Madonna chega ao Rio de Janeiro com o maior show já produzido para um artista solo 1

Além do Rio, Madonna leva sua turnê a São Paulo (Estádio Morumbi) nos dias 4 e 5. E desembarca em Porto Alegre (Foto: Divulgação)

Além do Rio, Madonna leva sua turnê a São Paulo (Estádio Morumbi) nos dias 4 e 5. E desembarca em Porto Alegre (Foto: Divulgação)

Em vez de desfrutar da fortuna amealhada com os mais de 300 milhões de discos já vendidos ao longo das três décadas, a popstar que deu origem à série de duplicatas que habitam as paradas atuais decidiu que vai morrer outro dia. Entre todas as atividades a que se dedica, como sociedades em empresas que nada têm a ver com música, e o pé na indústria do cinema (agora como diretora e produtora), Madonna ainda encontrou tempo para idealizar e liderar o show “MDNA”, megaespetáculo pop que o público carioca poderá conferir neste domingo, no difícil, distante e complicado espaço do Parque dos Atletas, na Barra.

Além do Rio, Madonna leva sua turnê a São Paulo (Estádio Morumbi) nos dias 4 e 5. E desembarca em Porto Alegre (Estádio Olímpico) dia 9. “MDNA” é a nona turnê mundial de Madonna e leva ao palco a historinha contada no homônimo 12º álbum da estrela, lançado em março deste ano. Não sem uma boa polêmica, é claro. Enquanto o leitor ingênuo entendeu que as letras do título do álbum se referiam às iniciais do nome artístico de Madonna Louise Ciccone, o público afeito às pistas de dança foi rápido em associar a sigla ao princípio da droga ecstasy, descrito quimicamente como MDMA (metilenodioximetanfetamina). Pronto. Estava armada a primeira controvérsia da loura. Este ano. Madonna sempre soube atrelar à sua expressão artística aquela calculada dose de polêmica, combustível responsável por boa parcela da sua longevidade pop. A experiência como adolescente integrante de um grupo de teatro nos tempos da escola em Detroit (EUA) e no papel da dançarina que corria de teste em teste para disputar espaço nos musicais da Broadway, no início dos anos 80, lhe ensinou que extrapolar os limites do que se costuma considerar “normal” pode ser alvo fácil de preconceitos de toda a sorte. Com os excluídos na mira, uma fita cassete na mão e a vontade de “dominar o mundo”, como ela mesma disse à MTV americana em 1984, Madonna, então uma desconhecida, percorria clubes noturnos de Nova York pedindo a DJs para tocar “a sua música”. Numa dessas, a sorte lhe deu aquele sorriso maroto. O DJ Mark Kamins se entusiasmou com a resposta da pista a “Everybody”, gravada num estúdio independente, e apresentou Madonna ao presidente da gravadora Sire Records. Eles se deram bem, e, pouco depois, o single “Everybody” seria lançado mundialmente.

Devidamente abençoado pelas paradas e pelas pistas, o compacto simples abriu caminho para o álbum “Madonna”, em 1983. Era o primeiro LP da artista que, décadas mais tarde, seria aclamada por crítica especializada, pares artísticos e público como “a rainha do pop”, com números de vendas e catálogo de hits que a posicionam na categoria de ícones como Elvis Presley e Michael Jackson, ou seja, na mais alta casta da indústria da música comercial. A diferença é que ela sobreviveu ao preço pago pela fama e pela riqueza e ainda não descansou no aconchegante território do show sem riscos. “MDNA” é grandioso, feérico, o maior show já produzido para um artista solo. ê como se ela tivesse decidido dar um passo à frente das neodivas que trafegam pela estrada que já desbravou. O show no estilo “ópera pop” (formato criado por ela nos anos 90, certamente para encobrir suas deficiências vocais) mostra a trajetória de uma personagem que pede perdão a Deus por “seus pecados” antes de embarcar numa viagem sangrenta, violenta, pesada. Uma “descida ao inferno”, como ela definiu nas entrevistas que concedeu à imprensa internacional. Pense nas “vixens” do cineasta Russ Meyer (as poderosas fora-da-lei de “Faster Pussycat, kill kill”, por exemplo) e na violência dos filmes de Quentin Tarantino, e você terá acertado na mosca as referências de “MDNA”.

