Vamos mudar em 2011 Resposta

O ano começou com duas situações constrangedoras. Na primeira, uma amiga foi me visitar, ela é negra, estávamos conversando, de repente toca o interfone. Era o porteiro. “Seu Rafael, chegou uma correspondência, estou sozinho, pede pra menina pegar no elevador”. “Menina? Você está achando que ela é minha empregada?” “Desculpe, eu pensei…” “Ela tem a mesma origem humilde que você, é negra feito você, mas não veio aqui trabalhar pra mim. Ela é minha amiga. Não se subestime tanto. Quando puder, eu pegarei a correspondência.”

Outra situação, festa da virada, chego no apartamento de um amigo, cumprimento um rapaz (feio, diga-se de passagem) e, depois de um tempo, quando eu estava sozinho, ele veio com cara de raiva e de poucos amigos: “Chega aqui, quero falar com você! Não tenho nada contra você, mas se não quiser, nunca mais aperte a minha mão, só que quando for apertar, não fica alisando.” Fiquei surpreso com tanta agressividade e disse: “Mas eu não fiz nada”. “Você sabe muito bem do que estou falando, não aperte mais a minha mão.”
O ano começa e acho que tenho uma missão: ajudar a torná-lo mais tolerante e amoroso. Vamos respeitar o outro, vamos deixar de julgar as pessoas pela cor da pele, pelo modo de se vestir, pela orientação sexual. Somo todos iguais, todos filhos de Deus, só, como já diz a música “não falamos a mesma língua”.