Diversidade Tucana aciona partido contra deputado João Campos, evangélico do PSDB Resposta


A declaração do presidente da Frente Parlamentar Evangélica (FPE), deputado João Campos (PSDB-GO), de que o apoio a Antonio Palocci foi usado como barganha pelos religiosos contra o kit anti-homofobia do Ministério da Educação, provocou a reação do Diversidade Tucana, núcleo de diversidade sexual do PSDB. O grupo vai acionar a direção do partido para questionar a postura do parlamentar. A ideia é pedir uma posição da sigla sobre o caso.

A afirmação de Campos foi feita durante entrevista a “Terra Magazine”, no dia 25 de maio, quando também informou que, após reunião, as bancadas evangélica e católica haviam decidido “impor uma série de condições”. “Se o governo insistisse em manter o kit, bloquearíamos a votação na Câmara e apoiaríamos a convocação do (então) ministro Palocci para dar explicações”, relatou na ocasião.

Por ora, o projeto Escola Sem Homofobia, que seria voltado para estudantes do Ensino Médio de escolas públicas, permanece suspenso por determinação da presidenta da República, Dilma Rousseff.

Para o articulador do Diversidade Tucana, Marcos Fernandes, o discurso do deputado não está alinhado com os ideais defendidos pela legenda.

– A posição que ele coloca é diferente da posição do próprio PSDB. Aqui, em São Paulo, por exemplo, temos uma delegacia de combate a crimes de intolerância, que começou com Mário Covas através de um grupo que combatia crimes de intolerância à diversidade. O Geraldo (Alkmin) transformou o grupo em delegacia. Temos conselhos criados pelo (José) Serra, prefeito e governador. Temos ambulatórios específicos para travestis e transexuais. Aqui, foi aprovada uma lei que garante ao parceiro do funcionário público o direito a pensão em caso de falecimento. Quer dizer, são várias ações que protegem a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), e vem o deputado e começa a dizer coisas contrárias ao que o próprio partido pensa.

O Diversidade quer que o partido se posicione. Fernandes diz que o grupo pretende ainda conversar com o presidente da FPE para “que ele, por ser do PSDB, ao falar como deputado, perceba a posição do partido”.

– Ele declarou que, se a Dilma insistisse no kit, que deputado chama de “kit gay”, eles (os parlamentares religiosos) iriam assinar a CPI do Palocci. O PSDB e o DEM é que entraram com pedido de CPI. Como ele disse que pretendia negociar? – indaga.

Em post intitulado “O fundamentalismo avança, nós trabalhamos para combatê-lo!”, publicado no Blog Diversidade Tucana, João Campos foi chamado de “deputado no PSDB que aderiu ao obscurantismo e à pregação homofóbica como forma de se promover”.

– Esse tipo de parlamentar está se proliferando por todos os partidos do Brasil e nós acreditamos que seja o papel dos secretariados LGBTs de cada partido agir de forma a esclarecer, informar e sensibilizar suas bancadas, para que argumentos populistas e falsos não prevaleçam. Esse deve ser um objetivo comum a todos nós, independentemente de filiação ou preferência partidária. Felizmente, o deputado João Campos é exceção no PSDB, e não a regra – completa, apresentando, em seguida, nomes de parlamentares da sigla que apoiam o Diversidade Tucana, entre eles, o presidente do partido, deputado federal Sérgio Guerra (PE) e a senadora Marisa Serrano (MS).

O blog mostra também um vídeo com declaração de apoio do governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, e uma mensagem por escrito, assinada pelo senador Aécio Neves, de Minas Gerais.

*Reportagem Terra Magazine

Nova Ministra da Casa Civil é contra a criminalização da homofobia Resposta


A nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann deu declarações ambíguas a respeito do PLC 122, que visa criminalizar a homofobia. Seguindo a linha da senadora Marta Suplicy (PT-SP), Gleisi disse que é preciso criminalizar a postura de “gente como o Bolsonaro, que sai pelas ruas espalhando o preconceito”, mas não interferir na liberdade de culto. Para Hoffmann, ainda vivemos numa sociedade estruturada nos valores religiosos e que não é possível mudar de uma hora para a outra a base social. Sobre o Estado ser laico, a senadora petista licenciada não se manifestou.


A ministra declarou que a sociedade não pode ser tolerante frente ao preconceito e a discriminação. Sobre o aborto, a ministra disse que é contra a descriminalização da prática.

Quando era senadora, Gleisi senadora se recusou a assinar e a integrar a Frente Parlamentar LGBT do Congresso Nacional. Ela também se recusou a assinar a proposta de desarquivamento do PLC 122/06, que Marta Suplicy conseguiu com sucesso.
*Com informações do iG e do Gay1

Homem é maioria entre turistas na Parada do Orgulho LGBT de São Paulo Resposta

A São Paulo Turismo (SPTuris) divulgou nesta quarta-feira (8/06) o perfil dos cerca de 400 mil turistas que participaram da Parada do Orgulho LGBT no ano passado. A organização diz que o evento reuniu mais de 3 milhões de pessoas na Avenida Paulista em 2010. O estudo realizado pelo Observatório do Turismo, núcleo da SPTuris, mostra que 60,7% desses visitantes eram homens e 48% tinham entre 18 e 24 anos.

Os turistas vieram, principalmente, do interior e litoral de São Paulo, além de Distrito Federal, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Entre os estrangeiros, os principais países de origem eram Estados Unidos, Uruguai, Inglaterra e França. Os motivos relatados para a viagem foram diversão, curiosidade, militância e prestígio. Entre os turistas, 43,7% possuíam o ensino médio completo e 39,1% eram assalariados. A pesquisa mostra ainda que 20,7% se declararam estudantes.

A 15ª edição do evento acontece no dia 26 de junho na capital paulista. O Observatório do Turismo fará uma nova pesquisa neste ano, que pretende traçar um perfil do público em geral, não apenas dos turistas. A SPTuris diz que serão 40 pesquisadores e dez supervisores espalhados pela Avenida Paulista. Eles aplicarão um formulário com várias questões. Também será feita uma análise das mídias sociais de todas as ocorrências relacionadas à Parada.

