Foto de soldado beijando seu namorado na volta para a casa vira febre na internet e ganha apoiadores Resposta

O Sargento Brandon Morgan beijando seu namorado
depois de voltar de uma missão no Havaí.
Uma foto de um fuzileiro naval dando um beijo apaixonado na sua volta para a casa em seu namorado, acabou virando um grande sucesso na internet e ganhou a aprovação dos que apóiam a idéia de homens e mulheres gays de servirem ao exército americano.
A foto, que mostra o sargento Brandon Morgan dando um beijo apaixonado no seu parceiro Dalan Wells durante a volta para casa depois de uma missão recente no Havaí, foi colocada em uma página no facebook sobre militares gays no sábado. Desde então, o registro tem recebido dezenas de milhares de ¨curtir¨, quando pessoas clicam em um ícone e mostram que aprovaram a foto, e diversos comentários, o que levou o jovem soldado a enviar uma mensagem de agradecimento para os seus apoiadores:
– Para todos que responderam de forma positiva, meu parceiro e eu queremos dizer obrigado. Nós não fizemos isso para ficarmos famosos ou algo parecido. Fizemos isso isso porque depois de 3 implantações em quatro anos que a gente se conhece, finalmente podemos dizer como nos sentimos. Quanto ao beijo usando o uniforme, foi minha volta para casa. Os sargentos, capitães, majores e coronéis em torno de nós não se importaram.
Um comentário deixado na foto dizia: ¨Como um gay veterano, essa foto arrancou lágrimas de meus olhos. Nunca em meus sonhos mais loucos que eu iria pensar que eu iria ver isto nesta vida.
Nem todas as observações eram favoráveis, claro​​. Alguns disseram que acharam a foto inadequada e desaprovaram o registro.

Hermafrodita descobre que possui órgãos sexuais feminino e masculino aos 19 anos e passa a viver como mulher aos 40 1

Caroline Kinsey: Mudança de sexo aos 40.
Caroline Kinsey, de 42 anos, viveu como um homem por 40 anos. Isso porque os pais dela só disseram que a inglesa era hermafrodita quando tinha 19 anos. Até os 40, Caroline, da cidade de Darwen, na Inglaterra, era chamada de Carl John Baker.

Ainda vivendo como homem, a inglesa se casou com uma mulher e se divorciou pouco tempo depois. Caroline sofreu anos de bullying na escola por causa das características femininas do corpo e da voz. Até que os pais resolveram contar a verdade.
– Desde pequena, sempre soube que era diferente. Mas nunca pude tocar no assunto.
Tudo começou a fazer sentido para Caroline, depois de descobrir a verdade.
– Minha mãe me mostrou as fotos do dia do meu nascimento e contou da reação da enfermeira, ao descobrir que eu tinha os dois órgãos genitais. As pessoas que passaram por toda a minha vida sabiam que eu era diferente.
Há dois anos, em depressão, a inglesa resolveu viver como mulher. Era uma tentativa de se sentir melhor.
– No começo foi muito estranho. Mas rapidamente eu percebi que era a coisa certa para mim. Eu cresci como um garoto, mas não deveria, porque segredos foram escondidos de mim. Eu não me sinto bem em roupas masculinas, então decidi me dar uma chande e vestir roupas de mulher.
Caroline conta que algumas pessoas ainda não conseguiram aceitá-la como mulher. Mas isso não chega a ser um problema. A inglesa está procurando ajuda de especialistas para remover a genitália masculina.
– Espero que isso me ajude a deixar o passado para trás e encontrar um amor.

Duas lésbicas assumidas integram a segunda temporada de The Voice. Assita: Resposta

Uma beleza não convencional com uma voz ainda mais incomum, nativa de Chicago e ex-modelo Erin Martin teve sua namorada e sua mãe a seu lado na audição que foi ao ar na última segunda-feira no programa musical The Voice. Embora o tema da sexualidade de Erin não veio à tona durante a audição, o programa colocou a companheira de Erin como sua ¨namorada¨.


Vestida com o que ela descreveu como uma ¨princesa guerreira egípcia¨, Erin tece que escolher entre Cee Lo Green e Blake Shelton para ser seu mentor durante as eliminatórias do programa. No final, ela escolheu por Cee Lo.

