Barriga de aluguel domina debate sobre casamento gay na França 1

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A circular do Ministério da Justiça da França facilitando a obtenção da nacionalidade francesa para bebês nascidos de uma barriga de aluguel no exterior, mas de pai francês, é o assunto em destaque na imprensa nesta quinta-feira. Os jornais destacam a polêmica que inflamou a classe política no momento em que os deputados analisam o projeto que autoriza o casamento gay na França.

O conservador Le Figaro diz que a circular emitida pelo ministério da Justiça provocou uma verdadeira tormenta no país. A iniciativa da ministra Christiane Taubira despertou a ira da direita e causou mal-estar na esquerda, segundo o jornal. Para Le Figaro, apesar de a ministra ter dito que a gestação por meio de uma barriga de aluguel continuará proibida na França, ela não convenceu ninguém. A direita vê na circular um primeiro passo para, no futuro, autorizar a procriação assistida, como pedem diversas associações de direitos dos homossexuais.

Para o progressista Libération, apesar de não estar no texto sobre o projeto de lei do casamento gay, a circular da ministra da Justiça caiu como uma luva nas mãos dos conservadores. Deputados dizem que o tema reforçou a mobilização da direita contra o casamento homossexual. Os deputados que entraram na batalha sem muita convicção de ganhar agora encontraram um argumento para torpedear o projeto.

Em seu editorial, o católico La Croix retoma uma pergunta feita por um político de centro: a circular do governo foi um erro involuntário ou uma provocação ? Muitos vão criticar a famosa hipocrisia francesa, escreve o jornal. Isso porque vai reconhecer uma criança concebida por meio de uma prática que é proibida na França.

La Croix indaga se a lei que proíbe a barriga de aluguel, criada para evitar o comércio do corpo e motivada pelo respeito devido às mulheres, principalmente as mais pobres, vai resistir por muito tempo.

Le Parisien considera que o tema da “barriga de aluguel” veio atrapalhar o debate sobre o casamento gay. O jornal publica também o depoimento de uma francesa que vive nos Estados Unidos e se diz feliz em poder ajudar casais franceses estéreis a realizarem o sonho de ter filhos.

Sandrine, de 41 anos, diz que para a sociedade americana, não cabe ao Estado dizer quem tem e que não tem o direito de ter filhos. Visto dos Estados Unidos, o debate na França é arcaico, escreve Le Parisien.

Reportagem: RFI

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