Recorde

Os organizadores do evento querem comemorar os 15 anos dele quebrando um recorde. Desta vez, no entanto, o objetivo não é reunir o maior número de pessoas em uma passeata contra a homofobia, mas, sim, colocar uma grande quantidade de participantes para dançar. Segundo o presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT), Ideraldo Luiz Beltrame, a meta é juntar o maior número de casais para uma valsa em plena Avenida Paulista.

“É um ‘début’, a própria palavra debutante significa transformação, mudança, o renascer. Então vamos abrir a parada convidando a todos na Paulista a dançar uma valsa e quebrar o recorde mundial de casais dançando valsa em local aberto”, disse. Segundo ele, representantes do Guiness Book, o livro dos recordes, estarão presentes.

Um concurso de DJs, segundo ele, vai escolher a melhor mixagem da valsa. O 15º mês do Orgulho LGBT foi aberto oficialmente nesta segunda-feira (6) a vai até o dia da parada com ciclos de palestras, feira cultural e atividades lúdicas.

*Reportagem G1

Deputado Sergio Brito será o relator do processo contra Jair Bolsonaro Resposta


O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, deputado José Carlos Araújo (PDT-BA), anunciou nesta quarta-feira que o deputado Sérgio Brito (PSC-BA) será o relator do processo contra Jair Bolsonaro (PP-RJ). Brito era um dos três nomes definidos em sorteio.

O processo foi provocado por representação da senadora Marinor Brito (Psol-PA), que o acusa de quebrar o decoro parlamentar durante discussão no dia 12/05. Na ocasião, a Comissão de Direitos Humanos do Senado debatia o projeto que criminaliza a homofobia (PL 122/06), do lado de fora, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) dava entrevista sobre o caso, quando o deputado ficou de papagaio de pirata, tentando fazer com que o panfleto contra o kit Escola sem Homofobia fosse filmado. A discussão começou e Marta Suplicy não se meteu.

Deputado tucano quer reverter decisão do STF e proibir união estável homossexual Resposta



Como o blog havia noticiado (clique aqui e leia) anteriormente, já sabemos que a Frente Parlamentar Evangélica quer retirar dos homossexuais brasileiros os direitos (clique aqui e veja quais são) adquiridos com o reconhecimento da união estável homoafetiva, que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu. O líder da bancada evangélica na Câmara, deputado João Campos (PSDB-GO), entrou com um Projeto de Decreto Legislativo (PDC) visando a reverter a decisão do STF.


Proteste, enviando mensagem a ele, clicando aqui: http://bit.ly/ik2i2l e participe da campanha contra este absurdo no Facebook.

Embora seja pessoalmente contra a união estável entre homossexuais, o deputado assegurou à “Rede Brasil Atual” que a motivação do PDC é corrigir uma das justificativas do STF para sentença que, a seu ver, não procede. “O argumento do Supremo de que o Legislativo se omitiu do tema não é verdadeiro. Nós temos discutido o assunto, mas não foi aprovado porque a maioria é contra (o reconhecimento da união homoafetiva), disse.

O parlamentar afirmou que o Judiciário se apropriou do tema, pelo fato de a maioria dos deputados se posicionar contra a matéria. “Sou contra (a união estável homossexual), assim como a maioria dos congressistas e da sociedade também é contra. Se fossem a favor, o Congresso teria aprovado o projeto por aqui”, garantiu.

Sobre a tramitação no Congresso, João Campos se mostrou otimista pelo avanço. “Somente na apresentação o projeto foi assinado por quase 50 parlamentares, o que já é um sinal extremamente positivo. O restante do caminho a ser percorrido vai depender de nossa articulação na Casa.”

Para o líder evangélico, políticas públicas não surtirão o efeito desejado em relação ao preconceito homofóbico. Ele defende que somente com uma mudança de postura dos homossexuais a discriminação será combatida. “A postura de gays, lésbicas e travestis em relação ao restante da sociedade vai falar muito mais alto do que o poder coercitivo do Estado. Uma política de prevenção (ao preconceito) ajuda, mas não é o instrumento fundamental”, defendeu.

Essa é mais uma investida da ala fundamentalista do Congresso. Há duas semanas, devido às ameaças de convocação do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci para explicar o aumento de seu patrimônio à Câmara, a bancada religiosa conseguiu interromper a distribuição dos chamados kits anti-homofobia nas escolas públicas. Ela usou termos como “porpaganda da opção sexual” e assumiu que não viu os vídeos do kit Escola sem Homofobia. Mais tarde, foi a vez de a senadora petista Marta Suplicy recuar no PLC 122, que criminaliza práticas homofóbicas.

De acordo com João Campos, ações do governo “podem estimular a intolerância por parte dos homossexuais”. Para o parlamentar, medidas voltadas à cidadania de modo geral seriam mais efetivas que atitudes pontuais voltadas aos homossexuais.

Quando perguntado se a intolerância dos grupos conservadores também não extrapolavam os limites do preconceito, o líder religioso garantiu que “nunca viu nem ouviu nenhuma ofensa (dos religiosos) contra os homossexuais”.

Polícia Civil investiga onda de homofobia em Cuiabá Resposta

A Polícia Civil investiga a denúncia de uma suposta “onda homofóbica” que estaria atingindo a região do CPA (Grande Morada da Serra), em Cuiabá, onde, em pouco mais de uma semana, duas travestis foram executadas com requintes de crueldade.


A polícia investiga indícios de que existem dois grupos competindo para ver quem matará mais travestis. O receio da polícia é que o número de vítimas aumente, caracterizando a aversão dos integrantes dessa suposta quadrilha a homossexuais.

No início da manhã desta quarta-feira (8/06), moradores do CPA III, nos fundos da Lagoa Encantada, localizaram o corpo do travesti Maildo dos Santos Silva, 25, conhecido como “Maria do Bairro”.

No sábado (28/06), o jovem Alisson Otávio Carvalho da Cruz, a “Alicinha”, 20, foi asfixiado com uma corda, arrastado por dezenas de metros e jogado num córrego.

