Criticado por ser contra beijo gay na novela, Marcelo Serrado desabafa no Twitter Resposta


Após declarar em entrevista a Folha de São Paulo, ser contra o beijo gay na novela “Fina Estampa” (Globo, emissora que censura cenas de homoafetividade em sua teledramaturgia), o ator Marcelo Serrado recebeu várias críticas em seu twitter.


Na tarde deste domingo (08/01), Serrado terminou desabafando em sua página na rede social: 
“Cada um emiti (sic) a opinião que quiser, ok? Algumas pessoas são extremamente grosseiras aqui no tweet quando são contrariadas. Peace and love. Eu disse que sou contra o preconceito e a favor de união estável e que as barreiras tem que ser quebradas aos poucos. Leiam a minha matéria da Folha de hoje antes de falar besteira, ok? Pra finalizar, tenho vários amigos gays que saem comigo e a minha filha juntos, ok?”, escreveu o intérprete de Cro, o mordomo gay do folhetim das 21h. 


Marcelo Serrado em entrevista para a colunista Mônica Bergamo, afirmou que o beijo gay é uma cena que tem que ser mostrada aos poucos. “Isso é algo que tem que ir quebrando aos poucos. Não quero que minha filha (Catarina, de 7 anos) esteja em casa vendo beijo gay às nove da noite [na TV]. Que passe às 23h30”. Quando questionado sobre a união estável, o ator se mostrou favorável e não admite cenas de agressão aos homossexuais. “Isso é fundamental. Acho um absurdo quando vejo cenas de homofobia”.

Lamentáveis as declarações do ator Marcelo Serrado. Ele tem, sim, o direito de dizer o que pensa e nós temos o direito, a partir do momento em que ele é uma pessoa pública e deu uma declaração pública, de emitir nossa opinião.

Um beijo é uma declaração de amor, por isso não existe mal algum em qualquer criança ver um beijo entre homens ou entre mulheres.

Professora ofende gays, é presa, xinga policiais e chuta carro Resposta


A professora J.O.S.C., de 41 anos, foi presa em flagrante, sexta-feira (7), em Tietê, a 145 km de São Paulo, acusada de ter ofendido um casal de homossexuais que andava de mãos dadas pelas ruas da cidade. De acordo com a Polícia Militar, os dois homens, de 23 e 47 anos respectivamente, foram chamados de “bichas e boiolas” pela professora ao cruzar com ela pela rua. Os ofendidos chamaram a polícia. De acordo com a PM, os policiais que atenderam a ocorrência foram desacatados pela mulher, que os chamou de “coxinhas”.
Ao ser posta na viatura, ela chutou a porta do veículo, causando estrago. O delegado da Polícia Civil Fernando César dos Reis autuou a professora por desacato, dano ao patrimônio e injúria motivada por homofobia (intolerância contra homossexuais). O delegado fixou fiança no valor R$ 1 mil, mas ela se negou a pagar a quantia e foi levada para a Cadeia Feminina de Votorantim. Familiares da acusada pagaram a fiança e ela foi libertada ontem.
Um projeto de lei na Câmara Federal criminaliza a homofobia no Brasil. O projeto prevê que os preconceitos motivados por orientação sexual e identidade de gênero sejam equiparados aos crimes previstos na Lei 7.716/89, que pune os preconceitos por etnia, cor, religião e nacionalidade. A proposta enfrenta resistência dos representantes de igrejas no parlamento.

Fonte: Agência Estado

Professor é esfaqueado e morto em ataque homofóbico, diz polícia 1

Cleides Antônio Amorim, coordenador do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Tocantins
Foto: Reprodução



Um professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT) de 42 anos foi assassinado na madrugada de quinta-feira, em Tocantinópolis, cidade na divisa do Tocantins com o Maranhão, a 517 quilômetros de Palmas.

A Polícia Civil do Tocantins acredita que o homicídio teve motivação homofóbica. Segundo o Grupo Ipê Amarelo Pela Livre Orientação Sexual (GIAMA) do Tocantins, o professor foi a 28ª vítima de crime de homofobia em dez anos no Estado.

