Pastor e deputado baiano afirma que seca no Nordeste é o avanço da homossexualidade 5

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O deputado e pastor, Sargento Isidório (PSB-BA), afirmou que a seca no Nordeste, considerada a pior dos últimos anos, é consequência do avanço do pecado.

Isidório é responsável pela Fundação Doutor Jesus, um centro de reabilitação voltado para dependentes químicos e localizado em Candeias, região metropolitana de Salvador.

Identificando-se como “ex-homossexual, ex-drogado (sic) e ex-bandido”, o pastor concedeu entrevista ao Bahia Notícias e afirmou que ficou insatisfeito com a nota de repúdio que seu partido emitiu contra o pastor Marco Feliciano (PSC-SP), por conta das declarações homofóbicas e racistas.

A nota, segundo o pastor, seria de responsabilidade dos “veados e veadas lá dentro [da direção do partido]“, e que a presidente estadual do PSB, senadora Lídice da Mata, seria uma das incentivadoras dessa postura: “Ela é de Oxum e eu sou de Jesus. Eu também já fui de Oxum quando era homossexual”, revelou, antes de ressaltar não temer represálias dos colegas de partido: “Se essas desgraças [partidos] prestassem, eram inteiros”.

O pastor afirma que a homossexualidade é uma “afronta” a Deus, e isso o estaria irritado, a ponto de Ele impor castigos à humanidade, como a seca no Nordeste do Brasil, as enchentes no Sudeste, os atentados terroristas em Boston e a ameaça de guerra da Coreia do Norte.

Para ele, líderes mundiais deveriam medir suas declarações a fim de evitar mais catástrofes: “A Bíblia fala que, se nos últimos tempos se multiplicasse a iniquidade, aconteceria esses fenômenos. Foi só Barack Obama começar a falar em casamento gay que o bicho começou a pegar, atentado em Boston, ameaça de Coreia do Norte”, enumerou, segundo o jornal A Tarde.

No entanto, o pastor Sargento Isidório afirma que apesar de seu abandono à homossexualidade, ainda precisa se policiar para evitar a tentação: “O pastor é humano. Claro que eu tenho medo de recaída. Eu não posso ficar junto de um homem muito tempo porque a carne é fraca”, avisou.

Opinião

O PSB deveria expulsar um membro como o pastor,  homofóbico e totalmente ignorante. Ele, no fundo, tem desejo homossexual reprimido, porque não existe ex-gay. Tadinho, deve sofrer muito com isso…

Antes da Internet, torcedores de Grêmio e Flamengo já criaram organizadas para combater a homofobia Resposta

O próprio presidnete do Flamengo, Márcio Braga, na época, atribuiu a derrota por 3 a 0 a uma "praga da Flagay" (Foto: Divulgação)

O próprio presidnete do Flamengo, Márcio Braga, na época, atribuiu a derrota por 3 a 0 a uma “praga da Flagay” (Foto: Divulgação)

A iniciativa de criar uma torcida organizada para combater a homofobia no esporte não é inédita no Brasil. No final da década de 1970, dois grandes times do futebol brasileiro tentaram criar torcidas organizadas formadas por gays. Grêmio e Flamengo criaram as torcidas Coligay e Flagay, respectivamente.

Conhecida como a primeira torcida organizada gay do país, a Coligay foi fundada por Volmar Santos (na época, dono de uma boate LGBT chamada Coliseu) em 1977. No final dos anos 70, a Coligay chegou a ter setenta integrantes. Porém, a torcida acabou sendo hostilizada pelos próprios torcedores da equipe e acabou extinta na década de 1980.

A Flagay também foi criada no final da década de 1970. A torcida foi fundada oficialmente em 1979 pelo carnavalesco Clóvis Bornay. Torcedor do Botafogo, Bornay convocou a torcida flameguista homossexual para ir a uma partida contra o Fluminense. Durante o jogo, os próprios torcedores do rubro-negro hostilizaram a torcida. De acordo com relatos de jornais da época, o próprio presidente do Flamengo, Márcio Braga, atribuiu a derrota por 3 a 0 a uma “praga da Flagay”.

No meio da década de 1990, o ativista Raimundo Pereira (que faleceu em 2006) resolveu reavivar a torcida. Carlos Alberto Migon, que fazia parte da torcida, relembra que a iniciativa era mais voltada ao ativismo do que ao clube: “a nossa proposta era ocupar um espaço prioritariamente hétero. Eu nem gosto muito de futebol. Na verdade, torço até pelo Vasco”.

Com mais de 100 pessoas na época, o grupo foi a alguns jogos nos anos de 1996 e 1997. “As pessoas ficavam surpresas no estádio, como se nós não devêssemos estar ali. Mas nunca sofremos represálias”, explica. Carlos conta que a torcida acabou porque os próprios torcedores se desmotivaram. Em 2003, Raimundo chegou a anunciar a volta da torcida. Mas setores de dentro do próprio clube foram contra a ideia e a volta da Flagay não saiu do papel.

Exterior mostra bons e maus exemplos de tolerância no esporte

No exterior, alguns exemplos mostram que é possível as torcidas organizadas anti-homofobia crescerem no mundo do futebol. Na Grã-Bretanha, existe inclusive uma associação: trata-se da GFSN (Gay Football Supporters’ Network). A associação reúne torcedores de diversos clubes do arquipélago. A página oficial da associação divulga campanhas contra homofobia no esporte e também organiza eventos especiais como a liga de futebol LGBTT.

Por outro lado, homossexuais também sofrem no futebol internacional. Um dos casos mais conhecidos foi o da torcida do Zenit (Rússia), que pediu para o time não contratar gays. A torcida do time de São Petersburgo também é conhecida por diversas ações de intolerância contra negros e latinos.

Fonte: EBC

Comitê de Enfrentamento à Homofobia é instalado no Rio Grande do Sul Resposta

O Comitê Estadual de Enfrentamento à Homofobia foi instalado, na tarde desta sexta-feira (26), durante a audiência pública que tratou da criação do Sistema Nacional de Enfrentamento à Violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis (LGBTs) no auditório da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), em Porto Alegre. Composto por representantes dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, organizações não-governamentais e entidades representativas, o Comitê irá, entre outras ações, ajudar a construir o sistema nacional e coordenar a criação do Conselho Estadual de Enfrentamento à Homofobia.

Ao compor o colegiado, a secretária-adjunta da Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH), Maria Celeste, falou do esforço da SJDH, juntamente com secretarias municipais e a sociedade civil, para traçar políticas públicas para a comunidade LGBT. “Temos de dar o exemplo demonstrando que vamos aprovar o conselho estadual e ter uma lei clara quanto aos direitos da população LGBT, para que isso seja uma política de Estado e não uma política de governo. Vamos irradiar uma política construída com a população do RS”, disse.

Número de denúncias 

Antes de começar os debates sobre o Sistema Nacional de Enfrentamento à Violência contra LGBT, o coordenador geral de Promoção dos Direitos LGBT da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, Gustavo Bernardes, realizou uma apresentação das conquistas desse público ao longo dos anos e dos números de denúncias que chegam à SDH, principalmente pelo Disque 100.

Segundo Bernardes, no ano passado, a Secretaria recebeu 6,8 mil denúncias de violência contra gays, lésbicas, travestis e transexuais. Foram contabilizadas 1.713 vítimas e um total de 2.275 suspeitos. “O número de suspeitos bem superior ao de vítimas comprova que as agressões geralmente são em grupos que se organizam, muitas vezes, pelas redes sociais para atacarem. Por isso, é preciso ficar de olho”, alertou o coordenador.

