Como eu saí do armário: R. P. Resposta

Não trabalho, sou estudante da graduação de Enfermagem, sou de São Paulo (SP), tenho 19 anos, sou homossexual assumido.

Quando eu tinha entre 14 e 15 anos percebi a atração física que eu tinha por rapazes, meus pais sempre foram muito preconceituosos e eu, por medo de ser rejeitado por eles, busquei ajuda em sites de relacionamento, com pessoas que já tinham se assumido. Porém as mesmas eram de idade superiores a minha, até que conheci um rapaz, com quem criei uma certa amizade. Eu tinha liberdade de dizer tudo e esclarecer todas as minha dúvidas, porém o meu computador possuía aqueles programas de detetive, que os pais instalam em computadores de seus filhos, por questão de segurança e controle, e eu não tinha conhecimento desse programa, obviamente. Era o meu pai quem possuía conhecimento em informática, quem fazia esse controle.  Ele lia todas as conversas que eu mantinha com esse rapaz, até que um dia ele me chamou, abriu a conversa e me mostrou. Eu neguei, falei que era apenas curiosidade, foi horrível. A minha mãe é hipertensa, ficou muito mal, tivemos que chamar o médico da família pra medicá-la, foi o pior dia da minha vida. Desde então, eu tentava lutar contra a minha orientação sexual gay.

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Depois de um certo tempo, mais ou menos um ano, eu já havia percebido que não adiantava lutar contra e querer ser alguém que eu não era. Acabei me envolvendo com um rapaz. Estava ao telefone e minha mãe, que sempre foi muito protetora, acabou ouvindo o assunto. Aí ela “invadiu” meu quarto, na hora eu desliguei o telefone. Ela brigou, chorou, e foi aquele clima de tensão o resto da semana e mesmo assim eu neguei.  Mesmo já sabendo da minha orientação sexual, sempre tive medo de contar por ver a reação deles frente a essa situação, porám meus pais não se “contentaram” com o fato de eu negar, já tinham a certeza, tanto que minha mãe sempre me questionava, perguntando se eu era gay ou bissexual, e eu nega com medo da rejeição. Quando completei 18 anos, entrei na faculdade e depois de um certo tempo conheci um rapaz com quem acabei namorando por 11 meses. Os três primeiros meses foi escondido da minha família. Ele foi apresentado como meu amigo aos meus pais. Aí é que vem a parte mais interessante da história, e que aborda a temática do texto, o dia em que meus pais descobriram: certa noite eu estava trocando mensagem de texto com ele e meu celular descarregou. Acabei não pegando o carregador do meu celular e coloquei meu chip no celular do meu irmão e continuei trocando mensagem. Porém, eu achei que iria ficar salva no meu chip, destroquei os chip. No dia seguinte, avisei a minha mãe que iria sair com o esse meu amigo, que na realidade era meu namorado. Saí, curtimos o passeio e no final, o celular dele tocou e ele me mostrou o número. Era da minha casa, eu falei para ele não atender. Inocentemente, quando vi meus pais, perguntei por que estavam ligando para ele. Eles na hora perguntaram o que eu e eles tínhamos, porque ele havia me mandado uma mensagem de boa noite e dito que me amava. A partir de então eu não neguei mais, confirmei que éramos namorados. Foi péssimo, minha mãe ligou para ele, falou coisas que não devia etc. Fui até em psicólogo, porém, depois de uns dois meses, meus pais passaram a aceitar, tanto que terminei esse primeiro namoro, conheci meu segundo namorado, meus pais o conheceram, sabiam do nosso relacionamento e sempre adoraram ele. Hoje estou solteiro, e eles conversam comigo sobre o assunto numa boa, me amam. Eles falam “independente do que você seja, nós o amamos da mesma maneira que amamos o seu irmão e temos orgulho de você”.

Hoje minha mãe não permite que ninguém discrimine um homossexual ou algo do gênero, e defende essa orientação!

Não tenha vergonha de quem você é, se orgulhe, levante a cabeça e vamos lutar contra a ignorância da nossa sociedade! Uso a frase dos meus pais: “Independente de quem você seja filho, você é filho, seus pais te amam da mesma maneira! Pois o amor de pai e mãe, não existe frnteiras!!” SAIA DO ARMÁRIO!

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Conte ao blog como foi a sua experiência de sair do armário. Envie uma mensagem com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

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