Pelas informações da Polícia Civil do Tocantins, Cleides Antônio Amorim, coordenador do Curso de Ciências Sociais da UFT, estava em um bar em Tocantinópolis com mais dois amigos. Mais tarde, um homem identificado como Gilberto Afonso de Sousa chegou acompanhado de uma mulher ede  dois homens. Ao ver o professor, Sousa, embriagado na versão da polícia, passou a gritar em direção ao professor universitário: “Nessa mesa só tem veado”.

Testemunhas contaram à polícia que os dois discutiram e Sousa deu uma facada no professor. O autor do crime ainda está foragido.

O professor

Cleides Antônio Amorim era coordenador do curso de Ciências Sociais da UFT e ministrava aulas nas disciplinas de Antropologia, Introdução à Metodologia da Pesquisa em Ciências Sociais e Sociologia da Educação.

Graduado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Amorim era mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atuava em pesquisas sobre tambor de mina, medicina popular, educação e relações étnicas. A UFT decretou nesta quinta-feira luto oficial de três dias. O professor será enterrado neste sábado no cemitério municipal de Aparecida de Goiânia, em Goiás.

A Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e GIAMA do Tocantins divulgaram nota de repúdio após o assassinato do professor. A ABA classificou o crime como “covarde” e se manifestou “a favor da lei que criminaliza a homofobia, demanda atuação firme e justa das autoridades”. O GIAMA pediu “justiça exemplar a este crime covarde e torpe”. “São necessárias leis que punam esse tipo de crime. Hoje, se odeia sem motivo e não há lei que coíba isso”, disse o presidente do GIAMA, Renilson Cruz.

*Reportagem Wilson Lima, iG



Jogador Michael do Vôlei Futuro abre o jogo sobre caso de homofobia no primeiro semestre de 2011 2

Michael
Divulgação CBV
Abril de 2011 não sairá mais da cabeça de Michael. Naquele mês, o jogador foi vítima de homofobia por parte da torcida do Sada/Cruzeiro em jogo da Superliga. O atleta de 28 anos, ganhou apoio incondicional de seu time, o Vôlei Futuro.


Leia também: Caso Michael: Pela primeira vez na história do Brasil Superior Tribunal de Justiça Desportiva multa clube por homofobia


Passados mais de oito meses de toda a confusão, o meio de rede afirma que pouca coisa mudou na sua vida, a não ser o fato de ter se tornado mais conhecido e requisitado após assumir a homossexualidade, e se tornar um dos símbolos nacionais da luta contra o preconceito no esporte.


Em entrevista ao LANCENET!, concedida por telefone de sua casa em Araçatuba (SP), Michael fala sobre o apoio que teve dos seus pais – que sabiam de sua homossexualidade desde a adolescência – do respeito que tem de seus companheiros de times e dirigentes.
O jogador revela também que nunca namorou e nem pensa em ter um relacionamento afetivo com alguém do meio esportivo.

– Sempre prezei muito por minha vida esportiva – disse Michael, que ainda sonha com uma convocação para a Seleção. 

Leia a entrevista na íntegra:

LANCENET!: No ano passado, você acabou envolvido em uma das maiores polêmicas do esporte brasileiro. Como está sua cabeça em relação àquilo? Mudou alguma coisa desde então?

Michael: Não vejo mudança nenhuma na minha vida. Como falei e repito: quem sempre me acompanhou, sabe que sempre fui quem eu fui, sempre fui o Michael, tirando estereótipos, essas coisas. Todos os atletas sempre me conheceram, sempre souberam da minha opção sexual, e até quem assistia. Nunca falei para ninguém da minha opção. Foi um fato isolado. Não pensava que ia ter essa repercussão. O que mudou mesmo é que fiquei mais conhecido. Aonde vou, todos falam que adoraram minha atitude. Essa foi a mudança maior.


LNET!: Vivemos em uma sociedade muito machista. Você acha que seu caso ajudou a diminuir a agressividade, pode ter ajudado nesse aspecto?