Cento e noventa e oito dessas denúncias foram do RS. O Estado aumentou 241,3% o número de denúncias em relação a 2011, quando registrou 58 denúncias. Em todo o Brasil, o aumento foi de 265%. Os dados ainda demonstram que o perfil da maioria das vítimas é mulher, negra e na faixa etária de 14 a 19 anos. Em 2012, foram 278 homicídios.

RJ: Artista plástico e travesti dizem que foram vítimas de homofobia Resposta

O artista plástico Kléber Cardoso, de 56 anos, e o travesti Alexsandro da Cruz de Oliveira, a “Kelly”, de 25 Felipe Carotta

O artista plástico Kléber Cardoso, de 56 anos, e o travesti Alexsandro da Cruz de Oliveira, a “Kelly”, de 25 Felipe Carotta

O delegado titular da 88º DP (Barra do Piraí – RJ), José Mário Omena, disse nesta sexta-feira (26) que instaurou inquérito para apurar denúncia de um suposto caso de homofobia envolvendo o artista plástico Kléber Cardoso (56), e a travesti Kelly, nome social de Alexsandro da Cruz de Oliveira (25). Os dois alegam que estavam num bar, no distrito de Dorândia, também em Barra do Piraí, quando teriam sido chamados de “viadinhos” e expulsos do estabelecimento por um dos frequentadores. O delegado foi informado que o agressor seria um homem conhecido como Baiano.

De acordo com Kléber e Alexsandro, ao saírem do estabelecimento, o acusado de agressão bateu duas vezes na traseira do carro que era conduzido por Kléber. O policial disse que, pela versão do artista plástico, o agressor o agarrou pelo pescoço pela janela do carro e ele acabou batendo num barranco.

Segundo o delegado, no entanto, testemunhas informaram que a confusão não teria começado por motivação sexuais, mas porque o artista plástico estava visivelmente embriagado e teria batido no carro do acusado.

— Ele fez o teste do bafômetro, que indicou altos índice de embriaguez — disse Omena.

O artista plástico confirmou que tinha bebido, mas não estar embriagado. Ele confirmou que foi levado ao posto da Polícia Rodoviária Federal, passou pelo bafômetro e pagou fiança de R$ 700.

O artista plástico disse que chegou a ser medicado antes de ser levado para a delegacia. Ele reclamou ainda do descaso de policiais militares. O delegado disse que está ouvindo testemunhas, mas que, por enquanto, não vê, motivação homofóbica. Para o policial, o artista plástico pode ter sido vitima de lesão corporal, quando o autor agarrou seu pescoço.

— Fui informado que o artista plástico estava embriagado e bateu no carro do agressor, quando ele e o amigo saíram do bar. Mesmo assim, localizamos esse homem apenas como Baiano — disse o delegado.

Os dois moradores do distrito de Vargem Alegre tomaram a iniciativa de denunciar o caso ao Ministério Público, após serem incentivados por uma ativista de um Movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT).

Fonte: O Globo

Comitê de combate à homofobia será instalado no Amazonas 1

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Com a presença de integrantes da comunidade LGBT, o Comitê de Enfrentamento à Homofobia do Estado do Amazonas será lançado, na próxima segunda-feira (29), em Manaus. O lançamento será as 14h30 na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, SeccionalAmazonas, na Avenida Umberto Calderaro Filho, Zona Centro-Sul de Manaus.

Segundo o TJAM, o comitê terá integrantes do Fórum amazonense LGBT, Secretaria Estadual de Articulação de Políticas Públicas aos Movimentos Sociais e Populares (Searp) e Gerência de Promoção dos Direitos Relativos à Livre Orientação Sexual  vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh).

O objetivo do Comitê é garantir os direitos humanos de forma universal, indivisível e interdependente, assegurando a cidadania plena; a promoção e defesa dos direitos humanos do público LGBT; o enfrentamento à homofobia, o machismo e sexismo; a garantia da igualdade na diversidade; a prevenção e enfrentamento à violência homofóbica contra a população LGBT; além do fortalecimento dos princípios democráticos e dos direitos humanos.

Fonte: G1

Brasil resiste em ampliar direitos dos LGBTs Resposta

Casamento entre pessoas do mesmo sexo e tipificação do crime de homofobia não devem tão cedo virar realidade no Brasil

Casamento entre pessoas do mesmo sexo e tipificação do crime de homofobia não devem tão cedo virar realidade no Brasil

Casamento entre pessoas do mesmo sexo e tipificação do crime de homofobia não devem tão cedo virar realidade no Brasil. Bancada religiosa do Congresso é um dos empecilhos para que LGBTs tenham mais direitos. Depois de Uruguai e Nova Zelândia, a França se tornou o 14º país do mundo a legalizar, no final de abril, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas leis como esta, e a que penaliza os crimes de homofobia, estão, de acordo com especialistas, longe de se tornarem realidade no Brasil, também devido à ação da bancada religiosa no Congresso.

– A legislação para o grupo homossexual é praticamente inexistente. O que ocorre são pequenas normas isoladas que regulamentam questões mais pontuais, como por exemplo, o direito previdenciário – afirmou Suzana Viegas, professora de Direito Civil da Universidade de Brasília (UnB).

Mesmo com o reconhecimento da união estável homoafetiva pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio de 2011 considerado um avanço dos direitos dos homossexuais e bissexuais a garantia do casamento civil igualitário em âmbito nacional só será realmente possível após a aprovação de legislação específica pelo Congresso brasileiro.

Viegas explica que, mesmo tendo sido reconhecida a legitimidade da união homoafetiva pela mais alta corte brasileira, o STF, a sua conversão automática para o casamento depende do Judiciário de cada estado federal e, muitas vezes, prevalece o entendimento de que isso não é possível. “Claro que pode haver uma resistência desde o cartório até mesmo eventualmente de um juiz. Como não está padronizado no Brasil, isso gera uma insegurança jurídica muito grande.”

Tratamento contraditório

A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) disse que a decisão do STF foi uma vitória para a comunidade, mas que é necessário que se reconheça também o casamento entre pessoas do mesmo sexo, já que a união estável garante menos direitos do que o casamento.

Em alguns estados, como São Paulo, Piauí e Distrito Federal, é possível converter a união civil estável em casamento. “O país está muito aquém de outros países no âmbito internacional, principalmente na América Latina, quanto à legislação que garanta os direitos da comunidade homossexual”, acrescentou Carlos Magno, presidente da ABGLT.

A tipificação dos crimes de homofobia – popularmente conhecida como Projeto de Lei (PLC) 122/06 – foi aprovada pelos deputados e agora está na mão dos senadores. Esta é outra bandeira importante, segundo Carlos Magno. “Defendemos a aprovação da PLC 122/06, porque vivemos em um país com extrema violência [contra os LGBTs].”

Viegas afirma ainda que o crime de racismo é punido severamente, já a homofobia não tem o mesmo tratamento. “Há carência de regulamentação de direitos [dos LGBTs], que lhe são devidos como condição humana e para a dignidade. São coisas muito delicadas, que no Brasil estão sendo tratadas de maneira contraditória”, explicou Viegas, da UnB.

Bancada religiosa no Congresso é empecilho

Os parlamentares ligados a instituições religiosas já representam um quinto do Congresso brasileiro e especialistas dizem que as bancadas religiosas são uma das barreiras para a implementação das leis defendidas pela comunidade LGBT, como a do casamento entre pessoas do mesmo sexo e as contra a homofobia.

