Como eu saí do armário: Alan Guilheiros de Cabral 2

Alan Guilheiros de Cabral

Alan Guilheiros de Cabral

Meu nome é Alan Guilheiros de Cabral, 19 anos, e sou de Aracaju (SE). Atualmente trabalho no Museu da Gente Sergipana e sou graduando em Letras pela Universidade Federal de Sergipe.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Sair do armário para minha família, foi tranquilo, exceto para minha mãe. Até hoje o clima entre ela e eu não é dos melhores. No entanto, há um ano e três meses atrás, quando tudo aconteceu, foi como se uma pedra gigantesca saísse das minhas costas.

Por ter nascido e me criado num berço religioso e ter sido inserido logo cedo nos “caminhos do Senhor”, até os 16 anos nunca vivi bem comigo mesmo e dizer a minha mãe que as histórias que ela havia escutado a meu respeito eram verdadeiras não foi nem de longe fácil.

Aos 17 anos, em julho de 2011, no dia da festa do meu aniversário, ganhei de presente um livro e um beijo do cara mais lindo que eu achava naquela época. Daí até outubro, foi uma questão de tempo pra minha mãe ficar sabendo de tudo o que eu vinha escondendo desde os 12. A imagem da mulher forte se quebrou diante de mim no momento em que, em prantos soluçantes, ela me perguntou se eu era mesmo gay e onde ela tinha errado comigo. Até hoje nosso relacionamento não é o mesmo que era até aquele dia. Acho que ela pensa que eu vou mudar e “voltar a ser o que eu era”. Mal sabe ela que eu já era assim desde o ventre. No entanto, ela tenta não lembrar disso e segue a vida e eu vou seguindo a minha, apesar de moramos debaixo do mesmo teto.

Meu pai? Ah, quem antes não me dirigia a palavra, tornou-se meu amigo e cúmplice! E já sabe até das minhas manhas (risos), apesar de me repreender vez ou outra, ao pedir que eu poupe minha mãe de certas coisas. Diz ele que quer conhecer meu namorado. Tá bom, pai! kkkkkkkkkk. Meu irmão é outro que, em troca de favores um tanto “chantagistas”, também aceita minha orientação sexual. O resto da família sabe, me entende e também me aceita como sou. Nada, absolutamente NADA mudou com eles: não me excluem das festinhas e dos passeios, muito pelo contrário, sou eu o organizador de todas elas, hehe ^^

E é assim… Minha mãe um dia há de perceber que eu tenho a minha vida e ela tem a dela. Por enquanto ela está anestesiada.

P.S. se você ainda está na fase em que sua mãe e/ou seu pai não aceitam e sempre rolam aquelas briguinhas dentro de casa, aqui vai uma dica: no momento da briga, deixe que eles falem, e gritem tudo. No fim, você vira as costas e sai, mesmo que venha na garganta aquela vontade de desabafar e gritar “EU SOU ASSIIIIIIIIIIM!”. Por experiência própria digo: é perda de tempo bater de frente e só piora a situação! Garanto que assim você encurta o tempo do sofrimento. Poupe-se e poupe-os! Combinado?

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