Novo caso de agressão expõe o aumento da homofobia no Paraná Resposta

A redação do jornal Ilustrado vem recebendo várias denúncias de crimes de homofobia no município de Umuarama (PR) e região.

A última denúncia chegou da cidade de Pérola (PR), onde o advogado Heverton García de Oliveira, de 24 anos, foi agredido por um grupo de menores. Segundo a vítima, na madrugada do último sábado ele e alguns amigos estavam jogando baralho próximo à igreja matriz, quando o grupo de menores passou várias vezes pelo local os chamando de “veadinhos”. Após vários xingamentos homofóbicos, Oliveira retrucou e os rapazes foram tirar satisfação. Ao chegarem próximo da vítima, um dos menores o atingiu com socos e chutes.

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“Meus amigos conseguiram separar a briga e quando estávamos pegando o carro, para ir embora, eles voltaram chutaram a lateral do automóvel e apedrejaram os vidros. Além disso, ameaçaram de buscar um revolver se contássemos algo para alguém”, disse o advogado, que também é presidente da Comissão da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e registrou um Boletim de Ocorrência e vai processar os envolvidos.

Funcionário do Fórum de Perola, o rapaz agredido disse que sempre enfrentou vários tipos de preconceito e após essa situação, está com receio de sair sozinho nas ruas da cidade. “Ministro palestras nas escolas e tenho diversos trabalhos na questão da homossexualidade. O que falta é a autoconscientização da comunidade e maior investimento do governo na questão da homofobia. Somo seres humanos como qualquer outro. O que ficou ferido nesse casso não foi meu rosto, mas minha honra de cidadão”, ressaltou.

Sem uma legislação que enquadre o crime de homofobia, as estatísticas do preconceito ficam difíceis de serem levantadas. Porém, o Grupo União Pela Vida, por meio da presidente Sirlei Candido e do coordenador da pasta de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), Rodrigo Salvador Dias, disseram que existem vários registros de situações homofóbicas na cidade e região.

“Recebemos denúncias de agressões, como o caso de Pérola, além de suicídios entre outras. Mas, a maior ocorrência em Umuarama é a agressão velada. Essa é quando o agressor não faz o dano direto para a pessoa ou que ela perceba de momento. Entre esse gênero está o ato de não contratar um funcionário por ele ser homossexual ou até de ser mandado embora, como xingamento e descriminações em setores da sociedade. Há os casos de famílias que limita o homossexual dentro da sua casa. Essa pessoa que recebe o preconceito é excluída da sociedade, a partir daí esse homossexual deixa de ser cidadão e de existir. O que leva muitos jovens a morte, pois a sociedade tradicional não aceita a pessoa ser quem ela é”, esclareceu Dias.

Preconceito

Para a presidente da organização, muitas pessoas estão deixando de viver por assumirem uma identidade que não condiz com a realidade dos seus sentimentos. “O preconceito existe e é muito forte, principalmente por não vivermos num País realmente laico, onde cada um cuida da sua vida. As religiões transformam o homossexual em algo que deve ser excluído e isso está matando pessoas”, ressaltou Sirlei.
Para ambos os entrevistados, o respeito seria o único meio de diminuir essa violência. “Você se importa em ser heterossexual? Você tem medo disso? Não! Então, isso também não deveria importar para o homossexual, mas ser gay interfere na vida da pessoa, o preconceito fere. Me deixa ser quem eu sou”, desabafou o coordenador.

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