– Não são todos os religiosos, mas os que se aliam ao setor conservador da sociedade para barrar todas as nossas conquistas. Ao reconhecer direitos da comunidade, ninguém perde direitos. Além de não querer aprovar as nossas leis, alguns deputados têm apresentado projetos, por exemplo, que instituem casas de recuperação para homossexuais – criticou Carlos Magno, da ABGLT.

Viegas se diz preocupada ao ver que o deputado federal Marco Feliciano ainda está à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados (CDH). “Isso é sinal de que as coisas não vão bem. Ele foi eleito legitimamente para o cargo. Não é obrigatório estar no lugar um militante dos direitos dos homossexuais, mas sim uma pessoa mais consciente, de forma geral, dos direitos de grupos sociais mais vulneráveis.”

O professor de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Antonio Carlos Malheiros, diz que o Congresso não deve estudar em breve a legislação sobre casamento homossexual, já que é um assunto sensível e que tira muitos votos dos parlamentares.

– A situação estará completamente resolvida, não por legislação, mas sim pela normatização [da união estável em casamento] pelas Corregedorias-Gerais de cada estado brasileiro. Eu tenho minhas dúvidas se esse tema iria ser aprovado pelo Congresso, pelo fato de grande parte da sociedade não aceitar a questão e o legislador não querer se envolver nela – concluiu Malheiros.

*Informações: Correio do Brasil

MP-RS recebe denúncias de agressões e homofobia no bar Pinguim Resposta

Dono do estabelecimento não compareceu a audiência pública sobre o caso | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Dono do estabelecimento não compareceu a audiência pública sobre o caso | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Os casos de clientes que relatam terem sido agredidos no bar Pinguim, na Cidade Baixa, em Porto Alegre, chegaram ao conhecimento do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS). Nesta quinta-feira (25), a Comissão de Defesa do Consumidor e Direitos Humanos da Câmara Municipal (Cedecondh) entregou formalmente a denúncia à Promotoria de Defesa dos Direitos Humanos. O proprietário do bar e a Secretaria Municipal de Produção, Indústria e Comércio (Smic) podem ser vistoriados nos próximos dias. A intenção é ouvir o dono do estabelecimento, que não compareceu na audiência pública realizada no legislativo em março, e obter respostas da Prefeitura sobre a não autuação do bar.

Denúncias contra bar Pinguim geram representação junto ao Ministério Público do Rio Grande do Sul

A denúncia foi entregue pela presidente da Cedecondh, vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), à diretora da Promotoria de Defesa dos Direitos Humanos do MP-RS, Christianne Pilla Caminha. A reunião foi acompanhada por um representante das vítimas e representantes dos movimentos sociais. “Os casos foram ouvidos pela Cedecondh em março e comprovam uma prática recorrente de violações por parte do estabelecimento. Uma das denúncias é de homofobia e outro envolve agressões pelo não pagamento da taxa de 10% sobre os serviços do bar”, explica Fernanda Melchionna.

Denúncia foi levada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara, ONG Somos, coletivo Juntos Pelo Direito de Amar e Ítalo Cassará, uma das vítimas de agressões no bar Pinguim | Foto: Nina Becker

Denúncia foi levada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara, ONG Somos, coletivo Juntos Pelo Direito de Amar e Ítalo Cassará, uma das vítimas de agressões no bar Pinguim | Foto: Nina Becker

Foram anexados boletins de ocorrência registrados pelas vítimas e foi relatada à promotora a omissão da Smic na prestação de esclarecimentos sobre a fiscalização no bar Pinguim. “Tem o artigo 150 da Lei Orgânica Municipal que permitiria notificar o estabelecimento e até cassar o alvará com casos recorrentes de violação dos direitos humanos. Não recebemos até hoje a resposta do poder público. Uma postura de omissão do governo municipal”, considera a vereadora.

A Promotoria de Defesa dos Direitos Humanos irá analisar a abertura de inquérito civil sobre os casos de homofobia. As denúncias de agressões físicas serão encaminhadas à Promotoria Criminal e as acusações de más condições de trabalho dos funcionários do bar ao Ministério Público do Trabalho. A não fiscalização da Smic no estabelecimento e a denúncia sobre o uso ilegal das mesas nas calçadas após o horário estipulado pela Lei do Silêncio serão encaminhadas para a Promotoria da Ordem Urbanística.

Fonte: Sul 21

Homofobia será tema de enredo de escola de samba em São Paulo Resposta

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O engajado Grêmio Recreativo Cultural e Beneficente Escola de Samba Em Cima da Hora Paulistana, de volta ao Carnaval após dois anos de afastamento, já abordou enredos sobre as cotas universitárias para os menos favorecidos e o preconceito racial, definiu o tema que irá embalar a sua próxima a apresentação: homofobia

Para disputar o título do grupo 4, organizado pela União das Escolas de Samba Paulistanas, Uesp, na Vila Esperança, a “Coruja do Samba”, comandada por Jair Santos levará para a avenida o enredo “Homofobia é Crime…Amai-vos uns aos Outros…como eu vos amei”.

Segundo o presidente da escola sediada no Grajaú, zona sul de São Paulo, objetivo do desfile será abraçar aqueles que se sentem discriminados, agredidos e humilhados, simplesmente por amar diferente das tais convenções sociais e religiosas.

“Novamente traremos um tema polêmico, porém, necessário de ser colocado as claras, pois a nossa agremiação não se intitula defensora da classe GLSBT, mas sim defendemos a vida humana como majoritária em qualquer situação, contra violência de qualquer gênero ou natureza”, afirma Jair.

A pretenção da diretoria da agremiação é mostrar que a homofobia tem que ser criminalizada por leis que inibam, coibam e punam agressores, assassinos e intolerantes.

“A intenção de nossa agremiação não é defender, ou levantar bandeira alguma. Queremos gritar contra a homofobia, com leveza, sem atacar ninguém, mas ao mesmo tempo levantando a discusão de que não são religiosos, políticos ou seja lá quem for que tem a sabedoria máxima para condenar qualquer forma de amar. Repugnamos qualquer tipo de preconceito”, explica.

Embalado pela magia do Carnaval, Jair revela detalhes que estão sendo preparados para o desfile.

“A luta contra a intolerância será retratada na comissao de frente. As alegorias retratarão personalidades brasileiras declaradamente gays e bisexuais. Vamos fazer menção a sábios pensadores e grandes homens da humanidade que tinham uma opção sexual diferente do que se classifica erroneamente, como nornal. Destaco também a citação do primeiro homofóbico da humanidade em uma ala e a presença de personalidades do universo gay paulistano que lutam contra o preconceito. Finalizaremos com a alegre e já tradicional celebração da parada gay enfatizando que estas pessoas, são seres humanos, brasileiros quem pagam impostos na mesma carga tributária que qualquer cidadão brasileiro”, finaliza.

Breve a diretoria da Em cima da hora paulistana divulgará detalhes sobre o processo de criação do samba-enredo e eventos temáticos que irão movimentar a quadra de ensaio nos próximos meses.

*Informações SRZD

Iniciativa da Nike promete por homofobia em cheque no esporte Resposta

Liz Carmouche: "Nike, se vocês estão procurando uma atleta gay para patrocinar, eu sou a primeira assumida do UFC. Lutei no primeiro combate feminino do mundo"

Liz Carmouche: “Nike, se vocês estão procurando uma atleta gay para patrocinar, eu sou a primeira assumida do UFC. Lutei no primeiro combate feminino do mundo”

A legalização do casamento gay na França — o país é o 14º a aprovar a união entre pessoas do mesmo sexo — tornou-se mais um passo na busca para acabar com a homofobia pelo mundo. O esporte também trava a sua batalha contra a discriminação. Gay assumido, Rick Welts, presidente do Golden State Warriors, time da NBA, contou em entrevista à gigante da comunicação Bloomberg que a Nike — maior patrocinadora esportiva do planeta — tem apoiado iniciativas de revelação de homossexualidade em público. De acordo com ele, a empresa colocaria em foco as oportunidades positivas que poderiam aparecer a partir disso.

