Polícia russa prende 20 ativistas contrários à lei antipropaganda gay Resposta

Agentes russos detém ativista em protesto contra lei contra propaganda homossexual no país SERGEI KARPUKHIN / REUTERS

Agentes russos detém ativista em protesto contra lei contra propaganda homossexual no país SERGEI KARPUKHIN / REUTERS

Com 388 votos a favor, um contra e uma abstenção, a primeira leitura do homofóbico projeto de lei que visa a banir qualquer divulgação considerada propaganda homossexual na Rússia foi aprovada nesta sexta-feira (25). Pouco antes da primeira das três leituras, a polícia prendeu cerca de 20 pessoas que protestavam contra o projeto em frente da Câmara Baixa do Parlamento, a Duma. Alguns ativistas chegaram a trocar beijos, mas foram impedidos de continuar a manifestação por apoiadores do projeto e por forças de segurança.

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Quando os policiais iniciaram a retirada dos manifestantes da frente da Casa, partidários conservadores – alguns identificados como cristãos ortodoxos – aplaudiram a cena e jogaram ovos nos ativistas pelos direitos humanos, com foco nos homossexuais. Ao todo, cerca de 100 pessoas estavam em frente ao Parlamento, inclusive jornalistas que faziam a cobertura do evento.

O projeto vai precisar da aprovação das duas Casas do Parlamento e da assinatura do presidente Vladimir Putin. Uma norma semelhante foi aprovada ano passado pelo governo de São Petersburgo, alertando ativistas de que a norma poderia ser elevada à esfera nacional.

A oposição afirma que a norma tornará ilegal qualquer evento LGBT na Rússia, sob a pena de multas de até € 12.500 (cerca de US$ 22 mil) a organizadores. A iniciativa também é uma tentativa do governo russo de se aproximar do eleitorado conservador, segundo ativistas. Apoiadores da legislação defendem que é necessário impedir passeatas gays e programas em rádios e emissoras de TV que apoiem casais homossexuais, argumentando que tal divulgação afeta o desenvolvimento das crianças na Rússia.

– Animosidade para com gays e lésbicas está generalizada na sociedade e na Duma, que aprovou uma série de leis impopulares e espera que possa ganhar alguma popularidade com uma lei anti-gay – disse a ativista Lyudmila Alexeyeva à Reuters.

A Rússia discriminalizou a homossexualidade em 1993. Durante o período soviético, o crime de ”sodomia” rendia penas de até cinco anos. Agora, dez regiões do país, entre elas a segunda maior cidade da Rússia, São Petersburgo, contam com medidas proibindo manifestações públicas de gays e até mesmo demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo, sob pena de prisão para os infratores.

A lei, juntamente com uma série de outras ações adotadas por políticos russos nos últimos anos, reforça a posição do país na contramão de uma série de iniciativas de inclusão voltadas aos homossexuais adotadas em todo o mundo.

Fonte: O Globo com agências internacionais.

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