Rogéria critica gays vítimas de homofobia em São Paulo e diz que eles apanham porque não sabem se defender 1

Rogéria deu declarações equivocadas no Programa do Jô

A atriz Rogéria, uma das travestis mais famosas do Brasil, criticou os gays vítimas da homofobia em São Paulo, em entrevista ao Programa do Jô, na última quinta-feira (27/10), para ela, se fosse com travesti, a coisa seria diferente. Ela também criticou o comportamento de quem vai às paradas gays e disse que nunca sofreu bullying ou foi vítima de homofobia na vida.


Veja a entrevista, clicando aqui.

Logo no início da entrevista (por volta dos 5 minutos de programa), Rogéria já falou com desdém sobre um assunto muito sério: “Eu nunca sofri esse tal de bullying, bullying que vem de bulinar, não é Jô?”
Depois (por volta dos 14 minutos), o apresentador Jô Soares perguntou se Rogéria já foi vítima de homofobia. Ela disse que “não porque quando estavamos na Cinelandia, que os skinheads vinham pegar os gays, eu rapidamente ia na Lapa, pegava as bandidas da Lapa, elas vinham, acabavam com eles e eu dizia: ‘deixa esse ultimo pra mim’ e (faz gestos de quem está arranhando alguém”.
Rogéria, então, resolveu criticar os gays vítimas de homofobia: “Hoje eu não sei como o gay foge, porque eu vi aqui, gratuitamente, gente, junta uma pá de gay e vai lá, mete a porrada também!”
Jô responde: “Esse seu lado violento e assustador – eu aqui já me deu um arrepeio, ainda bem que eu sou seu amigo -, não é todo o gay que tem. E nem tem a obrigação de ter. Eu acho que essa é uma proteção que deve vir da própria sociedade, da polícia.”
Rogéria, interrompe e diz: “Mas é muito chato isso, não é não, Jô?”
Jô responde: “Claro, é evidente que sim.”
Rogéria continua: “São Paulo faz a maior passeata do mundo para mim e de repente, na Avenida Paulista, que é a glória, os caras estão batendo nos gays e uns gays meio homens, né? Manda se meter com travesty, pra ver se eles vão.”
Lamentáveis as declarações desta senhora, sobretudo, porque no início da conversa sobre homofobia, Jô Soares citou o caso de pai e filho que foram agredidos por serem confundidos com gays. Nem gays eram. E claro que travestis também são vítimas de homofobia. Rogéria precisa sair da sua bolha e cair na real, antes que ela própria venha a ser mais uma vítima de ódio gratuito.
Sobre paradas gays, Jô perguntou se não era mais interessante ter uma passeata gay, já que a parade virou “um carnival”.
“Jô, os gays têm que entender o seguinte, a gente não pode ir pra rua com os seios de fora, se beijando, proque são as senhoras, que trazem os filhos par aver aquela parada”, respondeu Rogéria, sob aplausos da plateia.
O que Jô queria saber é se ela não achava mais eficás uma passeata, mas ela não deve saber a diferença entre parade e passeata. As senhoras vão ver, beleza, mas não é desfile de moda e nem vitrine, deveria ser palco para reinvidicação de direitos iguais.

Mais um heterossexual confundindo com gay é espancado em São Paulo 1

Vítima teve braço quebrado, corte no queixo e perda de um dente (Foto: Roney Domingos/ G1)
Um rapaz de 28 anos que não quer ser identificado teve o braço esquerdo quebrado, sofreu um corte no queixo e perdeu um dos dentes caninos após sofrer agressão em um local próximo à esquina da Avenida Brigadeiro Luís Antônio com a Avenida Paulista,  por volta das 3h30 deste sábado (29/10). O delegado do 36º Distrito Policial (DP) – Vila Mariana registrou o caso como lesão corporal. O rapaz, que deu entrevista ao lado da namorada, afirmou que pode ter sido confundido com gay pelo agressor. “Não sou, mas por conta de ter bastante desse público na região podem ter achado que eu era”, afirmou.






A vítima conta que estava na casa de um amigo e quando retornava a pé para sua residência na mesma região encontrou o grupo formado por três rapazes e uma menina. Um único homem – careca, com 1,80 metro de altura e camiseta vermelha – o agrediu.  Depois de chutar a vítima o homem  tentou encontrar dinheiro em seus bolsos. Os outros tentaram impedir a agressão. A sequência de chutes só parou porque pessoas de um estacionamento próximo, armadas com barra de cano, afugentaram o grupo.

“Um dos rapazes falou alguma coisa para mim que eu não entendi. Eu perguntei para ele o que era. Ele disse que ia me bater e começou a me xingar. Eu tentei sair correndo. Ele me passou uma rasteira e caímos os dois no chão. Eu estava de costas e ele começou a me chutar. Eu falando para ele parar e ele não parava. Os outros amigos que estavam com ele falaram para ele parar, mas ele não parava. Uma hora o pessoal do estacionamento do supermercado viu e vieram com um pedaço de cano. Eles fugiram”, contou.

Segundo a vítima,. testemunhas disseram que já tinham visto o grupo do agressor na mesma rua. A Polícia Militar foi chamada e levou a vítima ao Hospital do Servidor Público, onde recebeu atendimento. Imagens de segurança podem ajudar a esclarecer o caso. O rapaz diz que ele e sua namorada foram ao hipermercado neste sábado tentar obtê-las, mas não conseguiram.

Morador na região, ele afirma que o crime ocorreu por falta de policiamento. “Falta segurança. Moro na região e não vejo polícia passar. Tá muito dificil viver em São Paulo. Mesmo que fosse homossexual não seria motivo para ter apanhado. Tantas outras pessoas passaram por isso e quantas ainda vão passar?”, questiona.

A Polícia Militar informou, por meio de nota, que o policiamento no local será intensificado.  O patrulhamento da área é realizado pelo 11º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano por meio de ronda escolar, policiamento comunitário, rádio patrulha e força tática.

Segundo a PM, de janeiro a setembro de 2011, a Polícia Militar recuperou 367 veículos roubados e furtados, efetuou 380 prisões em flagrante e apreendeu 42 armas de fogo que es tavam em poder de criminosos na área de atuação da companhia.
A PM colocou-se à disposição também através do Disque-Denúncia “181”, caso haja informações complementares que possam auxiliar em futuras ações policiais e na promoção da tranquilidade pública, além do 190 para os casos de emergência.