Espere uma abertura vigorosa em “Girl gone wild”, logo após os cantos gregorianos do trio francês de música basca Kalakan, convidado especial da turnê. Em “Bang bang”, um motel de beira de estrada é o cenário para coreografias de luta que já deixaram a popstar com hematomas no rosto, nos ensaios da turnê, em maio. Depois de um primeiro bloco barra-pesada, tudo clareia para o segmento “líder de torcida”, em que Madonna debocha do pop “bubble-gum” contemporâneo. Tira onda em “Give me your luvin’” dizendo que “…todos os discos soam iguais/ você precisa entrar no meu mundo”. Entre percussionistas que flutuam e dançarinas frenéticas, preste atenção nos monstrinhos projetados no telão, no mash-up de “Express yourself” com “Born this way” (faixa de Lady Gaga descrita como plágio da música de 1991), arrematado com “She’s not me”, refrão da canção de 2008 em que Madonna se dizia surpresa ao conhecer uma moça que começa a “ler seus livros, roubar seus ‘looks’ e usar sua lingerie”. Premonição? O bloco que começa com “Vogue” mostra o momento “vou pegar geral” da historinha contada por Madonna em “MDNA”. A entrada triunfal com todos os elementos fashion que a música evoca — como a releitura do espartilho de Jean Paul Gaultier (na foto aqui ao lado esquerdo), feita pelo próprio — cede lugar à desconstrução do personagem que se joga em um bordel, em “Candy shop”. Ela vai se despindo aos poucos para culminar com uma versão triste e lenta de “Like a virgin”, acompanhada apenas por um piano. Na temporada americana, Madonna incluiu neste segmento a faixa “Love spent”, que carrega o verso “Me abrace do mesmo jeito que você abraça meu dinheiro” (”Hold me like you hold my money”), cantado para o bailarino que divide com a loura a bela, porém desconcertante, cena que tem a popstar de roupas íntimas, imperfeições do corpo à mostra, cabelo desarrumado e maquiagem borrada. Ah, sim: neste momento, Madonna pede que as pessoas joguem gorjetas no palco. Ela cata todo o dinheirinho arremessado. Com gosto. Aliás, Madonna nunca foi de deixar dinheirinho algum dando sopa por aí. Se o pulso forte na parte artística da sua carreira sempre se manifestou por meio do perfeccionismo dos shows milimetricamente planejados (em tempo: os espetáculos de Madonna não têm bis, ela defende que entrega uma “obra músico-teatral com começo, meio e fim”), a porção empresária também sempre esteve presente. Além de controlar como poucos artistas os direitos de suas músicas, Madonna mais recentemente se associou a parceiros na Rússia, no México e na Austrália para abrir a rede de academias Hard Candy Fitness; autorizou o uso de suas marcas em dois perfumes; apostou alto ao comprar parte da marca Vita Coco, de água de coco, e começa a se aventurar na produção executiva de cinema ao lado do seu empresário Guy Oseary (que é um dos produtores executivos da saga “Crepúsculo”), além de, claro, dirigir filmes como o fracasso de bilheteria “W.E. – O romance do século”. Apesar do fiasco, ela conseguiu sair com o Globo de Ouro de Melhor Canção Original, por “Masterpiece”.

No show que você verá no domingo, Madonna canta a faixa na parte acústica do espetáculo, quando ela também conversa com o público e entoa uma versão sincopada de “Open your heart” e (tomara) “Holiday”, ao lado do filho Rocco Ritchie. O pré-adolescente de 12 anos e os outros três filhos de Madonna (Lourdes Maria, 16; Mercy James, 6; e David Banda, 7) a acompanham na turnê mundial e são educados por professores particulares e babás. A produtora Live Nation, responsável mundial pela turnê de Madonna, ainda tem contrato com a diva para o lançamento de dois álbuns e duas turnês. Se ela seguir o exemplo de predecessoras pop como Tina Turner e Cher, que atravessaram os 60 anos de idade encarando a estrada, ainda veremos Madonna aprontando bastante por aí. Mas o que será, afinal, que ela tem na manga para os anos vindouros? Há quem jure que o cinema será o caminho de Madonna. Mas não como atriz. Depois de filmes como “Evita” (1996), “Sobrou pra você” (2000) e “Destino insólito” (2002), ela teria desistido de atuar.

A experiência como diretora de “W.E.”, no entanto, teria sido mais recompensadora, apesar do achincalhe mundial da crítica. Há quem aposte numa temporada “de luxe” com ingressos a preços estratosféricos, para endinheirados, em lugares pequenos. A verdade é que, ao longo de três décadas, Madonna ensinou ao mundo que ela pode tirar uma grande ideia da cartola a qualquer momento. A conferir. A única certeza, no entanto, é que Lourdes Maria já tem 16 anos, vai morar sozinha e… sabe como é… qualquer dia desses ela começa a namorar e chega em casa cantando “mamma, don’t preach”.

Fonte: Agência O Globo

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