Jards Macalé confessa que já foi homofóbico Resposta

Jardes antigamente

Jards Macalé, um dos maiores nomes da música brasileira, confessou, em entrevista concedida ao jornalista Marcus Preto, que já foi homofóbico. Confira a entrevista publicada na Folha Online:

Jards Macalé viveu pouco mais de um ano em Londres –período em que foi “muito feliz, completamente triste”.

“Caetano quer muito falar contigo. Vai telefonar de novo em minha casa daqui a uma hora. Esteja lá”, avisou.

Pelo telefone, Caetano fez o convite. Queria que Macalé fosse passar um tempo em Londres para cuidar da direção musical de seu segundo álbum inglês –que viria a ser o hoje tão cultuado “Transa”.

Caso topasse, Guilherme Araújo, empresário dele e dos demais tropicalistas, cuidaria dos detalhes da viagem.

“Eu estava numa depressão filha da puta e não aguentava mais a loucura instalada aqui pelos militares. Então, topei”, lembra Macalé.

Aproveitou a chance e fez um acordo com Araújo. “Guilherme, eu vou. Mas, quando voltar, quero produzir meu disco. Você vai me ajudar?”

Foi assim que nasceu “Jards Macalé”, primeiro álbum do compositor. Antes, ele havia gravado apenas um compacto duplo, hoje raríssimo.

Lançado em 1972, o disco foi reeditado apenas uma vez em CD –em versão quase caseira, no começo dos anos 1990. E agora, quando completa 40 anos, ganhou sua primeira reedição em vinil.

Estão registradas nele as versões autorais de clássicos nacionais como “Mal Secreto”, “Hotel das Estrelas” e “Movimento dos Barcos”, lançadas em shows e discos por Bethânia e Gal Costa.

Antes de ir ao encontro de Caetano em Londres, Macalé já tinha trabalhado como compositor, músico e arranjador nos dois discos mais psicodélicos de Gal –“Gal” (1969) e “Legal” (1970).

Foi nesse período pré-viagem que compôs as canções que seriam registradas no LP –feitas em parceria com nomes ligados à contracultura ou à própria Tropicália, como Capinan, Duda e Waly Salomão (com quem faria seu maior hit, “Vapor Barato”).

“Foi o Waly quem me botou pra fazer as minhas músicas”, diz. “Ele dizia, com aquelas mão enormes: ‘Macalé, você tem que ser você, você tem que ter seu espaço’.”

As gravações aconteceram no primeiro semestre de 1972, tão logo chegou de Londres. Guilherme Araújo cumpriu direitinho sua parte do trato.

“Eu me tranquei com o Tutty [Moreno, baterista] e Lanny [Gordin, gutarrista] no porão do Teatro Opinião. Aquele cheiro de mofo horroroso, luz baixíssima, cadeira, resto de cenário. Passamos duas semanas ensaiando. Quando entramos em estúdio, foi praticamente ao vivo”, lembra.

O disco teria ainda uma parceria dele com Caetano, composta no inverno londrino. Macalé recebeu do amigo duas letras para musicar. Mas só conseguiu fazer uma –que permanece inédita até hoje.

“Na época, 1971, eu era bem homofóbico, digamos assim. E não consegui cantar aquela letra no feminino. Travei. Um dia, ele foi no meu quarto e pediu a letra de volta. E fez dela um grande hit.”

O hit em questão é “Esse Cara”, que Caetano musicaria ele mesmo em seguida.

A outra canção, única parceria dos dois até hoje, não tem nome. Macalé promete gravá-la no próximo disco, a ser lançado no ano que vem.

Terá apenas material inédito, diz ele. Já fez canções novas com Frejat, Luiz Melodia e Ronaldo Bastos.

Macalé vinha de uma longa fase retrospectiva, e, em cinco álbuns seguidos, regravou quase toda a sua obra.

“Nos anos 1970, eu, Sergio Sampaio, Tom Zé e Luiz Melodia fomos chamados de ‘malditos’. Na hora, a gente achou uma maravilha: estamos com Baudelaire, Malarmé. Mas, depois, vimos que isso nos tirou do mercado.”

Colocar seus discos nas lojas, ele diz, era complicadíssimo. Ou impossível. Assim, o repertório que compôs naquele período ficou na sombra, quase desconhecido.

“Por isso eu tinha que me reler até a última gota. Está feito. Agora, é seguir daqui para a frente.”

Bacana

Legal a atitude de Jards. Se ele asume já ter sido, é sinal de que não é mais. E são tão poucos que assumem que são.

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