Como eu saí do armário: João Victor Monterry 2

João Victor Monterry (sem óculos) e seu noivo Weldon Gomes.

João Victor Monterry (sem óculos) e seu noivo Weldon Gomes.

Meu nome é João Victor Monterry , tenho 19 anos, sou de Campos dos Goytacazes (RJ). Atualmente estou cursando a faculdade de Design Gráfico. Sou formado em francês, inglês, sou ginasta, modelo manequim e fotográfico. Trabalho como fotógrafo e, também, como designer gráfico.

Nunca fui uma criança “normal” como diziam os outros, sempre busquei mais coisas ligadas à arte, enquanto todos os meninos iam pra aula de educação física pra jogar futebol, eu sempre arranjava uma desculpa para não jogar. Nunca tive amizades masculinas, na verdade, de 10 amigos que eu tinha, oito eram meninas. Sempre via primos e outros falando sobre meninas e eu nem aí rs, às vezes até tentava falar do mesmo assunto que eles, mas era tudo porque eu achava que eu deveria saber dessas coisas também, mesmo não entendendo muito o que se passava por comigo.

Primeiramente eu tentava me aceitar, mas por medo do que “os outros poderiam falar” eu buscava ser como a sociedade acha que deve ser. Mas sempre fui muito tímido e confuso, até os meus 14 anos, quando de fato tive certeza do que eu realmente queria e gostava. Com 16 anos minha irmã, mexendo no meu PC enquanto eu estava na escola, viu uma conversa no MSN com um garoto no qual eu era apaixonado, então contou tudo pra minha mãe. (Infelizmente nunca tive uma irmã para confiar pra nada) Cheguei da escola, minha mãe me deu uma bronca, disse que Deus fez o homem e a mulher, que eu ia pro inferno, disse que essa não foi a educação que ela me deu e que eu não sou assim, que estou doente e blablablá.

Eu só soube chorar muito e pedir forças a Deus que era tudo que eu tinha e que me escutava naquele momento. De repente, mamãe entrou no quarto, mandou eu tirar pulseira, piercings, alargadores, escondeu meu PC, pois ela acreditava que o PC havia contribuído para minha “doença”.  Fiquei um tempo sem sair de casa, fiquei super deprimido mesmo, só queria morrer.

Meses se passaram, e eu acreditando que ela havia aceitado, ou entendido, ela voltou com o assunto que tinha que mudar, pois Deus e blablablá e todos já sabem a história. Infelizmente eu cansado disso, disse que iria mudar, mesmo sabendo que não havia chances de mudanças. Passei a mentir, dizer que ia para um lugar e ia para outro, pois assim ela deixava. Dizia que ia com uma pessoa e ia com outra. Minha vida se tornou um poço de mentiras. :'(

Até que passaram-se uns anos e eu resolvi ir na Parada Gay da minha cidade. Infelizmente moro numa cidade onde você solta um pum aqui e depois de 2 minutos a cidade toda já sabe o ocorrido. Meu pai soube de tudo, minha mãe já sabia, mas achando que eu tinha mudado. Voltou tudo de novo e mais coisas piores: meu pai me agrediu, me deu um soco no peito onde sinto dores até hoje, não comento sobre, mas ainda dói muito, a família inteira ficou contra mim, isto é, eu e Deus, contra todos e Deus.

Meus pais não me aceitam e nem procuram me entender, não adianta eu sentar para conversar com eles, pois eles sempre querem que eu seja como eles querem, querem sempre buscar soluções de acordo com a teoria deles. Hoje em dia, ainda não me dou  bem com ninguém em casa, meu pai anda sempre estressado, quer me agredir verbalmente e fisicamente.

Atualmente, tenho tentado ver um lado bom de tudo que ocorre em minha vida e buscando ser uma pessoa melhor, evitando que problemas afetem meu estado, minha capacidade de viver e buscar viver. Sou noivo do garoto mais lindo do mundo Weldon Gomes e por ele eu devo a minha vida, ele largou família, estudos, amigos numa cidade bem longe daqui, tudo por causa do nosso amor. Estamos juntos há 7 meses, e ele tem sido meu alicerce para continuar almejando a viver.

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Conte ao blog como foi a sua experiência de sair do armário. Se você é travesti ou transexual, conte também. Envie uma mensagem ou um vídeo com o seu nome, a sua profissão, a sua cidade, o seu estado e uma foto (opcional) para o email oblogentrenos@gmail.com. A mensagem deve ter o seguinte título: Como eu saí do armário. Se quiser anonimato, basta pedir.

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