Relembre: 



Presidente do UFC diz que lutadores gays deveriam sair do armário Resposta



O chefão do UFC, a maior organização de MMA do mundo, Dana White, que já foi acusado de homofobia, convocou os lutadores gays a sairem do armário. Sem se importar com as possíveis repercussões, o cartola usou como exemplo o brasileiro Rodrigo Minotauro, que afirmou em recente entrevista a uma publicação nacional que não treinaria com homossexuais.

– Se houvesse um lutador gay no UFC, eu gostaria que ele assumisse. Eu não me importo se há um lutador gay no UFC. Há, e provavelmente, mais de um. Estamos em 2012, dá um tempo. Mas é claro que existem caras como Nogueira, que vêm do Brasil e tem esse lado macho, latino. As pessoas vão dizer coisas sobre isso.

Dana se disse arrependido de declarações homofóbicas dadas no passado:

 – Se vocês olharem o que eu falei nos últimos dez anos, com certeza encontrarão erros, coisas estúpidas. E isso me incomoda. Entretanto, dizer que sou homofóbico é a coisa mais distante da verdade que há.

O canal Fox foi pressionado por entidades de direitos humanos para não exibir UFC em horário nobre por ser um esporte que tem como dirigente um pretenso homofóbico e machista, White. Funcionou.

Deputado Pastor Marco Feliciano, do PSC, protocola projeto de plebiscito sobre o casamento gay Resposta


O deputado federal fundamentalista Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), parlamentar da Frente Evangelíca, quer saber se os brasileiros são favoráveis ao casamento civil gay. Para isso, ele protocolou na manhã desta quinta-feira (27/10) um pedido de plebiscito com a assinatura de 186 deputados.
“São necessárias 171 assinaturas válidas, mas para garantir coletei 15 a mais”, explica. O deputado diz que a coleta de assinaturas começou em maio deste ano quando o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união estável entre um casal homossexual.
O Projeto de Decreto Legislativo 495/11 vai agora ser destinado para uma comissão, ainda não designada, para análise. “Caso aprovado, em outubro do ano que vem quando os brasileiros irão às urnas, votarão também se concordam ou não com o reconhecimento legal da união estável.”

Através da sua conta no twitter ele prometeu pedir plebiscito para que o povo decida se o casamento homossexual é constitucional ou não. Segundo ele, “todo assunto que envolve orientação sexual parece constranger os legisladores. Não podemos protelar mais, ou votamos essas leis ou o STF o faz, eles ‘STJ e STF’ não foram eleitos pelo povo”. A briga no parlamento é pela auto-suficiência do STF e do STJ que passam a legislar como protetores da lei.

O deputado, critica o STF, pela decisão sobre a união estável, e o Superior Tribunal de Justiça pela recente decisão em favor do casamento civil de duas mulheres. Para ele, o judiciário está passando por cima do legislativo e da Constituição Federal.”Família é um homem, uma mulher e o nascimento de um filho.”

Ainda em seu twitter, Feliciano se manifestou contra o PLC 122 e disse que “dos 3.500 casos de crimes praticados contra gays, 95% foram crimes passionais” e concluiu dizendo que “sábado passado em Anapolis-GO, apedrejaram a igreja onde eu pregava. Palavras como crente tem conotação pejorativa”.

Minutos após esta declaração, ele desabafou, dizendo que “a mídia não tem interesse” sobre o seu trabalho na câmara. Por isso, planeja investir em sua imagem política através de discursos mais contundente em suas opiniões para que a mídia cristã tenha conteúdo, que inclue temas polêmicos, como este.


Aos 63 anos, Marco Nanini sai do armário Resposta


Marco Nanini, considerado por muitos o maior ator da atualidade, fala pela primeira vez sobre sua homossexualidade à revista ‘Bravo’, que está nas bancas. Ele revela que leva uma vida tranquila, mas não solitária. “Moro em uma casa, com três cachorros. Às vezes, pintam umas namoradas, uns namorados. Namoradas, não. Namorados. Mas, se não pintam, sem problemas. Já vivi o que necessitava viver nessa seara”, revela o ator de 63 anos. Na entrevista, Nanini diz também que seu envolvimento com os personagens vai além da dramaturgia.“Fiz um personagem no teatro que fumava. No fim da temporada, já me considerava fumante”.

Com informações da revista Bravo e do jornal O Dia

Pela primeira vez na história Marinha brasileira reconhece casal gay Resposta

Cláudio Nascimento (esquerda) e João Silva (direita)



A Marinha concedeu a Cláudio Nascimento, coordenador do programa Rio sem Homofobia, do governo do estado, direito a plano de saúde, pensão e declaração conjunta de Imposto de Renda com o seu companheiro, João Silva, cabo reformado. É o primo caso na Marinha.


*Com informações do jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo

Marta Suplicy se assusta com declarações de Crivella, seu companheiro na elaboração de mudanças do PLC 122/06 Resposta

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) parabenizou, nesta quarta-feira (26/10), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) por ter autorizado o casamento civil entre duas mulheres do Rio Grande do Sul. Em sua opinião, a decisão, tomada na última terça (25/10), representa um avanço considerável na efetivação dos direitos de cidadania.

