Cássio Gabus Mendes fala sobre homofobia de Kleber, em "Insensato Coração" Resposta


O ator Cássio Gabus Mendes, que dá vida ao homofóbico jornalista Kléber Damasceno na novela “Insensato Coração” (Rede Globo), falou ao portal “Comunique-se” sobre sua personagem. Para ele, Kleber não deixaria de denunciar qualquer assassinato, inclusive de um gay. Cássio diz que seu personagem tem um sentimento “equivocado” e “controverso” com relação aos gays. Abaixo, alguns trechos da entrevista dada à jornalista Silvana Chaves:


Cássio explica de que maneira compôs a personagem e no que ele se assemelha ao cidadão comum, que se esconde atrás do trabalho:


“No caso da obra aberta, sempre recebo uma história a respeito do personagem. Nisso o Gilberto Braga é bem cuidadoso, me passou como deve ser. O personagem é muito bem desenhado. O que eu procuro fazer é ressaltar isso. O personagem vive de conflitos e isso, para mim como ator é muito bom. Isso facilita para ‘carregar as tintas’ do Kléber, porque por si só ele já tem potencial para isso.


“Ele é um jornalista extremamente competente, que adora jornalismo investigativo, economia, que dá a cara para bater mesmo quando tem algo a denunciar. O Kléber tem uma personalidade muito envolvente, seja na vida profissional, seja na pessoal. E mesmo ele sendo meio desequilibrado em seus problemas, continua muito envolvente. Ele é pavio curto, vive jogando e gastando o dinheiro, está sempre duro, é separado da esposa. Ou seja, ele já é muito conflituoso naturalmente. Sabendo disso, eu vejo o que me é apresentado e misturo, me guio muito pelo dia a dia, os rumos que o personagem vai tomando no ar.”


Sobre a homofobia da personagem, o ator diz:


“O Kléber é estourado, mala, dependendo do que é apresentado. A questão da homofobia, por exemplo, ele estoura, faz comentários na hora errada pra chocar mesmo. Ele tem uma coisa assim… é peitudo, sabe?


“Ele é extremamente competente no que faz, apaixonado mesmo. Mas a vida pessoal dele é um caos, o relacionamento familiar é super problemático, ele gasta tudo o que ganha nos jogos de azar, é viciado nisso… É terrível, totalmente desequilibrado. Ele tem esse sentimento homofóbico equivocado, e em situações como essa, ele explode, cospe tudo. Mas ao mesmo tempo ele tem um lado engraçado, leva as coisas, a vida com humor apesar de tudo.


“A profissão o faz superar coisas que seriam insuperáveis, como a bagunça da vida pessoal, estar em conflito com a família. É como se fosse um compensador. E por causa da profissão, do jornalismo, ele passa por cima de coisas que acredita, ela é mais forte que tudo pra ele. É o lado muito claro do repórter, essa forma como ele descobre as coisas, as investigações, o blog, para não ficar calado, mesmo sem emprego. Eu sempre tive fascinação por esse perfil de repórter, dessa ação, do repórter que carrega uma câmera e vai registrando, investigando tudo, seja na ficção ou na vida real. Bater de frente, fuçar mesmo, não abrir mão de determinadas coisas, pontos de vista.


“É bom ter na TV um personagem assim, que mostra isso, esse mundo mais real, mais próximo das pessoas. A paixão do Kléber pelo jornalismo, a competência dele na profissão, faz com que ele supere os equívocos da vida pessoal dele. É o conflito que eu comentei que deixa o personagem mais rico, mais humano.


Sobre informações de que sua personagem passará a defender lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT), Cássio disse:


“O Kléber é um cara que em momento algum eu duvido que ele deixaria de denunciar algo, mesmo que fosse um assassinato de um gay e ele tendo uma postura controversa contra os homossexuais. A questão aí é que, sendo contra um hétero ou contra um homossexual, é um crime, e para o Kléber, o crime tem que ser denunciado. Assassinato sim, ele denunciaria, não importa de quem fosse. Ele é aquele tipo de pessoa que corre atrás de provas, ajuda a apurar determinadas denúncias, esse lado investigativo dele é muito forte, presente. Como por exemplo, denunciar um banqueiro em seu blog pessoal, mesmo sabendo que poderia correr riscos, por não estar ligado à nenhum veículo.


“O Kléber usa o poder, a força que o blog dele tem, que ele tem como jornalista sem levantar nenhuma bandeira. Ele só quer que a justiça seja feita, mesmo que vá contra o que ele defende. Tem pessoas que são preto, totalmente intensas e outras que são branco, apáticas a tudo. O Kléber é cinza, ele é neutro. Ou seja, mesmo que ele tenha que passar por cima de princípios dele para praticar a paixão dele, que é o jornalismo, ele vai fazer isso. Ninguém é vilão e nem mocinho sempre. E com o Kléber não é diferente.

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