M: Exatamente. Algumas pessoas podiam ter achado que era uma brincadeira, que pudesse não me chatear. Mas até que ponto isso é brincadeira? E até que ponto pode mexer com um profissional? Isso realmente contribuiu para dar um passo muito grande para que isso não aconteça mais, pois isso pode machucar alguém. Acho que as pessoas vão pensar antes de agir desta forma. O esporte em geral é muito machista. Isso contribuiu para as pessoas pararem e pensarem sobre esse tipo de torcida.


LNET!: Desde então, você foi vítima de mais ofensas?


M: Não aconteceu. Sempre vai ter uma, duas, três pessoas que vão fazer essa brincadeira, como sempre teve. Mas não vou brigar com duas pessoas em um ginásio, não vou deixar isso influenciar meu jogo. Estamos no século 21, as pessoas estão mudando, mas ainda terão alguns que não vão crescer.

LNET!: Comentou-se à época que houve o incidente pelo fato de torcedores organizados do Cruzeiro estarem presentes no ginásio. Você acredita que isso aconteceu porque eram pessoas que estão mais acostumadas com o futebol?

M: Acredito sim. Talvez possa estar equivocado, mas de cabeça nunca tinha presenciado uma manifestação como aquela. A torcida de vôlei vai para torcer, sem agredir. Às vezes chama de burro, mas mais por causa do vôlei.

LNET!: Algum órgão do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis) o procurou para dar apoio ou saber se você tinha alguma necessidade?


M: Para falar a verdade, só no terceiro jogo do playoff, em Contagem, uma organização da cidade veio falar comigo, para saber se podiam levar uma bandeira de manifestação. Falei que sim, desde que não fosse nada agressivo. Depois, recebi umas gratificações de órgãos GLS. Mas não foram muitos os que vieram falar comigo sobre isso.

LNET!: Como seus pais reagiram à polêmica? Desde quando eles sabiam da sua opção sexual?


M: Ficaram tristes e preocupados com o que aconteceu, se eu estava abalado, se aquilo poderia mudar minha vida. Saí de casa cedo, aos 15 anos, e foi praticamente uma independência. Nunca precisei assumir para ninguém, eu sempre fui basicamente isso. Sempre tive a questão da minha mãe me perguntar algumas coisas, mas não diretamente sobre isso, e comentar abertamente. Foi sempre com privacidade. Minha família soube pelo meu jeito, pelos meus amigos. Logo que saí de casa e voltava de férias, eles

sempre souberam.

LNET!: Você disse que seus pais ficaram preocupados. Eles passaram a ser tratados de maneira diferente em Birigui (SP), onde eles moram?


M: Birigui fica a apenas dez minutos de Araçatuba. A região inteira me conhece como atleta. Tudo o que aconteceu, aconteceu no lugar e na hora certa. Se fosse em outro lugar, poderia ter sido diferente.

LNET!: Você chegou a ter algum namorado ou se relacionou com alguém dentro do esporte?


M: Nunca me relacionei dentro do esporte. Eu sempre prezei muito por minha vida esportiva. Até por ser gay e por ter medo de alguma retaliação, sempre mantive minha vida particular muito minha. Mesmo sabendo que todo mundo sabia, não queria que ficasse tão exposto. Nunca vou falar que não saí com ninguém, mas nunca namorei, nem gente do esporte nem de fora.

LNET!:Sempre houve respeito por parte de colegas do esporte, adversários e dirigentes?


M:Sempre tive muito respeito dos companheiros de equipe. Já joguei com muita gente, e todo mundo me tratou muito bem. Se você dá respeito, você tem respeito. Tenho grandes amigos, muita gente que tenho como família, desde o Banespa. Trabalhei com gente com a cabeça boa. Fui bem tratado também pelas condições que eu dei.

LNET!: Você conhece outros atletas homossexuais no vôlei ou de outras modalidades que vieram conversar contigo e te apoiaram?


M: Nunca tive conversa com algum (homossexual) do meio esportivo. Até porque tem gente que se esconde. Não que eu esteja discriminando quem se esconde. Nunca tive contato com ninguém. Procuraram-me mais os amigos e pessoas de fora que acompanharam toda a história, como torcedores.