A declaração de Welts à imprensa tem repercutido muito entre atletas. Tanto que a pioneira no UFC feminino Liz Carmouche se apressou em reforçar no twitter ser homossexual. Ela disse que adoraria um novo patrocínio. Na rede social, a lutadora escreveu: “Nike, se vocês estão procurando uma atleta gay para patrocinar, eu sou a primeira assumida do UFC. Lutei no primeiro combate feminino do mundo”. Carmouche, entretanto, não está sozinha nas artes marciais mistas. A transexual Fallon Fox já causou polêmica. Alguns acreditam que ela deveria lutar na categoria masculina, enquanto outros defendem a atuação na categoria feminina.

O especialista em marketing esportivo Paulo Henrique Azevedo define a estratégia da Nike como 90% mercadológica e 10% social. “Pessoas favoráveis a esses movimentos estarão mais simpáticas à empresa, que pode vender mais, mas não sei em que medida isso pode ser um benefício para atletas”, analisa. De acordo com ele, a marca pode, inclusive, acabar financiando a carreira de competidores heterossexuais que se proclamarão gays apenas para conseguir patrocínio.

Na opinião de Azevedo, ser talentoso ainda é suficiente para se obter o patrocínio de uma grande marca. “Se eles apoiarem um atleta ruim que se assumiu gay, isso é puramente mercadológico. O que eles querem é patrocinar alguém que fidelize o cliente”, diz. Os benefícios, de acordo com o especialista, ficam apenas para a empresa. “Talvez alguns atletas não estejam bem em esconder a homossexualidade, mas eu realmente não entendo como uma pessoa pode se beneficiar com a jogada da Nike.”

Anonimato

Enquanto para esportistas assumir a condição de gay tem se tornado cada vez mais comum, o mesmo não acontece entre os torcedores. O anonimato tem sido usado por eles para criar perfis no Facebook com o objetivo de combater o preconceito. Tudo começou com a página “Galo Queer”, no ar há cerca de duas semanas. “Fui ao estádio e fiquei muito incomodada com a naturalidade com a qual a homofobia é tratada e praticada”, conta a criadora do perfil, que não quis se identificar.

O que ela não imaginava era que tantas mensagens de amor e ódio iam se propagar tão rapidamente a partir da sua página. O perfil tem 5 mil curtidas e deu origem a pelo menos mais 10 do gênero. “Ficamos muito felizes de ver que o movimento se espalhou. Pelo visto, havia uma demanda reprimida de um movimento como esse”, explica a internauta. Se por um lado o incentivo anima, por outro, a violência ainda assusta. “Foram muitas as mensagens de ódio, muitas ameaças.”

A ideia é que o movimento chegue aos estádios e às torcidas organizadas. “Temos que fazer isso de forma segura, então, acreditamos que esse ainda não é o momento. Trabalhar a questão com o clube também está entre as nossas vontades. Vamos ver se dá certo”, comenta.

Se uma página chamada “Galo Queer” já criou tanta controvérsia, imagine a “Bambi Tricolor”, criada por uma são-paulina para combater o preconceito contra torcedores da equipe do Morumbi. No perfil, Aline — que prefere não divulgar o sobrenome — escreveu: “Se, até agora, Bambi foi um apelido usado para discriminar, por que não adotá-lo com orgulho e desarmar o preconceito?”

Aline conta que não tem sido fácil administrar as reações dos torcedores. “Tem gente achando que eu sou corintiana, ofendendo, mas acho que foi muito positivo o uso da palavra ‘Bambi’. É um jeito de neutralizar as ofensas”, comenta a professora. Ela se diz assustada com a violência nos estádios. “Senti na pele a homofobia naturalizada. A aversão está lá. O futebol ainda é machista e homofóbico.”

Para o criador da página Bahia Livre, que também não quis se identificar, o anonimato ajuda na hora de promover uma torcida sem homofobia. “É um ambiente que dá segurança para iniciar essa luta, mantém o anonimato dos integrantes, mas uma hora precisaremos nos organizar presencialmente”, afirma.

Opinião

A iniciativa da Nike é excelente, pois incentivar atletas a saírem do armário é dar exemplo à sociedade de que os LGBTs são seres normais, como os heterossexuais. Esses atletas também servirão como exemplo para milhares de pessoas que sofrem discriminação e como referência a jovens e crianças LGBTs.

Polícia descarta homofobia no assassinato de técnico judiciário de Umuarama (PR) Resposta

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Depois de uma série de investigações, a Polícia Civil de Umuarama (PR) não cogita a possibilidade de o técnico judiciário da Justiça Federal, Antônio Marcos da Silva, ter sido morto por homofobia. Essa ideia é descartada porque, segundo os policiais que investigam o caso, ele era usuário de drogas e os principais indícios são de que a vítima tinha débitos com traficantes. Antonio foi morto na madrugada de domingo para segunda-feira (22), com seis tiros, na Estrada Pavão – zona rural da cidade.

Em depoimentos prestados, a família confirmou à polícia que Antonio era usuário de drogas. Conforme informações repassadas por funcionários da Justiça Federal, Antonio Marcos estava licenciado do cargo há alguns meses, por motivos de dependência química. Ele era gay assumido e já havia participado da organização de diversos eventos em defesa dos direitos humanos, na cidade.

“Não levamos em consideração o fato de ter sido um crime motivado pela opção (sic) sexual dele”, explicou o delegado de homicídios da 7ª Subdivisão Policial (SDP) de Umuarama, Fernando Ernandes Martins. De acordo com o oficial, as investigações estão avançadas e já há identificação de suspeitos que possam ter praticado o crime. “Algumas pessoas que estiveram com Antonio no dia do assassinato já foram ouvidas, no entanto, é preciso aprofundar melhor os fatos”,

Além da orientação sexual, a polícia também constatou que não houve relação do irmão dele no assassinato. Esta hipótese foi levantada, a princípio, porque horas antes do crime a vítima teria aberto um boletim de ocorrência (B.O.) contra o irmão. “Verificamos o B.O., mas a denúncia não consolida uma suposta tentativa de homicídio.”

Fora o irmão de Antônio, o mototaxista que levou a vítima até a 7ª SDP para efetuar o boletim também deve prestar depoimentos. O carro do técnico judiciário federal, um Pálio (placas AXC – 2606, de Umuarama), deve ser periciado. A expectativa dos investigadores é que sejam encontrados novos indícios, dentro do veículo, que possam confirmar a suspeita da polícia. O nome do irmão e do mototaxista não foi divulgado.

Entenda o caso

No último domingo (21), o técnico judiciário federal trafegava com o Pálio na região da Rodoviária de Umuarama, quando o veículo apresentou problemas mecânicos. Foi então que Antônio ligou para o irmão pedindo ajuda. No local, os dois discutiram e acabaram se agredindo fisicamente.

Após o desentendimento, Antônio usou um mototáxi para ir até a 7ª SDP onde registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal e ameaça. Após deixar a delegacia, a vítima desapareceu. Na manhã do dia seguinte, o corpo foi encontrado na Estrada Pavão por algumas pessoas que passavam pelo local.