A delegada Anaíde Barros, de plantão na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), confirmou ao site “MidiaNews” que recebeu a denúncia, mas disse não ter certeza de se tratar de uma onda de homofobia.

“Estamos em investigação preliminares. A partir dessas informações, vamos verificar se trata ou não (de homofobia)”, afirmou.

O assassinato de Maildo teria ocorrido durante a madrugada, num local escuro e abandonado. Os criminosos usaram pedras ou paus para achatar a cabeça da vítima.

O outro travesti, Alisson teve morte semelhante. Ele foi asfixiado com uma corda, arrastado por dezenas de metros e jogado dentro de um córrego.

Nove anos depois do assassinato homofóbico do bailarino Igor Xavier, ninguém foi preso Resposta

Xavier foi assassinado e nada aconteceu

Em 1/03/2003, a cidade mineira de Montes Claros recebeu, com pesar e surpresa, a notícia do bárbaro assassinato do bailarino e coreógrafo Igor Leonardo Lacerda Xavier, artista e professor em franca ascendência na cidade. O motivo do crime: homofobia. O assassino confesso, que declarou “detesto homossexuais” é o fazendeiro Ricardo Athayde Vasconcelos, que contou com a participação do seu filho, Diego Rodrigues Athayde e seu irmão Márcio Athayde Vasconcelos, pessoas de famílias influentes da cidade. Eles nunca foram a julgamento.

O julgamento já foi marcado e depois cancelado em 2007, por um habeas corpus impetrado pelos réus e aceito pelo Tribunal de Justiça do Estado. Os acusados seguiram impetrando recursos para postergar o julgamento, apesar de intensa mobilização da família, da comunidade artística e de cidadãos da cidade indignados pela perda de seu querido artista de forma tão cruel e por motivo de intolerância.

Dia 10 de maio, a senhora Marlene Xavier, mãe de Igor e coordenadora da Associação Igor Vive foi chamada à promotoria. Segundo ela, foi com o espírito preparado para uma boa notícia sobre os preparativos para o julgamento. O promotor simplesmente disse a ela que o juiz, Antonio de Souza Rosa, “entendeu” que Montes Claros não tem estrutura para sediar um julgamento desse porte porque não oferece segurança para os réus por causa da grande publicidade do caso.

O assassinato de Igor Xavier é mais um caso brasileiro de crimes contra os direitos humanos em que os assassinos são conhecidos e permanecem. Segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), que registra números não oficiais da violência contra lésbicas, gays e travestis, só em 2010, foram 260 mortes por homofobia no Brasil. Enquanto isso, fundamentalistas e evangélicos e católicos se unem contra o PLC 122/06, que pretende criminalizar a homofobia.

Bolsonaro: ‘Prefiro filho morto em acidente a um homossexual’ Resposta

Após alguns dias sem falar as asneiras usuais, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) voltou a atacar os homossexuais em entrevista na edição deste mês (junho) da revista masculina “Playboy”. Entre outras coisas, Bolsonaro afirma que prefere um filho morto a um herdeiro gay e diz que ser vizinho de um casal homossexual é motivo de desvalorização de imóvel.

“Seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui: prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo”, disse.

Em outro trecho, ele acrescenta: “Se um casal homossexual vier morar do meu lado, isso vai desvalorizar a minha casa! Se eles andarem de mão dada e derem beijinho, desvaloriza”.

Bolsonaro defende também o uso da violência e critica mais uma vez Preta Gil, meses após a confusão no programa “CQC” (Band): “A promiscuidade da Preta Gil está no blog dela. Ela fala ali que é bissexual, diz que na casa dela os héteros eram exceção”.

Não sabia que o asno dava entrevistas a revistas como a “Playboy”. E a família, deputado, o que acha disso? Logo a “Playboy”, que coisa…

Site da organização da parada gay de SP é invadido pela terceira vez em menos de 24 horas Resposta

(Foto:Reprodução)
O site oficial da organização da parada gay de São Paulo foi invadido pela terceira vez em menos de 24 horas nesta terça-feira. Uma mensagem na página principal e embaixo das fotos diz ¨Vacilou rodou, agora é o C3pRo no comando!¨ 

Ontem (06/06), o site já havia sido hackeado por duas vezes, e uma outra mensagem que dizia ¨Deus criou o homem e a mulher, não existe terceira opção! (Site Hackeado)¨, também podia ser vista na página da organização além de frases que protestavam contra o PL 122, projeto que visa criminalizar a homofobia no Brasil.
Os organizadores do evento informaram que as invasões devem ser registradas na Delegacia de Crimes Eletrônicos do Departamento de Investigação sobre o Crime Organizado (DEIC) e na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Dependendo de como o provedor do site vai responder a esses ataques, a empresa responsável pelo domínio do site também pode ser responsabilizado pelo crime.
Há quem acredite que os ataques possam ser uma resposta de grupos religiosos contra uma carta aberta que foi divulgada pelo movimento contra o fundamentalismo religioso e contra o tema da parada gay deste ano que faria uma menção bíblica.

Blogueira lésbica que denunciava violência na Síria é sequestrada Resposta

(Foto:Reprodução)

Amina Arraf (foto), blogueira síria que assinava textos sobre as revoltas no país, foi seqüestrada por três homens, na capital Damasco, e está desaparecida desde a segunda-feira (6), informa o site da BBC Brasil. Amina ficou conhecida por postar em seu blog textos políticos, sobre a revolução que toma conta da Síria, e também sobre como é ser lésbica e muçulmana sunita praticante. Ela foi apontada por uma reportagem do jornal britânico The Guardian como ”uma improvável heroína da revolta em um país conservador”.


Em mensagem publicada no blog “A Gay Girl in Damascus”, a prima de Amina, Rania Ismail, informa aos leitores que ela havia sido raptada por três jovens armados, quando ia ao encontro de um colega do Comitê de Coordenação Local. Eles fugiram em um carro com um adesivo de Bassel el Assad, o presidente da Síria, mas não se sabe a qual grupo ou milícia pertencem.