LNET!: Há alguns anos houve um boato de um jogador de futebol que poderia assumir publicamente a homossexualidade, mas que teria desistido. Nesses casos, você acha que isso parte de cada um, ainda mais no meio esportivo?


M: A questão da pessoa assumir ou não assumir é irrelevante. O atleta tem de fazer o trabalho dele, independentemente da opção sexual, da cor. O que o atleta quer fazer é mostrar trabalho, mostrar quem ele é dentro de quadra. Ninguém chega e pergunta a opção sexual. O que tem de ficar é se ele joga bem ou não.

LNET!: Como você projeta sua carreira? Pensa em jogar fora do país ou seguir no Vôlei Futuro anos a fio já que o clube lhe abraçou, e lhe defendeu? O que você pensa?


M: Sou de ficar em poucos clubes. Este é apenas o meu segundo. Fiquei dez anos no Banespa, com os mesmos dirigentes. Gosto de me identificar com um time e isso acontece muito aqui. Lógico que se quiserem continuar comigo e o projeto seguir grande, vou ficar. Quanto a sair do país, sempre tive receio, por não conhecer um determinado lugar e não render tanto. Tenho medo de sair queimado como atleta, mas não descarto a ideia.

LNET!: Você ainda sonha em defender a Seleção? Como vê a concorrência na posição de central?


M: Lógico, como qualquer outro atleta quero defender a Seleção. Qual atleta não gostaria de defender o país? Vou fazer meu trabalho bem feito no clube. Se for reconhecido por isso, ficarei feliz. Mas são vários concorrentes. O Lucão tem muito potencial, o Sidão e o Rodrigão são monstros. O Eder jogou comigo desde a categoria de base. É uma posição muito difícil.

LNET!: O Vôlei Futuro está investindo muito, em termos de contratação. Por causa disso, há muita cobrança dos dirigentes e dos torcedores de Araçatuba?


M: Cobrança existe em qualquer lugar. Mas como a torcida de Araçatuba abraçou de fato o time, eles sempre querem que o time jogue bem e vença os jogos. Eles sabem que temos um bom time e que podemos fazer melhor a cada dia.

LNET!: Qual é o ponto forte do Vôlei Futuro? É o elenco, o trabalho da comissão técnica, a estrutura?


M: Não dá para destacar só uma coisa. Temos uma comissão técnica muito boa, a estrutura que o Vôlei Futuro dá para a gente também é um ponto muito importante. Mas o elenco também é muito bom. Qualquer um que bobear e não dar conta do recado pode ser trocado.

LNET!: Quais são os principais rivais do Vôlei Futuro no caminho para o título da Superliga?


M: Tem uns oito times que podem ganhar de qualquer um. Temos de ir para todos jogos pensando em três pontos. O Sesi tem um elenco maravilhoso, o RJX investiu pesado. Não podemos também esquecer do Sada (Cruzeiro). Tem bastante time que poderá brigar pelo título na Superliga neste ano.

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Com informações do Lancenet! (Fabio Aleixo, Paulo Roberto conde, Rafael Valesi)

Romário defende casamento gay: "Eu sou a favor da felicidade" Resposta

O deputado federal Romário tirou o terno e abriu as portas de seu condomínio, na Barra, para receber o colunista Leo Dias do jornal O Dia. Num bate-papo descontraído, o Baixinho não fugiu a nenhuma pergunta. Ele dá sua opinião sobre o casamento gay, conta como era a sua época na Seleção Brasileira de Futebol e ainda manda um recado para Renato Gaúcho, que diz ter ficado com cinco mil mulheres: “Parabéns, hein, amigo! Tem que respeitar esse malandro”. E, apesar de não negar que adora mulher, garantiu estar longe da marca divulgada pelo amigo. Confira a entrevista na íntegra:


Leo Dias: Você foi considerado um dos melhores deputados de 2011 por um jornal. Foi uma surpresa para você?