Marta lembrou que, recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu à união homoafetiva o mesmo status jurídico aplicável à união estável entre heterossexuais. Ela lamentou, porém, que, em muitos estados, juízes e integrantes do Ministério Público (MP) estejam se posicionando contra os pedidos de conversão em casamento.
A senadora também lamentou que ainda haja confusão sobre a competência para tratar do assunto, já que em Brasília e Pernambuco os pedidos têm sido deferidos nas varas de família, enquanto no Rio de Janeiro os pedidos são deferidos pelas varas de registros públicos. No estado de São Paulo, observou, a competência varia de um município para outro.
A representante paulista pediu que o Conselho Nacional de Justiça acate requerimento apresentado por ela para a expedição de uma resolução que regulamente as formalidades jurisdicionais pertinentes à conversão de união estável em casamento, em consonância com a decisão do STF. Tal ação, de acordo com a senadora, evitaria que a questão voltasse à apreciação da Suprema Corte.
A senadora pediu ainda a aprovação do PLS 612/11, em tramitação na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), que altera o Código Civil para excluir possíveis interpretações que impeçam a transformação da união estável em casamento.
Marta Suplicy se disse assustada com discurso proferido nesta semana pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), um de seus parceiros na elaboração de mudanças do PLC 122/06, que visa criminalizar a homofobia. De acordo com a parlamentar, o senador disse que juízes e promotores “são homens e mulheres treinados a olhar para trás e não a olhar para frente”. A senadora disse que isso não é verdade e que os magistrados têm capacitação para exercer suas funções.
A senadora também discordou da afirmação do colega de que cabe aos políticos olhar para frente. “O Congresso Nacional está olhando para trás há muito tempo, em relação às pessoas homossexuais. Ele está olhando para trás, desrespeitando as pessoas homossexuais, tendo preconceito em relação aos homossexuais – disse Marta, lembrando que um projeto seu sobre o tema está parado há 16 anos na Câmara dos Deputados”, disse. 
Sobre o PLC 122/06, a senadora não disse nada.


*Com informações da Band

Primeiro jogador gay da NBA diz que homofobia é um grande problema no esporte britânico Resposta


O jogador estadunidense aposentado John Amaechi – primeiro jogador da NBA a assumir a homosseualidade – afirmou que o preconceito contra gays é comum no esporte da Inglaterra. Ele descreveu nesta quarta-feira (27/10) o sentimento “anti-gay” nas corporações esportivas como um “problema massivo” que vem sendo “ignorado” há muito tempo. O ex-jogador do Cleveland Cavaliers, Orlando Magic e Utah Jazz disse que “nos esportes, existem instituições que não mudam há 100 anos, mas que precisam mudar.”

Destacando o futebol, Amaechi disse “se você comparar a campanha que eles fizeram contra o racismo e a campanha contra a homofobia, irá perceber claramente.”

Amaechi falou depois de receber a Ordem do Império Britânico por serviços prestados ao esporte voluntário do Príncipe Charles no Palácio de Buckingham.

Amaechi de aposentou da NBA em 2004 e se assumiu sua homossexualidade em 2007, quando escreveu uma autobiografia intitulada Man in the Middle, na época, aos 36 anos. 

Nascido em Massachusetts e criado na Inglaterra, Amaechi fez o anúncio official de sua homossexualidade no dia 13 de fevereiro de 2007, no programa de TV “Outside the Lines”, da ESPN estadunidense. A atitude é rara entre atletas profissionais até hoje. São poucos os nomes de elite no esporte que revelam ser gays.

Amaechi atuou na NBA durante cinco temporadas. Com médias de 6,2 pontos e 2,6 rebotes, ele se aposentou em 2003. Depois disso, voltou para a Inglaterra.
Sair do armário foi apenas mais um desafio na vida do atleta, que teve uma infância difícil, marcada pelo excesso de peso e pela rejeição dos amigos. Até realizar o sonho da NBA, ele passou por vários obstáculos: foi abandonado pelo pai, dispensado pelo time universitário, sofreu com a morte da mãe e ainda se viu obrigado a lidar com lesões e problemas físicos.
O modo como os esportistas americanos tratam o homossexualismo sempre incomodou Amaechi:
– Se você olha para a NBA, as minorias não são bem representadas. Ainda são poucos jogadores descendentes de hispânicos e asiáticos, por exemplo. Então não é nenhuma surpresa o fato de não haver gays assumidos. Seria como um alienígena caindo do céu – declarou, em seu site pessoal, em 2007.

Ele trabalha atualmente como ativista, educador, psicólogo na Europa e nos Estados Unidos da América.



Evangélico fundador de grupo de ‘cura de homossexuais’ se assume gay Resposta


Nada melhor do que um exemplo para refutar a eficiência de tratamentos para a conversão de orientação sexual, que dizem que gays podem se ‘converter’ em heteros. O professor de inglês, filosofia e teólogo carioca Sergio Viula, 42 anos, foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), ONG evangélica que dá auxílio a pessoas que desejam abandonar a homossexualidade. Ele casou-se, teve dois filhos e viu de perto os métodos de ‘reorientação sexual’. Sergio conversou com William De Luca, repórter de economia do Jornal da Paraíba com exclusividade, e mostra que os métodos de mudança de orientação sexual são ineficazes e causam dor e sofrimento a quem se dispõe a passar por qualquer deles.

Leia também: Pastora famosa por pregar a conversão de gays, assume ser lésbica

 
Como começou sua vida junto à igreja evangélica? Como foi a sua entrada?

 – Eu comecei aos 16 anos, numa igreja noepentecostal, mas depois migrei para a igreja batista. Eu me converti a partir da pregação de colegas, não era de família, que era católica. Hoje parte é católica e parte é evangélica.
Nessa época você já sabia que era gay? Já tinha tido relacionamentos com guris?

 – Havia tido relacionamentos gays, sim, mas não assumia, eu pensava que fosse passageiro. Meu primeiro relacionamento foi aos 12 anos, com um garoto um pouco mais velho, de forma escondida, é claro, durante dois anos. Na verdade, queria pensar que tudo isso fosse passageiro, por causa das pressões em casa. Minha família era muito tradicional.
Como foi o processo de “virar ex-gay”?

 – Na verdade, ex-gay não existe, é pura auto-sugestão. Eu comecei a ir à igreja e percebi que os homossexuais não tinham como lidar com suas ‘dificuldades’, por falta de orientação das lideranças, então decidi fundar o Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), junto com João Luiz Santolin e Liane França. Foi aí que comecei realmente a dizer em momentos oportunos que era ex-gay.
Você nunca se convenceu que tinha virado ex gay? Sempre soube que estava se enganando?