A família foi avisada por uma testemunha do seqüestro . “Nós não sabemos quem a levou, então não sabemos a quem pedi-la de volta. É possível que eles tentem forçá-la a ser deportada”, afirmou Rania Ismail. Segundo a BBC, é difícil rastrear o paradeiro da blogueira, pois há, em Damasco, mais de 18 grupos de polícia, milícias e gangues e não se sabe a quem pedir o resgate. Os familiares e amigos pedem pela libertação de Amina Arraf em campanhas pelo Twitter e Facebook.

*Com informações do Portal Imprensa.

Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo diz que vai distribuir kit Escola sem Homofobia se governo desistir definitivamente Resposta

Ideraldo Beltrame

A Associação da Parada do Orgulho LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgênero) de São Paulo (APOGLBT) vai distribuir o material didático que versa sobre a tolerância aos LGBTs, o kit Escola sem Homofobia, de maneira autônoma. Foi o que informou nesta segunda-feira (6/06) o presidente da APOGLBT, Ideraldo Beltrame.

O kit, que ia ser distribuído pelo Ministério da Educação (MEC), mas foi suspenso pela presidenta Dilma Rousseff, mesmo sem ela ter visto e após ela ter se encontrado com deputados da bancada fundamentalista (evangélicos e católicos carismáticos). Ao suspender, a presidenta disse que o governo dela não fará “propaganda de opção sexual” e chamou o kit de “kit gay”.

“O material didático que combate a homofobia nas escolas não é kit gay. Essa palavra é ruim, simboliza que queremos transformar as pessoas em gays. Não lutamos por isso. Lutamos pelo respeito e cidadania”, Ideraldo Beltrame afirmou.

Segundo Beltrame, se o MEC de fato desistir de fazer o kit e de distribui-lo nas escolas, a associação assumirá a tarefa. “Esse kit vai ser distribuído porque o ministro da Educação já fez esse compromisso com o movimento. Se não o fizer de forma oficial, faremos de forma autônoma e colocaremos em praças públicas”, afirmou.

Beltrame disse ainda que a tradicional Parada do Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) da Avenida Paulista, que este ano ocorre no dia 26/06, terá uma motivação mais política que nos anos anteriores. Com o lema “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia”, a parada pretende questionar o posicionamento de grupos religiosos que são contra a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLC) 122, que criminaliza a discriminação contra homossexuais.

Para reforçar a abordagem, a APOGLBT vai promover, durante todo o mês de junho, uma série de atividades, tais como debates, feiras e até um ato interreligioso, com representantes das igrejas anglicana, metodista, luterana, centros espíritas, pais de santo e um padre católico, contra a homofobia. “Nossos agressores mudaram. Antes, os GLBTs eram agredidos por grupos neonazistas e fascistas declarados. Agora, estamos sendo agredidos por filhos da classe média. Mudou-se o perfil da agressão”, afirmou Beltrame.

Na avaliação de Beltrame, um dos problemas que está impedindo a aprovação da PLC 122 é a desinformação das pessoas com relação à matéria. “Um dos maiores problemas, e não só para a homofobia, mas da discriminação, é a desinformação. Quando se causa um rebuliço e uma confusão na cabeça das pessoas, você provoca a formação de uma opinião antecipada, que chamamos de preconceito”, afirmou. Para ele, a bancada religiosa do Congresso Nacional tem contribuído para essa desinformação.

No ano passado, segundo Beltrame, mais de 260 homossexuais foram assassinados em todo o Brasil. Só em São Paulo, entre junho de 2006 e o final de 2009, mais de 930 casos de violência contra homossexuais foram relatados ao Centro de Combate à Homofobia.

Mês do Orgulho LGBT adota tema bíblico para questionar intolerância religiosa Resposta

Com o tema “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia! – 10 anos da Lei 10.948/01, rumo ao PLC 122/06”, o 15º Mês do Orgulho LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgênero) pretende questionar a interferência da religião no Estado brasileiro e destacar os dez anos da lei paulista que determina punições à pratica de discriminação por causa da orientação sexual. Além disso, vai discutir o projeto contra a homofobia que está em debate no Congresso.

Leia também: Entre valsa e recordes: Paradas Gays do Brasil esquecem o real propósito da marcha

A 15ª Parada, atividade mais conhecida do mês, será realizada no próximo dia 26, percorrendo mais uma vez a Avenida Paulista e a Rua da Consolação. Os organizadores do evento, que faz parte do calendário oficial da cidade, querem 1,5 milhão de assinaturas em favor do PLC 122/06.

Neste ano, o evento terá ainda um ingrediente especial: um show de encerramento, ainda sem local ou atração definido. Uma das apostas é a cantora Wanessa, filha do Zezé Di Camargo. O show deverá contar com transmissão ao vivo pelo canal da web BeGAY TV.

Segundo o comandante da Polícia Militar, Renato Campos, o efetivo da PM será reforçado neste ano. Serão 1.500 policiais, quase o dobro em relação ao ano passado. Outros 400 seguranças particulares também estarão trabalhando. A preocupação maior é com o final do evento. Campos recomenda que as pessoas não andem sozinhas e reportem qualquer movimentação estranha. Em outras edições, foram registradas agressões na região central da cidade.

*Com informações da Rede Brasil Atual

Organizadores da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo querem 1,5 milhão de assinaturas em favor de projeto contra homofobia Resposta

Após lançar oficialmente o mês do Orgulho LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgênero), os ativistas responsáveis pela Parada do Orgulho LGBT também falaram sobre investimentos e política. Durante a 15ª edição, que ocorre no próximo dia 26/06, os organizadores pretendem coletar 1,5 milhão de assinaturas em defesa do Projeto de Lei Complementar (PLC) 122/06, que visa criminalizar a homofobia. O projeto, que está no Congresso, será rediscutido entre a relatora, a senadora Marta Suplicy (PT-SP), e a bancada fundamentalista.


Uma carta aberta contra o “conservadorismo” e o “fundamentalismo” será distribuída à população. Nela, são citadas as mais de 260 pessoas mortas em 2010. O documento afirma que, no Brasil, “se mata mais homossexuais do que em países islâmicos”.

