Como saí do armário: Rodolfo Tavares 3

Rodolfo Tavares

Rodolfo Tavares

Meu nome é Rodolfo Tavares, tenho 21 anos, sou estudante de História e moro em Niterói (RJ). Sair do armário pra mim foi um longo processo que se iniciou desde a auto-aceitação até me assumir aos amigos e, posteriormente, à minha mãe e irmã (que moravam comigo). Desde criança, eu olhava para meninos de maneira diferente de como olhava para meninas, mas como tive uma formação religiosa cristã muito forte, cresci aprendendo ser pecado gostar de pessoas do mesmo sexo e que isso me acarretaria uma vida de vícios que poderiam me levar ao inferno. Por toda a minha adolescência, meu desejo por homens aumentava e persistia na minha cabeça a ideia de que eu deveria gostar de mulheres. Eu tinha medo de ser gay. Medo de ser um ser que eu aprendi com o tempo a odiar e recriminar. Conforme os dias e anos se passavam e eu via que meu desejo sexual era exclusivamente para com homens e que realmente não conseguia ter o mesmo desejo ao ver mulheres, comecei a pensar que se eu realmente fosse gay, deveria sentir não somente o impulso sexual, mas também o amor ou a paixão.

Um pouco depois de fazer 18 anos, consegui um estágio como técnico de química num laboratório de uma universidade. No primeiro dia do estágio, eu vi o primeiro homem que eu teria um amor platônico. Eu nunca falei com ele, não sei seu nome ou o que ele estudava. Só sei que ele foi o que me libertou de mim mesmo. A partir daquele dia eu disse pra mim mesmo: “ok, eu sou gay”. Mas como tinha medo de minha família ou meus amigos não aceitarem, eu externei tudo que sentia em poesias e, meses depois, um livro que nunca terminei. Um amigo, certo dia, me contou que estava namorando há um tempo um outro homem e decidi confiar a ele “meu segredo”. Não sei até hoje o quanto sou grato ao Bernardo por ter me ouvido, dar conselhos e me levar a conhecer o “mundo gay” pelas baladas, notícias, reivindicações LGBT, séries, filmes etc.
À minha família contei poucos meses depois de ter contado aos meus amigos e, como esperado, foi um desastre total. E isso porque contei que era bissexual para ver se amenizava o escândalo que seria. Já estava cansado de viver uma vida “mentirosa” dentro de casa, pois não estava sendo verdadeiro ao esconder delas que eu era. Até hoje, minha mãe e irmã não aceitam e não falam absolutamente nada a respeito. Percebo que com o tempo elas vão aceitando melhor, mas não o suficiente para eu trazer um namorado em casa ou mesmo discutir crimes de homofobia e direitos civis, por exemplo. Costumo brincar com os meus amigos ao dizer que minha mãe me “homossexualiza” quando me dá uma roupa que muitos homens gays usam (mas ela não sabe) ou um celular que as pessoas classificam como feminino. Não deixo de amá-las porque elas são minha família e da mesma forma que resisti à aceitação da homossexualidade, elas também assim o fazem por agora. Nunca sofri preconceito diretamente fora de casa. Hoje posso dizer que sou uma pessoa feliz por saber quem eu sou, vivenciar a minha sexualidade que me me fez quebrar muitos preconceitos como o machismo e a homofobia e inclusive me fez mudar de carreira, pois com a saída do armário eu parei de ter medo de agir sobre a minha própria vida. Minha vida começou aos 18 anos da minha existência ao sair do armário.
Bem, é basicamente isso. Espero ajudar com a minha história outras pessoas que vivem situações semelhantes e que estão a decidir se contam aos amigos ou à família. Vamos ser felizes!

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  2. Sobre sua mãe te dar roupas sem saber que gays usam, isso me fez lembrar da minha, quase um ano depois de eu me assumir e ela decretar sigilo máximo sobre o assunto, quando comprou uma camisa rosa, bem apertada. Meu pai viu e começou a rir. Eu nunca gostei de rosa nem de roupa apertada. A partir daquele dia, percebi ali que o esteriótipo homossexual estava bem vivo em sua cabeça. Por outro lado, e positivo, era uma estranha maneira de dizer que me aceitava gay, mesmo usando um rosa tão cafona. haha :)

    P.S.: curiossísmo pra ler esse livro, Rodolfo. rs :)

  3. ISSO AÍ. A MINHA FOI MAIS OU MENOS ASSIM, SÓ QUE ME ASSUMIR E PARA A SOCIEDADE AOS 28 ANOS. HOJE SOU FELIZ, SOFRO APENAS COM OS AMORES. SOU UMA PESSOA SENSÍVEL E CARENTE…

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