Como eu saí do armário: Alexandre Martins Resposta

Olá pessoal, meu nome é Alexandre Martins e eu tenho 16 anos, sou auxiliar administrativo e dsigner na prefeitura de Itaipulândia (PR).

+ Como eu saí do armário: Rafael Zveiter (criador do Entre Nós)

Bom, sair do armário não foi uma decisão muito fácil pra mim, pois meu pa é homofóbico e minha mãe um pouco das antigas também. Ano passado, por volta de julho, eu estava namorando, aos poucos eu o trazia aqui em casa, como “meu amigo”, e ele vinha sempre acompanhado da irmã e do namorado dela. Ele sempre me tratou muito bem, cheguei até mesmo a amá-lo. Ficamos desde março juntos, e quase todos os finais de semana, ele comparecia para saírmos, assistir filme na casa dele, dar uma volta na avenida, enfim, pretextos para nos encontrarmos. Ele posou em minha casa duas noites, e eu na dele duas noites também. O irmão e a cunhada dele sempre desconfiaram, porque a gente dormia na mesma cama e eles viam, às vezes, que nós estávamos abraçados ou juntos.

Certa noite, ele veio em minha casa, e já era tarde, e eu o convidei para assistir a um filme comigo: Do Começo ao Fim. Meus pais estavam em casa, e pela cara que fizeram não gostaram de me ver entrando no quarto sozinho com ele, para “ver o filme”. Nós perdemos o medo aquela noite, deitei no colo dele, o beijei, nos acariciamos sem que o temor nos atacasse e dissesse: “seu pai está vindo, senta longe dele, rápido!”. Mas nada aconteceu. Assistimos ao filme e já era tarde quando terminou, minha mãe convidou-o para que posasse ali, e ele aceitou. A noite foi maravilhosa, aproveitamos ao máximo, feito ratos no silêncio, sem barulhos que se confundam com o som do vento lá fora. Era julho, mas estava quente, muito quente. Tudo aconteceu naturalmente, e no outro dia minha mãe estava diferente comigo, e me perguntou se a gente estava junto ou não. Não tive como esconder, e não queria mais esconder, também. Já havia ficado 15 anos dentro de um eu que nunca foi eu. Já estava saturado de ter quer ser “hétero” para todos. Queria o meu mundo encantado agora, queria que meu arco-íris também brilhasse, que meus olhos não mentissem mais, queria que todas as mentiras caíssem e que a verdade reinasse em minha vida para sempre. Queria.. queria… queria.

Nada foi como imaginei, a partir daí a barra foi mais forte. Perdi meu direito de sair e o de ficar. Perdi a confiança dos meus pais, perdi tudo, inclusive o medo de lutar pela minha felicidade! A partir desse dia, me pus em primeiro lugar na vida. Depois do Deus que me deu a vida, eu sou mais importante do que qualquer outra pessoa, eu devo me satizfazer e me fazer feliz, eu devo me gloriar e me humilhar perante ao Senhor. Eu devo agradecê-lo pela força que me dá de lutar nos meus dias, de enfrentar o preconceito que enfrento, de cara erguida.

Sei que assim como eu existem milhões por aí, assumidos ou não; e digo a você que está lendo isso: seja forte, lute pela sua felicidade, esqueça o mundo ao seu redor e procure se encontrar dentro de você. Deus ama os gays, assim como os héteros, Ele não distingue no tabuleiro o peão do rei e o bispo do cavalo, uma vez que todos acabarão guardados na mesma caixa. Ele alegra os oprimidos e rebaixa os exaltados. A fé deve estar ao seu lado neste momento, e seu amor próprio em primeiro lugar.

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