 – Hoje sei que estava me enganando. Na época, pensava que qualquer sentimento ou atração fosse mera ‘tentação’ e que isso poderia ser superado com oração e dedicação a deus. No grupo, basicamente, pensávamos que ser gay fosse pecado, que devia ser confessado e abandonado e para isso, fazíamos proselitismo, aconselhamento, oração, pregação, recomendávamos certos livros, leitura bíblica, coisas que os crentes geralmente fazem, mas com foco na homossexualidade, sempre demonizando a homoafetividade, infelizmente. Eu trabalhei com a igreja num total de 18 anos, o Moses começou em 1997, em 2003 eu estava fora, foram quase sete anos. Tínhamos psicólogos parceiros e contávamos com vários voluntários. Uma vez enchemos um ônibus e levamos para o Miss Brasil Gay em Juiz de Fora só para evangelizarmos os LGBT que foram ao evento, mas na diretoria eram cerca de 10 pessoas.

Mas como era esse processo de ‘abandonar o pecado’? Era como um tratamento?
 – Isso não acontecia de fato, era o que se chamava discipulado, acaba sendo uma lavagem cerebral. Você tem que se isolar do seu antigo círculo de amigos, começar a se enfiar nas reuniões da igreja, fazer sessões de aconselhamento, orar, jejuar, essas coisas. Quando acontecia de alguém se envolver com outro homossexual, ele tinha que confessar o que fez, UMA LOUCURA DO CARALHO! Desculpe, mas ainda hoje tenho até raiva de lembrar disso.
Por que raiva?
 – Ninguém deixava de ser gay, houve relacionamentos até dentro do grupo, entre uma atividade e outra da igreja, eles sempre arrumavam tempo pra isso. Você consegue imaginar quanto sofrimento para mim mesmo e para todos os que atuaram ou foram influenciados por esse trabalho? É irritante! E tem gente até hoje repetindo esse discurso imbecil.
O que tu sente quando vê pessoas como o pastor Silas Malafaia fazendo pregações do tipo que você fazia? É um discurso parecido?
 – Ele é um idiota! Eu era um garoto quando me envolvi com tudo isso, tinha pouquíssima experiência de vida e não ainda não havia tanta informação como hoje. Agora, ele atua na base da má-fé mesmo, com interesses financeiros, projetos de poder, etc. E diz ele que nunca foi gay, será? Fico muito desconfiado de gente que gasta tanta energia e dinheiro para combater algo que não tenha nada a ver consigo mesma. Entendo heterossexuais que compreendem os riscos da homofobia, mas não entendo heterossexuais que quase surtam só por saberem que os gays estão felizes, saudáveis e produzindo para o país…
Será que não é pra ter uma bandeira atualmente? Ganhar visibilidade, sei lá…
 – Não deixa de ser má-fé. Só confirma minha tese.
Quando você decidiu que era momento de parar? Você saiu do movimento ao mesmo tempo em que saiu do armário?
 – Sim, saí ao mesmo tempo. Tudo aconteceu quando eu tive certeza de que já tinha feito e crido ao máximo. A gota d’água foi uma viagem a Cingapura, durante a qual conheci um filipino e fiquei com ele. Já voltei decido que iria colocar um fim nessa panacéia. Fiz isso e comecei imediatamente a repensar diversas das minhas posturas e crenças, levou ainda dois anos para que eu dissesse tudo o que digo até hoje. Houve perseguição por parte do Moses, muita gente ficou em choque, mas eles tiveram que se dobrar, pois minha atuação no movimento era grande. Minha maior projeção, porém, se dava na igreja. Eu era pastor, editor do jornal Desafio das Seitas, que teve seu auge durante minha atuação, e por aí vai…
E na sua família? Qual foi a reação?
 – Houve um choque por parte dos meus pais, mas meus filhos nunca criaram problema, só ficaram perplexos, porque eu saí da igreja, já que eu era tão dedicado. Separei-me da mãe deles, mas isso não criava grandes problemas, aparentemente. Só me perguntaram francamente sobre o assunto aos 12 (ela) e aos 11 (ele). Ambos compreenderam numa boa e sempre foram meus amigos. Relacionam-se muito bem comigo e com meu parceiro Emanuel.
Você hoje se sente completo, feliz?
 – Sim, hoje me sinto em paz comigo mesmo, feliz e me pergunto como pude ter suportado tanta castração inútil por tanto tempo.
Você acha que o que vocês faziam era uma violência, contra vocês mesmos, e contra os outros?
 – Sim, era uma violência contra nós mesmos, por termos internalizado a homofobia que nos circundava desde cedo, e contra os outros, porque reproduzíamos essa mesma homofobia que eles mesmos já tinham internalizado. Só reforçávamos ainda mais isso.
Você não apenas largou a igreja, o movimento, como deixou de acreditar em deus… Como se deu isso?

 – Isso se deu em função de questionamentos honestos e ousados sobre deus/deuses, escrituras cristãs e de outras religiões, igreja e outras instituições religiosas. Meu pensamento e atitude com relação a ideia de deus/deuses não é mero fruto de sofrimento com essa ou aquela igreja ou crença. Na verdade, muitas igrejas se abriram para mim quando saí do armário e confessaram seu interesse em que eu, não só participasse da vida da igreja, como ministrasse como pastor dela. O próprio bispo fundador da Metropolitan Community Church, Troy Perry, me disse isso pessoalmente. Também não foi por ver mau comportamento de crentes em geral, uma vez que conheço alguns que considero pessoas fantásticas até hoje (tanto do mainstream evangélico e protestante, como das modernas igrejas inclusivas). Tendo isso em mente, nem deus, nem escrituras, nem igrejas passam pelo crivo da razão, e não me refiro à razão de uma mente brilhante como a de Nietzsche, Darwin, Sartre, Hopkins, Dawkins, etc., refiro-me à razão de uma mente mediana como a minha. Não posso ir contra mim mesmo e contra aquilo que enxergo tão distintamente. No entanto, defendo a liberdade. E por isso, crer e não crer são coisas que não podem ser controladas, coibidas, exceto quando colocam os direitos humanos em xeque.

Pra terminar, o que você diria pra um jovem gay que está passando por este processo de ‘cura espiritual da homossexualidade’? Vale a pena?

 – Conversão religiosa que não admite e CELEBRA sua homossexualidade não merece seu tempo e talento. Se quiser frequentar alguma comunidade, procure uma que tenha maturidade até para questionar a validade das assertivas religiosas. Mas, preferencialmente, viva sem depender de muletas existenciais quaisquer que sejam elas. Aproveito para sugerir a leitura de um post escrito por mim. Esse post nasceu do esboço de uma palestra que dei na Igreja Ecumênica de Copacabana por ocasião das comemorações do dia da Bíblia no calendário católico. Foi esse ano.



