Como saí do armário: Rodolfo Tavares 3

Rodolfo Tavares

Rodolfo Tavares

Meu nome é Rodolfo Tavares, tenho 21 anos, sou estudante de História e moro em Niterói (RJ). Sair do armário pra mim foi um longo processo que se iniciou desde a auto-aceitação até me assumir aos amigos e, posteriormente, à minha mãe e irmã (que moravam comigo). Desde criança, eu olhava para meninos de maneira diferente de como olhava para meninas, mas como tive uma formação religiosa cristã muito forte, cresci aprendendo ser pecado gostar de pessoas do mesmo sexo e que isso me acarretaria uma vida de vícios que poderiam me levar ao inferno. Por toda a minha adolescência, meu desejo por homens aumentava e persistia na minha cabeça a ideia de que eu deveria gostar de mulheres. Eu tinha medo de ser gay. Medo de ser um ser que eu aprendi com o tempo a odiar e recriminar. Conforme os dias e anos se passavam e eu via que meu desejo sexual era exclusivamente para com homens e que realmente não conseguia ter o mesmo desejo ao ver mulheres, comecei a pensar que se eu realmente fosse gay, deveria sentir não somente o impulso sexual, mas também o amor ou a paixão.

Um pouco depois de fazer 18 anos, consegui um estágio como técnico de química num laboratório de uma universidade. No primeiro dia do estágio, eu vi o primeiro homem que eu teria um amor platônico. Eu nunca falei com ele, não sei seu nome ou o que ele estudava. Só sei que ele foi o que me libertou de mim mesmo. A partir daquele dia eu disse pra mim mesmo: “ok, eu sou gay”. Mas como tinha medo de minha família ou meus amigos não aceitarem, eu externei tudo que sentia em poesias e, meses depois, um livro que nunca terminei. Um amigo, certo dia, me contou que estava namorando há um tempo um outro homem e decidi confiar a ele “meu segredo”. Não sei até hoje o quanto sou grato ao Bernardo por ter me ouvido, dar conselhos e me levar a conhecer o “mundo gay” pelas baladas, notícias, reivindicações LGBT, séries, filmes etc.
À minha família contei poucos meses depois de ter contado aos meus amigos e, como esperado, foi um desastre total. E isso porque contei que era bissexual para ver se amenizava o escândalo que seria. Já estava cansado de viver uma vida “mentirosa” dentro de casa, pois não estava sendo verdadeiro ao esconder delas que eu era. Até hoje, minha mãe e irmã não aceitam e não falam absolutamente nada a respeito. Percebo que com o tempo elas vão aceitando melhor, mas não o suficiente para eu trazer um namorado em casa ou mesmo discutir crimes de homofobia e direitos civis, por exemplo. Costumo brincar com os meus amigos ao dizer que minha mãe me “homossexualiza” quando me dá uma roupa que muitos homens gays usam (mas ela não sabe) ou um celular que as pessoas classificam como feminino. Não deixo de amá-las porque elas são minha família e da mesma forma que resisti à aceitação da homossexualidade, elas também assim o fazem por agora. Nunca sofri preconceito diretamente fora de casa. Hoje posso dizer que sou uma pessoa feliz por saber quem eu sou, vivenciar a minha sexualidade que me me fez quebrar muitos preconceitos como o machismo e a homofobia e inclusive me fez mudar de carreira, pois com a saída do armário eu parei de ter medo de agir sobre a minha própria vida. Minha vida começou aos 18 anos da minha existência ao sair do armário.
Bem, é basicamente isso. Espero ajudar com a minha história outras pessoas que vivem situações semelhantes e que estão a decidir se contam aos amigos ou à família. Vamos ser felizes!

Como eu saí do armário: Anderson Fraga 5

Anderson Fraga

Anderson Fraga

Meu nome é Anderson Fraga, tenho 28 anos, sou gerente de atendimento em uma empresa de call-center e moro na grande Porto Alegre (RS).

Desde pequeno sempre fui muito decidido, apesar de não ter muitas experiências quando novo, não por medo de alguém, mas tinha medo da relação em si, falei muito cedo pra minha família. Quando tinha 14 anos comecei a namorar um cara de 29, fiquei apaixonado e tal, e resolvi contar pra minha avó, sempre tivemos um relacionamento maravilhoso, ela na época com 73 anos, ficou pensando um pouco e disse: “O importante é que você não sofra por nada, o resto não importa”.

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Como sempre fui extremamente independente no sentido de decidir sobre minha vida, logo depois falei para minha mãe, que se encarregou de contar ao meu pai. Minha mãe só chorou um pouco, lembro que naquele momento fui um pouco insensível, disse para ela parar de chorar que ninguém havia morrido, kkkk, tadinha. Algumas semanas depois, já estava tudo bem e todos familiarizados com a descoberta. Minha família sempre tratou muito bem todos os meus namorados, eles dormiam na minha casa, isso foi uma conquista minha, pois os namorados das minhas irmãs dormiam na minha casa e quando eu levei um namorado, a primeira vez, eles ficaram meio receosos. Então eu disse, se minhas irmãs podem trazer um namorado eu também posso, não há diferença nenhuma, assim eles compreenderam.