Junto ao corpo de Antônio, um isqueiro e uma lata de cerveja com furos para a consumação de crack foram encontrados por peritos do Instituto de Criminalística de Umuarama. Após a localização do corpo, investigadores do GDE voltaram à Estação Rodoviária para procurar o carro de Antônio Marcos, no entanto, o Pálio só foi encontrado horas depois, em uma tornearia na região sul de Umuarama, próximo ao Jardim São Cristovão, com um dos pneus furado.

Diarista diz que foi demitida de casa de família por homofobia em Piracicaba Resposta

Diarista diz que é demitida de casa de família por homofobia em Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)

Diarista diz que foi demitida de casa de família por homofobia em Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)

Uma mulher que trabalha como diarista em Piracicaba (SP) afirma que foi demitida de uma das casas onde trabalhava uma vez por semana, há seis anos, por homofobia. De acordo com ela, que não quis se identificar, a patroa teria tomado a decisão depois que a cozinheira, que trabalha no mesmo local, contou à chefe sobre a homossexualidade da colega.

A mulher afirma ter sido difamada pela cozinheira em um supermercado, na noite do último sábado (20), dois dias antes de ser demitida. “Fui ao mercado e o irmão dela estava lá. Logo depois, ela chegou com várias pessoas e me xingou, falando palavrões e chamando de sapatão. Neste dia gritou que iria falar para minha patroa sobre a minha opção (sic) sexual e que iria pedir a ela para me mandar embora”, conta a vítima ao portal G1.

Na segunda-feira (22), a diarista recebeu a ligação da patroa. “Ela disse que estava me dispensando porque eu não poderia mudar de dia de trabalho, pois eu presto serviços em outras casas. Mas tenho certeza que foi porque a outra funcionária contou a ela que sou gay. Não tem outro motivo. Eu trabalhava há muito tempo, às quartas-feiras, e nunca tive problemas”, ressaltou a mulher.

A diarista procurou o plantão policial e fez um boletim de ocorrência na terça-feira (23) contra a difamação feita pela companheira de trabalho no supermercado. No documento também foi registrado a dispensa do trabalho.

Segundo a vítima, o problema com a outra funcionária começou há cinco meses. “Ela sempre soube da minha opção (sic) sexual, mas quando comecei a namorar a perseguição iniciou. Até nas minhas coisas ela mexeu recentemente”, contou a vítima.

Agressora e patroa negam

G1 conversou por telefone com a cozinheira, suspeita das agressões verbais, mas ela não quis se pronunciar sobre o caso. Disse apenas que conversou com a patroa e pediu para dispensar a colega de trabalho depois de ter sido ameaçada pela namorada da diarista.

Já a patroa, que também não quis se identificar, disse que não dispensou a diarista por ela ser lésbica. “Eu conversei bastante com ela e expliquei que a decisão era por causa da mudança de dia de trabalho, que ela não poderia cumprir. Mas não tenho nada contra ela, pelo contrário, sempre gostei do seu trabalho. Ela é uma excelente funcionária.”

Opinião

É urgente a necessidade de o Senado discutir e aprovar o PLC 122/06. Até quando lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais estarão vulneráveis no Brasil?

‘Fiquei muito revoltada’, afirma mãe de bissexual que diz ter apanhado

Maisson registrou em fotos as agressões ocorridas em Cascavel (Foto: Arquivo pessoal)

Maisson registrou em fotos as agressões ocorridas em Cascavel (Foto: Arquivo pessoal)

“Fiquei muito revoltada quando soube que bateram no meu filho” disse Doraci Lira, 42 anos, mãe do rapaz que afirma ter sido agredido em Cascavel, no oeste do Paraná, por ser bissexual. Maisson Dyeimes Portes, de 19 anos, que é recepcionista de um hotel da cidade, fez os exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Cascavel na manhã desta quarta-feira (24). O laudo que deve ficar pronto em 15 dias será anexado ao inquérito policial.

As imagens da agressão sofrida no dia 20 no Terminal Urbano Leste devem ajudar na identificação dos responsáveis. “Já solicitamos as imagens da Cettrans [Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito] e devemos tê-las ainda na tarde desta quarta-feira”, comentou o delegado. “Mas isso não é garantia de que possamos por meio delas identificar os envolvidos”, adiantou o delegado Luís Rogério Sodré, responsável pelo caso.

De acordo com a mãe, o filho sempre foi tranquilo e nunca se envolveu em confusão. “Quando soube da primeira agressão [no dia 13] pedi para ele tomar cuidado e que o melhor seria, pelo menos nos fins de semana, que ele voltasse para casa de moto-táxi. Mas ele falou que não mudaria a rotina por causa dos agressores”, lembra ao ressaltar que a orientação sexual das pessoas não é motivo para que sejam agredidas.

Ameaças

O jovem contou ao portal G1 que o primeiro ataque aconteceu no dia 13, também no Terminal Urbano Leste, quando um homem se aproximou e começou a xingá-lo. “Ele atirou um copo na lotação [ônibus] e quebrou o vidro. O motorista teve que parar o ônibus e eu desci. Ele desceu também e nós brigamos.” Na ocasião, Portes ficou com um arranhão no rosto.

No sábado (20), Portes voltava do trabalho por volta das 23h15 e, novamente, foi agredido pelo mesmo rapaz e outro amigo dele. “Eu desci do ônibus e estava ele e mais quatro amigos dele me aguardando. Eu passei e nem olhei, já para não ter motivo. Daí, ele me chamou para conversar e viu que eu não queria brigar. (…) Ele me xingou de novo e me agrediu.”

Portes disse que pessoas que estavam no local seguraram os agressores, que fugiram. Em seguida, a vítima registrou um Boletim de Ocorrência. Ainda segundo a vítima, esta foi a primeira vez que as agressões se tornaram físicas. “De chegar a agressão física foi a primeira vez, mas verbal é frequente”, afirmou.

Entenda como os políticos evangélicos impedem avanços progressistas no Brasil 4

evangélicos

Na última sexta-feira (12), na sede da Primeira Igreja Batista de Campo Grande (MS), um exército de homens de terno e gravata com Bíblias a tiracolo se reuniu para um evento. Não era propriamente um culto. Entre os 350 pastores havia 25 parlamentares, como a vereadora Rose Modesto (PSDB), liderança da bancada evangélica local e autora da lei que obriga o poder público a apoiar eventos evangélicos. Herculano Borges (PSC), que aprovou projeto para proibir a instalação de máquinas de preservativos nas escolas, e Alceu Bueno (PSL), opositor do reconhecimento de uma associação de travestis como de utilidade pública, também vieram. Mas o nome mais aguardado era o do pastor Wilton Acosta. Ali para abrir o Encontro Estadual de Lideranças Evangélicas, o presidente do Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política (Fenasp) prestigiava ao mesmo tempo a criação da Frente Parlamentar Evangélica da cidade. Daí os melhores pastores locais estarem dispostos em fila, como soldados da batalha maior: “Alinhar os evangélicos para disseminar valores cristãos por meio de leis políticas públicas”.

O evento é sinal de um fenômeno bem maior. Enquanto os holofotes da sociedade civil e da imprensa focam na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, desde o mês passado presidida por um pastor, Marco Feliciano (PSC-SP), que já fez declarações homofóbicas, racistas e machistas, um processo mais silencioso se alastra pelo País. Nos moldes da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso, com seus 73 parlamentares, o número de bancadas evangélicas em assembleias legislativas e câmaras municipais, em capitais e cidades do interior, tem disparado. Já há frentes parlamentares evangélicas (FPEs) organizadas em 15 estados brasileiros, a maioria criada desde 2012. São mais de cem os deputados estaduais evangélicos organizados. Já o número de FPEs nos municípios é difícil de calcular. “A expectativa é passar de 10 mil vereadores evangélicos”, garante Acosta.

