Parada do Orgulho LGBT de São Paulo foi menor, mas mais engajada Resposta



Complementando a postagem: No sábado, 9, foi lançado nas redes sociais um protesto da Frente Paulista de Travestis e Transexuais contra a organização da Parada Gay de São Paulo. Talvez isso ajude a explicar o motive de a parada ter sido uma das menores dos últimos tempos. Leia aqui: Travestis e transexuais protestam contra Parada Gay: “É machista e misógina”

Pela primeira vez na história da Parada do Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e trangêneros), os organizadores não divulgaram oficialmente o público que compareceu à Avenida Paulista, em São Paulo (SP). Não adiantou omitir informação, para a Polícia Militar (PM) a festa atraiu muito menos gente que nas edições anteriores. O público da 16ª edição do eventou, também notou que a parade encolheu.


Neste ano, o orçamento foi de R$ 325 mil – R$ 120 mil a menos que no ano passado. E o número de trios elétricos caiu de 16 para 14. O tema foi “Homofobia Tem Cura: Educação e Criminalização.”

No ano passado, a estimativa oficial foi de 4,5 milhões de pessoas, o que fazia da Parada Gay de São Paulo a maior do mundo. Este ano, quem chegou um pouco mais tarde, já encontrou a Avenida Paulista tranquila por volta das 16h, duas horas após o início do evento. Com 70 pessoas da Guarda Civil Metropolitana à paisana e câmeras para ajudar a combater o comércio clandestino de bebidas, camelôs tiveram de abandonar os carrinhos e caixas de isopor e camuflar as mercadorias em pequenas mochilas.

Skinheads dão apoio ao evento

Um grupo de 80 punks e skinheads se juntou à Parada Gay neste ano. Eles queriam dar apoio ao movimento dos homossexuais e protestar contra a homofobia e a intolerância.

Antes de se incorporar ao evento, o grupo conversou com policiais civis da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Os skinheads explicaram que faziam parte da vertente sharp (skinheads contra o preconceito racial, na sigla em inglês).

Um outro grupo de skinheads contra gays se reuniu na rua atrás do Masp por volta das 13 horas. “Mas nós os convencemos pacificamente a se retirar”, afirmou o tenente-coronel da PM Benjamin Francisco Neto.

Em edições anteriores, skinheads causaram problemas. Em 2009, uma gangue chegou a praticar um atentado com bomba caseira, ferindo aproximadamente 30 pessoas.

Serra, Haddad, Chalita não comparecem

Pré-candidatos a prefeito de São Paulo, o tucano José Serra, o petista Fernando Haddad e o peemedebista Gabriel Chalita não foram à 16ª edição da Parada do Orgulho LGBT. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (PSD) estiveram lá.

Apesar de constar de sua agenda, Serra cancelou a participação no desfile ao adiar para amanhã a volta de viagem a Nova York. A ida dele à parada era apontada no PSDB como uma maneira de reforçar laços com movimentos sociais.

Chalita também ficou longe da festa gay: agendou, no mesmo horário, um encontro comunitário em Sapopemba, zona leste – a 20 quilômetros de distância da Paulista.

Haddad, alvo de protesto de evangélicos fundamentalistas após a proposta de distribuição do kit anti-homofobia nas escolas, não foi. Avisou que descansaria com a família no fim de 
semana.

Outros três pré-candidatos aproveitaram para circular.

Celso Russomanno (PRB), Soninha Francine (PPS) e o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) prestigiaram o evento, cujo tema principal do ano era a criminalização da homofobia.

Pré-candidato de sigla ligada à Igreja Universal, Russomanno disse ser contra o casamento gay, mas defendeu a união civil entre pessoas do mesmo sexo. O ex-deputado também afirmou ser a favor de aulas de orientação sexual nas escolas sobre saúde e homofobia, “desde que com professores capacitados”.

A senadora Marta Suplicy (PT) criticou a gestão Serra/Kassab por ter “abandonado” a orientação sexual e combate ao preconceito na rede infantil de ensino. “Houve um retrocesso”, disse Marta, que desfilou em trio elétrico. Para Kassab, Marta só quis sugerir uma abordagem pedagógica em várias frentes.

A deputada estadual Leci Brandão (PC do B), cotada para vice de Haddad, pediu repressão a piadas homofóbicas na TV. O deputado Jean Willys (PSOL-RJ) criticou a intolerância religiosa contra gays e elogiou Kassab pelo veto à criação do Dia do Orgulho Hétero.

Participantes elogiam o evento

Assim como o professor Marcelo Oliveira, de 23 anos, que viajou de Paulo Afonso (BA), muitos participantes da Parada Gay vieram de longe para se divertir na Paulista. “Aqui é muito bom: muita alegria, diversão”, disse.

O estudante William Martins, de 17, viajou do Rio para conhecer a capital paulista e teve uma boa surpresa. “Está maravilhoso, é muito melhor do que a parada carioca: o pessoal é bem 
mais animado.”

Valdemir da Silva, de 25 anos, e Diego dos Santos, de 20, são casados e saíram de Itápolis (SP), a 370 km da capital, com uma caravana.”Chegamos às 10h e voltamos às 20h”, disse Silva.

No caso das primas Kelly Moreira, de 34, e Alessandra Barbosa, de 26, o motivo da viagem foi curiosidade: heterossexuais, elas são de Pouso Alegre (MG). “Nem queremos ficar com ninguém, viemos conhecer mesmo.”

Parada está mais engajada

O número de participantes pouco importa, já que, apesar do récorde mundial de peublico no ano passado, a pressão da opinião pública é muito pequena sobre os politicos do Poder Legislativo. Ainda estamos à mercê da boa vontade de deputados e senadores e são poucos os que defendem os direitos dos LGBTs. Por enquanto, o que vemos são avanços vindos do Poder Judiciário, já que a bancada fundamentalist do Congresso parece mais organizada do que os milhões que comparecem à parada.

De uns anos para cá, ela está mais engajada, visando o combate à homofobia e deixando um pouco o “carnaval” de lado. Se menos pessoas forem, mas com a consciência de que o evento não é uma festa, mas um momento de reinvidicar direitos de uma parcela da população que ainda vive, em muitos caso, à margem da sociedade, a parade já estará valendo.


*Com informações do “Estadão”

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