Depois fui casado e minha família frequentava a casa da família do meu companheiro e tal, sempre tive um excelente relacionamento com todos. Em todas as empresas em que eu trabalhei sempre fui muito popular, não por escolha própria, mas sempre fui muito parceiro e verdadeiro, nunca escondi a minha sexualidade e muita vezes para não constranger as pessoas que não têm convivência eu fazia brincadeiras sobre a sexualidade, tentando deixar a situação o mais normal possível.

Em 2008, quando comecei a trabalhar na Dell Computers, me tornei um dos líderes do grupo Pride no Brasil, que trabalha para o convívio harmonioso e para que os homossexuais sintam-se acolhidos e inclusos no ambiente de trabalho. Dava palestras sobre ética profissional e sexualidade para todos os funcionários da empresa e sempre me coloquei como exemplo. O retorno era fenomenal, o relacionamento dos meus colegas comigo sempre foi perfeito, os mais héteros me abraçavam quando eu chegava e tal, davam beijo e até me tiravam para dançar nas festas, era muito engraçado. Várias vezes eles me diziam, Anderson, eu gosto de você porque você é o que é, ponto final.

Sempre os tratei com muito respeito apesar das brincadeiras, e tenho um lema, se é amigo nunca será nada além disso.

Amo minha sexualidade, ser gay não quer dizer que você deixa de ser homem, pois sou bem homem no comportamento, na forma de me vestir e agir, mas não escondo jamais minha sexualidade. Tenho muito orgulho da maneira que eu vivo e se tivesse que escolher eu escolheria sempre ser gay!

Como eu saí do armário: Daniel Manson 6

Daniel Manson

Daniel Manson

Achei muito interessante esta iniciativa de incentivar as pessoas a contarem sobre como foi a sua experiência ao assumir a sua sexualidade, pois bem, aqui vai a minha história, que poderia virar um filme ou um livro rs.

Meu nome é Daniel, tenho 20 anos, sou de Florianópolis (SC) e desde muito pequeno, creio que com oito anos eu já me sentia atraído por pessoas do mesmo sexo, eu gostava muito de garotos um pouco mais velhos que eu, mas com o passar do tempo fui me sentido atraído por garotos da mesma idade que a minha. Infelizmente  nasci em uma família machista, evangélica e preconceituosa, por este motivo, durante a minha infância e a minha adolescência, sempre lutei contra essa minha atração natural. Um detalhe engraçado é que eu tinha um jeitinho afeminado e  meu pai, com medo de eu virar gay, me colocava para jogar futebol e fazer tudo que um homem  “macho”, na cabeça dele, fazia.

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Com 13 anos descobri que na verdade eu era adotado (bem que sempre achei estranho, meus pais eram morenos e eu bem branquinho). Não vou entrar em detalhes de como é a história da minha adoção por ser bem longa, mas com 14 anos fui morar com a minha mãe biológica e sempre visitando meus pais adotivos. A minha família biológica não tinha religião e era formada de pessoas muito bem educadas, cultas e tinha uma situação econômica muito superior a minha família adotiva. Nesse lar eu me sentia à vontade para me expressar e dizer o que pensava, era incentivado a ser quem eu era de verdade. Assim, assumi a minha homosexualidade que foi muito bem recebida por todos, minha orientação foi aceita como uma coisa natural e fui tratado com muito amor e carinho.

Com 18 anos decidi contar aos meus pais adotivos e evangelicos que era gay, como já esperava, fui descriminado e sofri preconceito por parte deles, minha mãe chorou muito e custou a aceitar, na verdade até hoje ela não aceita. Depois de muito tempo ela disse que se eu sou feliz assim ela também é feliz e me aceita, porém, ela acha que um dia deixarei de ser gay, porque é o diabo que esta por trás disto.

Quando contei ao meu pai que é um evangelico fervoroso e coloca Deus acima e a frente de tudo, pude ver o ódio que ele sentia por min, ele disse que eu morreria e que ele não carregaria o meu caixão. Na época eu estava passando férias na casa deles e ele queria me expulsar e não queria nunca mais me ver, porém, o amor da minha mãe (mesmo sendo adotiva e evangélica) fez com que ela ficasse do meu lado.

O tempo passou e o destino fez com que essa família adotiva e humilde acabasse dependendo de mim financeiramente. Sou universitário, tenho uma boa profissão, moro sozinho e ganho o suficiente para viver uma vida confortavel e ajudá-los pagando o aluguel da casa deles e outras coisas (a verdade é que eu os sustento).

Hoje em dia o meu pai tem medo de me contrariar com seu fanatismo religioso. Já chegou até ao ponto de eu jogar fora todas as Bíblias e envelopes de igreja da casa dele fora e proibir de verem programas televisivos de igreja, este fato ja passou, não faço mais isto, porém, exijo que eles (principalmente o meu pai) respeitem a minha orientação sexual, atualmente quando vou à casa deles, sou muito bem tratato e respeitado.

Como eu saí do armário: Débora T. C. de Magalhães 2

Me chamo Débora, sou arquiteta, sou de Salvador (BA), mas moro em Bombinhas (SC).

Eu li a postagem de Jean Carlos e fiquei feliz que pra ele tenha sido tão tranquilo, como a minha historia é um pouco mais “comum” no sentido de reação familiar (ao menos entre as pessoas que conheço)  achei que seria bom contá-la, afinal nessas horas parece que estamos sozinhos.

