Como eu saí do armário: Dido Longatti 6

Dido Longatti

Dido Longatti

Meu nome é Claudio (mais conhecido como Dido Longatti), sou Auxiliar Administrativo, moro em Santo André (SP) e tenho 17 anos prestes a completar 18 dia três de fevereiro. Sou 100% assumido entre amigos, família e até mesmo no meu trabalho, não precisa me deixar no anonimato. Quando pequeno, eu achava que a atração que sentia pelo mesmo sexo era normal entre os garotos e que quando eu crescesse iria desaparecer essa vontade e eu iria me casar com uma mulher e ter lindos filhos. Minha primeira experiência foi aos nove anos de idade com um amiguinho da sala de aula que hoje também é homossexual assumido.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

A minha saída do armário começou aos meus 13 anos. Tenho uma irmã (hoje com 19 anos) e no mês de abril de 2009 ela se assumiu homossexual para a minha mãe, que logo em seguida contou ao meu pai. Foi um choque e tanto, pois eu nunca havia desconfiado dela, minha mãe e meu pai bateram nela, proibiram ela de sair e de ver as pessoas, até que eles foram se acostumando com a ideia (isso levou uns oito meses) e desde então minha irmã me perguntava se eu era também e como sempre, eu negava, fui seguindo nessa rotina até 2011 quando minha irmã notou que eu estava muito triste, ela me perguntou o que estava acontecendo comigo, eu disse que não era nada. No dia 21 de setembro de 2011, durante o aniversário de minha vó, ela me chamou para ir à garagem para que ela pudesse fumar cigarro, eu concordei e fomos, até que ela me perguntou “Dido, você é gay né? pode contar não vou falar pra mãe”, Eu olhei e comecei a rir, disse ” É, até por isso eu estava triste esses dias, eu conheci um rapaz, me apaixonei e ele disse que não queria nada sério” acabei mostrando a foto dele que havia em meu celular e rimos.

Em outubro de 2011 conheci um outro rapaz que era de São José dos Campos, e comecei a namorar ele virtualmente, até que no dia 23 de dezembro ele veio me conhecer e dormir na minha casa. Foi tudo ótimo até que no dia 24 estava eu com umas amigas conversando, quando recebi uma ligação da minha mãe “Dido vem pra casa agora que eu quero conversar com você”, avisei as minhas amigas que era o meu dia de me assumir e me desejarem sorte. Cheguei em casa, minha mãe estava guardando umas compras, ela olhou pra mim e disse ” Que história é essa de você trazer macho pra dormir aqui em casa? Você esta ficando louco? Eu quero saber, Você é “veado?” Naquele momento, que durou no máximo 3 segundos após a pergunta dela, veio na minha cabeça “Sim ou não, sim ou não, sim ou não, sim ou não” e pareceu ter se repetido milhares de vezes naqueles segundos, até que eu disse “sim, eu sou”. Minha mãe começou a chorar, meu pai me xingou, fiquei conversando, chorando com ela durante umas 2 horas, até que a conversa se finalizou e ela disse “Se você está feliz, eu também estarei”. Foi quando eu voltei com minhas amigas.

Meu pai ficou uma semana sem olhar na minha cara, me olhava feio, até que num certo dia ele veio pra cima de mim querendo me bater, claro, me defendi e ele quase parou no hospital com um pontapé que dei no peito dele e desde então ele nunca mais tocou no assunto (não façam isso, me arrependo muito). Hoje, minha mãe e meu pai são separados, ela me aceita super de boa, conversamos muito sobre isso, meu pai desencanou e até quis conhecer meu namorado (que hoje é ex).

Não tenho problemas no serviço, tenho amizade com todos, na escola também. Ninguém nunca mais me chamou de “veadinho” ou de outros nomes. Depois que me assumi foi tudo muito bom. Se eu soubesse que seria assim, eu teria me assumido bem antes.

Essa é minha história de “Como eu saí do Armário”.

O blog quer ouvir você

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

  1. é meu amigo Dido, Parabéns pela sua atitude de se assumir, só não gostei da sua defesa com relação ao seu pai, o pontapé, foi algo muito errado, pois apesar de tudo é seu pai,
    mais cara show de bola, tua historia é muito parecida com a minha. ei se vc quiser trocar ideia e desabafar, posso ser seu amigo virtual. moro em carapicuiba Sp, sou muito carente de amizades rapaz.
    de inicio vou deixar dois contatos
    Facebook : robertosouza54@hotmail.com
    SKYPE: robertosouzatst@bol.com.br

  2. Pingback: SAI DO ARMÁRIO… « …INVENTO UM CAÍS.

    • Isabela, se você sente só atração física, sim, é só atração física. Se você sente algo além, pode ser que seja amor. Ouça os seus sentimentos e tenho certeza que encontrará a resposta correta. Um abraço!

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