Assista a audição de Erin abaixo:




Também na segunda-feira, a cantora Sarah Golden, que veio de Houston, Texas, literalmente virou as cabeças dos juízes com sua versão lenta de ¨You ans I¨, de Lady Gaga.

Sarah diz que seu look andrógino tem sido uma pedra no caminho da música, mas fiel à si mesma, ela se recusou a mudar seu olhar para caber um molde. Na biografia de Sarah no site do programa, podemos ler que ela se diz assumidamente gay e orgulhosa, e que ela enfrentou muitas barreiras em construir um nome na indústria da música por se recusar a deixar o cabelo crescer e usar vestidos. Ela acredita que o programa é a única oportunidade que ela tem de ser julgada apenas pela sua voz e não pela sua aparência de menino.

Cee Lo Green também foi o responsável por escolher Sarah, e com isso, seu timw já conta com duas mulheres lésbicas, caso que também aconteceu na temporada passada, onde uma de suas cantoras, a lésbica Vicci Martinez, alcançou a quarta colocação na competição.

Assista a audição de Sarah:

E aí? Qual a sua favorita?

Bancada evangélica quer implementar projeto de ¨cura gay¨ 1

Deputado João Campos cria projeto de ¨cura¨
dos homossexuais
Eles fazem de tudo para impedir que gays tenham os mesmos direitos que outros cidadãos na sociedade, mas agora o próximo passo é ¨curar¨ os homossexuais e transformá-los em heterossexuais. 

Isso porque o líder da Frente Evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), criou um projeto de decreto legislativo que visa sustar dois artigos instituídos pelo Conselho Federal de Psicologia que proíbem os psicólogos de emitir opiniões públicas ou tratar a homossexualidade como um transtorno. 
A idéia surgiu depois que Campos disse que o conselho ¨extrapolou seu poder regulamentar ao restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional¨. 
Esse deputado, diz em seu discurso que o Conselho Federal de Medicina, impede que pacientes homossexuais sejam tratados por psicólogos e então, ¨curados¨. É muito comum gays procurarem atendimento especializado, porém, ao começar um tratamento, o profissional ajuda o paciente a encontrar a melhor maneira de ele se aceitar como ele é, não tratando a homossexualidade como uma doença, mas sim, como um comportamento nato da pessoa. 
A homossexualidade deixou de ser tratada pela primeira vez como doença em 1973. Segundo o site ¨Psicologia on Line: 
Desde dezembro de 1973, a homossexualidade deixou de ser classificada como transtorno mental pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), sendo retirada do Manual de Diagnóstico e Estatística de Desordens Psiquiátricas; em 1975, a Associação Americana de Psicologia adotou o mesmo procedimento, deixando de considerar a homossexualidade como doença, distúrbio ou perversão. 

No Brasil, em 1985, o Conselho Federal Medicina (CFM) deixa de considerar a homossexualidade como desvio sexual, esclarecendo aos médicos, em particular aos psiquiatras, que homossexualismo não pode ser aplicado nem sustentado como diagnóstico médico.  

A 43ª Assembléia Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), no dia 17 de maio de1990, retirou a homossexualidade da sua lista de doenças ou transtornos mentais, suprimindo-a do Código Internacional de Doenças (CID-10), a partir de 1993.  

Em 1991, a Anistia Internacional passa a considerar a discriminação contra a homossexualidade como violação aos direitos humanos.  

Em 22 de março de 1999, o Conselho Federal de Psicologia, por meio da resolução 01/1999, estabelece normas para atuação dos psicólogos em relação à questão da orientação sexual, 

“…considerando que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão (…) e que a Psicologia pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações (…)”; 
resolve: 

Art. 1° – Os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão notadamente aqueles que disciplinam a não discriminação e a promoção e bem-estar das pessoas e da humanidade.  

Art. 2° – Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas. 

Art. 3° – Os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados. 

Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades. 

 
Art. 4° – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica. (…)  

Decisões como as do CRP-05 e do CFP, vêm reforçar o combate ao preconceito e a discriminação, como também, reafirmar o respeito aos Direitos Humanos de todas e todos. 