Eu não sei precisar com quantos anos eu soube que eu era lésbica. Posso somente afirmar que nunca sonhei com um marido, era sempre eu e meus filhos nos meus sonhos de criança.  Tive alguns poucos namorados, mas sempre com pouco interesse e muito curtos. No dia que me vi apaixonada por uma menina, parecia que tudo fazia sentido, a essa altura eu já tinha 20 anos. Parecia tão forte e intenso que não podia viver escondido. Criei coragem e fui contar para minha mãe.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Não posso dizer que me arrependi, minha vida ficou bem mais honesta, o peso em minhas costas foi diluído  mas posso dizer que meu inferno começou.  Fui desrespeitada de quase todas as formas possíveis (só não apanhei), mas era seguida quando saía de casa, me tiraram meios de comunicação,  minha mãe queimou mais de 200 cartas que eu tinha com minha namorada na época, foi uma fase bastante difícil  e não durou pouco. Tive que criar meios para sobreviver a isso.

Minha vida passou a ser sempre escondida, meus amigos eram sempre os pivôs de qualquer passeio meio para não criar desconfiança  Sim, eu podia ter simplesmente saído de casa e acredite, o faria, mas tomei uma rasteira da minha namorada que pediu tempo e começou a namorar outra, meu mundo por um tempo parecia ter sido destruído. Minha mãe só sabia me ofender em qualquer conversa inocente. Levou um tempo e alguns relacionamentos depois e alguns anos de terapia.

Hoje em dia sou assumida para toda a parte que importa da minha família e os únicos que desrespeitam e ofendem são meus pais, conheci minha alma gêmea,  estamos juntas há dois anos, nunca estive tão feliz, juntamos nossos trapos. Moro com ela, sou muito feliz, apesar de ainda ouvir muitas ofensas. A parte mais difícil é que nunca quis ofender eles, então quando me ofendem, devolver ofensa parece tão injusto. Além do que, são meus pais e eu tenho ciência que devo respeito a eles, uma pena que eles não entendam que também me devem respeito. Dez anos depois (estou com 30), muitas dificuldades depois, estou feliz, amando e sendo amada e aqui pra dizer que apesar de tudo, valeu a pena utar” para ser quem eu sou.

Como eu saí do armário: Fernando Barbetta 5

Fernando Barbetta

Fernando Barbetta

Oi, meu nome é Fernando Barbetta, moro em Pomerode (SC). Sou estudante e tenho 16 anos.

Me assumi com 15 anos, já sabia que era homossexual desde os nove anos de idade, sempre olhava para garotos na escola e tal… Pelas redes sociais eu conversava com garotos, até que um dia conheci o meu namorado. Após muita conversa, colocamos no Facebook “relacionamento sério” e como aqui é cidade pequena, logo minha tia viu isso. De manhã eu estava na escola, quando cheguei em casa vi o computador ligado na página do meu Facebook.  Logo depois de um almoco silencioso minha mãe foi ao computador olhou, olhou e me perguntou quem era aquele cara, respondi que era um amigo, ela não acreditou. Depois me perguntou se eu era gay, respondi que sim, ela começou a chorar e falando onde foi que eu errei e blablablá. Nos dias seguintes, ela me xingou muito, me tirou do meu treino de judô, não deixava eu sair, nem saía com medo do que os outros falariam. Ela tentou me internar ligou para psicólogos e psiquiatras. E contou pro meu pai que mora em outra cidade. Ele me xingou muito ao telefone, e noutro dia, frente a frente ele falou que eu não era mais filho dele, que só tínhamos ligações sanguíneas, nada mais.  Ficamos em guerra dentro de casa por mais de meses. Até irmos pela primeira vez ao psiquiatra, onde ele disse que o problema era com minha mãe e não comigo.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Hoje em dia, ja me entendo muito bem com a minha mãe, ela já conhece o meu namorado e se dão muito bem. Meu pai não comenta sobre o assunto, às vezes ele me manda indiretas. O resto da minha família aceitou normalmente, falam que já sabiam disso.

Esta é a minha história de como saí do armário. :)

Como eu saí do armário: Danilo Rosa Gabriel 6

Danilo Rosa Gabriel

Danilo Rosa Gabriel

Eu poderia muito bem dizer que não sei como saí do armário. Ou então, dizer que não me lembro de um dia ter morado nele. Talvez o armário tenha sido o útero de minha mãe, e desde que de lá saí sou assumido para o mundo todo ver.

Meu nome é Danilo Rosa Gabriel e completo 20 anos no próximo dia 24 — por uma ironia do destino, talvez. Atualmente sou estudante calouro de comunicação social, nasci e cresci em Cabo Frio (RJ) e aos 18 anos fui morar em Niterói (RJ), onde resido até hoje.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós) 

Desde cedo, durante todo o meu crescimento, fui pressionado pela minha família a agir como homem. Talvez pelo fato de já perceberem esse meu prazeroso “desvio” da conduta, ou por estarem habituados com uma imagem de homem pré-concebida, dada de antemão. Minha voz, meus trejeitos e minha aparência — que eu, particularmente falando, nunca considerei uma anomalia — sempre geraram em todos com quem convivi um desconforto e talvez a sensação de constatarem uma certeza sobre a minha sexualidade. Digo isso com base nos olhares que lançavam e nas coisas que eu descobri que diziam sobre mim pelas costas e até mesmo na minha frente. Mas eu nunca havia pensado na minha sexualidade até os meus cruciais 15 anos.

