Como a minha filha e o meu filho saíram do armário: Sonia Fernandes e Paulo Roberto 5

Adotamos Jean em 2004, quando ele tinha 10 anos e, aos 15, ele contou pra mãe que tinha beijado um menino e gostado muito, mas que estava confuso.

Decidimos aguardar que nos falasse sobre sua sexualidade no seu tempo e quando se sentisse confortável: não tínhamos pressa, nem queríamos que se sentisse pressionado ou coisa assim.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Aos 17, uns dias antes do aniversário, ele então contou pra mãe que era gay e estava namorando um rapaz, filho de um casal de amigos nossos.

Conversei com ele e pedi que no dia do aniversário trouxesse o namorado (ele ficou um pouco surpreso) e disse-lhe que o amávamos muito, que não havia nada de errado, que não tinha do que envergonhar-se, que seríamos sempre o seu porto seguro, e enfatizei que nunca permitisse que os preconceituosos o acuassem: ande de cabeça erguida, disse, encare as pessoas e seus preconceitos, não se negue, não se esconda e, sempre que necessário, chame seu pai e sua mãe.

Jean não é diferente dos meninos da sua idade: estuda, trabalha num restaurante para garantir uma graninha que lhe dá certa autonomia, é muito respeitado pelos colegas e professores da escola e, como é de praxe, de quando em vez precisa levar uns puxões de orelha regulamentares (do mesmo jeito que seus irmãos e irmãs).

Desde então, por nosso filho, do qual temos imenso orgulho, saímos do armário e somos (modestos) militantes da causa LGBTT. Eu escrevo sobre o tema em meu nauseabundo e pantanoso blog O Ornitorrinco (prcequinel.blogspot.com) e Sonia escreve lá no Meus Contos, teus Poemas (pauloesonia.blogspot.com) e, vejam que legal, no ano passado nossa filha Nayre também saiu de vez do armário, e com pompa e circunstância: sua namorada Ana passou as festas de fim de ano aqui com a gente.

Nayre tem um filho, German, com 8 anos (e que mora conosco desde que nasceu), que está curtindo muito o casamento da mãe e anuncia, feliz, “agora eu tenho duas mães”.

Então, ficamos assim: temos 6 filhos e a filha mais nova e o filho mais novo são do povo LGBTT.

Estejam avisados, pois: LGBTT-fobia nós tratamos a pontapés, ainda que metafóricos. Por enquanto.

Autorizamos a publicação deste texto singelo e esperamos que isso ajude outras famílias a saírem dos armários escuros e tenebrosos em que vivem: a vida aqui fora, sob o sol e a chuva, é muito mais fascinante!

 

VIVA A VIDA!

VIVA A DIFERENÇA!

VIVA A LUTA DO POVO LGBTT!

VIVA JEAN! VIVA NAYRE!

 

Paulo Roberto Cequinel e  Sonia Fernandes do Nascimento

(Antonina/Paraná)

O blog quer ouvir você

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  1. Ok. Eu não esperava um relato assim. Na parte em que eles falam que “a vida aqui fora, sob o sol e a chuva, é muito mais fascinante” foi impossível segurar as lágrimas. Não lágrimas de tristeza, ou de inveja. Mas lágrimas que entendem o altruísmo do gesto desses pais, que, não importando a orientação sexual dos filhos, preocupam-se muito mais com o bem-estar deles. Esses pais, sim, podem dar “puxões de orelha” sempre que acharem necessário, diferentemente de outras pessoas, que machucam os próprios filhos por motivos torpes e injustificáveis. Adorei o texto. Fui singelo mesmo, mas o impacto não deixou de ser menos incrível por causa disso. Parabéns, Paulo e Sônia. De verdade.

  2. Pingback: SAI DO ARMÁRIO 2 « …INVENTO UM CAÍS.

  3. bom boa noite para todos vocês,om eu gostei muito do assunto,e das historias,mais ainda tem gente que não intende,oque é realmente o homossexualismo, e por isso também tem medo de assumir por causa do preconceito ou então por causa dos própios pais que não o aceitam e tem que esconder sobre a realidade,que também é muito dificil,você se assumir publicamente e também para os pais,principalmente eles é que seriam as primeiras a apoiar os filho em tudo principalmente nesse tipo de assunto,como um exemplo eu,meu nome é fernando guimarães barbosa cavalcante,tenho 22 anos e me vejo feliz ao lado de outro homem e não de uma mulher mais quando falei para os meu pais sobre a minha opção sexual eles logo de cara falarm uma par de coisa para mim,e disse tambem que tinha sido por causa de más enfluencia,por causa dos amigos,e tudo mais,mais em fim,foi aquele choque,achei que eles iriam me apoiar,mais na verdade,eles não aceitam desde que o dia que contei pra eles sore a minha preferencia,mais ainda hoje isso tem sido um tormento para mim ter esconder de novo todos os dias,e mesmo sabendo que eles não aceitam,e que o resto da familia acho que por um lado vão me odiar,por isso,mais até por que tem um caso na minha familia um tia minha ja ficou com varios homens e tem um filho e tudo mais agora depois de um tempo ela tinha se assumido homossexual,mais nos dias de hoje ela veve super bem com a mulher dela mais eu é que me sinto ruim e pessimo por passar por tudo isso,sem contar tambem que tenho que mostrar pra eles que gosto de mulher sem gostar….!mais vai entender eles.então é melhor deixar de lado e então viver sózinho se for pra ser assim.

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