Como eu saí do armário: Débora T. C. de Magalhães 2

Me chamo Débora, sou arquiteta, sou de Salvador (BA), mas moro em Bombinhas (SC).

Eu li a postagem de Jean Carlos e fiquei feliz que pra ele tenha sido tão tranquilo, como a minha historia é um pouco mais “comum” no sentido de reação familiar (ao menos entre as pessoas que conheço)  achei que seria bom contá-la, afinal nessas horas parece que estamos sozinhos.

Eu não sei precisar com quantos anos eu soube que eu era lésbica. Posso somente afirmar que nunca sonhei com um marido, era sempre eu e meus filhos nos meus sonhos de criança.  Tive alguns poucos namorados, mas sempre com pouco interesse e muito curtos. No dia que me vi apaixonada por uma menina, parecia que tudo fazia sentido, a essa altura eu já tinha 20 anos. Parecia tão forte e intenso que não podia viver escondido. Criei coragem e fui contar para minha mãe.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Não posso dizer que me arrependi, minha vida ficou bem mais honesta, o peso em minhas costas foi diluído  mas posso dizer que meu inferno começou.  Fui desrespeitada de quase todas as formas possíveis (só não apanhei), mas era seguida quando saía de casa, me tiraram meios de comunicação,  minha mãe queimou mais de 200 cartas que eu tinha com minha namorada na época, foi uma fase bastante difícil  e não durou pouco. Tive que criar meios para sobreviver a isso.

Minha vida passou a ser sempre escondida, meus amigos eram sempre os pivôs de qualquer passeio meio para não criar desconfiança  Sim, eu podia ter simplesmente saído de casa e acredite, o faria, mas tomei uma rasteira da minha namorada que pediu tempo e começou a namorar outra, meu mundo por um tempo parecia ter sido destruído. Minha mãe só sabia me ofender em qualquer conversa inocente. Levou um tempo e alguns relacionamentos depois e alguns anos de terapia.

Hoje em dia sou assumida para toda a parte que importa da minha família e os únicos que desrespeitam e ofendem são meus pais, conheci minha alma gêmea,  estamos juntas há dois anos, nunca estive tão feliz, juntamos nossos trapos. Moro com ela, sou muito feliz, apesar de ainda ouvir muitas ofensas. A parte mais difícil é que nunca quis ofender eles, então quando me ofendem, devolver ofensa parece tão injusto. Além do que, são meus pais e eu tenho ciência que devo respeito a eles, uma pena que eles não entendam que também me devem respeito. Dez anos depois (estou com 30), muitas dificuldades depois, estou feliz, amando e sendo amada e aqui pra dizer que apesar de tudo, valeu a pena utar” para ser quem eu sou.

  1. Parabéns, precisamos de pessoas sem medo de ser Feliz.

    sou de Itajuba, barra velha. Estamos casadas a 12 anos. bjos

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