A cidade onde cresci é relativamente pequena, minha família é do interior do ES e foi criada seguindo fielmente uma série de princípios cristãos de moral e boa conduta — mais tarde, aos 17, também me descobri ateu. Na escola, todos os anos, do ensino fundamental ao ensino médio, minha mãe travava uma batalha com as escolas em que estudei e com a Secretaria de Educação da cidade pra tentar defender seu filho dos insultos dos coleguinhas de classe. Devo confessar que eu sofria muito, mas com o tempo esse sofrimento se transformou em uma notável habilidade de ignorar o que os outros dizem e de ouvir apenas o que me convinha. Nesse sentido, posso dizer que saí do armário. Mas acho que nunca estive dentro dele. Posso dizer também que já tentei estar ao responder “não” à pergunta “Você é gay?”, mas sempre estive trancado do lado de fora.

Durante a minha adolescência, nunca consegui me relacionar com meninas e também com meninos. Isso porque nunca senti vontade. Nem ao menos olhava diferente pra eles, até os 15.

Considero como catalisador para o surgimento da minha sexualidade — recusando o termo transformação — um amigo que conheci assim que iniciei o ensino médio e que chamei de melhor amigo. Com nossas afinidades e características em comum, me acostumei com meu jeito, sem aquela sensação de estar desagradando a alguém. Minha maior dificuldade, vencida com a companhia dele, foi pronunciar a frase “Eu sou gay”. Dizer isso foi como vestir uma pele que me cabia perfeitamente, mas que estava revestida de insultos, palavrões, preconceitos e agressões, contra os quais eu um dia lutei e fugi. Minha aversão era à palavra gay — eu não sabia que era e estava aprendendo que sim. Simplesmente demorei a pronunciá-la, porque cresci assistindo condenações a isso. Mas pronunciei, COM TODAS AS LETRAS. Nesse momento consegui ganhar força e enfrentar o resto do mundo de cabeça erguida.

À minha mãe, só fui contar aos 18, depois que eu havia saído de casa e já estava na faculdade. Não que ela não soubesse, só fingia pra si mesma, acho. Foi em uma visita à casa dela. Estávamos em frente ao portão conversando e alguns meninos passaram e começaram a fazer piadas sobre mim. Ela, enfurecida, começou a discutir com esses meninos que tinham no máximo 14 anos. Pedi que ela parasse porque aquilo não ia levar a lugar nenhum. Depois que consegui acalmá-la contei tudo — resumido na frase que me acostumei a pronunciar sem problemas. Fiz isso como uma forma de tirar das costas dela a responsabilidade de defender um filho que já tinha aprendido a fazer isso sozinho. Senti que ela ficou decepcionada e isso me deixou com uma culpa desconfortável durante um tempo. Mas a aceitação veio. Só não sei se totalmente porque de vez em quando ela ainda solta algumas frases que tendem a me “por nos trilhos”, mas eu sei que não é culpa dela e sim de costumes e princípios com os quais ela cresceu. Ao resto da minha família nunca contei, mas está instaurada a política do Não pergunte, não fale (a mesma do exército norte-americano). Nunca perguntaram, mas se um dia fizerem eu contarei porque eles já sabem. Assim foi com minha irmã mais velha e mais nova — essas duas sabem tudo de mim.

Sempre vivi feliz comigo mesmo, e considero a descoberta da minha sexualidade um episódio pequeno na minha vida, dentre os vários que eu já vivi, justamente por considerar algo normal. Ao invés de lutar pra me assumir, hoje luto pra tentar desfazer esse conceito de homem como macho-alfa, justamente para também me instaurar como homem que sou, sem a necessidade de seguir padrões heteronormativos e uma séria de outras condutas impostas aos seres humanos. Isso porque o meu maior prazer sempre foi e sempre será DESVIAR A CONDUTA.

Como eu saí do armário: Alan Guilheiros de Cabral 2

Alan Guilheiros de Cabral

Alan Guilheiros de Cabral

Meu nome é Alan Guilheiros de Cabral, 19 anos, e sou de Aracaju (SE). Atualmente trabalho no Museu da Gente Sergipana e sou graduando em Letras pela Universidade Federal de Sergipe.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Sair do armário para minha família, foi tranquilo, exceto para minha mãe. Até hoje o clima entre ela e eu não é dos melhores. No entanto, há um ano e três meses atrás, quando tudo aconteceu, foi como se uma pedra gigantesca saísse das minhas costas.

Por ter nascido e me criado num berço religioso e ter sido inserido logo cedo nos “caminhos do Senhor”, até os 16 anos nunca vivi bem comigo mesmo e dizer a minha mãe que as histórias que ela havia escutado a meu respeito eram verdadeiras não foi nem de longe fácil.