Entrevista dada ao William De Luca, repórter de economia do Jornal da Paraíba. Jornalista, ativista LGBT.

OAB diz que “casamento gay” é tendência jurídica Resposta



A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) considera uma tendência do judiciário a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em reconhecer o casamento gay. Com quatro votos dos cinco ministros da 4ª Turma do tribunal, foi autorizado o casamento de duas gaúchas, que já vivem juntas há cinco anos.


“Para nós, essa decisão é mais uma inflexão desse debate no país. O Supremo [STF] ter decidido de forma favorável à união estável foi um passo. Outros passos também foram importantes, como o próprio STJ ter decidido pela permissão de adoção por casais homossexuais. A tendência é que o ordenamento jurídico seja unificado”, disse ao repórter Galuco Araújo, do portal G1 Jayme Ásfora, da Comissão de Direitos Humanos da OAB.

A decisão que beneficia o casal gaúcho não pode ser aplicada a outros casos, porém abre precedente para que tribunais de instâncias inferiores ou até mesmo cartórios adotem posição semelhante.

“O cenário ideal, para nós que defendemos um país de igualdade de direitos, onde a Consituição diz que todos devem ser tratados de maneira igual, independentemente de credo ou raça, seria alteração do texto da Constituição, mas isso não podemos dizer que vai acontecer e quando vai acontecer. O STF, quando provocado, irá decidir da mesma maneira que o STJ”, disse Ásfora.

Foi a primeira vez que o STJ admitiu o casamento gay. Outros casais já haviam conseguido oficializar os relacionamentos em âmbito civil em instâncias inferiores da Justiça. Neste caso, porém, o pedido chegou ao STJ porque foi rejeitado por um cartório e pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.
“Serão minorias os juízes que não acham possível o casamento homossexual, que isso só seria possível se mudar a constituição, isso está ficando ultrapassado. O Congresso precisa ter coragem para fazer o que precisa ser feito e que o povo cobra que seja feito, que é adequar a Constituição com essa realidade de casais do mesmo sexo”, afirmou o representante da OAB.
O primeiro casamento civil no país ocorreu no final de junho, quando um casal de Jacareí (SP) obteve autorização de um juiz para converter a união estável em casamento civil.
Segredo de Justiça
O casal entrou com o pedido de casamento civil antes mesmo da decisão do Supremo Tribunal Federal, em maio deste ano, que equiparou a relação homoafetiva à união estável. A identidade de ambas não pode ser revelada porque o processo tramita em segredo de Justiça.


Elas pediram em cartório o registro do casamento e, diante da recusa, resolveram entrar na Justiça. Mas o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul julgou improcedente a ação, o que levou as gaúchas a recorrerem ao STJ.


Ao reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo, em maio deste ano, o STF deixou em aberto a possibilidade de casamento, o que provocou decisões desencontradas de juízes de primeira instância.
Há diferenças entre união estável e casamento civil. A primeira acontece sem formalidades, de forma natural, a partir da convivência do casal. O segundo é um contrato jurídico-formal estabelecido entre duas pessoas.
” A decisão do STJ vai encurtar caminhos aos cidadãos. Vai evitar o desgaste, o esforço que os casais homossexuais precisam tomar para consolidar juridicamente suas relações”, disse Jaime Ásfora, da Comissão de Direitos Humanos da OAB.
O advogado do casal, Paulo Roberto Iotti Vecchiatt, sustentou que, no direito privado, o que não é expressamente proibido, é permitido. Ou seja, o casamento estaria autorizado porque não é proibido por lei. Segundo ele, o essencial de qualquer relação amorosa é “formar uma família conjugal, cuja base é o amor familiar. A condição de existência do casamento civil seria a família conjugal e não a variedade de sexos”.

Pub acusado de homofobia em Teresina recusa acordo educativo Resposta


O pub de Teresina (PI), Planeta Diário que está sendo acusado de discriminação homofóbica rejeitou a proposta de acordo com o casal de lésbicas V.A.A. e E.A.S. durante uma audiência realizada nesta segunda-feira (24/10) no Juizado Especial Cível e Criminal do Instituto Camilo Filho. O casal sugeriu que a indenização por danos morais, cujo valor é de R$ 2 mil, fosse revertida para a promoção de cursos e oficinas sobre combate à homofobia, destinados aos funcionários do estabelecimento.

Segundo Carmen Ribeiro, coordenadora de relações institucionais do Grupo Matizes, a referida entidade, que luta pelos direitos LGBT em Teresina, seria a responsável pela organização destas capacitações.
“Ao propor na audiência inicial uma indenização de R$ 2 mil, o próprio bar reconheceu a prática discriminatória. Por isso, era importante capacitar seus funcionários para que episódios reprováveis como esse não voltem a acontecer. É uma pena que o Pub não queira fazer essa capacitação”, pondera a militante.
Com a recusa da proposta, o processo, que tramita no Juizado Especial Cível e Criminal do Instituto Camilo Filho, segue e aguarda a sentença do juiz. Ainda não há data confirmada para a divulgação da decisão final.
Entenda o caso
Em junho de 2011, V.A.A. e E.A.S. participavam de uma festa em comemoração ao Dia dos Namorados no já citado pub localizado na zona Leste de Teresina. Segundo o casal, enquanto elas dançavam, foram abordadas pelo segurança do estabelecimento alertando que o proprietário não aceitava ‘aquele tipo de comportamento’ e as convidaram para se retirar do local.
Contudo, V.A.A. e E.A.S. garantem que não praticaram qualquer ato ofensivo ao público presente, e consideraram a postura do pub como discriminatória e constrangedora.
O casal denunciou o bar na Delegacia de Combate à Discriminação e no Disque Cidadania Homossexual. Em seguida, a advogada Audrey Magalhães ajuizou uma ação cível por danos morais.


