainda que não tenha merecido a atenção devida nem dos dirigentes esportivos da CBF e das federações, tampouco das equipes profissionais. “Os clubes de futebol, a imprensa esportiva e outros atores envolvidos com o futebol legitimam a homofobia ao silenciarem sua existência. Ao não serem citados, os xingamentos homofóbicos acabam sendo naturalizados”, acredita Gustavo Andrada Bandeira, pedagogo e autor da dissertação intitulada Eu canto, bebo e brigo… alegria do meu coração: currículo de masculinidades nos estádios de futebol. “Os nossos grandes clubes possuem origens e histórias mais ou menos semelhantes. Não vejo, neste momento, condições para que um clube de futebol brasileiro levante qualquer bandeira política que o diferencie dos demais.”

O surgimento das torcidas queer, que combatem a homofobia nas redes sociais, teve o mérito de tirar esse tema da invisibilidade. Mas, mesmo ganhando inúmeros adeptos e o apoio de outros tantos, reconhecem dificuldades para fazerem coisas simples, como manifestar o amor pelo seu time em um estádio de forma coletiva.

“Frequentamos o estádio e temos sim esse objetivo [de comparecer como organizada]. Mas queremos fazer tudo com calma e no momento certo, é preciso garantir a integridade física de todos os participantes. Infelizmente a intolerância é muito grande e, a julgar pelas ameaças que recebemos na página, sabemos que não será fácil fazer protestos no estádio. Estamos pensando na melhor forma de fazer isto”, diz Milena Franco, da Galo Queer, torcida considerada precursora do movimento atual.

Algumas torcidas já tentaram ir aos estádios levando a temática LGBT. Muito antes da internet e das redes sociais, em 1977, surgiu a primeira organizada gay do Brasil, a Coligay,  fundada por Volmar Santos, então dono da boate Coliseu, para apoiar o Grêmio. Hostilizada pelos próprios torcedores do clube, foi extinta na década de 1980. Outro exemplo que também não foi adiante é a FlaGay, fundada pelo carnavalesco botafoguense Clóvis Bornay e que teve idas e vindas entre o final da década de 1970 e os anos 1990.

Quanto ao comparecimento em estádios, a Bambi Tricolor enfrenta a mesma dificuldade da Galo Queer, mas em um nível talvez pior, já que são-paulinos são muitas vezes alvo de ofensas homofóbicas por parte dos rivais. “Há uma forte resistência entre os torcedores, agravada, inclusive, pela escolha do nome Bambi Tricolor. E embora a maioria que se manifesta tenha consciência de que as provocações e ofensas contra os são-paulinos tem um forte caráter homofóbico, não é muito clara a ideia de que a reação da torcida, de modo geral, tende a reforçar a homofobia”, conta Aline, representante da Torcida.

Confira nos links abaixo as três entrevistas feitas pelo Futepoca em abril e maio deste ano sobre a homofobia no futebol brasileiro.

“Nossa cultura ainda é muito permissiva em relação à homofobia”

Entrevista com Gustavo Andrada Bandeira, pedagogo e autor da dissertação intitulada Eu canto, bebo e brigo… alegria do meu coração: currículo de masculinidades nos estádios de futebol.

“Em questões que envolvem violência, todo silêncio é, na verdade, uma omissão”

Entrevista com Aline, representante da Bambi Tricolor

“A rivalidade faz parte do futebol, mas a homofobia não”

Fonte: EBC

Um dia após defender lei anti-gay na Rússia, Isinbayeva se diz mal interpretada 1

Yelena Isinbayeva diz que foi mal interpretada. Tadinha, não?

Yelena Isinbayeva diz que foi mal interpretada. Tadinha, não?

Um dia após defender a lei anti-gay russa, a principal atleta do salto com vara no mundo, Yelena Isinbayeva, se disse “mal interpretada”, via comunicado oficial.  Hoje, a medalhista de ouro no Mundial de Atletismo de Moscou afirmou que “se opõe a qualquer discriminação”.

“Quero deixar claro que respeito os pontos de vista de meus companheiros atletas e quero expressar de maneira firme que me oponho a qualquer discriminação contra a comunidade gay com respeito a sua sexualidade”, disse Isinbayeva.

Ela afirmou que, por ter usado o inglês para falar sobre o assunto, acabou mal interpretada. “O inglês não é minha língua materna creio que houve um mal entendido. O que eu queria dizer é que a gente deve respeitar as leis de outros países, principalmente quando são convidados”, continuou.