Aos 17 anos, em julho de 2011, no dia da festa do meu aniversário, ganhei de presente um livro e um beijo do cara mais lindo que eu achava naquela época. Daí até outubro, foi uma questão de tempo pra minha mãe ficar sabendo de tudo o que eu vinha escondendo desde os 12. A imagem da mulher forte se quebrou diante de mim no momento em que, em prantos soluçantes, ela me perguntou se eu era mesmo gay e onde ela tinha errado comigo. Até hoje nosso relacionamento não é o mesmo que era até aquele dia. Acho que ela pensa que eu vou mudar e “voltar a ser o que eu era”. Mal sabe ela que eu já era assim desde o ventre. No entanto, ela tenta não lembrar disso e segue a vida e eu vou seguindo a minha, apesar de moramos debaixo do mesmo teto.

Meu pai? Ah, quem antes não me dirigia a palavra, tornou-se meu amigo e cúmplice! E já sabe até das minhas manhas (risos), apesar de me repreender vez ou outra, ao pedir que eu poupe minha mãe de certas coisas. Diz ele que quer conhecer meu namorado. Tá bom, pai! kkkkkkkkkk. Meu irmão é outro que, em troca de favores um tanto “chantagistas”, também aceita minha orientação sexual. O resto da família sabe, me entende e também me aceita como sou. Nada, absolutamente NADA mudou com eles: não me excluem das festinhas e dos passeios, muito pelo contrário, sou eu o organizador de todas elas, hehe ^^

E é assim… Minha mãe um dia há de perceber que eu tenho a minha vida e ela tem a dela. Por enquanto ela está anestesiada.

P.S. se você ainda está na fase em que sua mãe e/ou seu pai não aceitam e sempre rolam aquelas briguinhas dentro de casa, aqui vai uma dica: no momento da briga, deixe que eles falem, e gritem tudo. No fim, você vira as costas e sai, mesmo que venha na garganta aquela vontade de desabafar e gritar “EU SOU ASSIIIIIIIIIIM!”. Por experiência própria digo: é perda de tempo bater de frente e só piora a situação! Garanto que assim você encurta o tempo do sofrimento. Poupe-se e poupe-os! Combinado?

Como eu saí do armário: Eri Oliveira 2

Eri Oliveira

Eri Oliveira

Meu nome é Eri Oliveira, tenho 16 anos, sou estudante e moro em Maceió (AL). Como muitos devem saber, aqui no Nordeste é complicado para um homossexual ficar tranquilo, o índice de aceitação é baixo, homofobia topada e a violência contra os homossexuais, apesar de estar diminuindo, continua grande.

Desde pequeno sempre demonstrei vestígios que deixavam bem clara minha orientação sexual, porém, todo mundo preferia deixar tudo isso “abafado”. Sofri muito durante a infancia com brincadeiras e zombadeiras dos colegas na escola, que costumavam falar que eu era um “maricas”.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Realmente, sempre fui muito afastado de tudo que os outros garotos costumavam fazer, não jogava futebol, não brincava com carrinhos e ximbras, e sempre estava desacompanhado pela escola, nunca me enquadrava em grupo algum. Por conta das brincadeiras eu me tornei uma criança fechada, sempre muito caseiro, tímido, preferia não me relacionar com as pessoas por ter medo do que poderiam fazer, afinal, eu era somente uma criança, não sabia o que se passava.

Fui crescendo e começando a perceber as coisas em mim, me neguei, escondi tudo de todos, achei que aquilo era uma doença, frequentava a igreja cinco dias por semana pra tentar “tirar aquilo de mim”, ficava com garotas, e tentava ao máximo não demonstrar, mas continuei sofrendo com isso até a oitava série.

Com a transição para o ensino médio, ainda não tinha me aceitado, mas desejava ter uma vida mais social, e decidi que naquele ano de 2011 eu passaria a me socializar mais, fazer amigos, sair e etc.

Com isso comecei a andar com uma prima minha, que era um pouco mais velha que eu e, por isso, meus pais confiavam que saísse comigo. Ela tinha um namorado, e sempre que era possível, íamos a casa dele. Um belo dia, ele chamou um amigo pra lá, e nesse dia eu senti algo que nunca tinha sentido, uma atração forte e estranha por aquele rapaz, entrei em desespero. Ao voltar pra casa, liguei pra minha prima e disse que precisava contar algo, e falei que tinha sentido algo estranho por esse garoto, e que achava que era bissexual. Então ela falou que eu teria que “experimentar a fruta” para saber se era realmente o que eu gostava. Então ela contou para uma amiga nossa, lésbica (que na época não era muito próxima a mim), e aproximou a gente. Essa amiga me apresentou a alguns amigos dela, e acabei ficando com um deles, e foi ali que eu percebi que eu era realmente homossexual, ao beijar garotas jamais tinha sentido nada que se aproximasse do que senti naquele momento, e decidi que queria tentar novamente, e algum tempo depois, conheci outro garoto, ficamos, acabamos gostando um do outro, e começamos a namorar. Em casa, criei uma namorada falsa, que era com quem eu supostamente estaria quando saísse com ele.

Após quatro meses de namoro, fomos a uma festa e bebi um pouco demais, cheguei em casa um tanto alcoolizado, e dei de cara com minha mãe, que havia chegado mais cedo do trabalho. Sem ter muita noção do que estava fazendo, falei que queria conversar com ela e fui me deitar. No outro dia, quando acordei, já em estado de sobriedade, minha mãe me perguntou o que eu queria conversar com ela, eu falei que não tinha nada de importante a dizer, então ela falou que tinha uma pergunta muito séria pra me fazer, ela me olhou nos olhos e perguntou “Filho, sua namorada é mesmo uma garota?”.