Prefeitura de São Paulo cria atendimento na internet para denúncias contra homofobia e combate ao racismo Resposta


A prefeitura de São Paulo irá lançar no dia 8/11, às 10h30, no Auditório do Edifício Matarazo, no Centro, uma ferramenta de serviço à sociedade para o registro, via internet, de denúncias de combate à homofobia e crimes de racismo.
As acusações deverão ser feitas através do preenchimento de um formulário disponível no site www.prefeitura.sp.gov.br/smppPara quem não possuí acesso à internet, a iniciativa possibilita que as denúncias sejam por meio dos Telecentros espelhados pela cidade de São Paulo.
Esta ferramenta, segundo a prefeitura, visa facilitar o atendimento à população para que assim o Poder Público possa agir para coibir atos discriminatórios contra a população negra e população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, e transgêneros).
Ao fazer a denúncia, é preciso que especifique detalhes dos fatos ocorridos como: local, horário, pessoas envolvidas, o tipo de  discriminação sofrida e outras informações que julgarem relevantes. Todas as informações encaminhadas serão sigilosas, nos termos da lei.
Quem não quiser acessar o serviço via internet tem a opção de ir ao Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate a Homofobia e ao Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate ao Racismo, localizados no Pateo do Colégio, no centro de São Paulo.
A iniciativa é das Secretaria de Participação e Parceria (SMPP), a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (Cads) e a Coordenaria dos Assuntos da População Negra (CONE), em parceria com a Coordenadoria de Inclusão Digital (CID), todos órgãos da prefeitura.

Com informações da Agência de Notícias da Aids

Em decisão inédita, STJ reconhece casamento civil gay Resposta



Em decisão inédita, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por maioria, proveu recurso de duas mulheres que pediam para ser habilitadas ao casamento civil. Seguindo o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, a Turma concluiu que a dignidade da pessoa humana, consagrada pela Constituição, não é aumentada nem diminuída em razão do uso da sexualidade, e que a orientação sexual não pode servir de pretexto para excluir famílias da proteção jurídica representada pelo casamento.

O julgamento estava interrompido devido ao pedido de vista do ministro Marco Buzzi. Na sessão desta terça-feira (25/10), o ministro acompanhou o voto do relator, que reconheceu a possibilidade de habilitação de pessoas do mesmo sexo para o casamento civil. Para o relator, o legislador poderia, se quisesse, ter utilizado expressão restritiva, de modo que o casamento entre pessoas do mesmo sexo ficasse definitivamente excluído da abrangência legal, o que não ocorreu.

“Por consequência, o mesmo raciocínio utilizado, tanto pelo STJ quanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para conceder aos pares homoafetivos os direitos decorrentes da união estável, deve ser utilizado para lhes franquear a via do casamento civil, mesmo porque é a própria Constituição Federal que determina a facilitação da conversão da união estável em casamento”, concluiu Salomão. 

Em seu voto-vista, o ministro Marco Buzzi destacou que a união homoafetiva é reconhecida como família. Se o fundamento de existência das normas de família consiste precisamente em gerar proteção jurídica ao núcleo familiar, e se o casamento é o principal instrumento para essa opção, seria despropositado concluir que esse elemento não pode alcançar os casais homoafetivos. Segundo ele, tolerância e preconceito não se mostram admissíveis no atual estágio do desenvolvimento humano.

 Divergência

Os ministros Antonio Carlos Ferreira e Isabel Gallotti já haviam votado com o relator na sessão do dia 20/10, quando o julgamento começou. O ministro Raul Araújo, que também acompanhou o relator na sessão da semana passada, retificou seu voto. Segundo ele, o caso envolve interpretação da Constituição Federal e, portanto, seria de competência do STF. Para o ministro, o reconhecimento à união homoafetiva dos mesmos efeitos jurídicos da união estável entre homem e mulher, da forma como já decidido pelo STF, não alcança o instituto do casamento. Por isso, ele não conheceu do recurso e ficou vencido.

Raul Araújo defendeu – em apoio a proposta de Marco Buzzi – que o julgamento do recurso fosse transferido para a Segunda Seção do STJ, que reúne as duas Turmas responsáveis pelas matérias de direito privado, como forma de evitar a possibilidade de futuras decisões divergentes sobre o tema no Tribunal. Segundo o ministro, a questão tem forte impacto na vida íntima de grande número de pessoas e a preocupação com a “segurança jurídica” justificaria a cautela de afetar o caso para a Segunda Seção. A proposta, porém, foi rejeitada por três a dois. 

O recurso foi interposto por duas cidadãs residentes no Rio Grande do Sul, que já vivem em união estável e tiveram o pedido de habilitação para o casamento negado em primeira e segunda instância. A decisão do tribunal gaúcho afirmou não haver possibilidade jurídica para o pedido, pois só o Poder Legislativo teria competência para insituir o casamento homoafetivo. No recurso especial dirigido ao STJ, elas sustentaram não existir impedimento no ordenamento jurídico para o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Afirmaram, também, que deveria ser aplicada ao caso a regra de direito privado segundo a qual é permitido o que não é expressamente proibido.

Câmara dos Deputados cancela audiência sobre direitos previdenciários de parceiros homossexuais e não marca nova data Resposta

Pastor Marco Feliciano: uma lei não deve obrigar o cidadão a expor sua intimidade


A audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família sobre direitos previdenciários de parceiros homossexuais, marcada para hoje, foi cancelada. Os parlamentares iriam discutir o Projeto de Lei 6297/05, que permite a inclusão de companheiro ou companheira homossexual como dependente do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). 



A comissão ainda não definiu nova data para o debate.

Entenda:

A Comissão de Seguridade Social e Família promoveria ontem, às 9h30, audiência pública para debater o Projeto de Lei 6297/05 (PL 6297/05), que permite a inclusão como dependente, para fins previdenciários, de companheiro ou companheira homossexual dos segurados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A proposta, do deputado licenciado Maurício Rands (PT-PE), altera a Lei de Benefícios da Previdência Social 8.213/91.

A audiência foi proposta pelo deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), que é contrário ao projeto. Para ele, “uma lei não deve ser utilizada para promover algum grupo em detrimento de outro ou mesmo para discriminá-lo, ou para obrigar a pessoa a expor a intimidade de sua vida privada”. Na visão do deputado, o PL 6297/05 incorre nesses problemas

“Ao criar uma lei onde a pessoa declara sua orientação sexual, obriga-se à exposição pública de uma escolha que é de foro muito íntimo”, opina. “Corre-se o risco de se construir um país de normas de exceção, e não de normas que abranjam a todos”, complementa. Só que a atual lei não abrange os homossexuais, ou seja, não abrange a todos.