“Antes nossos algozes agiam na calada da noite, nos violentando em becos à surdina, como se, nos atingindo individualmente, pudessem nos exterminar pelas beiradas. Hoje, saem às ruas, fazem abaixo-assinados, manifestam-se na avenida Paulista e marcham sobre a Esplanada dos Ministérios para barrar a garantia de nossa dignidade”, diz o texto.

Renda

De acordo com Franco Rinaldo, coordenador geral da Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (Cads) e representante da Prefeitura de São Paulo, a Parada Gay em 2010 atraiu 403 mil turistas, com um lucro de R$ 180 milhões à capital paulista.

O projeto de realização do evento é de R$ 2,2 milhões. No momento, a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT) conta com cerca de 60% desse total.

*Com informações da Rede Brasil Atual

Sargento gay processa Rede TV! e Luciana Gimenez por danos morais Resposta

Unidos: Os sargentos Laci Marinho de Araújo e Fernando Alcântara de Figueiredo.  "É tudo como um casal normal", dizem
(Foto:Reprodução)
O sargento licenciado do exército, Fernando Alcântara e seu parceiro, o sargento Laci Marinho de Araújo entraram com uma ação na justiça contra a Rede TV! e a apresentadora do Super Pop, Luciana Gimenez. O motivo deve-se ao fato do programa ter exibido um quadro de humor em 2008, em que dois atores interpretaram os sargentos em uma ¨entrevista¨ para um ator que imitava a apresentadora Marília Gabriela. A ação por danos morais foi protocolada na última sexta-feira (03/06), e o casal pede a quantia de 500 mil reais e a retirada de todos os vídeos que mostram o quadro de humor no YouTube. 


O casal esperou 3 anos para acionar a justiça, mas de acordo com o Código de Processo Civil, uma pessoa que se sinta ofendida tem até três anos para protestar. Dias antes do Super Pop exibir o quadro de humor (de muito mau gosto, por sinal), Fernando e Laci estiveram no programa e foram entrevistados por Luciana Gimenez. Na época, o casal saiu da emissora direto para a delegacia. Laci era acusado por deserção, e os dois estavam pedindo socorro, dizendo que sofriam perseguição do exército por serem homossexuais. 

Segundo Fernando, a sátira denegriu a imagem do casal:

– Os termos usados são aviltantes. Esse tipo de humor já é perigoso em A Praça É Nossa (humorístico popular do SBT), porque fomenta preconceito, mas, no nosso caso, mexe com a história de vida de duas pessoas que estavam ali pedindo socorro. Você não trata a vida íntima das pessoas com linguagem de baixo calão.


Veja o vídeo do quadro do Super Pop que satirizava o casal Fernando e Laci:

Entre valsa e recordes: Paradas Gays do Brasil esquecem o real propósito da marcha Resposta

2007: Jovem é espancado no RJ por ser homossexual
Do G1:



Como algumas pessoas sabem, eu moro nos Estados Unidos e este ano estou participando da organização da Parada Gay de Nova York, que tem como tema ¨Loud and Proud¨, algo como altos e orgulhosos em tradução livre. Alto no sentido de gritarem em alto e bom som do orgulho que eles têm de serem gays. Não vai haver quebra de recordes. Não vai haver disputa de DJ´s e nem shows.

A parada de Nova York é um desfile politizado, importante, onde todos os setores da sociedade se juntam para mostrar que somos iguais e que existimos. São pessoas comuns, artistas, policiais, bombeiros, políticos, empresas que apóiam a causa LGBT, todos juntos orgulhosos e felizes por merecerem respeito.

No Brasil a coisa é completamente diferente. Em uma de minhas conversas com outros organizadores da Parada Gay de Nova York, todos muito curiosos sobre o que acontece no Brasil, eu disse que a nossa parada não é tão politizada. É uma festa. Um carnaval.

São Paulo quer entrar no livro dos recordes colocando o maior número de pessoas dançando valsa. Enquanto o momento é de protesto. Enquanto religiosos fundamentalistas de todas as partes do país se juntam e coletam milhões de assinaturas contra o kit anti-homofobia, enquanto milhares de evangélicos e católicos saem às ruas em protesto a favor da anulação dos direitos concebidos pela união civil entre homossexuais, enquanto nossa presidenta assume que não viu o material completo de um kit, que foi entregue de forma errada por pessoas de má fé, e diz que não fará propaganda de opção sexual, São Paulo se prepara para levar pessoas a dançarem valsa na Avenida Paulista, enquanto não temos nem 100 mil assinaturas a favor do PLC 122/06, que visa criminalizar a homofobia.

O Brasil é um dos países que mais matam homossexuais, e nem é por motivos de lei, pois não é crime ser homossexual, diferente de outros países como a Arábia Saudita, Sudão e Irã, entre outros. E mesmo assim, várias pessoas morrem em decorrência do preconceito.

Cadê as organizações que lutam pelos direitos dos gays no Brasil que não tomam vergonha na cara e ao invés de saírem às ruas protestando, preferem fazer um carnaval fora de época com gays desrespeitando as famílias, fazendo atos sexuais pelas ruas durante a parada e travestis quase nus em ato quase de confronto com as outras pessoas. É isso que o movimento gay prega?

Eu sei que gay é alegria, que temos que ir para a parada do orgulho gay e celebrar, festejar, mas não é só isso. Como pode a parada gay de São Paulo ser a maior do mundo e não termos passeatas sérias de protesto contra esse povo religioso que cisma em nos derrubar e também aos nossos direitos? Como pode mais de 1 milhão de pessoas participarem da festa na Avenida Paulista e quando precisamos de assinaturas para projetos de lei, não conseguimos nem 100 mil?

Precisamos nos unir de verdade e planejar um ato forte, com artistas que vistam a camisa, gays, familiares, amigos, heterossexuais, todos que acreditam que precisamos vencer uma luta contra aqueles que querem fazer do Brasil um templo de uma igreja. Nós somos diversos, nós somos plurais e não podemos deixar que pessoas que pregam o ódio e a diferença vençam.