Naquele momento entrei em choque, não sabia se devia assumir que tinha mentido esse tempo todo, ou esconder aquilo por mais tempo. Então resolvi fantasiar um pouco a verdade, falei que namorava, sim, com uma garota, mas que ultimamente não sabia se gostava realmente de garotas, e ela, com os olhos cheios de lágrima, me abraçou e falou que sempre soube de minha orientação, pelos meus gestos, meu jeito de andar, de falar… Mas que, apesar daquilo, eu não deixaria de ser seu filho e não deixaria de me amar acima de qualquer coisa.

Então eu pensei que se minha mãe já sabia, não tinha mais que esconder de ninguém. Grande imaturidade de minha parte, confesso, era muito novo ainda e estava achando tudo aquilo um máximo. Aí veio o grande erro, mostrar pra todo mundo que estava namorando um rapaz. Achava que não teria nada demais, afinal, não tinha meu pai em nenhuma das redes sociais, e achei que não teria problema. Foi aí que me enganei.

Uma vizinha viu em meu perfil no Orkut todas aquelas declarações de amor, depoimentos, recados… Então ela imprimiu tudo aquilo e mandou para o meu pai. Formou-se uma grande confusão em torno daquilo.

Eu não tinha coragem de procurar meu pai, com medo que ele me perguntasse. Meu pai, que é separado de minha mãe, há semanas não me ligava para saber como eu estava, não me visitava, tinha sumido.

Um dia, meu pai procurou minha mãe e perguntou a ela. Minha mãe preferiu falar que não sabia, e pediu que ele conversasse comigo. Ele falou que não conversaria comigo, e que preferia morrer a ter um filho homossexual. Que preferia que eu fosse um traficante de drogas, um gigolô, um ladrão, mas que homossexual ele não admitiria.

Aquelas palavras me partiram o coração, e passamos algumas semanas sem nos falar novamente. Depois disso, voltamos a nos falar, porém, nunca tivemos a tal conversa. Ele sabe disso, e eu sei que ele sabe, mas preferi que ele não tivesse que escutar isso da minha boca pois sei que seria um desgosto pra ele.

Minha mãe até hoje me defende com unhas e dentes de qualquer pessoa que falar algo sobre mim, graças a Deus, apesar de meu pai não me aceitar, minha mãe se mostrou uma verdadeira guerreira e me acolheu apesar de tudo.

Dois anos depois de tudo, tenho ao menos um pouco de sossego para ter relações, namorar e viver um pouco da minha vida tranquilamente. No começo, achei que me assumindo para meus amigos perderia todos e ficaria solitário, mas pelo contrário, ganhei muito mais amigos depois que me assumi, e os meus verdadeiros amigos continuaram ao meu lado depois disso. Agora sou assumido para todos os meus amigos, e pra grande parte da família, o que facilita bastante minha vida. E foi assim que eu, parcialmente, saí do armário.

Jodie Foster fala pela primeira vez sobre sua homossexualidade Resposta

Jodie Foster recebe prêmio no Globo de Ouro por sua longa carreira (Reuters)

Jodie Foster recebe prêmio no Globo de Ouro por sua longa carreira (Reuters)

Jodie Foster emocionou a plateia do Globo de Ouro ao defender falar pela primeira vez abertamente sobre sua homossexualidade. Em discurso após receber o prêmio Cecil B. de Mille, a atriz deixou claro que já havia tratado do assunto “há milênios” com familiares e amigos e não via motivo para esse tipo de declaração ser feita em público.

“Tenho uma certa necessidade de dizer algo que nunca declarei em público, uma declaração sobre a qual estou um pouco nervosa, não tanto quanto a minha assessora. Mas vou falar, com orgulho, eu sou… solteira”, brincou a atriz de 50 anos, “Espero que vocês não fiquem desapontados por não haver um grande dicurso de ‘saída do armário’ hoje, pois já saí do armário há mil anos, na Idade da Pedra. Naquele tempo em que uma pequena menina frágil se abriu para amigos, família, colegas de trabalho e gradualmente para todos que a conheciam.”

Logo depois, ela aproveitou o momento para criticar o excesso de visibilidade dado às vidas pessoais dos artistas.

“Hoje, pelo que dizem, toda celebridade deve revelar detalhes de sua vida privada em conferências de imprensa, lançamentos de perfume e reality shows no horário nobre”, criticou.

A sexualidade de Jodie Foster não é nenhum segredo em Hollywood há muitos anos, mas a atriz nunca havia tratado do assunto em público. Foster se relaciona com o mundo das celebridades desde muito nova. Ela começou a trabalhar em comerciais com apenas três anos e aos 13 teve o primeiro grande papel no cinema, como a jovem prostituta de “Taxi driver”. O papel rendeu uma indicação ao Oscar em 1976.

“Se você foi um figura pública desde a infância, se teve de lutar por uma vida que parecesse real, honesta e contra todos, então talvez valorize a privacidade acima de tudo. Privacidade. Um dia as pessoas vão olhar para trás e lembrar ela era bela”, discursou.

Entre todos os agradecimentos, a atriz incluiu sua ex-parceira Cydney Bernard, com quem teve uma relação entre 1992 e 2008.