Ontem (15/8), em entrevista coletiva antes da cerimônia do pódio pelo seu triunfo no salto com vara, ela se mostrou a favor da lei russa que proibido “propaganda homossexual ante menores”, além de criticar a sueca Emma Green-Tregaro, que competiu no salto em altura com as unhas pintadas com as cores do arco íris, um símbolo gay.

“Nós nos consideramos pessoas normais, vivemos os garotos com as garotas, as garotas com os garotos. Isso vem desde sempre”, disse Isinbayeva na quinta-feira.

Opinião

Yelena Isinbayeva deve um pedido de desculpas a todos os LGBT do mundo por suas declarações homofóbicas. Não tem essa de ser mal interpretada.

Mundo parece não se importar com homofobia na Rússia Resposta

Para o ator Stephen Fry, o presidente russo, Vladimir Putin, está transformando os gays em “bodes expiatórios, como Hitler fez com os judeus”

Para o ator Stephen Fry, o presidente russo, Vladimir Putin, está transformando os gays em “bodes expiatórios, como Hitler fez com os judeus”

Sexta-feira passada o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, negou boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno, que acontecerá em Sochi, na Rússia. O presidente estadunidense disse que deseja que os gays conquistem medalhas nas Olimpíadas e pediu que a Rússia receba bem os gays e lésbicas.

Depois de Obama, no sábado, o primeiro-ministro britânico David Cameron também descartou boicote aos jogos olímpicos.

Para quem não sabe, está rolando em Moscou o Mundial de Atletismo.

Uma pena que os países que participam do Mundial de Atletismo e que participarão dos Jogos Olímpicos de Inverno na Rússia não tenham boicotado nenhum dos dois campeonatos. E o Comitê Olímpico Internacional (COI) também não parece muito preocupado com a homofobia na Rússia.

A Rússia, onde qualquer tipo de manifestação ou propaganda gay sofrem punição, é hoje um dos países mais homofóbicos do mundo. Lá os gays estão sendo torturados e o governo nada faz contra isso, muito pela contrário, como escreveu o ator Stephen Fry, o presidente russo, Vladimir Putin, está transformando os gays em “bodes expiatórios, como Hitler fez com os judeus”. Ao não boicotarem os Jogos de Inverno, os países que participarão parecem concordar com isso.

Obama diz que não tolera países que intimidam homossexuais Resposta

Barack Obama falou da comunidade LGBT no talk show de Jay Leno, da NBC

Barack Obama falou da comunidade LGBT no talk show de Jay Leno, da NBC

Dando mais uma prova que seu segundo mandato será marcado pela defesa dos direitos LGBT, o presidente estadunidense Barack Obama criticou as nações que perseguem a comunidade gay na noite da última terça-feira (7/8), durante uma entrevista ao programa The Tonight Show, da rede NBC. Obama fez o comentário ao falar da Rússia, que tem aprovado legislações anti-homossexuais.

“Sem tolerância para os países que tentam intimidar gays, lésbicas e transgêneros , de uma maneira prejudicial a eles”, disse Obama ao apresentador do programa, Jay Leno .

Sede da edição de inverno dos Jogos Olímpicos, no próximo ano, a Rússia tem sido pressionada a revogar leis restritivas à comunidade LGBT, como a que proíbe a realização de paradas gays.

“Eu acho que eles entendem que a maioria dos países participantes dos Jogos Olímpicos não toleraria que gays e lésbicas fossem tratados de forma discriminatória”, observou Obama sobre a possível revogação.

O presidente dos Estados Unidos ainda falou da necessidade de tratar todos com igualdade. “Uma coisa que é importante para mim é ter certeza que as pessoas serão tratadas de forma respeitosa e com justiça. É isso o que defendemos, eu acredito que esse preceito não é exclusivo para a América. É algo que deve ser aplicado em todos os lugares. “.

2ª Jornada Ambiente Saudável é Ambiente sem Homofobia. Saiba como participar Resposta

Secretaria do Ambiente abre inscrições para debates sobre sustentabilidade, homofobia e direitos humanos

Inscrições: até 19/8

Período da jornada: de 20 a 23/8/2013; das 14h e 18h

Onde: Auditório da Secretaria de Estado do Ambiente (Avenida Venezuela, 110/6º andar – Centro, Rio de Janeiro)

Movida pela máxima de que um ambiente sustentável e saudável não pode conviver com a intolerância e a homofobia, a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) promove, de 20 a 23 de agosto, pelo segundo ano consecutivo, a Jornada Ambiente Saudável é Ambiente sem Homofobia.

