Conheça a promotora que irá ajudar a combater a homofobia no Piauí 1

Promotora Myrian Lago Rocha ajudará a combater a homofobia no Piauí

Promotora Myrian Lago Rocha ajudará a combater a homofobia no Piauí

A promotora de justiça Myrian Lago Rocha foi indicada pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SDH) para integrar o Comitê Estadual de Enfrentamento à Homofobia do Piauí, que dará início às suas atividades ainda em janeiro deste ano. Myrian Lago foi selecionada por uma comissão, da qual participaram Leo Mendes, consultor em direitos humanos da SDH, e Maria Laura dos Reis, Secretária Executiva do Centro de Referência LGBT da Secretaria Estadual de Assistência Social (SASC). A Promotora de Justiça aceitou imediatamente a proposta.

O Ministério Público do Piauí foi apontado como referência na defesa dos direitos humanos, e por isso o lançamento do comitê será realizado no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em data a ser definida.

A 49ª Promotoria de Justiça de Teresina é especializada na promoção da cidadania e na defesa dos direitos humanos, e tem atuado em prol das comunidades e dos grupos socialmente fragilizados. A homofobia é o termo cunhado para designar o sentimento de aversão, medo, discriminação e ódio às pessoas homossexuais.

O Ministério Público entende que condutas guiadas pela homofobia são nocivas a toda sociedade, pois alimentam a desigualdade e incitam a exclusão de vários cidadãos, que muitas vezes são atacados em sua dignidade. Por isso, a instituição assume o compromisso de coibir o preconceito, trabalhando pela conscientização de todos.

Católicos pelo casamento gay 1

Casamento

Mais e mais países legalizam o casamento gay. Mais e mais Estados e regiões do Brasil também o fazem, através de decisões judiciais. Isto acontece porque muitas pessoas hoje acreditam que este casamento é legítimo e deve ser reconhecido pelo Estado. Entre elas, o presidente norte-americano reeleito Barack Obama. Todos os cidadãos são iguais em dignidade e direitos, e por isso as uniões entre homossexuais devem ter o mesmo reconhecimento das uniões entre heterossexuais, com os mesmos direitos e deveres. Não há concorrência entre estas formas de união, visto que se destinam a pessoas diferentes, e nem ameaça à família ou à sociedade.

Muitos cristãos também acreditam nisso. Sabem que Deus é amor e compreensão, e que Ele quer a felicidade dos seus filhos. Surge então uma questão aos fieis católicos: como lidar com a oposição da alta hierarquia da Igreja ao reconhecimento do casamento gay, considerado por ela uma ameaça à família tradicional e nociva a um reto progresso da sociedade?

O Concílio Vaticano II, iniciado há mais de 50 anos, afirma que as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e das mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e dos que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração (GS 1). É hora de olhar para a realidade humana de tantas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Há uma história milenar de homofobia, com diversas formas de brutalidade física, hostilidade verbal e exclusão. Não se pode ignorar o anseio da população LGBT por segurança, liberdade e igualdade. Opor-se ao casamento gay é acrescentar mais uma discriminação nesta longa história de exclusões e hostilidades.

O teólogo Karl Rahner refletiu sobre o conceito de ‘cristão adulto’, que pode contribuir bastante nesta questão. No início do século 20, o magistério da Igreja rechaçava a teoria da evolução. Ensinava que os primeiros capítulos da Bíblia, contendo a narração da criação do homem, deveriam ser entendidos de maneira literal. Se nessa época um paleontólogo estivesse plenamente convencido do vínculo entre o ser humano e o mundo animal, como ele deveria proceder? Neste caso, tal cientista não deveria rejeitar toda a fé da Igreja e nem toda a sua doutrina, mas discernir entre o que é fundamental e o que não é. Ele deve saber quais são as convicções de sua fé realmente centrais e existencialmente significativas, para nelas se aprofundar sempre mais; e progressivamente desconsiderar o que se mostra irremediavelmente inaceitável.

Não se deve nunca colocar as coisas em termos de tudo ou nada. O próprio Concílio Vaticano II diz que há uma ‘hierarquia de verdades’, isto é, uma ordem de importância dos ensinamentos da Igreja segundo o seu nexo com o fundamento da fé cristã (UR 11). Há ensinamentos de mais relevância, com um nexo maior; e outros de menos relevância, com um nexo menor. Isto contribui para o discernimento. O cristão adulto, diz Rahner, é um fiel que vive conflitos semelhantes ao daquele paleontólogo. Ele precisa tomar decisões em assuntos importantes, colocando-se diante de Deus e de sua consciência, e enfrentar as consequências, sem ter necessariamente o desejado respaldo da Igreja.

Os cristãos solidários à população LGBT e aos seus direitos devem ser encorajados a viver esta fé inclusiva, tão necessária ao nosso tempo, mesmo que eles não tenham o devido respaldo de suas igrejas. Isto é ser cristão adulto. Eles não estão sós, pois amam e conhecem a Deus que é amor.

Texto: Equipe do Diversidade Católica