“Obrigada, Sid, tenho muito orgulho da nossa família moderna, dos nossos filhos incríveis”, disse ela.

Centenas de milhares protestam contra o casamento gay na França 1

Vista a partir da Torre Eiffel mostra milhares reunidos em Paris para protestar contra plano de presidente de legalizar casamento gay (Foto: AP)

Vista a partir da Torre Eiffel mostra milhares reunidos em Paris para protestar contra plano de presidente de legalizar casamento gay (Foto: AP)

Centenas de milhares de manifestantes se mobilizaram contra o plano do presidente da França de legalizar o casamento gay , chegando a Paris de ônibus, carros e em trens de alta velocidade especialmente reservado para a ocasião.

Três grandes marchas convergiram neste domingo para o Champs de Mars, um grande parque perto da torre Eiffel. Os organizadores disseram que o evento reuniu 800 mil pessoas – que chegaram a Paris em ônibus e trens. Já a polícia e um ministro do governo afirmaram que o número total de manifestantes não passou de 340 mil. Uma marcha similar realizada em novembro do ano passado reuniu 100 mil pessoas.

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O presidente François Hollande prometeu legalizar o casamento gay até junho, permitindo aos casais do mesmo sexo proteções que lhes permitiriam adotar crianças, entre outras coisas. Ele tem votos suficientes no Parlamento para aprovar a medida facilmente.

 

O presidente enfureceu muitos opositores ao tentar passar a reforma no Parlamento sem muito debate público e vacilou sobre alguns detalhes da reforma. O modo desajeitado como lidou com outras promessas, como o imposto de 75% sobre os ricos que foi considerado inconstitucional, ou sua luta vacilante contra o desemprego crescente, azedou o humor do público.

Sob liderança religiosa, a proposta tornou-se incrivelmente impopular na França. Cerca de 50% dos franceses são favoráveis à legalização do casamento gay, número que chegava a 65% em agosto.

Cinco trens de alta velocidade, 900 ônibus e inúmeros comboios de carros deixaram cidades na província, muitos antes do amanhecer, em direção aos três pontos da capital francesa para as marchas.

Fortemente apoiados pela hierarquia católica, ativistas mobilizaram uma coalizão híbrida de famílias religiosas, políticos conservadores, muçulmanos, evangélicos e até mesmo homossexuais que se opõem ao casamento gay para a demonstração de força.

“Queremos que esse projeto de lei seja derrubado”, disse Patricia Soullier, organizadora do protesto, à BFM-TV antes de entrar em um trem em Montpellier, no sul da França, que seguia para Paris.

Casamentos do mesmo sexo são legalizados em 11 países, incluindo Bélgica, Portugal, Holanda, Espanha, Suécia, Noruega e África do Sul, assim como em nove Estados americanos, além da capital dos EUA.

*Com Reuters e AP

Ativistas ficam seminuas para protestar durante oração do papa Bento XVI Resposta

(Foto: Giampiero Sposito/Reuters)

(Foto: Giampiero Sposito/Reuters)

Enquanto o papa Bento XVI realizava a tradicional benção dominical da oração de Ângelus da janela de seu apartamento neste domingo, 13, no Vaticano, ativista do grupo feminista Femen protestaram seminuas na Praça de São Pedro.

As quatro mulheres se posicionaram ao lado da árvore de Natal na praça, diante da Basílica de São Pedro.  Quando o pontífice apareceu em sua janela para o Ângelus, elas começaram a se despir e em segundos mostraram os seios no meio dos fiéis. Que babado, não?

(Foto: Giampiero Sposito/Reuters)

(Foto: Giampiero Sposito/Reuters)

As militantes exibiam no peito a expressão “Cale a boca” e nas costas ‘In gay we trust’ (em gay nós confiamos), alusão a ‘In god we trust’ (Em Deus confiamos, lema oficial dos Estados Unidos).

As quatro mulheres também carregavam cartazes em meio aos fiéis que acompanhavam o discurso do Papa, mas foram rapidamente detidas por policiais que cuidam da segurança do local.

(Foto: Giampiero Sposito/Reuters)

(Foto: Giampiero Sposito/Reuters)

O grupo é conhecido por realizar manifestações do tipo, sempre fazendo topless, em países como Brasil, Rússia, Ucrânia e Inglaterra. Em Paris, elas criaram um centro de treinamento do “novo feminismo”.

Adorei

Nunca me interessei em conhecer melhor os ideais do Femen, pois uma vez, assistindo à entrevista da presidenta brasileira, Sara Winter, no programa De Frente com Gabi (SBT), achei o discurso dela muito conservador. Mas adorei ver as moças protestando em frente ao papa, um dos líderes religiosos mais homofóbicos do mundo.

Como eu saí do armário: Rafael Mira Resposta

Rafael Mira, 21 anos, estudante de Comunicação Social, de Salvador (BA) enviou um vídeo contando como saiu do armário. Veja:

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

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Como eu saí do armário: Luiz Ohtori Resposta

Luiz

Meu nome é Luiz Ohtori, moro em Nova Iguaçu, sou estudante e tenho 18 anos.