Ao articular a temática ambiental com a da diversidade cultural, identidade de gênero e desigualdade social da população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), a Superintendência de Educação Ambiental (Seam) – setor da SEA responsável pela organização do evento – vai exibir documentários e reunir profissionais com grande expertise para debater temas como Ambiente sem Preconceito; Novos Arranjos Familiares e Famílias de LGBT; A Travestilidade e a Injustiça social e Os Desafios da Transexualidade e os Novos Direitos.

Para participar, o interessado deve preencher o formulário abaixo e enviá-lo para o email ambientesemhomofobia@gmail.comaté 19 de agosto. A confirmação também pode ser feita pelo telefone (21) 2334-5736, das 10h às 18h. O evento é gratuito e as vagas, limitadas. Será emitido um certificado de participação.

A jornada faz parte do projeto Ambiente Saudável é Ambiente é Ambiente sem Homofobia, criado em 2012 pela Seam, que tem o objetivo de fortalecer o Programa Rio sem Homofobia. Coordenado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), o Rio sem Homofobia articula diversas secretarias de Estado no combate à homofobia e na promoção da cidadania e dos direitos de LGBTs.

Acesse o formulário de inscrição: http://download.rj.gov.br/documentos/10112/657213/DLFE-62379.docx/Ficha_Inscricao_Jornada31_7.docx

 

Programação:

20/08 – Ambiente sem Preconceito

14h – Mesa de abertura

Carlos Minc – Secretário Estadual do Ambiente (SEA). Palestra: “Ambiente Saudável”

Lara Moutinho da Costa – Superintendente de Educação Ambiental (SEAM/SEA). Palestra: “Educação Ambiental no enfrentamento da homofobia”.

Julio Moreira – Presidente do Grupo Arco-Íris – Cidadania LGBT. Palestra: “História do Movimento LGBT”.

Claudio Nascimento – Superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos (Superdir/SEASDH). Palestra: “Programa Estadual Rio sem Homofobia – Conquistas e desafios”.

17h30 – Confraternização

21/08 – Novos arranjos familiares e famílias de LGBT

14h – Apresentação de fragmento do filme “Patrik 1.5” de Ella Lemhagen

15h – Mesa redonda e debate:

Ana Paula Uziel – Coordenadora do Laboratório Integrado em Diversidade Sexual, Políticas e Direitos (LIDIS/UERJ)

Luciana Mota – Coordenadora do Núcleo de Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo – NUDIVERSIS/DPGERJ

Georgina Martins – Escritora de livros para crianças e jovens professora do curso de Pós-Graduação em literatura infantil e juvenil da UFRJ e integrante do movimento Mães pela igualdade.

Mediador(a): Vanessa Leite–Pesquisadora do LIDIS/UERJ

17h30 – Confraternização

22/08 – Travestilidade e racismo ambiental

14h – Apresentação de fragmento do filme “As Bombadeiras” de Luís Carlos de Alencar

15h – Mesa redonda e debate:

Tania Pacheco – Coordenadora do mapa de conflitos envolvendo injustiça ambiental e saúde no Brasil – Fiocruz/Fase.

Adriana Balthazar – Mestre em Saúde Coletiva pelo IMS-UERJ

Marjorie Marchi – Associação de Travestis e Transexuais do Estado do RJ- ASTRA-Rio

Mediador (a): Lara Moutinho da Costa – Superintendente de Educação Ambiental (SEAM/SEA)

17h30 – Confraternização

23/08 – Os desafios da transexualidade e os novos direitos

14h – Apresentação de fragmento do filme “Transámerica” de Duncan Tucker.

15h –  Mesa redonda e debate:

João W. Nery – Psicólogo e escritor

Guilherme Almeida – Professor Adjunto da Faculdade de Serviço Social da UERJ e Coordenador Adjunto do Laboratório Integrado em Diversidade Sexual, Políticas e Direitos (UERJ);

Barbara Aires – Militante ativista e produtora da Globo

Mediador (a): Almir França – Coordenador do Centro de Referência e Promoção da Cidadania LGBT – Capital

17h30 - Confraternização

Mais informações:

Coordenação de Comunicação da Seam

Marcos Maia (coordenador) – marcos.maia@globo.com – (21) 9389-8953

Luciana Lana – luciana@comunicaseam.com.br – (21) 9377-4848

Assessoria de Comunicação

SEA – Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro
Av. Venezuela, 110/5° andar, Saúde
Rio de Janeiro – RJ CEP: 20.081-312
Tel: (21) 2332-5625
Email: imprensa@ambiente.rj.gov.br

Mais informações em www.rj.gov/web/sea

MPF investiga se ativistas LGBT foram agredidos em evento com Feliciano no Pará Resposta

Pará

O Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para apurar as denúncias de agressões contra ativistas LGBT que protestavam durante evento da igreja Assembleia de Deus, em Santarém, no oeste do Pará, no último dia 29.