Para o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Toni Reis, é o preconceito que leva um gay a procurar tratamento e deve-se curar a ¨síndrome de patinho feio, e não a homossexualidade em si¨. 
Já o pastor e deputado Roberto de Lucena (PV-SP), relator do projeto de João Campos, acredita que os pais têm o direito de mandar seus filhos para redirecionamento sexual, e ele acredita que o tema deve ser discutido em audiência pública, o que deve acontecer nas próximas semanas em Brasília. 
Como nosso país é praticamente um circo dominado por líderes evangélicos que vivem no tempo de antigamente, não fiquem surpresos se ficar decidido que homossexualidade é doença, assinado embaixo pela presidenta Dilma.

Christopher Plummer ganha Oscar, aos 82 anos, pelo papel de gay Resposta

O Oscar de melhor ator coadjuvante foi concedido a Christopher Plummer, de 82 anos, por seu papel em “Toda Forma de Amor”, tornando-se o ator mais velho da história a ganhar o principal prêmio do cinema. No filme, ele representa um gay idoso.



Depois de quase 200 filmes e programas na TV, além de centenas de apresentações no palco, o veterano Plummer, canadense, interpreta um homem de 75 anos que “sai do armário” após um longo casamento, mas sucumbe a um câncer terminal.

“Você é apenas dois anos mais velho do que eu, querido. Por onde você esteve durante toda a minha vida?”, disse o ator, olhando para a estatueta do Oscar, concedida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas há 84 anos.

Oliver Fields (Ewan McGregor) perdeu a mãe há cinco anos e sofre um novo abalo ao receber duas notícias sobre o pai, Hal (Christopher Plummer), que diz ter câncer e ser homossexual, trazendo pungência e um toque de humor às suas vidas.

Então, Oliver começa um relacionamento com uma atriz e espera que as experiências vividas em sua família ajudem a construir o seu relacionamento amoroso.

Plummer venceu o prêmio Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante e é a pessoa mais velha a ganhar um Oscar na história, superando a estrela de “Conduzindo Miss Daisy”, Jessica Tandy, em dois anos.
Plummer também trabalhou em outros filmes de sucesso, como “A Casa do Lago”, “Aritmética Emocional”, “Uma Mente Brilhante”, “Malcolm X” e “O Informante”.

O Oscar foi entregue a Plummer, aplaudido de pé, por Melissa Leo, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante no ano passado.

Também concorriam nesta categoria Kenneth Branagh, de “Sete Dias com Marilyn”; Jonah Hill, de “O Homem que Mudou o Jogo”; Nick Nolte, de “Guerreiro”; e Max Von Sydow, de “Tão Forte e Tão Perto”.

Bauru, SP, realiza 1° "beijaço" contra homofobia Resposta


Um beijaço gay aconteceu neste sábado (25) no centro de Bauru, interior de São Paulo. O ato foi organizado pela Associação Bauru pela Diversidade (ABD). Militantes e simpatizantes  pintaram rostos e hastearam bandeiras coloridas na Praça Rui Barbosa contra a homofobia e a favor da diversidade sexual.



Segundo os organizadores, a manifestação tinha como intuito de chamar atenção contra o preconceito sexual. Eles usaram como exemplo as recentes agressões contra homossexuais na cidade, como a da travesti que foi esfaqueada no início de fevereiro.

Relembre:

Uma travesti (Erick Ribeiro) que estava desaparecida, foi encontrada ferida na manhã da sexta-feira (10/02) no bairro Santa Teresinha, em Bauru, no interior de São Paulo, próximo a um motel.




Segundo a polícia, ela estava bastante machucada e desacordada, foi socorrido pelo Samu e depois encaminhada ao pronto socorro central. A travesti havia saído no dia anterior para fazer um programa, quando desapareceu.

No local, um integrante da Associação Bauru pela Diversidade encontrou a bolsa que ela usava na noite em que foi espancada. “Tem em dinheiro, isso mostra que não era assalto”, conta o integrante.