Não sou contra a parada gay, apenas acho que poderíamos aproveitar melhor o momento em que temos milhões de pessoas nas ruas em um único dia para divulgarmos melhor nossa luta e conquistar mais simpatizantes a favor da nossa causa. Vamos deixar um pouco os gogo boys de lado, os melhores Dj´s, a valsa, ou pelo menos vamos tentar usar isso de uma forma construtiva para que as pessoas se conscientizem e percebam que querem acabar com os poucos direitos que temos, e que se isso acontecer, nunca no Brasil teremos uma voz que seja ouvida. Precisamos acordar!

Isabelita dos Patins ficará de repouso por três meses Resposta

É bom o estado de saúde de Jorge Omar Iglesias, popularmente conhecido como a drag queen Isabelita dos Patins, de acordo com a nota enviada na tarde desta segunda-feria (6/06), pelo Instituto Nacional de Cardiologia (INC), localizado em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde ele está internado.


Isabelita foi submetida a um cateterismo na quarta-feira (1º). O Instituto informou ainda que o exame de ecocardiograma, realizado no fim de semana, não detectou nenhuma alteração no quadro.


A drag queen, que sofreu um infarto agudo do miocárcio no dia 31/05, está no quarto 924. Ela tem contado com ajuda de amigos como Marília Pera e Claudia Jimenez.

Isabelita espera a alta hospilatar ainda essa semana, mas terá que ficar de repouso por três meses.

Ministério da Saúde mantém proibição a gay masculino e bissexual de doar sangue Resposta


O Grupo Matizes e a Liga Brasileira de Lésbicas (LBL) receberam ontem ofício do Ministério da Saúde, com a informação de que será mantida a restrição à doação de sangue por homens gays e bissexuais, prevista na RDC 153/2004. Segundo o documento, “estudos epidemiológicos recentes, publicados pelo Ministério da Saúde ainda consideram o alto índice de prevalência do HIV nessa população, o que caracteriza risco acrescido.”

O ofício é uma resposta do Ministério à solicitação feita pelo Matizes e pela LBL ao Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no sentido de que fosse rediscutida a proibição imposta pela ANVISA aos homens gays e bissexuais. Quando esteve no Piauí, em fevereiro deste ano, Alexandre Padilha assumiu o compromisso com os militantes do Matizes e da LBL que convocaria as áreas técnicas do Ministério para rediscutir o tema, que é polêmico, havendo, inclusive, questionamento na via judicial.


Desde 2006, tramita na Justiça Federal uma ação civil pública, com o objetivo de que a proibição de doação de sangue por homens gays e bissexuais seja declarada ilegal. A ação foi proposta pelo Ministério Público Federal, depois de uma representação do Grupo Matizes.

Para Herbert Medeiros, do Grupo Matizes, a resposta do Ministério da Saúde para a manutenção da proibição aos gays e bissexuais não é convincente e, por isso, as entidades LGBT continuarão na luta objetivando a revisão da Portaria da ANVISA. “Continuaremos a campanha ‘Nosso sangue pela igualdade’, que o Matizes e a LBL lançaram no início deste ano”, afirma o militante.

O Matizes e a LBL já estão preparando mais um ato no Hemopi, para protestar contra a proibição da ANVISA. Essa ação deve ocorrer em data próxima ao 14 de junho, que é o Dia Mundial do Doador de Sangue: “Na ocasião, além do protesto, estaremos nos juntado a nossos parceiros para doar sangue no HEMOPI, a exemplo do que fizemos em janeiro deste ano”, informa Marinalva Santana, articuladora da Liga Brasileira de Lésbicas no Piauí.

Fonte: Cidade Arcoverde

Lady Gaga é presença garantida na EuroPride, evento gay que acontece em Roma no próximo sábado Resposta

A cantora pop Lady Gaga se comprometeu a fazer uma apresentação na EuroPride 2011, a parada gay que vai ser realizada em Roma no próximo final de semana. 

A participação de Lady Gaga no evento foi anunciado no site do evento nesta segunda feira (06/06), e o comunicado enviado pela organização da parada dizia que ela decidiu fazer parte da EuroPride confirmando seu apoio aos gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros 
A intérprete de ¨Born This Way¨ vai subir ao palco do Circo Máximo, importante estádio de Roma, neste sábado (10/06). São esperados mais de 50 mil pessoas para participar do EuroPride 2011. 
Ano passado, o evento aconteceu na Polônia, mas apenas cerca de oito mil pessoas compareceram, o que foi um número aquém dos 20 mil esperados pelos organizadores. Com a presença de Lady Gaga, esta edição do evento pode quebrar um novo recorde de público. 
Lady gaga é considerada uma forte defensora dos direitos gays. No ano passado, ela participou de uma campanha agressica a favor do fim do ¨Não pergunte, Não Conte¨, uma lei de 1993 que proibia soldados gays e bissexuais de servirem abertamente.

Quase 200 mil pessoas protestam contra o PLC 122/06 no Centro do Rio de Janeiro 2

Milhares de pessoas participaram, neste sábado, na cidade do Rio de Janeiro, da Marcha para Jesus, evento organizado por pastores de igrejas evangélicas. A caminhada teve início às 13h, e reuniu cerca de dez trios elétricos. Os participantes seguiram em direção à Cinelândia, onde um palco foi montado para a apresentação de mais de 20 atrações gospel.

De acordo com o presidente do Conselho de Ministros do Estado do Rio de Janeiro, Pastor Marcos Gregório, o objetivo da marcha é proclamar as palavras de Deus e continuar a luta contra a PL 122/06. Os participantes exibiram diversas faixas, algumas delas criticando o projeto de lei que criminaliza a discriminação contra os homossexuais.

Presente no primeiro trio elétrico, o pastor Silas Malafaia gritava palavras de ordem aos fiéis: “A PL 122 é inconstitucional”.

Em entrevista, Jean Wyllys critica Dilma por suspensão do kit Escola sem Homofobia Resposta

Segundo deputado federal assumidamente homossexual, Jean Wyllys (PSOL-RJ) criticou a presidenta Dilma Rousseff (PT) por ter cedido à “pressão chantagista” da bancada fundamentalista e ter recuado na proposta do governo de distribuir kit Escola sem Homofobia. “Lamentei que a presidenta Dilma tenha cedido a esse tipo de pressão chantagista feita pela bancada da direita religiosa. O episódio só serviu para o desgaste do governo porque há uma pressão popular pelas explicações do ministro Antonio Palocci”, disse o ex-participante do programa Big Brother Brasil.


