Como eu saí do armário: Elias (nome fictício) 1

Boa noite Rafael, gostaria que mantivesse minha identidade no anonimato, não por ser homoafetivo, mas por alguns fatos que contarei.

Tenho 22 anos, moro no interior do Mato Grosso do Sul, sou enfermeiro. Nunca senti atração por mulheres, nem aquelas “paixões platônicas” que ocorrem na infância, muito menos na adolescência. Nunca me interessei por jogar futebol ou outros esportes de meninos, mas também nunca me interessei pelas bonecas, era mais de ficar assistindo aos desenhos na TV, brincar de carrinhos ou andar de bicicleta. Nunca tive nenhum trejeito, mas conforme o tempo foi avançando rumo à pré-adolescência, puberdade e tal, as coisas foram começando a aparecer. Nunca tive um desejo propriamente dito por meninos, mas aconteciam aquelas brincadeiras de meninos, os mais velhos ensinando os mais novos a bater punheta, e outras “brincadeiras” do gênero entre os meninos da mesma idade.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Aos 11 anos fui estuprado pelo meu irmão, este com 17 anos, embora esse fato não tenha nada a ver com a minha sexualidade, com o decorrer do tempo, quando meus pais descobriram começaram os problemas. Eu nunca apareci com meninas em casa (ao contrário do meu irmão) e, por isso, meus pais viviam me cobrando e sempre me questionando se eu era veado.

Na escola os outros meninos nunca me viram com alguma menina e, aliado ao fato de eu ser mais gordinho, isso tudo era motivo de bullying, embora eu não levasse a sério. De vez em quando eu ficava com alguma garota só para despistar meus amigos.

Depois do estupro, minha primeira relação (consensual) foi aos 14 anos, que foi quando comecei realmente a sentir desejo pelo corpo masculino. Dos 14 até os 20 foi tranquilo, mas sempre meus pais com a velha pergunta.

Em dezembro de 2010, ao chegar do cinema, meus pais me esperavam na sala de casa (algo incomum de acontecer), minha mãe fez as perguntas de praxe (onde estava, com quem, fazendo o quê?). Até aí tudo bem, e nessa época somente minha prima sabia da minha sexualidade, por ela também ser gay). Do nada meu pai pergunta “Fulano, tu é veado?” Foram cerca de 10 segundos até sair a resposta, em que não passou nada, absolutamente nada pela minha mente, e eu soltei “sou sim, porquê? Vou deixar de ser teu filho?”. Minha mãe começou a chorar, e ficamos até cerca de 2 da manhã conversando e explicando que os conceitos deles estavam equivocados.

Aparentemente tudo bem, ao passar dos dias, minha mãe começa a jogar diretas mesmo, do tipo “não consigo dormir imaginando tu beijando outro homem”. Resultado: eu e ela quase entramos em depressão. A sorte é que minha tia já aceitava e respeitava minha prima há um bom tempo e (não tenho certeza, mas é quase) creio que minha mãe conversou com minha tia (após esta notar que algo estava errado e minha prima contar), e a coisa melhorou. Mas só acalmou.

Hoje, pouco mais de 2 anos do fatídico dia, a situação está mais calma, embora sempre ouça algum comentário preconceituoso. Estou namorando, minha mãe conhece meu namorado, e parece que aprendeu a pelo menos nos respeitar.

Sair do armário foi a melhor coisa que eu fiz, meio que tirei um peso das costas, embora tenham aumentado meus problemas em casa. Estou me formando e, por incrível que pareça, minha mãe está super orgulhosa de mim, às vezes parece esquecer que sabe da minha sexualidade e me respeita pelo profissional que serei, ao menos. Aconselho, se estiver sendo um fardo nas costas, saia do armário!

O blog quer ouvir você

Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

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