Como saí do armário: Joana (nome fictício) 1

Antes de tudo, Rafael, queria que por favor colocasse o meu nome em anonimato. Eu queria muito poder colocar meu nome verdadeiro, mas sofro crises com a minha família na minha aceitação, e tenho recreio caso alguém deles acabe entrando aqui sem querer. Moro no Rio de Janeiro, sou estudante do 1° ano do Ensino Médio e já estou por volta dos meus 15 anos de idade. Sou bem nova, até.

Acho que como a maioria dos homossexuais, a gente acaba tendo noção que é “diferente” na infância. Quando eu era pequena, eu era mais apegada com os brinquedos dos meninos do que das meninas. Eu sempre tive um jeito bem moleque de ser, e provavelmente meus pais nunca perceberam isso na minha infância, ou fingiam não ver. E eu ainda tenho esse “jeitinho”. Na minha escola o pessoal comentava, mas era tudo muito inocente. Estudava nesse colégio há mais de 5 anos, e todos sempre me aceitaram, conheço todos. Os meus familiares também comentavam, e minha mãe quando percebeu isso, começou nessa luta terrível de tentar me “mudar”. Constantemente nós brigávamos, a ponto de eu tentar evitar a todo custo sair apenas com meus pais.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Mas o meu sentimento por garotas mesmo foi descoberto um tempinho depois, na minha entrada na pré-adolescência. Eu sempre olhava os homens como se fosse “obrigada” a gostar deles. Eu os olhava, e no fundo, eu sabia que não sentia tudo isso. Eu sabia que tinha algo diferente, mas sempre guardei isso pra mim. Eu me relacionei com alguns homens, mas nunca senti “aquilo” mesmo, sabe? Não me sentia confortável. E quando via fotos de mulheres, aí sim eu sentia algo. Só que quando eu percebi isso, eu tive medo. Medo, porque naquela época os meus pais, que são extremamente conservadores e preconceituosos, faziam a minha cabeça. Daí então, no ano retrasado, entrou uma garota nova na sala. E foi aí que eu realmente me descobri. Era ela linda, ela me encantava de uma forma que ninguém teria feito antes comigo… Foi minha primeira paixão… platônica. Tinha de ser hétero, claro, né?

Com o tempo, me abri com os meus amigos. E algo que eu agradeço todos os dias é por terem eles no meu lado. Não só meus amigos, mas como meus professores também. Eles me aceitaram, me apoiaram, sempre estiveram aqui ao meu lado quando eu precisei. Eu os amo tanto, do fundo do meu coração. 

Os meus pais são super homofóbicos e das poucas vezes que eu tentei me abrir com eles, fui totalmente discriminada. A maior discriminação que sofro aliás, é dentro da minha própria casa. Das últimas vezes que aconteceram brigas aqui, minha mãe encontrou mensagens minhas e discutimos a ponto de ela me bater e por pouco não fui expulsa de casa. Vivo com essa máscara, tendo que ser uma pessoa totalmente diferente do que sou na frente dos meus pais e constantemente dizendo mentiras. Repito, se não fosse meus amigos, eu talvez não estaria aqui agora, não teria forças para me manter de pé.

Bom, a questão é que atualmente, as coisas andam bem calmas por aqui. A minha única preocupação agora é que me mudei de escola, e vou conhecer pessoas totalmente diferentes, ainda não me acostumei com a ideia de retirar aquelas pessoas que eu tanto convivia da minha rotina, apenas as encontrar às vezes. Tenho medo dessas novas pessoas não se acostumarem comigo, pois como disse, eu tenho trejeitos, né. Mas torço para tudo ocorrer bem e eu conhecer novas e boas amizades lá. 

Sem dúvida, sair do armário foi uma das melhores coisas que já me ocorreu na vida. É um sentimento de liberdade tão bom, que chega a ser inexplicável.

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Conte para o blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

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