Em entrevista para “A Gazeta”, na última terça-feira (31/05), ele também disparou contra o senador Magno Malta (PR-ES) e os deputados Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Anthony Garotinho (PR-RJ), que são contrários às causas defendidas pela comunidade LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). “Acho um discurso hipócrita que só serve para tirar dividendos eleitorais”.

Na próxima sexta-feira (10/06), Jean Wyllys estará em Vitória (ES) para participar do Seminário de Direito Homoafetivo, promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil seccional capixaba (OAB-ES). Ele será um dos palestrantes do evento.

O que o senhor achou do recuo do governo na distribuição do kit aEscola sem Homofobia?


Lamentei que a presidenta Dilma tenha cedido a esse tipo pressão chantagista feita pela bancada da direita religiosa. O ministro Palocci é uma pessoa pública e tem que se explicar. Essa blindagem, essa vontade deliberada do governo federal de blindar Palocci só serviu para desgastar, porque a moeda de troca foi uma política pública de educação importantíssima, que já havia sido aprovada pelo Ministério da Educação e já havia sido apresentada numa audiência pública no ano passado no Senado. O episódio só serviu para o desgaste do governo porque há uma pressão popular pelas explicações de Palocci.

Em seu site, o senhor até pediu que a comunidade não vote mais em Dilma…


Não foi dessa maneira que eu pedi. O que eu disse no meu site, na integra, é que essas próprias forças da direita conservadora religiosa que desmoralizaram a presidenta na época das eleições, numa campanha subterrânea de difamação, essas forças apresentaram a conta hoje por ter apoiado ela. O acordo naquela época foi: ou a senhora cede em relação às questões da legalização do aborto e dos direitos de homossexuais ou nós não apoiamos a senhora nas eleições e não barramos a campanha subterrânea que vem sendo feita. Naquele momento ela cedeu. A campanha foi barrada e eles apresentaram a conta agora para ela. O que eu disse foi que, já que eles apresentaram a conta, os LGBTs que votaram nela e que entraram nas redes sociais em defesa sistemática dela contra a campanha difamatória deveriam apresentar a sua conta. E a conta que o LGBT pode apresentar neste momento é nas próximas eleições não votar, porque esse é o nosso instrumento de pressão numa democracia. Só isso. A Dilma não pode negociar uma política pública tão importante para a comunidade desta maneira. Não havia justificativa para ela suspender o projeto. As justificativas foram sendo inventadas. Depois ela dizer que é uma questão de costumes, que o governo tem o direito de tratar das questões de costumes. Não é questão de costumes, é questão de assassinatos, de uma proporção de 200 mortes por ano. Assassinatos de homossexuais não é uma questão de costumes.

Qual o caminho para acabar com a violência e o preconceito contra homossexuais no Brasil?


O caminho é o da educação e o da conquista dos direitos. São os dois caminhos possíveis. A conquista de direitos aqui no Congresso Nacional, ou seja, assegurar alguns direitos como no projeto de lei 122, que combate a discriminação por orientação sexual, altera a lei do racismo no sentido de incluir as discriminações por orientação sexual; assegurar o direito ao casamento civil, que é para poder combater a desigualdade no plano jurídico, é importante isso principalmente depois da decisão do STF. E o outro caminho são políticas de educação que façam das novas gerações mais solidárias, conscientes e respeitosas das diferenças culturais e das diferentes sexualidades humanas que existem.

Como o senhor avalia o discurso de Bolsonaro, Garotinho e Magno Malta, que têm uma postura contrária à causa LGBT?


Acho um discurso hipócrita que só serve para tirar dividendos eleitorais na medida em que joga com os preconceitos da população e com o senso comum, que deveria ser desconstruído. É um discurso lamentável porque é um discurso de ódio, que fere os princípios constitucionais. O discurso dos três é de incitação ao ódio. É um discurso eleitoreiro porque quer jogar com os preconceitos que a população conserva.

O Supremo reconheceu a união estável para casais do mesmo sexo, mas no Congresso há resistência em aprovar projeto de lei que criminaliza a homofobia. Como o senhor vê isso?


Ainda bem que nós temos estes dois Poderes: o Judiciário dando pareceres favoráveis à união estável, a adoção de crianças; e o Executivo com políticas públicas importantes para a comunidade LGBT. Porque se dependesse do Congresso Nacional, a comunidade LGBT não só não teria direitos como perderia alguns dos que gozam hoje, como é, por exemplo, o direito de liberdade de associação. Se deixar que o Congresso defina os rumos da comunidade, essa maioria aqui que é de deputados conservadores, reacionários e de um dogmatismo e de um fundamentalismo religioso absurdo, os homossexuais sequer teriam direito de livre associação. Se deixar que essa direita religiosa avance no Brasil, nós vamos penalizar a homossexualidade, vai tornar a homossexualidade crime pelo andar da carruagem. E os porta-vozes desse atraso, dessa ignorância, desse obscurantismo, desse espírito anti-republicano são o senador Magno Malta e os deputados Garotinho e Bolsonaro.

O senhor sofre preconceito por parte de colegas de plenário por assumir sua homossexualidade?


Não. Pelo menos na frente ninguém nunca me discriminou.

Quem é Jean Wyllys


Começo. Jean Wyllys tem uma história de envolvimento com trabalhos em favor da justiça social e das liberdades civis, que remonta à sua adolescência, quando pertencia às pastorais da Juventude Estudantil e da Juventude do Meio Popular, e atuava nas comunidades eclesiais de base da Igreja Católica.


LGBT. Parceiro dos movimentos LGBT, negro e de mulheres, ele participa de ações que combatem a homofobia, a intolerância e o fundamentalismo religiosos, o trabalho escravo, a exploração sexual de crianças e adolescentes, e as violências contra a mulher.


Formação. Comunicação Social, Jornalismo, pela Universidade Federal da Bahia; mestrado em Letras e Linguísticas, pela mesma instituição.