Uma amiga da travesti disse que ela se fingiu de morta para não apanhar mais. Disse ainda que ele não tinha envolvimento com drogas. O caso foi encaminhado para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Reynaldo Gianecchini: “Eu não tenho aids” Resposta

Reynaldo Gianecchini abre o seu coração em entrevista (foto J.R. Duran)

Em entrevista à repórter Ruth de Aquino, da revista Época, o ex-modelo e ator Reynaldo Gianecchini falou abertamente sobre o seu tratamento contra um câncer, a sua vida, inclusive sobre a sua orientação sexual, sobre o ex-administrador, que disse ter recebido dele um apartamento e sobre os boatos de que ele seria soropositivo. 

De maneira franca e honesta, o ator disse que nunca transou com um homem, mas que sedução é outra coisa, deixando no ar uma dúvida: será ele um sedutor de homens? Gianecchini também respondeu sobre os boatos de que ele seria soropositivo, sem mostrar o exame, ele é taxativo: eu não tenho aids. Confira abaixo, trechos da entrevista:


ÉPOCA – Como surgiu a história de que você seria HIV positivo?


Gianecchini – Foi quando procurei o infectologista por causa da dor na garganta e dos gânglios. Logo se espalhou o boato: o cara tem HIV. Nunca desmenti nada. Porque eu ficaria eternamente nesse jogo. Mas agora acho melhor falar, até por respeito às pessoas que gostam de mim e nem comentam comigo. Eu não poderia jamais fazer o tratamento agressivo que fiz se tivesse aids. Primeiro chequei todos os vírus, todas as bactérias, para depois chegar ao câncer. Por isso posso dizer com toda a alegria do meu coração para quem se preocupa realmente comigo: “Eu não tenho aids”. Poderia mostrar um exame aqui, mas não é o caso. Já fui invadido com tantas mentiras absolutamente infundadas. Fui dado como morto. Alguém resolveu soltar essa notícia – e chegou às redações.

ÉPOCA – Foi o que aconteceu também com a história de seu ex-empresário, que disse ter recebido de presente um apartamento seu?

Gianecchini – Outro caso tratado de forma muito leviana. Essa é uma história que tem muitos desdobramentos, que envolve dinheiro, bens e contas. Ele não era meu empresário. Era uma espécie de administrador. Administrava toda a minha vida profissional e até minha casa. Como eu estava sempre viajando, precisava de alguém assim. É uma história que vai levar dez anos na Justiça. Eu o estou processando, porque tem muito dinheiro meu de que ele precisa prestar conta. Não é uma questão amorosa, definitivamente, que está em jogo. Não é uma questão homossexual. Fui ameaçado no meu patrimônio maior, a minha imagem. Mas é uma questão de trabalho, e precisa ser comprovado por A mais B onde foi parar meu dinheiro.

ÉPOCA – Você se considera hétero ou bissexual?


Gianecchini – Penso que essa questão da sexualidade é muito mais complexa do que as pessoas tendem a achar. Cada um tem sua sexualidade. Nunca tive uma história com um homem, nunca fui casado com um homem, nunca tive um romance com um homem. Mas a sexualidade, ou a sedução, é outra coisa. A gente é sexual no dia a dia sem transar. Conheço amigos que seduzem homem, mulher, seduzem a porta. A gente é mais sensual nos trópicos. Mas essas coisas são muito íntimas e, no meu caso, sou tão discreto que, se a história está publicada numa revista como fofoca, pode ter certeza de que é mentira.

Mais um militar pode ser expulso do Exército brasileiro por homofobia de general 2

Laci (à direita) já foi expulso. Fernando responde a processo. Agora, um terceiro militar está ameaçado de expulsão pela mesma história dos sargentos gays

No dia 28 de dezembro de 2006, o subtenente Davi Reis grava uma conversa pessoal com o general Adhemar da Costa Machado Filho, então comandante militar do Planalto. Na conversa, o general revela saudades dos tempos da ditadura militar, ou do”velho Exército”, como chama, em que se podia arrombar uma porta, dar “uma porrada” e pegar o desafeto “à força”. Por conta dos novos tempos, em que tais expedientes não são mais possíveis, o general Adhemar não pode então punir os sargentos Laci Marinho e Fernando Alcântara, “dois canalhas”. Mas, mais do que isso, na concepção do general, “um viado” e um “viado que come viado”. A gravação feita por Davi Reis é a principal prova que Laci e Fernando têm da perseguição homofóbica que sofreram no Exército. Por conta dela, Laci foi expulso por deserção. Ainda sargento, Fernando defende-se também de um processo. E, agora, a história faz uma terceira vítima: por ter gravado a conversa com o general, Davi Reis começou a responder também a um processo, que pode resultar na sua expulsão do Exército, após 26 anos de serviço.