As agressões teriam ocorrido no momento em que o pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) celebrava um culto. Revoltado com os militantes, que para protestar abriram uma bandeira com as cores LGBT, o parlamentar pediu que a Polícia Militar (PM) interviesse e os prendesse.

Antes da intervenção da polícia, seguranças do evento foram até os manifestantes e, de acordo com relatos dos ativistas, os agrediram com tapas, socos e armas de choque. Os policiais miliares chegaram somente depois e, segundo os manifestantes, usaram força desproporcional contra eles. Três militantes foram presos, entre eles um que filmava os acontecimentos.

Em nota, o MPF afirmou que irá pedir a identificação dos policiais que participaram da segurança do evento e ouvirá os manifestantes. A Procuradoria também requisitou laudos dos exames de corpo de delito realizados após as agressões.

O outro lado

Por volta de 18h15, a reportagem entrou em contato com o responsável pelo setor de comunicação da PM, mas ele afirmou que não seria possível emitir um posicionamento da corporação em função do fim do expediente.

A assessoria do deputado também foi procurada e afirmou que Feliciano só poderá falar sobre o episódio amanhã, pois hoje está com a família. A reportagem não conseguiu localizar representantes da Assembleia de Deus em Santarém.

Veja o vídeo aqui: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/08/05/mpf-investiga-se-ativistas-lgbt-foram-agredidos-em-evento-com-feliciano-no-para.htm

Teresina é a capital que mais mata por homofobia em todo o país Resposta

GGB

Proporcionalmente ao número de habitantes, Teresina (PI) é considerada a capital mais homofobia do país por conta do alto índice de lésbicas, gays e travestis. De acordo com dados de um relatório sobre violência homofóbica no Brasil, em 2012 foram registradas 68 denúncias contra homossexuais do Piauí. O número é menor do que 2011 quando foram registrados 107 denúncias uma redução de 36%.

O Piauí foi o único estado da federação que registrou o decréscimo de denúncias, a contradição, é a capital do estado. Um estudo anual do Grupo Gay da Bahia em 2012 revela que Teresina teve uma média de 15,6% de assassinatos homofobicos para uma população de pouco mais de 800 mil habitantes. Proporcionalmente ao número de habitantes, a capital do Piauí é considerada a mais homofobica do país.

“Percebemos que estamos num momento de retrocesso nessa questão do enfretamento a homofobia. Parece que quando damos um passo pra frente damos três pra trás. As pessoas ainda insistem em nos martirizar”, disse Maria dos Reis, presidente do grupo de travestis e transexuais.

Erika Mourão, delegada de direitos humanos diz que a maioria dos agressores são pessoas próximas das vítimas. “Vizinhos e muitas vezes familiares que são os autores dos crimes. Algumas pessoas tem até receio de se assumirem e as vezes deixam de vir a delegacia. É importante que venham até aqui, façam o registro de ocorrência”, explicou.

Veja o vídeo do assassinato de de mais uma travesti em Teresina: clique aqui.

Fonte: G1

O papa não acolhe os LGBT 1

Papa Francisco: “Não tenho ouro, nem prata”. Aham, e a gente acredita.

Papa Francisco: “Não tenho ouro, nem prata”. Aham, e a gente acredita.

O papa dos pobres, o papa Chico, o papa que sorri e abraça o povo, anda de Fiat e não no papa-móvel e ainda diz que não tem ouro nem prata, resolveu dizer que a Igreja Católica não julga os gays.

“Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”

O primeiro oapa latino-americano, que durante sua permanência no Brasil evitou falar de temas como aborto e casamento gay, enfatizou em pleno voo entre Rio e Roma que “o catecismo da Igreja Católica explica de forma muito bonita” o tema da homossexualidade.

“Diz que não se deve marginalizar estas pessoas por isso. É preciso integrá-las à sociedade”, comentou Francisco.

“O problema não é que haja esta tendência, e sim a formação de um lobby. Esse é o assunto mais grave para mim”, acrescentou o Papa ao responder a uma pergunta de um jornalista sobre as denúncias a respeito da existência de um lobby gay dentro do Vaticano.

