Feliciano pede ‘desculpas’ a quem se sentiu ofendido por declarações 5

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) discute com Marco Feliciano (PSC-SP) em meio a protestos contra o novo presidente da Comissão de Direitos Humanos (Foto: José Cruz/ABr)

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) discute com Marco Feliciano (PSC-SP) em meio a protestos contra o novo presidente da Comissão de Direitos Humanos (Foto: José Cruz/ABr)

O deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) pediu “desculpas” nesta quarta-feira (13) às pessoas que se sentiram ofendidas por declarações que ele fez no passado.

Desde que foi indicado para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Feliciano é alvo de protestos por conta de declarações homofóbicas e racistas em sua conta no Twitter, em 2011.

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Na época, ele escreveu: “Sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, aids, fome… Etc”. Ele também disse no twitter que “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição”.

O pedido de desculpas tardio foi apresentado numa tumultuada sessão da comissão, a primeira comandada por ele desde sua escolha.

“Neste momento importante para a nação brasileira, onde iniciamos os trabalhos deste ano, nesta douta comissão, peço a todos e a todas que se alguém se sentiu ofendido por alguma colocação minha, em qualquer época, peço as mais humildes desculpas e coloco meu gabinete à disposição para dirimir quaisquer dúvidas”, discursou o deputado do PSC ao abrir a reunião.

A sessão foi marcada por discussões entre parlamentares e provocações mútuas entre evangélicos e integrantes de movimentos sociais. O plenário da comissão ficou completamente lotado.

Pastor da igreja Tempo de Avivamento, Feliciano ingressou na sala da comissão às 14h30 sob aplausos de religiosos de igrejas cristãs e vaias de ativistas de entidades feministas e homossexuais.

Simpatizantes do deputado do PSC já haviam ocupado a maior parte do recinto, ainda no final da manhã, para prestar apoio a sua gestão. Dos pouco mais de 60 assentos do colegiado, cerca de 40 estavam ocupados por fiéis pentecostais. Os evangélicos ainda se espalharam por outros espaços do plenário para rebater as críticas dos opositores de Feliciano.

Parte dos militantes que promoveram uma manifestação contra Feliciano na Câmara nesta terça (12) retornou ao Legislativo nesta tarde para protestar novamente contra ele. Em minoria, os ativistas se concentraram na entrada do plenário. Eles gritavam palavras de ordem como “Renuncia, renuncia” e “Machista, racista, fundamentalista”.

Em meio às provocações, os aliados de Feliciano retrucavam: “O cara veio aqui pedir perdão e eles [militantes] estão vaiando”.

Em diversas ocasiões, ao longo das quase duas horas de sessão, Feliciano ameaçou ordenar que a polícia legislativa retirasse os manifestantes do recinto. Porém, em vez de silenciar, os militantes contrários a sua presença no colegiado, respondiam às advertências com mais barulho.

Obstrução
Mesmo diante dos gritos no plenário, Feliciano decidiu manter a sessão. Em seguida, parlamentares ligados a entidades de direitos humanos tentaram obstruir o trabalho do colegiado.

Uma das vice-líderes da bancada do PT, a deputada Erika Kokay (DF) alegou, no início da sessão, que não havia quórum suficiente para abrir os trabalhos. Ela e outros parlamentares contrários à eleição de Feliciano não assinaram a ata do encontro, com o objetivo de impedir que se alcançasse o número mínimo de deputados.

O pastor paulista, contudo, negou o pedido de verificação de quórum e deu continuidade às atividades.

Erika, então, enfatizou que não reconhecia a autoridade de Feliciano na comissão e se negou a chamá-lo de “presidente”. Para provocar o parlamentar, a petista passou a se referir a ele apenas como “pastor”. A iniciativa revoltou os defensores de Feliciano, que passaram a exigir o tratamento de “vossa excelência” ou “presidente”.

Reconhecido por declarações polêmicas contra gays, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) interveio em meio às tentativas da parlamentar petista de suspender a sessão. “Acabou a bagunça nesta comissão. Agora, vai ter ordem”, disparou o deputado, que é policial reformado.

Em um dos momentos mais tensos da sessão, Bolsonaro discutiu calorosamente com o ex-presidente da comissão, deputado Domingos Dutra (PT-MA). O petista reclamava do fato de Bolsonaro estar sentado na mesa diretora do colegiado quando o deputado do PP passou a provocá-lo. Enfurecido, Dutra ameaçou partir para cima do colega de Legislativo, mas foi contido por outros parlamentares.

“O presidente [Feliciano] está de comum acordo com o Bolsonaro, que fica instigando, debochando da bancada, levantando o dedo para a deputada Erika. Fica sentado na mesa diretora como se fosse presidente. Isso tudo tem limite. Uma comissão importante como a de direitos humanos passando por esse tumulto, então, é melhor extingui-la, porque toda sessão que tiver vai ser isso”, criticou Dutra.

Antes mesmo do início do encontro, Bolsonaro já havia se envolvido em uma confusão com os militantes de movimentos sociais. O parlamentar disse aos ativistas que o Brasil só não estava sob uma ditadura de esquerda atualmente devido ao golpe militar de 1964. “Acabou a concentração de paradas gays nesta comissão”, ironizou.

‘Normal’
Ao final da reunião, Feliciano afirmou que é “normal” haver manifestações. “Foi muito melhor do que eu esperava. Graças a Deus conseguimos votar todos os itens, os itens que falam sobre o direito do povo, das crianças. Estou muito satisfeito.”

Na sessão, foram votados sete requerimentos, a maioria de autoria de Feliciano. Foram aprovadas propostas para realização de audiências para debater a “situação dos moradores de rua”, “casos de violência e exploração sexual de crianças e adolescentes”, “o desafio da inclusão no mercado de trabalho”, e a “grave situação da contaminação por chumbo na cidade de Santo Amaro da Purificação (BA)”.

Foi aprovado ainda requerimento com solicitação ao Ministério das Relações Exteriores para que a Embaixada do Brasil na Bolívia interceda em defesa dos torcedores brasileiros detidos no país. O pedido diz respeito à prisão de torcedores corintianos após a morte de um jovem boliviano de 14 provocada pelo lançamento de um sinalizador.

Por último, foi aprovada proposta para que o secretário de segurança do Acre vá à comissão falar sobre casos de abuso sexual no sistema prisional do estado.

Não foram votados projetos polêmicos previstos na pauta da comissão divulgada na última segunda (11), trocada posteiormente por Feliciano. Entre os itens previstos na pauta antiga estava uma proposta que sugere a convocação de um plebiscito para consultar a população sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo. O novo presidente da Comissão de Direitos Humanos não anunciou nova data para essa votação.

O deputado também disse esperar que os ânimos “se acalmem” ao longo do ano e que próximas reuniões ocorram com maior tranquilidade. “Acredito que se acalme, espero que se acalme. O trabalho que foi feito agora foi muito feliz.”

Ao deixar a sala onde ocorreu a reunião, Feliciano foi cercado por manifestantes e só conseguiu seguir pelo corredor com apoio de seguranças.

Plenário da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que ficou lotada na primeira sessão sob a presidência de Marco Feliciano (PSC-SP) (Foto: Fabiano Costa/G1)

Plenário da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que ficou lotada na primeira sessão sob a presidência de Marco Feliciano (PSC-SP) (Foto: Fabiano Costa/G1)

Fonte: G1

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