Feliciano afirma ainda que o projeto não traz nenhuma inovação ou benefício adicional aos homossexuais, tendo em vista decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de maio deste ano, que reconheceu a união estável de pessoas do mesmo sexo. “O projeto de lei é redundante, desnecessário e ineficaz”, opina.

A decisão do STF não tem, porém, caráter de norma legal. Na ocasião da decisão, o presidente do STF, ministro Cezar Peluso, destacou que o Legislativo deve regulamentar a equiparação da união estável homossexual com a união estável heterossexual. Sendo assim, ou o deputado fundamentalista mente ou desconhece o que fala.

Decisão judicial

Aprovado na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, o projeto aguarda votação na Comissão de Seguridade Social, onde recebeu parecer favorável, com substitutivo, da deputada Jô Moraes (PCdoB-MG). Ela lembra que decisão do Juízo Federal da 1ª Vara Previdenciária de Porto Alegre (RS), com efeito em todo o território nacional, reconheceu os direitos previdenciários decorrentes da união estável entre homossexuais.

Jô Moraes ressalta ainda que o INSS regulamentou a matéria, no âmbito do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), por meio da Instrução Normativa INSS/PRES 20/2007. Essa norma estabelece que o companheiro ou a companheira homossexual de segurado inscrito no RGPS passará a integrar o rol dos dependentes, desde que comprovada a vida em comum. Assim, os companheiros gays passaram a ter direito a pensão por morte e a auxílio-reclusão.

Para o consultor da Câmara e advogado Francisco Lúcio Pereira Filho, que participaria da audiência, é preciso analisar se o relacionamento sexual tem os mesmos atributos da família, que legitimam a concessão do benefício previdenciário. Para ele, aprovar o projeto de lei poderia gerar discriminação para pessoas que também mantém relação de afeto e convívio permanente, mas não fazem sexo entre si, como irmãs solteiras ou filhas celibatárias com pais viúvos. Segundo ele, a inclusão de todas essas pessoas na Previdência poderia gerar custos muito grandes para a sociedade. Mas se a Constituição diz que todos possuem os mesmos direitos e deveres, não há razão para discriminar um grupo.

Pensão


Jô Moraes defende a aprovação do projeto, com alterações

O substitutivo da deputada Jô Moraes exclui dispositivo, contido no projeto original, que previa a possiblidade de o companheiro ou companheira homossexual do servidor público civil ser beneficiário de pensão. Segundo a relatora, esse dispositivo é inconstitucional, pois deputado não pode propor lei que disponha sobre a pensão de servidores públicos.

Além de Francisco Lúcio Pereira, participariam da audiência o diretor do Departamento do Regime Geral de Previdência Social, Rogério Nagamine Costanzi; o secretário da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABLT), Carlos Magno Fonseca; e o chefe da Procuradoria Jurídica do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, Antonio Rodrigo Machado de Sousa.


Pelo visto, se depender da Câmara, estamos perdidos.

Com informações da Agência Câmara

Zachary Quinto sobre se assumir gay: "Senti que era o meu momento de assumir" Resposta


Zachary Quinto, famoso por ter integrado o elenco da série de TV “Heroes”, e por encarnar o Dr. Spock nos novos filmes para cinema da série “Star Trek – Jornadas nas Estrelas”, revelou sua homossexualidade no último domingo em entrevista à revista “New York”.


O tema veio à tona porque Zachary está em cartaz em Nova York com o espetáculo “Angels in America”, onde interpreta um homem que abandona seu namorado porque este se descobre soropositivo. Falando sobre seu personagem, ele disse: “Ao mesmo tempo, como gay, me faz perceber que ainda existe tanto trabalho a ser feito, e tantas coisas que precisam ser questionadas”, disse ele. 


Depois de sua saída do armário, o ator de 34 anos de idade, conversou com o Access Hollywood sobre sua decisão de revelar sua sexualidade:


“Eu senti que era o meu momento, sabe? Declarando que sou gay, estou declarando que quero ser um contribuinte sério para os diálogos que estão acontecendo no mundo agora”, disse.


Ele ainda disse que no momento em que se revelou, não estava pensando se a notícia poderia inspirar outros atores a saírem do armário também.


“É a vida e a jornada deles. Todo mundo tem que chegar a um ponto em seu próprio momento em sua própria maneira. A coisa que mais me orgulho de em toda essa situação é que é exatamente isso que fiz. Foi nos meus termos, com minhas próprias palavras, e eu estou realmente grato por isso”, concluiu.

Casamento gay já tem maioria de votos no Superior Tribunal de Justiça Resposta

Luís Felipe Salomão: Lei precisa evoluir para que não haja dúvidas sobre a possibilidade do casamento gay Foto: STJ

A maioria da 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça votou a favor do casamento civil entre duas pessoas do mesmo sexo. Em julgamento de recurso na tarde desta quinta-feira (20/10), quatro ministros declararam que o casamento gay é legal, mas a discussão ainda não acabou. O ministro Marco Aurélio Buzzi, recém-chegado e único que ainda falta votar, pediu vista do processo.
O STJ decidia em recurso levado por duas mulheres que tentam obter em cartório a habilitação para o casamento no Rio Grande do Sul. Elas tiveram o pedido negado na primeira instância e também pelo Tribunal de Justiça do estado. Ambos entenderam que o Código de Processo Civil só autoriza o casamento entre pessoas de sexos diferentes.
Esta é a primeira vez que o STJ analisa um caso do tipo depois que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união estável entre homossexuais. O relator do recurso no STJ, ministro Luís Felipe Salomão, destacou em seu voto a evolução do significado da família e a impossibilidade legal da exclusão de direitos civis no Brasil. “A Constituição de 1988 deu uma nova fase ao Direito de Família, reconhecendo que os núcleos multifacetados são famílias e merecem proteção do Estado. Sem ressalvas, sem poréns sobre a forma de como deve ser essa família”, votou.
Para Salomão, ao autorizar o casamento de pessoas do mesmo sexo, o Estado cria novas garantias de proteção à família. Salomão lembrou que a legislação em vigor não proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas disse que as normas precisam evoluir para que não haja dúvidas sobre essa possibilidade.
Já a ministra Isabel Galloti argumentou que, se o STF entendeu que a Constituição não faz diferença entre homem e mulher na formação da família, o CPC não pode ser interpretado de forma diferente. Também votaram os ministros Antônio Carlos Ferreira e Raul Araújo.
Por mais que falte apenas um voto, ainda não pode dizer que a discussão está encerrada. Existe a possibilidade de o voto do ministro Marco Aurélio Buzzi mudar o entendimento dos demais integrantes da 4ª Turma, e eles reformem seus respectivos votos. 