Espécie de tutor do movimento, o pastor coordena um levantamento dos parlamentares ligados à causa em todo o Brasil. Prestes a entrar num voo para o Acre, ele afirma: “O objetivo é verticalizar a pauta parlamentar nacional, aprovando leis em todas as assembleias e câmaras. Todas”. Com oratória fluida e vertida em termos jurídicos, Acosta explica como deve instalar um braço da Associação de Parlamentares Evangélicos do Brasil (Apeb) em cada cidade. “Já temos 15 coordenações estaduais. Logo serão 28. Cada coordenador tem a missão de instalar uma unidade em toda cidade de seu estado. Hoje, quando detectamos um projeto contra nossos valores, contatamos o parlamentar para agir. Mas leva tempo. No futuro será automático.”

*Leia matéria completa na Edição 745 de CartaCapital, já nas bancas

Prefeito de Lins (SP) sai do armário publicamente e fala de homofobia na vida pública Resposta

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Edgar, de 34 anos, mantém relação há nove anos com Alex, de 31 anos (Foto: Divulgação / Edgar de Souza)

 

O prefeito de Lins (SP), Edgar de Souza (PSDB), foi o único candidato homossexual assumido a se eleger nas eleições de 2012 em todo o país ao cargo de chefe do Executivo, segundo levantamento da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). Sociólogo formado, ligado à igreja católica e à teologia da libertação, o prefeito começou cedo na política. Em entrevista ao G1, Edgar contou que, apesar dos ataques dos adversários na campanha do ano passado, sua trajetória na vida pública foi o principal motivo para obter 53,23% dos votos válidos e garantir a eleição.

“Hoje sou muito feliz. Extremamente feliz. Por que se incomodar com a sexualidade alheia? Quem tem convicção da sua não se incomoda com a do outro. No que a minha sexualidade te atrapalha? Essa invasão da vida íntima das pessoas é feita de forma pejorativa. Dizem que sou anormal. Eu sou normal, não sou azul, não tenho três braços. Na vida pública a gente preza pela transparência, não fazia sentido esconder quem eu amo e quem eu respeito”, afirma.

Atualmente com 34 anos, Edgar começou a conquistar a confiança da população aos 21 anos, com o início do primeiro mandato como vereador. A homossexualidade, no entanto, ainda não era declarada. De lá para cá, ele seguiu como vereador por outros dois mandatos consecutivos até sair candidato a prefeito no ano passado.

Em 2004, na reeleição para vereador, surgiram os primeiros comentários sobre sua posição sexual. Mas não tão forte quanto na eleição para a cadeira principal da prefeitura. A questão da homossexualidade só foi abordada por ele em público na campanha durante o último comício antes do pleito municipal. Ele falou no palanque: “Eu não tenho que esconder com quem eu vivo, quem eu amo. Se eu esconder, não mereço ser prefeito de vocês. Deus me ama como homossexual”.

Já sua vida íntima sempre foi usada para receber ataques dos adversários. Segundo Edgar, os políticos tentaram usar sua opção sexual para atrapalhar a candidatura. “Nunca usei a homossexualidade para levar uma bandeira e tudo o que eles tentaram fazer caiu por terra. Minha opção não define meu caráter e meus votos foram devido à minha história política.”

Na campanha, ele afirmou que a sexualidade não era relevante para o processo eleitoral. Mas para os concorrentes, sim. “Estão rolando dois inquéritos na polícia sobre panfletos distribuídos com fotos minha com meu companheiro. Foram enviados pelos Correios de 5 mil a 10 mil cartazes. No material tinha uma foto minha com Alex. Ele com a cabeça deitada no ombro e com vários corações.”

Outra ataque político conseguiu ser interceptado às véspera do dia da votação. “É comum que panfletos sejam distribuídos nas ruas. Equipes trabalharam na madrugada para evitar que o panfleto fosse espalhado. Tratava de um panfleto com minha foto como uma drag queen, com uma peruca horrorosa.”

Hoje, depois de mais de 100 dias à frente do comando da cidade, Edgar afirma que só pensa em um futuro melhor para a população de Lins. Como chefe do Executivo, ele fala que vai dar sua cara na administração, mas brinca que não vai pintar as ruas de cor-de-rosa. “Não vou pintar as ruas de rosa. Não tem a menor possibilidade de laço ou de rosa. E o rosa não é a cor do movimento gay: é colorido. Quero fazer uma administração moderna e fazer a cidade dar um salto de qualidade. Lins tem um potencial logístico extraordinário. Você não faz nada de bom se você não pensar grande. Não posso mudar o Brasil, mas esse pedacinho do país vai ser mudado.”

Adolescência

O prefeito contou que sofria demais quando tinha relação com algum homem ainda na adolescência. A primeira relação sexual foi com um rapaz aos 14 anos. “Na hora tem o desejo, mas depois vinha a carga religiosa, a carga moral. Era um sofrimento danado. Chegava em casa chorando. Tomava banho e esfregava o braço até quase sair a pele. Ficava sentindo o cheiro da pessoa e me virava o estômago. Em programas de televisão que discutiam a homossexualidade, as pessoas falavam que se libertavam aos 19 anos. E daí eu falava que precisava me curar. E por coincidência ou algo que a própria mente projetou, aos 19 anos eu me assumo também pra mim. Sair do armário não tem que ser para os outros. Tem que ser para você. Esse é o grande passo porque você rompe a barreira da depressão, do sofrimento”, avisa.

Edgar de Souza afirma que também fez sexo com mulheres. A primeira vez, aos 16 anos. Atualmente, o prefeito de Lins tem uma relação estável há 9 anos com outro homem, Alex, de 31 anos. Os dois trocaram alianças depois da eleição no ano passado e moram juntos em uma casa com dois meninos, de três e dois anos, além da mãe das crianças. Elas foram adotadas depois de um problema com o pai, que é dependente químico.

Religião

Na vida pública, Edgar sofreu preconceito dentro da igreja, mas ele diz que está com a consciência tranquila. “A minha formação cristã fez eu reconhecer que Deus me ama como homossexual. Dentro da igreja sempre tive a consciência muito tranquila. Tive um problema de embate pessoal com a doutrina quando houve a publicação de um documento do Vaticano do Papa Bento XVI, que falava que os homossexuais não poderiam atender ao sacerdócio. Mas a vivência nas comunidades é muito maior do que isso.”

A opção sexual dividiu seus apoiadores religiosos na campanha eleitoral. “Durante a campanha tive apoio de vários pastores e de muitas igrejas evangélicas. Não podemos generalizar. Obviamente também tiveram vários pastores que foram contra por conta da minha homossexualidade. Também tiveram católicos mais conservadores que acham que a homossexualidade é um problema.”

Marco Feliciano

O deputado e pastor Marco Feliciano (PSC), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara (CDH) e é alvo de protestos por todo o país, também deixou o prefeito de Lins indignado com algumas declarações. “Me senti muito ofendido quando o Marco Feliciano colocou no Twitter que o destino da criança criada por casais homoafetivo é ser vítima de pedofilia. É uma idiotice que não tem tamanho. A maior parte de casos de pedofilia acontece em relações heterossexuais, porque a maior parte das pessoas é hetero. Larga a mão de ser idiota falar uma coisa dessa. Ele coloca todo mundo sob suspeição. Sabe aquela coisa, se na rua tem um traficante todo mundo se torna traficante.”

