Aguinaldo Silva tem razão Resposta

Autônomo de 42 anos teve parte de sua orelha decepada
Ontem (19/07), o editor de Entretenimento da “Folha de São Paulo”, Ricardo Feltrin, publicou reportagem dizendo que as direções da Globo e do SBT orientaram os autores a “baixar a bola” de personagens gays. A desculpa: estaria havendo uma “overdose” do tema. Na prática, as emissoras estão censurando a teledramaturgia. Antes da censura, porém, para ganhar audiência e criar o hábito de telespectadores LGBT (uma parcela considerável do IBOPE), anunciaram que teria um núcleo gay (“Insensato Coração, novela da Globo) e beijo lésbico e gay (“Amor e Revolução”, novela do SBT). Depois, cortaram cenas. A Globo há três semanas interveio na novela das 21h, vetando ousada e propagada cena gay em motel, entre o casal Hugo (Marcos Damigo) e Eduardo (Rodrigo Andrade). O SBT – que cortou a cena de beijo entre dois homens: Jeová (Lui Mendes) e Chico (Carlos Artur Thiré). A reportagem também cita o autor da próxima novela das 21h (“Fina Estampa) da Globo, Aguinaldo Silva. Segundo Feltrin, ele teria sido informado há três meses pela emissora de que deveria evitar polemizar com o assunto (gay) em sua próxima novela. A reportagem ainda diz que a Record, seguindo orientação da Igreja Universal do Reino de Deus, não aborda homossexualidade em suas novelas.

Hoje (20/07) pela manhã, Aguinaldo postou em seu twitter: “Não é verdade que falaram comigo sobre isso. Ninguém me pediu para ‘baixar a bola do gay’ em ‘Fina Estampa’. Eu mesmo evito chocar o público por minha conta, a responsabilidade é minha”. Eu, chocado com a frase do ex-ativista dos direitos dos LGBT, que foi editor do primeiro jornal gay do país, “O Lampeão”, perguntei: “Chocar o público? Como assim? Você acha que um beijo gay chocaria alguém?” Aguinaldo, que só segue uma pessoa, claro, não desceu do seu pedestal e não me respondeu. Mas talvez ele tenha razão.

O Brasil aceita, durante uma semana, peitos, bundas. No carnaval. Passada a folia, nada de palavrão. Tem condomínio multando morador que xinga! Isso mesmo! Se o cara estiver chateado e gritar “merda”, uma senhora pode denunciá-lo e ele será multado! Beijo gay então… O mesmo Brasil que não quer saber dos gays, também não quer saber, claro, da violência que eles sofrem. Esse lance de homofobia é algo criado pelos LGBT. Eles escolhem serem diferentes! Querem afrontar! Deve tem sido violentados na infância e por isso são pedófilos. Eles, certamente, tiveram um relacionamento péssimo com seus pais! Querem levar nossas crianças para o mal caminho! Querem fazer propaganda do homossexualismo com esse kit gay!

Chocados? Mas isso que grande parte da população pensa, Aguinaldo Silva tem razão! A presidenta Dilma não me deixa mentir, o senador Magno Malta não me deixa mentir, o deputado Jair Bolsonaro não me deixa mentir, a vereadora Myrian Rios não me deixa mentir, o pastor Silas Malafaia não me deixa mentir, a TV Record não me deixa mentir. Então por que se preocupar?

Pode ser que uma parte da população de bem, de família, tenha mudado de opinião ontem. É que um pai de família estava abraçado ao seu filho heterossexual e teve a orelha arrancada por um agressor que acho que os dois fossem um casal gay! Sim. Ele disse, antes de agredir: podem se beijar, a Lei permite! Claro que a Lei permite. E a Lei permite também que este mesmo agressor continue em liberdade, mesmo depois de provada a agressão e de fotos e vídeos do homem sem a orelha serem divulgadas pela TV e pela internet. Foi um juiz que disse isso, é a Lei! Segundo o juiz Heitor Siqueira Pinheiro, uma lei de 1989 não autoriza a prisão temporária para o crime de lesão corporal. Talvez por isso skinheads espanquem negros, homossexuais, travestis e sejam logo soltos. Talvez por isso eles voltem a espancar. Mas já que um pai de família perdeu a orelha em uma agressão gratuita, ele nem era gay, pode ser que algum heterossexual tenha se sensibilizado e queira saber de alguns números:

Não existe registro oficial nos Boletins de Ocorrência e Laudos do IML sobre a violência e discriminação contra a população LGBT. No estado do Rio de Janeiro existe, mas precisa ser nacional, para ter política de combate a este fenômeno. O montante de assassinatos de lésbicas, gays e travestis no Brasil, segundo dados do Grupo Gay da Bahia, aumentou 31,3% em 2010, em comparação a 2009. Foram 260 casos contra 198 do ano anterior.

Não para por aí. Veja números de pesquisas sobre a violência contra LGBT no Brasil: 60 % dos LGBT brasileiros já foram discriminados, 20% já foram espancados, 60% dos profissionais de educação não sabem lidar com LGBT, 87% dos brasileiros têm preconceito contra LGBT, 40 % dos adolescentes masculinos não querem estudar com LGBT. São números assustadores, que estão disponíveis no site a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT). Números que foram enviados à presidenta Dilma Rousseff, logo após ela vetar o kit do Programa “Escola sem Homofobia”. Números do MEC, da UNESCO, do INEP, da FIPE etc. Números confiáveis.

É urgente que a lei que criminaliza a homofobia seja aprovada. Mas a bancada fundamentalista do Senado conseguiu pressionar e agora está havendo uma negociação para colocar todos os tipos de preconceito em uma mesma balança. O Decreto 109-A, de 17 de janeiro de 1890, que estabelece a Laicidade do Estado, e o respeito a todas as religiões, qualquer que seja sua denominação, e o respeito aos ateus e às ateias não está sendo respeitado!

É preciso que tenha uma campanha contra o bullying e toda a forma de discriminação. Claro que não só os gays são discriminados, mas é preciso que tenha uma lei que deixe bem claro que não se pode discriminar ninguém por conta da orientação sexual e nem por conta da identidade de gênero. Qual é o problema? Quem se incomoda com isso? Só quem quer continuar a discriminar, claro!

Se você, independente de ser heterossexual, gay ou bissexual, quer continuar tendo o direito de abraçar e beijar, seu filho ou namorado, acesse http://bit.ly/pKhUwy e assine a carta que será enviada aos parlamentares que estão tratando da criminalização da homofobia! Cobre do deputado e do senador que você elegeu e informe os seus amigos a respeito do tema. Ninguém escolhe ser gay, heterossexual ou bissexual. E pouco importa o que leva (se é que algo leva) alguém a ter um comportamento diferente da maioria. Escolhemos, sim, entre respeitar ou próximo ou sair dando porrada em quem julgamos diferentes de nós.

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