Em 28 de novembro de 2011, foi aberto contra Davi um Conselho de Disciplina, nomeado pelo atual comandante militar do Planalto, general Araken de Albuquerque. Havia uma suspeita contra Davi, de que ele tinha um padrão de vida incompatível com a sua atividade de subtenente. Davi iria responder a uma investigação sobre isso, e defendia-se argumentando que, além de subtenente, ele tinha uma empresa de informática e sua mulher tinha lojas. No meio do processo, Davi foi transferido para o Batalhão de Polícia do Exército (BPE), e interpretou isso como uma espécie de punição prévia. Ele procura o general Adhemar para reclamar, e resolve gravar a conversa para a sua defesa. A conversa descamba para a história do casal gay, e Davi acaba registrando o desabafo homofóbico do general. Na Justiça comum, é legítimo alguém gravar sua própria conversa como instrumento de defesa. A gravação, inclusive, é prova lícita. Na Justiça militar, porém, na concepção do Conselho de Disciplina, o que Davi Reis fez foi uma grave insubordinação. E, por isso, ele merece ser expulso do Exército. Além da gravação, pesa contra Davi Reis um outro episódio, em que ele, segundo consta do libelo acusatório, teria se identificado falsamente como funcionário do gabinete do Comandante do Exército, Enzo Peri.

Além de ter determinado a abertura do Conselho, é o general Araken quem escolhe seus integrantes. Foram nomeados o major Geraldo de Barros Cavalcante Júnior, como presidente, e dois capitães. No entanto, é o próprio general quem analisa o recurso apresentado pelo advogado de defesa, Daniel Henrique de Carvalho. “A gente já sabe o que vai acontecer, porque quem mandou abrir o Conselho é quem vai julgar o recurso. Ou seja, é óbvio que o comandante não vai aceitar o recurso”, explica Davi Reis.
O Conselho de Disciplina apenas concluiu que o acusado no processo é culpado. Cabe agora ao comandante militar do Planalto decidir se exclui o militar ou arquiva o processo. A decisão é então remetida ao Comandante do Exército que pode homologar a decisão. No entanto, Davi Reis acusa Enzo Peri de ter exigido a sua expulsão, depois que as gravações tornaram-se públicas.
De acordo com o advogado de defesa, Daniel Henrique de Carvalho, o recurso contrário à decisão já foi entregue ao Comandante Militar do Planalto, mas ele considera ser muito difícil haver uma reversão do que o conselho definiu. “Pedimos a anulação da decisão e trabalhamos para reverter o processo de investigação, que está cheio de fraudes”, afirma.
Motivos
Os casos de Davi Reis e do casal de sargentos gays Fernando e Laci se esbarram por conta de uma denúncia feita por Fernando, e que é o início dos seus problemas. Fernando e Davi trabalhavam no Fundo Social do Exército (FUSEx), e Fernando percebeu irregularidades na compra de medicamentos. Ele faz uma denúncia anônima, intitulando-se “cidadão indignado”. As denúncias lançam suspeita contra Davi, pelo fato de ele ter um padrão de vida que não seria compatível com seus vencimentos de subtenente. Davi acaba saindo do FUSEx para o BPE, e é nesse processo que ele grava a conversa com o general. Com o registro das declarações do general Adhemar, ela acaba passando as gravações para Fernando e Laci, e ela foi anexada ao processo que o casal gay move contra o Exército.
No entanto, ao decidir gravar a conversa, realizada no gabinete do general, a única intenção de Reis foi se proteger, segundo contou em entrevista ao Congresso em Foco. Ele queria provar que estava sendo transferido de forma ilegal, mas acabou gravando as declarações polêmicas do general, e até, insinuações de violência que poderiam ser cometidas contra os dois sargentos.
“Eu fui até o general e ele me atendeu. Só que nessa minha ida, eu já fui preparado porque já estava sabendo que poderiam me usar de bode expiatório, ou para dar satisfação para o Ministério Público. Então eu já fui assim, para me proteger. Pensei: se ele falar que está me transferindo porque existe indício, vou processá-lo. Ou, se me acusar de alguma coisa, vou processá-lo. E segundo, você vai conversar com uma pessoa já com o ânimo exaltado, se achando injustiçado. Imagina, estou eu e o general no gabinete dele. Se ele falar: me desacatou, eu vou falar o quê? Por isso eu fiz a gravação, escondido, obviamente”, revela Reis.
Ao longo da conversa, o general Adhemar ressalta que é contra a instalação de inquéritos para investigar denúncias de corrupção, “porque fugiriam ao seu controle”. Ele também afirma sentir saudades dos tempos da ditadura militar em que se podia empregar métodos nada ortodoxos, como invadir o apartamento do casal, sem mandado judicial, “para dar uma surra”. A conversa durou 1 hora.
Em janeiro, o ministro da Defesa, Celso Amorin, reuniu-se com Enzo Peri para esclarecer as denúncias. Em nota, o ministro prometeu tomar providências assim que esclarecesse a história, mas até agora nada foi feito.
O Congresso em Foco procurou o Ministério da Defesa e o Centro de Comunicação do Exército (Ceconsex) para que se manifestassem sobre o processo de expulsão de Davi Reis e para possibilitar uma manifestação dos generais Adhemar e Araken. O Ministério da Defesa informou que só o Exército poderia se manifestar sobre o caso. E o Ceconcex enviou nota ao site, em que diz apenas que o processo está “de acordo” com o “previsto no (…) Estatuto dos Militares”.