Apoio nas ruas

Nas urnas, Edgar de Souza conquistou 53,23% dos votos válidos. E nas ruas da cidade, os moradores não se incomodam com a homossexualidade do prefeito. O que eles querem é avaliar o trabalho como administrador de Lins. “Acho que não tem nada a ver. Cada um faz aquilo que gosta. Ele é um cara que veio da roça e uma pessoa muito boa. Esperamos que ele faça o bem para a cidade”, disse o funcionário público aposentado, Sebastião Germano da Silva.

Outra moradora também é a favor de discutir apenas o desenvolvimento da cidade. Para a garçonete Tânia Aparecida Rodrigues, a opção sexual de Edgar não deve ser envolvida com a condição de prefeito. “Jamais vai atrapalhar ele na prefeitura. Não interfere nas coisas da cidade. Queremos que ele faça Lins crescer. A opção sexual é um assunto particular. A cidade inteira sabe que ele é gay.”

Fonte: G1

Ator Jackie Chan participa de campanha contra a homofobia 4

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O ator Jackie Chan (59) “saiu do armário”. Bem humorado, o chinês participou de uma ação do grupo Aliança Gay e Lésbica contra a Difamação (GLAAD), que combate o preconceito e promove o respeito à diversidade sexual.

Durante as gravações, o ator teve a ideia de fazer um trocadilho com o termo e, literalmente, sai do armário, sorrindo. Em seguida, o ator diz: “Eu sou Jackie Chan. Eu estou saindo do armário por aqueles que lutam pela igualdade”.

Antes da ação de abrir as portas do armário, Jackie diz que “não basta falar sobre aqueles que lutam pela liberdade e pela igualdade”, reforçando que ele “está com essas pessoas e quer que elas lutem”. O ator diz ainda uma frase de duplo sentido. “Acreditem em mim. Eu luto muito”, brinca.

Este não é o primeiro artista a participar da campanha. Atores como Jason Alexander, Jamie King, Tamala Jones, Sarah Shahi e Kristen Johnston também participaram de ações do GLAAD.

Veja o vídeo:

Centro de Combate à Homofobia preocupado com 11 mortes de homossexuais em Pernambuco, só em 2013 Resposta

O ator e produtor Marcelo José da Silva, 39 anos, foi encontrado morto sem roupas e com lesões na cabeça na Praia de Enseada dos Corais, no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife,

O ator e produtor Marcelo José da Silva, 39 anos, foi encontrado morto sem roupas e com lesões na cabeça na Praia de Enseada dos Corais, no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife,

Só nestes primeiros meses de 2013 Pernambuco registrou 11 assassinatos de homossexuais. O Centro Estadual de Combate à Homofobia (CECH) avalia que muitos destes – senão todos – podem ter sido movidos por homofobia. Preocupados, tentarão estreitar diálogos com a Secretaria de Defesa Social (SDS) para formação de policiais.

O destaque negativo dos homicídios é o município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, com maior número de ocorrências. A última vítima foi o ator Marcelo José da Silva, de 39 anos, morto a facadas na praia de Enseada dos Corais.

Por conta dos números, uma audiência pública será realizada pelo CECH em parceria com a Prefeitura do Cabo e o Fórum LGBT de Pernambuco, para discutir formas de atuação e prevenção a este tipo de violência.

“O CECH acredita na parceria com o movimento LGBT de Pernambuco e o diálogo permanente com o fórum para disseminação da temática na demais regiões do estado”, diz o coordenador do centro, o advogado Rhemo Guedes, esperançoso numa conscientização da população.

Formação de Policiais

Um dos trabalhos que pode ajudar no combate à homofobia e detecção de ocorrências é a formação continuada dos policiais acerca da temática e do diálogo com o segmento LGBT. O CECH avalia que o trabalho junto à Secretaria de Defesa Social (SDS) amplia a perspectiva da formação dos policiais nas discussões acerca dos homicídios.

De acordo com o coordenador do CECH, o advogado, Rhemo Guedes, o centro entende os casos como homofobia, por conta da vulnerabilidade LGBT frente ao preconceito e discriminação da sociedade.

“Nas formações com a polícia iremos orientar como dialogar com o segmento no sentido da prevenção e solução dos crimes. A ideia do Centro é atuar na prevenção”, diz Rhemo.

A homofobia pode ser apontada como resultado direto da exclusão social e da negação de direitos assegurados à população LGBT, tornando o grupo mais vulnerável a crimes que colocam em risco sua vida e integridade.

Segundo o corrdenador do CECH, o isolamento e invisibilidade da população LGBT representam outros fatores que colocam a vida em risco. “Os homossexuais sentem-se proibidos de exprimir seus sentimentos em público”, queixou-se. “Enxergamos a homofobia como um problema público de justiça e cidadania entre sociedade e governos”, completou.

Secretaria de Direitos Humanos apresenta proposta contra homofobia Resposta

Uma proposta de novo texto para o projeto de lei que quer criminalizar a homofobia, foi entregue no Senado pelo Conselho LGBT, órgão que integra a estrutura da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH). A iniciativa tem a chancela da SDH, segundo a assessoria de imprensa da própria secretaria. O projeto tramita desde 2006.

Nos últimos anos, virou alvo de intensa polêmica que separa, de um lado, militantes de direitos humanos e dos direitos LGBT e, do outro, principalmente congressistas evangélicos. O projeto está, atualmente, na Comissão de Direitos Humanos do Senado. Foi para o relator do projeto nesta comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), e para a senadora Ana Rita (PT-ES) que a proposta de texto, na forma de um substitutivo ao projeto original, foi entregue.

A proposta do conselho estabelece uma lei própria contra crimes de ódio e intolerância praticados “por discriminação ou preconceito de identidade de gênero, orientação sexual, idade, deficiência ou motivo assemelhado”. Ou seja, o projeto dilui a homofobia entre crimes contra outras ditas minorias – e não mais acrescenta novos artigos à lei contra crimes raciais.

Diálogo

Estratégia semelhante foi traçada no passado, mas não houve sucesso na aprovação final do projeto. Gustavo Bernardes, presidente do Conselho LGBT, diz que a ideia é se mostrar aberto ao diálogo com os segmentos contrários ao projeto. Uma concessão feita foi explicitar que não a manifestação de afetividade pode ser negada em templos.

Assim, diz a proposta, constitui crime de intolerância “impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade, identidade de gênero ou orientação sexual em espaços públicos ou privados de uso coletivo, exceto em templos de qualquer culto, quando estas expressões e manifestações sejam permitidas às demais pessoas”.

Bernardes se disse otimista após a conversa com o senador Paim. Prazo Paim afirma que a intenção é construir consensos para conseguir aprovar o projeto no Senado e na Câmara até o final de 2013. O relator diz que recebeu a proposta do conselho da mesma forma como recebeu outras e explica que vai dialogar, também, com a bancada evangélica.

A ideia é estruturar o projeto “na linha de combater o ódio, a violência, a homofobia, e assegurar a liberdade da orientação sexual de cada um”. O senador diz acreditar que é possível construir consenso sobre a proposta, apesar de isso não ter sido alcançado até hoje. “Ninguém prega o ódio e a violência”, argumenta ele. Em 2012, apesar de receber aval extra-oficial do Palácio do Planalto, o projeto de criminalização da homofobia não avançou.

Fonte: Folhapress

Opinião

É simples, se você não dissemina o ódio, não é homofóbico, não há motivo para se preocupar com o PLC 122/06, afinal de contas, ele visa proteger uma parcela da população vulnerável e vítima de muita violência.

