Como eu saí do armário: Flavio de Azevedo Ramos 1

Flavio de Azevedo Ramos

Flavio de Azevedo Ramos

Me chamo Flavio de Azevedo Ramos, sou administrador, moro em uma Iguape (SP), uma cidade pequena (por volta dos 30 mil habitantes) e relativamente religiosa. Tem varias igrejas por aqui, portanto vários religiosos. Quando me assumi para a família eu tinha 22 anos, um ano depois de terminar a minha faculdade de Administração em Comércio Exterior em Curitiba (PR), onde encontrei pessoas como eu e pude me aceitar. Estava começando a namorar com uma pessoa, que hoje não significa mais nada. Acabei assumindo minha homossexualidade depois de parentes linguarudos começarem a fazer boatos e fofocas sobre as pessoas com as quais eu andava na mesma época. Meu pai começou a me pressionar e a me questionar. Dizia que aquelas pessoas estavam causando má fama e me deixando mal falado.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós

Estava trabalhando, era um dia chuvoso, até que eu explodi e acabei contando tudo para meu pai. Eu estava tão feliz, quanto o meu pai ficou arrasado e sem palavras. Minha mãe na época estava viajando. Fui embora e liguei pra ela. Meu pai também ligou. Logo ela voltou. Eu ainda moro com minha família, tivemos um ano e meio bastante difícil. Meu pai não falava comigo, mal falava com minha mãe, tudo por conta de parentes e falsos amigos que ficavam falando inverdades e tirando sarro por eu ser gay. Isso causava muitos problemas em casa.

Até que determinado dia eu quase surtei e bati de frente com meu pai, falei tudo o que tinha para falar, mandei ele se calar e ouvir. Já que para ser homem era necessário usar a força, se fosse preciso eu realmente usaria. Tive muita paciência nesse período, mas chegou um momento que eu pensei comigo mesmo “chega, isso vai acabar hoje” e, de fato, após esse dia, as coisas começaram a mudar. Chega uma hora que se explode, o momento em que o copo transborda, então comecei a me impor para todos. Comecei a bater de frente com todas as pessoas e parentes que não tinham coisa melhor para fazer. Sou homem e tenho postura de homem, mas independente de alguém ser um pouco mais delicado, não merece passar por esse tipo de coisa.

Não tenho mais medo de demonstrar meus sentimentos em público, não fico me escondendo por vergonha, hoje todos sabem quem eu sou, e como eu sou. Não deixo mais as pessoas dizerem como eu devo me portar, não serei novamente alguém que liga para aparências, não serei como a sociedade espera que eu seja, sou apenas eu, como realmente eu sou, e decidi não segurar mais a minha língua.

Depois de toda tempestade, a calmaria chegou, os dias se tornam cada vez melhores, as coisas se tornam melhores. Minha mãe ficou triste no inicio, mas aceita numa boa, meu pai já está mais tranquilo, mas não sei se ele já aceita, não vou perguntar, então nunca saberei…

Hoje tenho 27 anos, completo 28 anos em março, mas acreditem: FOI A MELHOR COISA QUE FIZ POR MIM ATÉ HOJE, a liberdade que se tem de ser quem realmente se é, não se preocupar com a opinião dos outros, não tem preço.

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Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

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