Bullying e homofobia: Pais de menino que se matou após ofensas dizem que pediram transferência de colégio Resposta

Mãe revoltada

Os pais do menino que se matou depois de ser vítima de bullying e homofobia em uma escola de Vitória na última sexta-feira (17) afirmam que já tinham pedido a transferência dele para outra unidade de ensino. Tudo aconteceu depois que o estudante foi humilhado, empurrado e xingado pelos colegas.


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A família alega que os abusos já tinham sido comunicados à direção da escola. “Eu não tinha denunciado a situação desse meu filho, mas de outro. O Conselho Tutelar também sabia. Eu pedi o remanejamento dos meus três filhos, mas disponibilizaram vagas em escolas diferentes”, lamentou a mãe, Joselia Ferreira de Jesus.    
 



”Essa mãe falou conosco da situação dos três filhos e nós disponibilizamos três escolas, mas ela não efetivou a transferência”, argumentou a secretária de Educação, Vânia Carvalho de Araújo.

O Caso

Na sexta-feira, véspera de Carnaval, Roliver de Jesus foi para a escola em clima de festa, mas acabou se tornando alvo de piadas. Uma colega do menino disse que crianças e adolescentes fizeram uma roda ao redor do menino, que foi humilhado e empurrado.

“Eles o chamaram de gay, bicha, gordinho… Às vezes ele ia embora chorando”, comentou.

A vítima deixou uma carta pedindo desculpas pelo suicídio e dizendo que não entendia porque era alvo de tantas humilhações. O menino se enforcou com o cinto da mãe e foi encontrado já desacordado pelo pai. Roliver chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

Na escola onde Roliver estudava, outras estudantes sofrem com a violência psicológica. A mãe de uma aluna contou que a filha de 10 anos é vítima de bullying e que perdeu a conta de quantas vezes levou a situação ao conhecimento da direção. “Eu tenho coragem e falei com a diretora, mas ela não resolveu nada até hoje”, acrescentou. 

A imagem que ficou para Karen Raquel Tenente, amiga do estudante, é de um menino alegre e sonhador. Para ela, ainda é difícil acreditar no que aconteceu. “Ele dizia que queria ser um grande artista”, finalizou.

Fonte: Folha Vitória