Especialistas apontam para um grupo de pressão que estaria conspirando para ter acesso a cargos de poder.

“Nenhum lobby é bom”, declarou o Papa ainda.

“O problema não é essa orientação. Devemos ser irmãos. O problema é fazer lobby por essa orientação, ou lobbies de pessoas invejosas, lobbies políticos, lobbies maçônicos, tantos lobbies. Esse é o pior problema”, enfatizou.

A pergunta feita ao Papa referia-se ao “escandaloso caso de amor” entre o monsenhor Battista Ricca, nomeado pelo Papa Francisco recentemente para um cargo estratégico no banco do Vaticano, e um capitão da guarda suíça, um caso do passado que, segundo Francisco, não era de seu conhecimento.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, a orientação homossexual não é pecado, mas o ato sim, ou seja, as lésbicas e os gays devem ser castos. E é assim que o papa pensa. Isso é para ser aplaudido?

Além disso, no Brasil, o problema não é o lobby gay, mas o lobby antigay, liderado pelo deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

“Deputados que consideram a homossexualidade uma doença propõem a ‘cura gay’. Querem alterar a resolução do Conselho Federal de Psicologia que impede seus profissionais de tratar homossexuais como doentes. O que é um gay? Como diz a palavra inglesa, é uma pessoa alegre. Se os homossexuais são felizes, por que submetê-los à terapia?”, pergunta Frei Betto, em seu artigo publicado na “Folha de São Paulo”. Sobre isso o papa nada falou.

O papa, que foi contra o casamento gay na Argentina, quando era cardeal e também foi contra o casamento gay na França, e perdeu as duas batalhas para um estado laico, está sendo acusado de homofóbico por militantes chilenos e argentinos. Por aqui, tem militante a favor das declarações do papa. E no meu Facebook, diversos gays emocionados com a estada dele aqui. Lamentável.

O papa não sabia dos kits distribuídos aos peregrinos da Jornada Mundial da Juventude contra a adoção de crianças por casais do mesmo sexo? Até parece. O mesmo kit continha uma informações equivocadas sobre  sexo e gênero.

É preciso enxergar além. Na hora de bater nos evangélicos, tudo bem, mas não se pode falar nada do papa? Homofóbico sim e contra as mulheres. Foi taxativo sobre a ordenação de mulheres: disse que não é a favor.

É muito mais perigoso do que um Silas Malafaia ou um Marco Feliciano, pois possui muito mais poder.

Enquanto um chefe de estado for contra a igualdade entre todos os seres humanos, independente de orientação sexual, identidade de gênero etc. e visitar o meu país, me sentirei no direito de protestar e aplaudir todos os protestos que acontecerem.

Se as orientações da Igreja Católica fossem restritas aos seus fiéis, tudo bem, as igrejas andam vazias mesmo, mas a visita do papa pode influenciar influenciar negativamente pessoas e até o Congresso, em um momento em que os LGBT buscam igualdade de direitos no Brasil.

ABGLT tentará evitar aprovação do Projeto da Cura Gay na Comissão de Constituição e Justiça 1

O diretor Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Rafaelly Wiest, avaliou hoje  que a aprovação do projeto de decreto legislativo chamado de ‘cura gay’, pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, afronta decisões tomadas por organismos internacionais que há décadas se posicionaram contra a classificação da homossexualidade como doença. O projeto, aprovado ontem (18/06) em votação simbólica, autoriza o tratamento psicológico para alterar a orientação sexual de lésbicas e homossexuais. A matéria segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça.

‘Em 1990, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou a retirada da homossexualidade da classificação de doenças adotada pela Organização Mundial da Saúde. O que justifica o retrocesso depois de mais de 20 anos?’, questiona Rafaelly Wiest.

O diretor e integrante do Movimento Dignidade considera que o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, deputado Marcos Feliciano, se aproveitou de um momento, no qual as atenções estão voltadas para as manifestações que ocorrem em todo o país, para aprovar a matéria. ‘Ele aproveitou que a mídia toda está voltada para isso, que o foco não estava voltado para ele’, disse. Rafaelly Wiest informou que serão reforçados por as mobilizações para que o projeto seja rejeitado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

O projeto, chamado de Projeto da ‘Cura Gay’, propõe a suspensão da validade de dois artigos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, em vigor desde 1999, que proíbe os profissionais de participar de terapia para alterar a orientação sexual e de tratar a homossexualidade como doença. Os profissionais também não podem adotar ação coercitiva a fim de orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.