Romário: Sim. Nos últimos tempos, algumas pessoas têm me visto como um inimigo da Globo e da família Marinho. Acho que é o contrário. Sempre respeitei, tive muito carinho e sou grato por tudo que eles fizeram por mim. Pode ter havido, em algum momento, problemas pelo fato de eu ter trabalhado em outra emissora, mas é até bom aproveitar essa oportunidade para dizer que foi um trabalho [ele foi comentarista da Record no Pan].

Leo Dias: Você achou que ficou queimado com a Globo quando assinou com a Record?


Romário: Não. Na verdade, não assinei contrato para receber. Eu fui convidado…

Leo Dias: Mas você ganhou?


Romário: Infelizmente, não. Eu até queria ganhar, porque fui fazer um trabalho, mas 15 dias antes de assinar o contrato, fiquei sabendo que era proibido. A televisão é uma concessão pública e o político não pode receber e ter contrato com uma empresa estatal e muito menos com empresas que são concessão pública.

Leo Dias: Mas e o Wagner Montes,que é apresentador na Record e parlamentar?


Romário: Existem alguns casos de exceção, como Wagner Montes, Tiririca, Garotinho. Pode ser que eles tenham uma outra forma de contrato e que já não vigorava quando fui fazer o trabalho na Record.

Leo Dias: Gostou da experiência?


Romário: Adorei. Existe uma possibilidade de a emissora me convidar mais uma vez.

Leo Dias: Mas… de graça?


Romário: Eu iria. Iria mais amarradão se eu pudesse receber…

Leo Dias: Mas você não recebeu nada mesmo?


Romário: Não. O que recebi foi a minha passagem, as da minha mulher e das minhas filhas. Elas ficaram lá dez dias, eu fiquei 18 e foi uma experiência do c…! Eu já tinha feito comentários sobre futebol na TV, na Globo, em 1998, quando fui cortado da Copa da França. Mas na Record foi diferente. Tive um espaço legal.

Leo Dias: Você recebeu proposta do prefeito do Rio para apoiá-lo na campanha política deste ano? Você se candidataria?


Romário: Não. O meu partido já tem um acordo de apoiar a prefeitura do Rio, no caso o Eduardo Paes, desde a eleição passada. Por isso, é impossível eu vir a ser prefeito.

Leo Dias: O Paes não te ofereceu o cargo de secretário?


Romário: Ele não me ofereceu nada. A minha vida como político, até o dia 2 de fevereiro de 2015, vai ser, em princípio, como deputado federal.

Leo Dias: Você vai ser candidato à reeleição?


Romário: Não. Por isso que eu trabalho 10, 11 horas por dia quando os políticos, em geral, trabalham seis. Não quero deixar de fazer as coisas.

Leo Dias: Sua rotina hoje é diferente de três anos atrás?


Romário: Completamente. Aprendi a acordar cedo e isso era uma coisa que eu odiava. Às vezes, acordo às cinco da manhã. Quando tenho que ir trabalhar em Brasília, chego lá às 9h30, quando muitos políticos chegam às 14h. Em Brasília, às quartas e quintas, às 9h já estou no gabinete trabalhando. Agora, já me acostumei. Eu estava condicionado a acordar tarde. Comecei a acordar cedo a partir de agosto de 2010, quando comecei a campanha. Fui panfletar na Central do Brasil às 4h da manhã.

Leo Dias: Ali você viu que o Rio é diferente?


Romário: Eu já tinha certeza disso. Eu imaginava que seria um mundo muito diferente do que eu vivia, e não deixa de ser, mas o que eu entendi é que, se você quer fazer, quem tem essa bandeira – bandeiras brancas, como as minhas, relacionadas às crianças, aos deficientes e ao combate às drogas – tem menos dificuldades que os outros deputados para concretizar os projetos.

Leo Dias: Você seria deputado se não existisse a Ivy (sua filha portadora da Síndrome de Down)?


Romário: Acho que não. Nunca fui de acompanhar o dia a dia da política, mas sempre li um pouco. Digo que não sou político, sou deputado federal. Continuo sendo o Romário.