Desde os sete anos de idade gosto de meninos. Eu sofri um abuso sexual na minha antiga escola e acho que isso mudou muita coisa na minha vida. Sinceramente nunca tive desejos sexuais por nenhuma garota e nunca sequer gostei de uma a não ser minhas divas como Lady Gaga, entre outras.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Eu cresci um menino bem destacado da família. A minha família é totalmente religiosa então ficou muito difícil eu sair do armário de cara. Eu fui jogando pistas desde os 14 anos. Minha mãe me perguntava se eu gostava de meninos, eu sempre dizia que não. Eu cheguei a escutar “Prefiro você maconheiro que gay”. Realmente foi muito sinistro sair do armário.

Quando eu era bem menor eu tinha relações sexuais com meus primos então um belo dia eu resolvi contar a todos da família sobre esse assunto. Meus tios são pastores de uma igreja muito famosa na minha região. Então eu fui praticamente excluído da igreja e da família. Meus pais simplesmente me aceitaram com amor e carinho coisa que eu não esperava. Eu fiquei com depressão por alguns meses, reprovei no colégio, fiquei com sérios problemas na minha vida social. Só que hoje eu estou bem e fico muito feliz e orgulhoso em dizer “eu sou homossexual”.

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Como eu saí do armário: R. P. Resposta

Não trabalho, sou estudante da graduação de Enfermagem, sou de São Paulo (SP), tenho 19 anos, sou homossexual assumido.

Quando eu tinha entre 14 e 15 anos percebi a atração física que eu tinha por rapazes, meus pais sempre foram muito preconceituosos e eu, por medo de ser rejeitado por eles, busquei ajuda em sites de relacionamento, com pessoas que já tinham se assumido. Porém as mesmas eram de idade superiores a minha, até que conheci um rapaz, com quem criei uma certa amizade. Eu tinha liberdade de dizer tudo e esclarecer todas as minha dúvidas, porém o meu computador possuía aqueles programas de detetive, que os pais instalam em computadores de seus filhos, por questão de segurança e controle, e eu não tinha conhecimento desse programa, obviamente. Era o meu pai quem possuía conhecimento em informática, quem fazia esse controle.  Ele lia todas as conversas que eu mantinha com esse rapaz, até que um dia ele me chamou, abriu a conversa e me mostrou. Eu neguei, falei que era apenas curiosidade, foi horrível. A minha mãe é hipertensa, ficou muito mal, tivemos que chamar o médico da família pra medicá-la, foi o pior dia da minha vida. Desde então, eu tentava lutar contra a minha orientação sexual gay.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Depois de um certo tempo, mais ou menos um ano, eu já havia percebido que não adiantava lutar contra e querer ser alguém que eu não era. Acabei me envolvendo com um rapaz. Estava ao telefone e minha mãe, que sempre foi muito protetora, acabou ouvindo o assunto. Aí ela “invadiu” meu quarto, na hora eu desliguei o telefone. Ela brigou, chorou, e foi aquele clima de tensão o resto da semana e mesmo assim eu neguei.  Mesmo já sabendo da minha orientação sexual, sempre tive medo de contar por ver a reação deles frente a essa situação, porám meus pais não se “contentaram” com o fato de eu negar, já tinham a certeza, tanto que minha mãe sempre me questionava, perguntando se eu era gay ou bissexual, e eu nega com medo da rejeição. Quando completei 18 anos, entrei na faculdade e depois de um certo tempo conheci um rapaz com quem acabei namorando por 11 meses. Os três primeiros meses foi escondido da minha família. Ele foi apresentado como meu amigo aos meus pais. Aí é que vem a parte mais interessante da história, e que aborda a temática do texto, o dia em que meus pais descobriram: certa noite eu estava trocando mensagem de texto com ele e meu celular descarregou. Acabei não pegando o carregador do meu celular e coloquei meu chip no celular do meu irmão e continuei trocando mensagem. Porém, eu achei que iria ficar salva no meu chip, destroquei os chip. No dia seguinte, avisei a minha mãe que iria sair com o esse meu amigo, que na realidade era meu namorado. Saí, curtimos o passeio e no final, o celular dele tocou e ele me mostrou o número. Era da minha casa, eu falei para ele não atender. Inocentemente, quando vi meus pais, perguntei por que estavam ligando para ele. Eles na hora perguntaram o que eu e eles tínhamos, porque ele havia me mandado uma mensagem de boa noite e dito que me amava. A partir de então eu não neguei mais, confirmei que éramos namorados. Foi péssimo, minha mãe ligou para ele, falou coisas que não devia etc. Fui até em psicólogo, porém, depois de uns dois meses, meus pais passaram a aceitar, tanto que terminei esse primeiro namoro, conheci meu segundo namorado, meus pais o conheceram, sabiam do nosso relacionamento e sempre adoraram ele. Hoje estou solteiro, e eles conversam comigo sobre o assunto numa boa, me amam. Eles falam “independente do que você seja, nós o amamos da mesma maneira que amamos o seu irmão e temos orgulho de você”.

Hoje minha mãe não permite que ninguém discrimine um homossexual ou algo do gênero, e defende essa orientação!

Não tenha vergonha de quem você é, se orgulhe, levante a cabeça e vamos lutar contra a ignorância da nossa sociedade! Uso a frase dos meus pais: “Independente de quem você seja filho, você é filho, seus pais te amam da mesma maneira! Pois o amor de pai e mãe, não existe frnteiras!!” SAIA DO ARMÁRIO!

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