Com informações da Agência Brasil e do Consultor Jurídico.

Inaugurado em BH núcleo para atendimento a vítimas de homofobia Resposta

NAC/LGBT. Imagem: Alexandre Santos/TV Globo


O primeiro Núcleo de Atendimento e Cidadania à População de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (NAC/LGBT) de Minas Gerais foi inaugurado ontem pela Polícia Civil. A partir da criação da unidade, a população LGBT poderá contar com uma proteção formal da PC, principalmente em casos envolvendo crimes de homofobia.
O NAC/LGBT funcionará na sede da Divisão Especializada de Crimes contra a Mulher, Idoso e Portador de Deficiência, localizada na Rua Paracatu, 822, no bairro Barro, em Belo Horizonte. O núcleo fará o primeiro atendimento, lavrando a ocorrência e encaminhando o procedimento a uma das unidades da Polícia Civil, que fará a investigação
A titular da Divisão, delegada Margaret de Freitas Assis Rocha, afirma que por meio do núcleo será possível fazer o acompanhamento da ocorrência policial, desde a avaliação preliminar do fato; registro da motivação do crime; registro e a requisição de exames necessários, além do encaminhamento do caso à unidade policial da área para apuração e consolidação de resultados. Ela ressaltou a importância do núcleo para incentivar o respeito “sem qualquer distinção em relação à identidade de gênero e orientação sexual” e para coibir atos de violência.


Relembre caso de homofobia em Minas Gerais:


Um jovem de 18 anos foi agredido, na noite de sete de setembro, por dois homens na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar (PM), os suspeitos, um adolescente de 17 anos e um homem de 23, confessaram ter atacado o rapaz por ele ser homossexual.



Ainda de acordo com a PM, o jovem disse que estava sentado em um banco da praça, quando os dois passaram e o ofenderam verbalmente. Em seguida, eles teriam voltado e o agredido fisicamente com um soco-inglês e um canivete. Ele foi socorrido, segundo a polícia, com um corte no ombro.


A polícia informou que o adolescente suspeito de envolvimento na agressão foi apreendido e o homem de 23 anos foi preso por lesão corporal. A vítima foi encaminhada para um hospital privado.

Paraíba: estado mais homofóbico do Brasil e nenhuma prisão Resposta



A Paraíba é o estado brasileiro onde a polícia mais registrou crimes homofóbicos em 2011 e o Nordeste é a região brasileira onde a homofobia é mais frequente. A informação é do vice-presidente da Instituição Movimento do Espírito Lilás – Mel, Renan Palmeira, acrescentando de janeiro até outubro deste ano, 18 homo-sexuais foram assassinados e em nenhum dos casos o agressor foi preso e os crimes continuam impunes.
Renan informou que o levantamento foi feito pela Associação GLBT do Brasil, que também apontou outros três estados nordestinos como os lideres em ocorrências de crimes homofóbicos no País.
Segundo a pesquisa, “no mesmo período Pernambuco também registrou 18 casos de homofobia, mas como a população da Paraíba é bem inferior a do nosso vizinhos, nós acabamos ficando com o primeiro lugar”, comentou.
O vice-presidente do Mel informou que em terceiro lugar ficou o estado da Bahia com 16 casos em depois Alagoas com 15, o que dá ao Nordeste a condição de região mais violenta no que diz respeito a homofobia e o estudo mostrou que 46 por cento dos crimes acontecem na região.
Renam Palmeira disse que isso pode ser conseqüência de uma cultura machista e cheia de preconceitos, um fato que foi confirmado por uma pesquisa feita pelo IBGE para traçar o mapa da homofobia no País este ano.
Ele advertiu que falta no País uma política de combate a homofobia e sim iniciativas que ele também considera importante, mas que não resolve e nem acaba com o problema. No caso da Paraíba, lembrou que existe a delegacia de Crimes Homofóbicos e o Centro de Referência GLBT, mas o estado é o líder nacional em ocorrências.
“Em nosso estado acontecem crimes este ano em João Pessoa, em Bananeiras, Sousa, campina Grande, Queimadas, Cabedelo, satã Rita e Patos. Nós tivemos o caso de Daniel Oliveira o Ninete assassinado a facadas e do professor Valdery em Campina Grande. O caso do Gordo Marx morto na Praia do Jacaré e outros casos”, salientou.
Ele acrescentou que os casos acontecem por causa da impunidade e da falta de leis que assegurem a cidadania GLBT. Renan informou que no dia seis de novembro vai acontecer em João Pessoa a 10ª Parada GLBT pela “Livre diversidade sexual”, que vai se realizar na praia do Cabo Branco.
Renan Palmeira contou que na próxima sexta-feira, o Mel vai realizar uma panfletagem no Centro da cidade e adiantou que eles encaminharam um documento ao deputado federal pela Bahia, o professor Jean Willians, que esta articulando uma sessão especial para discutir o problema na Câmara dos deputados, em Brasília.
Ele disse que a intenção é levar para a sessão especial o Secretário de Segurança Pública, Claudio Lima e a Secretaria da Diversidade Humana, Iraê Lucena. A data ainda vai ser definida.

Esta é a segunda pesquisa sobre homofobia este ano. Em agosto, o Grupo Gay da Bahia, disse que a Bahia é o estado brasileiro mais homofóbico (leia aqui). Em setembro, um estudo apontou o estado de São Paulo como o campeão de queixas contra homofobia (leia aqui). Como não existe estatística oficial no Brasil sobre crimes homofóbicos, fica difícil de ter um retrato fiel da homofobia, algo esencial para um comabte eficaz. 

Com informações do Paraiba.com.br