Leo Dias: Como você acha que vai ser sua vida daqui a alguns anos se não estiver como deputado federal?


Romário: Quero fazer alguma coisa relacionada ao esporte, principalmente ao futebol.

Leo Dias: O seu discurso, hoje, é diferente?

Romário: Nesses 11 meses aprendi algumas coisas e me comunico diferente, sim. Quando estou com minha rapaziada, eu continuo sendo o Romário. Quando coloco o terno e a gravata, eu já sou outro.

Leo Dias: E quem é esse cara que está aqui agora?


Romário: Os dois. Estou aqui descontraído, à beira da piscina, e falando sobre política.

Leo Dias: E na noite?


Romário: Sempre fui bastante boêmio.

Leo Dias: Bem boêmio…


Romário: Bem, não! Bastante, pra c…, muito! Não estou dizendo que isso é mérito, mas nunca fui de beber, de fumar e tal. Hoje quando tomo duas tacinhas de champanhe, já fico alegre e paro. Mas dei uma parada com a noite. Agora, nas férias, é que estou saindo mais.

Leo Dias: Você sente falta?


Romário: Claro que sinto. Quem é que não gosta de ver uma mulher gostosa na sua frente se mexendo? Mas tive problemas no meu casamento por conta desse negócio de noite e, pra continuar casado, tive que mudar um pouco.

Leo Dias: Você já declarou que é contra a CBF, mas esteve lá para lutar pelos deficientes. Como foi a conversa com eles na ocasião?


Romário: Eu disse pra eles: “Quero deixar uma coisa bem clara. Não estou aqui para fazer acordo com vocês, estou aqui para dizer que se amanhã a CBF fizer alguma merda, eu vou dar porrada em vocês, como sempre fiz”. Mas o que fui fazer lá não se refere só aos deficientes. A Lei da Copa tem 64 artigos e eu sou contra alguns deles. Um diz que, ao adquirir o ingresso para um lugar no estádio, você tem que ir ao jogo. Caso contrário, a Fifa pode te multar e tem o poder de te julgar. A Fifa quer ser um Estado dentro do nosso Estado.

Leo Dias: Há mais pontos problemáticos nesses artigos?


Romário: Sim. Um exemplo: vamos ao Maracanã. Eu vou de camisa branca e vocês, por acaso, também vão. Sentamos no mesmo lugar. A Fifa entende que aquilo é um marketing de emboscada. Se a cerveja do patrocinador não é da cor branca, a Fifa tem o direito de chegar e tirar a gente do estádio. Não posso, como brasileiro e como deputado, deixar que ela determine o que é certo e o que é errado. A Fifa é uma entidade privada que vai sair daqui com 5 bilhões de euros de lucro.

Leo Dias: Como ex-jogador, o que acha de Adriano passar por tudo que tem passado?


Romário: Todo mundo passa por fases positivas e negativas. O Adriano passa por fases negativas, mas parece que ele mesmo acha os problemas.

Leo Dias: Quais foram as suas fases negativas?


Romário: Muitas. Já passei três jogos sem fazer gols.

Leo Dias: Mas fora de campo…


Romário: Há três anos, tive um problema financeiro e passei por um bloqueio judicial.

Leo Dias: Mas é diferente…


Romário: Ah, sim, fases como essa de um tiro na mão de uma pessoa… Parece que uns procuram, o Adriano acha. É f…

Leo Dias: Mudando o assunto: tinha muita mulher na Copa de 1994?


Romário: Mulher tem em todo lugar… As concentrações têm muita segurança. Mas eu, quando tive minha Copa, aproveitei.

Leo Dias: E é a favor do casamento gay?


Romário: Sou, pô. Eu sou a favor da felicidade. Cada um dá o que é seu e f…-se os outros.

Leo Dias: Renato Gaúcho disse que pegou mais de 5 mil mulheres…


Romário: É um direito dele.
Leo Dias: Você também chegou a esse número? Calculou alguma vez?


Romário: Eu, não, pô! Quem me dera! Cinco mil mulheres? Parabéns, hein, amigo! Tem que respeitar esse malandro.