Livros. É escritor, com três livros publicados (“Aflitos”, “Ainda lembro” e “Tudo ao mesmo tempo agora”); professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing e Universidade Veiga de Almeida, ambas no Rio. Foi vencedor do programa de reality-show Big Brother Brasil, em 2005.


A barganha com o kit Escola sem Homofobia


Pressão. Pressionada pela bancada religiosa no Congresso, a presidente Dilma Rousseff mandou suspender, no último dia 25, a produção e a distribuição de vídeos e cartilhas contra a homofobia, organizado pelo Ministério da Educação.

Troca. Diante da decisão de Dilma, o deputado Garotinho afirmou que seriam suspensas as medidas anunciadas pelas bancadas religiosas em protesto contra o kit. Os parlamentares haviam decidido colaborar com a convocação do ministro Antonio Palocci para que ele explicasse sua evolução patrimonial.


Elogios. Crítico ferrenho do kit, o deputado Bolsonaro (foto) comentou a decisão. “Veio bastante tarde, mas vou ser obrigado a elogiar a Dilma”. Ele afirmou que o material foi totalmente confeccionado por grupos LGBT. “Qual pai tem orgulho de ter um filho gay? É um demagogo, quem já tem que vai dizer que tem. Comigo, no começo, como já falei, moleque que vem com comportamento delicado dava-lhe uma porrada logo no começo pra mudar o caminho dele e acabou. É a minha maneira de ser. Se não gostar que se exploda”, disse.


Não viu filmes. Um dia depois de suspender o kit, Dilma assume que nem viu os filmes. Ela explicou que o material entregue ao MEC não atende ao que foi exigido. “Não concordo com esse kit. Porque eu não acho que faça a defesa de práticas não homofóbicas”. E acrescentou: “Não vai ser permitido a nenhum órgão do governo fazer propaganda de opões sexuais. Não podemos intervir na vida privada das pessoas”.


“Terceiro sexo”. O senador Magno Malta diz que o Senado não pode criar o “terceiro sexo”. “O Supremo prestou um desserviço à sociedade e está longe de ser o supra sumo da verdade. Deus criou o macho e a fêmea, não é o Congresso Nacional que vai criar o terceiro sexo”.


Leia trecho do livro Ainda Lembro, de Jean Wyllys

Parece óbvio e também oportunista que um escritor, ao fim de um confinamento de oitenta dias numa casa, com um grupo de pessoas que diminuía a cada semana, escreva um livro sobre essa experiência. Mas o que pode um escritor fazer de suas experiências a não ser transformá-las em palavras e, depois, em livro? Sim, sou escritor, com livro publicado e tudo (em minha opinião, escritor é todo aquele que escreve, mesmo que seja para encher gavetas empoeiradas; se eu considerar a opinião daqueles para os quais escritor é apenas quem já publicou, continuo sendo um escritor). E, como todo escritor – embora alguns finjam que não -, quero ser lido, circular, estar nas prateleiras das livrarias; quero ser Paulo Coelho. Como bem diz Antônio Torres, em Um táxi para Viena d’Áustria, o escritor é um artista, e artista é igual a puta do cais do porto: tem de estar na janela para aparecer.


Pensei muito antes de aceitar o convite para escrever este livro, que mistura memórias do confinamento na casa e de minha vida em Alagoinhas e Salvador – uma certa reflexão sobre a existência e as voltas que o mundo dá. Primeiro, pensei na pressa com que o faria e no fato de que ela, a pressa, sempre conspira contra a perfeição (mas quem é e o que é a perfeição?): queria fazer um livro que não virasse papel para embrulhar peixe no dia seguinte; espero que tenha conseguido. Em seguida, pensei nas críticas ou na indiferença dos que definem o que é boa ou má literatura (para mim, eles deveriam se perguntar quando é literatura). Pensei, então, que alguém que venceu a fome e a pobreza, que sobreviveu às chacotas e à violência física contra gays, e que conquistou um lugar ao sol depois de um confinamento de oitenta dias, também há de sobreviver à maledicência, à arrogância, à hipocrisia e ao cinismo de intelectuais não premiados pela vida. Aceitei, portanto, escrever este livro. Como diz o povo, ladram os cães e a caravana segue.


Quando me perguntam por que quero escrever, costumo citar uma fala do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, que também serviu para responder por que participei do Big Brother Brasil. No momento, ela serve também para responder por que aceitei escrever este livro: “Para chatear os imbecis; para não ser aplaudido depois de seqüência dó de peito; para viver à beira do abismo; para correr o risco de ser desmascarado pelo grande público; para que conhecidos e desconhecidos se deliciem; para que os justos e os bons ganhem dinheiro, sobretudo eu mesmo porque, de outro jeito, a vida não vale a pena; para ver e mostrar o nunca visto, o bem e o mal, o feio e o bonito”.


A idéia de fazer este livro surgiu depois que o apresentador Luciano Huck, muito gentilmente, pediu-me que escrevesse um texto para ser lido em seu programa, sobre os meus anseios e as impressões após a saída da casa. O texto emocionou os presentes, em especial a apresentadora Ana Maria Braga e os atores Christiane Torloni e Edson Celulari. Edson chegou a elogiar a minha lucidez e, em seguida, citar o poeta Fernando Pessoa. O texto chamou a atenção dos editores, que consideraram a possibilidade de as pessoas que torceram por mim (e até das que não torceram) estarem interessadas em ler exatamente o que eu tenho a dizer sobre aquela experiência.


Portanto, aqui estou eu contando e refletindo da maneira mais honesta possível; e, ao mesmo tempo, tentando construir beleza e emoções com palavras; em síntese, aqui estou eu tentando fazer literatura, seja ela o que for ou quando for. Escrever é imperativo em minha vida, embora eu prefira viver, já que a vida é sempre mais bonita, mais feia ou mais intensa que qualquer representação literária. Ao contrário de Clarice Lispector, que afirmava só estar viva quando escrevia, adoro a vida propriamente dita, louca às vezes, e com o risco de ser breve, pois, quando escrevo, sempre morro um pouco, porque acabo cedendo parte de meu sopro vital na construção de outras vidas em palavras.