Como eu saí do armário: Gabriella Trigo 1

Gabriella Trigo

Gabriella Trigo

O meu nome é Gabriella, tenho 21 anos, estudante de Farmácia. Moro em Iguape, interior de São Paulo. E me assumi pouco menos de 4 meses.

Eu sempre gostei de meninas, desde o jardim da infância, lasquei um beijinho na minha coleguinha (que hoje também é lésbica) rs. Minha mãe sempre sempre desconfiava de mim, via o histórico na internet e lá sempre havia site que eu visitava que abordava sobre homossexuais. Ela disse que se eu continuasse com essa besteira, iria contar pro meu pai, e ia acabar comigo. Morri de medo de inicio, e comecei a apagar o histórico toda vez que eu usava. Certa vez minha amiga Esthefany me ligou e começar a conversar sobre minha namorada (hoje ex), e sobre a namorada da minha amiga. Só que para a minha surpresa, minha mãe escutou toda conversa atrás da porta, e eu inventei uma desculpa.

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Dias depois convidei essa amiga para passar um final de semana comigo, até então eu só conhecia ela por internet. Aí que minha mãe desconfiou, porque minha amiga era muito carinhosa comigo, mas sem malícias. Depois que eu levei ela para rodoviária, minha mãe estava no portão de casa me esperando, eu pensei: pronto, era uma vez Gabriella.

Ela sentou numa boa para conversar comigo (para minha surpresa), enquanto meu pai estava ao lado dormindo. Ela perguntou se eu era sapatão e começou a falar sobre várias coisas de Deus e tal. Fiquei com medo de falar que sim, pois fiquei com receio que meu pai escutasse. E mais uma vez perdi a oportunidade de falar pra minha mãe.

Depois de uns 4 meses, ela estava cozinhando e perguntou pra onde eu ia todas as noites, e voltava tarde. Eu disse que estava namorando e logo ela perguntou: Quem é essa pessoa? Falei que não tinha coragem pra falar e logo em seguida ela falou: “Você namora uma menina é isto?” Tomei coragem e afirmei que sim, que há há anos eu namorava meninas, que todos os meus amigos e algumas primas sabiam da minha orientação sexual e me apoiaram.

Obviamente ela caiu em choro, mas logo complementou: “Se você tem certeza de que é isso que você quer pra sua vida, não vou deixar de ser sua mãe e acima de qualquer coisa eu te amo e quero te ver feliz. Só peço que você não saia na rua de mãos dadas ou dando beijos igual aqueles de cinema, pra me preservar dos insultos que vou escutar de todos os familiares e também do seu pai, porque quando ele descobrir irá tocar a gente de casa. Mas antes que ele faça isso, eu prefiro que ele saia, do que você, porque te amo.”

Respondi que sim, que eu ia fazer o que ela havia me pedido, pois não queria que sofresse por mim. Depois disso foi um alivio, e minha mãe me trata super bem, como se nada tivesse acontecido. Só tomo cuidado por conta do meu pai, ele é muito violento e tenho a certeza de que é capaz de fazer algo ruim contra mim.

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