Russomanno: texto de Edir Macedo sobre kit anti-homofobia ‘não é importante para mim’ Resposta

O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomano, afirmou ontem (4) que o texto publicado no blog do bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Edir Macedo, que o defende e ataca o adversário petista Fernando Haddad, não é importante para ele, e recusou-se a responder perguntas sobre a publicação.

Na publicação, o bispo, fundador da IURD e proprietário da Rede Record e do portal R7, ele ataca o kit anti-homofobia, vinculando a Haddad, veja o trecho do ataque na íntegra:

“Listo aqui cinco razões pelas quais não voto no sr. Haddad.

“1. Tenho um filho de 11 anos. Está na sexta série e é um excelente aluno, dedicado aos livros, respeitoso com suas professoras, colega de todos em sua turma. Como homem de Deus eu jamais aceitaria que esta realidade fosse alterada pela chegada do kit gay à sala de aula dele. Sob o falso pretexto da tolerância, o sr. Haddad quando era ministro da educação tentou obrigar as escolas a distribuir uma publicação que defende a homossexualidade, que estimula nossas crianças a viverem em pecado, que rasga tudo o que conseguimos transferir de valores e verdade aos nossos filhos. Isso não aconteceu à época porque nós, os evangélicos, fizemos valer nossa força junto a presidenta Dilma. Somente por isso.

“2. Com o sr. Haddad na prefeitura, sem a presidenta como chefe, é óbvio que ele estará livre para infestar as escolas municipais com seu kit gay, revertendo todos os princípios morais e ignorando (pois não precisará mais de nossos votos) os nossos clamores por moral. Basta observar o que os auxiliares diretos do sr. Haddad dizem sobre o tema. Tratam como uma vingança pessoal, como a grande chance de “mostrar que ele estava certo”. Não duvido que seja uma de suas primeiras medidas como prefeito, caso seja eleito.”

O bispo, que já foi flagrado ensinando os seus colegas de “profissão” a pegarem dinheiro dos fiéis, mente descaradamente, quando diz que o kit “defende a homossexualidade” e “estimula nossas crianças a viverem em pecado”.

Em 25 de maio do ano passado a presidenta Dilma Rousseff suspendeu o kit anti-homofobia, sem ter consultado os Ministérios envolvidos, o próprio Conselho Nacional LGBT, ou outras pessoas diretamente envolvidas com o assunto – um trabalho árduo de pelo menos 537 pessoas de todas as regiões do país, conduzido por instituições de renome: a Pathfinder do Brasil, a ECOS – Comunicação em Sexualidade; a Reprolatina – Soluções Inovadoras em Saúde Sexual e Reprodutiva, e realizado durante 3 anos em parceria com o Governo Federal. O produto desse trabalho, o Kit do Projeto Escola Sem Homofobia, foi avalizado pelo Conselho Federal de Psicologia, UNESCO, UNAIDS, entre outras entidades de renome nacional e internacional.
O material do kit foi analisado pelo Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça, que faz a “classificação indicativa”, e que deliberou que o material está apropriado para uso no Ensino Médio.
No dia 03 de maio de 2011, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (Procuradoria Geral da República) promoveu uma audiência pública intitulada “Avaliação dos programas federais de respeito à diversidade sexual nas escolas”. A avaliação incluiu o kit de material do projeto Escola Sem Homofobia, e concluiu que o mesmo está apropriado para uso no Ensino Médio:



A presidenta alegou que o material, que faria parte do programa Brasil sem Homofobia, era uma propaganda da “opção” sexual de alguém. Claro que não era verdade. Para lembrar o que houve na época:

“A presidente Dilma Roussef vetou a distribuição do kit anti-homofobia nas escolas de ensino fundamental por ter sido pressionada pela bancada evangélica e católica, que juntam mais de 90 deputados, que ameaçaram contribuir para que o ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, esclareça a evolução patrimonial nos últimos 4 anos. 

“Uma reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que os rendimentos de Palocci nos últimos anos não são suficientes para as aquisições do atual ministro, como um apartamente de R$6,6 milhões e um escritório de R$882 mil. Isso causa um mal estar no partido da presidente Dilma, porque Palocci na época em que era deputado federal pelo PT de São Paulo, ampliou em 20 vezes o seu patrimônio. Sendo assim, a oposição estava a todo vapor querendo explicações de Palocci no Congresso. 

“Como o kit anti-homofobia estava prestes a ser distribuído para os professores do ensino médio (o kit já havia sido aprovado pelo ministro da educação, Fernando Haddad, que não modificou em nada o projeto), a bancada religiosa decidiu agir. E agiu de má fé. 

“Ameaçaram que se a presidenta Dilma não vetasse o kit, eles fariam com que Palocci fosse dar as devidas explicações na Câmara. Ou seja, preferem ficar de olhos fechados em um suposto caso de corrupção do que permitir que um kit que ajuda a dar fim ao ódio entre os estudantes fosse para frente.”

Sobre o texto mentiroso do bispo Edir Macedo, Russomanno afirmou não tê-lo lido, mas prometeu fazê-lo para comentar depois. Nesta quinta-feira, o candidato disse novamente não ter conseguido ler a publicação, e recusou-se a falar dela. “Não deu tempo (de ler), eu não parei um minuto até agora, mas hoje eu vejo”, prometeu novamente.

Com a insistência dos jornalistas, dizendo que a mensagem do religioso é relevante para a campanha, o candidato se irritou. “Eu quero ler primeiro, depois eu te conto. Pode ser importante para você, para mim não é”, e concluiu com seu bordão. “Eu não vou falar sobre religião. Vocês querem falar sobre os problemas de São Paulo, eu falo. Eu não vou falar sobre religião”, afirmou, encerrando a entrevista.

É bom lembrar que o pastor Marcos Pereira, da IURD, tem um blog no R7, e é coordenador da campanha do Russomanno. Celso está muito mal informado, não?



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