Em Fortaleza, 5% dos casos de homofobia ocorrem entre familiares 1

Luanna Marley - Coordenadora do Centro de Referência LGBT

Luanna Marley – Coordenadora do Centro de Referência LGBT

No município de Fortaleza, 5% dos casos de homofobia registrados pelo Centro de Referência LGBT ocorrem dentro da casa das vítimas e são praticados pela própria família.

Segundo informações da coordenadora do centro de referência, Luanna Marley, a maioria dos casos tem como agressores a mãe, irmã ou padastro. Grande parte das denúncias ocorre entre adolescentes de 14 a 16 anos. “Fazemos um trabalho articulado com conselhos tutelares, serviço social, centro de referência e o setor de psicologia”, explica Luanna.

Outro grande fator que tem preocupado o centro de referência são as denúncias relacionadas ao ambiente de trabalho. “São atitudes preconceituosas de colegas de trabalho e pelo chefe. Há casos de demissão de pessoas por serem LGBT, mas que são camuflados por outras justificativas. Quando ocorre uma investigação acaba sendo constatado por meio de testemunhas que foi homofobia”, ressalta a coordenadora.

União estável

Mais de 30% dos atendimentos do centro são referente a união estável e casamento civil. Segundo a coordenadora houve um crescimento considerável entre os ano de 2011 e 2012, quando a Prefeitura, por meio da Coordenadoria da Diversidade Sexual realizou o primeiro mutirão da união estável juntamente com a defensoria pública.

Alagoas registra 16 denúncias por mês de homofobia 1

Nildo Correia, presidente do Grupo Gay de Alagoas

Nildo Correia, presidente do Grupo Gay de Alagoas

Alagoas registrou nos últimos três meses de 2012, 16 denúncias de homofobia. A informação é do Grupo Gay de Alagoas (GGAL).

Amazonas: denúncias de violência contra homossexuais crescem 1.800%

Para combater e prevenir situações de violência contra o público LGBT foi discutido na manhã de 27/12/12, a criação do comitê de enfrentamento à homofobia, que segundo representantes, deve ser lançado em fevereiro.

De acordo com Nildo Correia, um dos objetivos do comitê, é acompanhar a implementação dos termos de cooperação técnica de combate a homofobia ou sensibilizar o Estado para sua assinatura, bem como acompanhar os casos de discriminação e violência homofóbica relatados diretamente ao comitê ou ao sistema de Segurança Pública.

O secretário-adjunto de educação de Maceió, Marcelo Nascimento, frisou que uma nova reunião agendada para o dia 16 de janeiro, irá definir o dia do lançamento do comitê, inclusive com a presença da ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Ele explicou que dentro do comitê haverá sete grupos de trabalho que discutirão sobre questões sociais, políticas públicas para o público LGBT, articular soluções, além de monitorar e fiscalizar os casos de homofobia em Alagoas.

De janeiro de 2012 até 28/12/12, 320 assassinatos de homossexuais foram registrados no Brasil, sendo 18 em Alagoas, destes, conforme Nildo Correia, presidente do GGAL, apenas quatro foram concluídos por meio de inquérito policial pela Civil. Indagado sobre o último crime ocorrido em Maceió, no bairro do Jacintinho contra Almir Durval dos Santos, de 27 anos, executado dentro de sua residência, o presidente do GGAL informou que o inquérito estaria parado, pois “há uma falta de interesse da Polícia Civil de Alagoas de investigar crimes envolvendo o público LGBT, mas isso é histórico e vem desde a década de 1980”, lamentou.

O comitê também prevê trabalhar a temática de direitos humanos, orientação sexual e identidade de gênero nos cursos universitários, nas formações dos profissionais de segurança pública, do sistema penitenciário, do sistema sócio-educativo, da Justiça e da rede de assistência social. A reunião do dia 16 de janeiro acontece no CEAGB, no bairro do Farol, em Maceió, às 14h.

O Disque 100 funciona, diariamente, das 8h às 22h, inclusive nos finais de semana e feriados. As denúncias são  analisadas e, após, encaminhadas aos órgãos considerados competentes. A ligação é gratuita e preserva a identidade.