MTV lança vinhetas contra homofobia e anuncia documentário sobre o tema Resposta

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A MTV sempre tomou posições em relação à temas espinhosos como sua campanha para a prevenção da aids, em uma época que a doença era vista por grande parte da população mundial como “peste gay” no meado dos anos 1990. Neste mês, eles lançaram vinhetas contra a homofobia com depoimentos de famosos do mundo da música e das artes se posicionando contra a violência em relação aos LGBTs ou aqueles que parecem ser gays. Para o dia 17 de maio, Dia Mundial da Luta Contra a Homofobia, eles terão uma programação toda voltada ao tema e lançarão um documentário sobre o assunto.

Philip Rossetto, responsável pela criação das vinhetas batizadas de Voz MTV e co-autor junto com o cineasta Dácio Pinheiro do documentário contra a homofobias, conversou com o Blogay sobre o projeto.

Blogay – Como foi pensada a lista de entrevistados?

Philip Rossetto – O Voz MTV foi pensado então para falar com pessoas do universo do nosso publico – ou seja, pessoas ligadas à música e seus respectivos nichos (hip-hop, rock, punk, MPB, etc), cultura pop (moda, literatura) , representantes da atual geração que estão de alguma forma engajados nessa mudança social, e o único historiador – embora seja mais escritor que historiador – que tem uma pesquisa séria sobre a homossexualidade no Brasil que é o João Silvério Trevisan (uma pessoa que não faz parte diretamente de nenhum movimento militante, mas que conhece a história de todos e tem discernimento para analisar a situação hoje e num passado próximo).

Entendo que hoje há uma discussão mundial voltada à homossexualidade. É até aceitável que a conquista de direitos seja questionada nos campos politico, judiciário e até religioso. Mas o preconceito e a violência são inquestionavelmente condenáveis. Acreditamos que o preconceito é fruto de ignorância e ignorância se combate com informação. Nossa missão focou-se na questão social. Trabalhamos com a realidade. Nenhum político ou atuante do movimento LGBT foi chamado por isso: porque estamos trabalhando em uma outra esfera da questão. No entanto, temas ligados a essas questões são inevitáveis, pois, segundo nossos entrevistados, o surto de homofobia que vivemos é resultado da resistência à equiparação de direitos.

Não tem nenhum homofóbico (nos depoimentos) porque, felizmente, não há nenhum artista ou intelectual que defenda a violência como direito legítimo.

Como foram as entrevistas?

As entrevistas foram espontâneas e longas, uma vez que já tínhamos a ideia do documentário em mente. Foi um tom mais de conversa, ligado ao universo que aquela pessoa vive e representa. A Flora Matos contou como é vista a homossexualidade dentro do movimento hip-hop, a “mercenária” Rosália Munhoz mostra sua visão vinda do punk, assim como o Clemente, o Herchcovitch falou como a privação de direitos afeta sua vida pessoal, assim como o Laerte, o Lobão do ponto de vista filosófico dele e assim por diante. Os temas que apareceram foram, claro, a violência, em primeiro lugar, mas também questões como a PL122 (lei em trânsito no Congresso que criminaliza a homofobia), a educação e os efeitos que a privação de direitos gera na vida dos 20 milhões de homossexuais brasileiros. Tentamos ser abrangentes nas vinhetas que estão no ar e no Youtube e dissecamos tudo no documentário que vai ao ar dia 17 de maio, Dia Mundial da Luta contra a Homofobia.

Campanhas de prevenção à AIDS foi um passo para o posicionamento contra a homofobia?

Eu posso te dizer o ponto de partida criativo da campanha. De fato, a MTV sempre foi referência nas campanhas de Aids e uso da camisinha. E a camisinha sempre foi condenada por extremistas. E você nunca viu uma campanha de use camisinha com um “A Instituição/igreja adverte: fazer sexo antes do casamento é pecado, prime pela abstinência”. Seria de muito mau gosto com pessoas que já sofrem com essa situação e não é essa a função de uma TV como a nossa. No caso da homofobia é a mesma coisa: não se pode confundir  “liberdade de expressão”  com incitação à violência. Colocar a vida de pessoas em risco, ou pra ser mais exato, privar pessoas da liberdade de serem o que são é uma irresponsabilidade. E quando falamos em homofobia, é isso que estamos falando: respeito X violência. Uma violência que atinge 20 milhões de brasileiros diretamente, sem contar suas famílias.  Então não, a gente não apoia a violência e o preconceito, de nenhum tipo. Não há imparcialidade alguma nisso, é uma questão de bom senso. E até um fundamentalista da vida, por mais que pratique violências constantes e inconscientes, não é capaz de defender a violência como meio correto de agir. Não há argumento que comprove a sua eficácia, ainda mais se o fim para essa eficácia é passível de discussão. Apesar da resistência na equiparação de direitos, espancar, estuprar e matar não são a melhor maneira de se opor.

Um ponto importante é que a homofobia acaba afetando também héteros como o caso do pai e filho em São João da Boa Vista (SP) que foram espancados porque estavam abraçados e os homofóbicos acharam que eles eram gays. É importante uma emissora se posicionar?

Uma pessoa é espancada sem motivo na esquina da sua casa. Faça ela parte do nosso círculo ou não, o que se há de ser imparcial nisso? O Laerte respondeu muito bem a esta questão: “mas ele não estava desmunhecando?”. E isso lá é motivo para agredir alguém? Lamento, mas não há como ser imparcial em uma situação como essa.

O trabalho de uma emissora de TV utiliza uma concessão pública. Por isso, o que ela faz  precisa  promover o bem para todos os envolvidos nessa cadeia: telespectadores, seu entorno e a própria emissora.

Todos se beneficiam com o respeito e a tolerância.

Agora, sobre o posicionamento moderno… veja bem, enquanto ainda se discute o beijo gay na TV, o nosso, o primeiro beijo gay da TV brasileira (que foi na MTV) já tem mais de uma década. As novas gerações lidam com essa questão com uma naturalidade muito maior do que gerações anteriores. Como falamos de igual pra igual, a naturalidade também transparece nesse sentido. A verdade da vida das pessoas é muito mais simples do que nos comentários anônimos da internet.

O André Baliera, espancado no meio da Henrique Schaumann diz que o caso dele (que levou pontos no hospital) não foi o pior que já viu. Contou no nosso documentário de uma mãe que pagou para que a própria filha fosse estuprada para “deixar de ser lésbica”. Então onde estamos colocando o preconceito na nossa ordem de prioridade social? Acima do respeito, da compaixão, e até do amor? Será que é esse o lugar que ele merece, o de principal regente da nossa sociedade? Essa reflexão é o que tentamos promover com esta campanha.

Veja as vinhetas clicando aqui.

Fonte: Blogay

Opinião

A MTV se mantém sendo o canal de TV aberto mais progressista do Brasil, enquanto isso, grandes emissoras vetam beijo ou qualquer manifestação de carinho homossexual e deixam travestis e transexuais à margem, como se eles não existissem.

Veja em que países o casamento gay já foi aprovado Resposta

casamento gay

O Parlamento francês aprovou hoje o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e a adoção por casais homossexuais, o que torna a França o 14º país a reconhecer a união gay.

Abaixo, o estado da legislação sobre o casamento homossexual no mundo:

– Holanda: após ter criado, em 1998, uma união civil aberta aos homossexuais, a Holanda foi, em abril de 2001, o primeiro país a autorizar o casamento civil de pessoas do mesmo sexo. Os direitos e deveres dos cônjuges são idênticos aos dos membros de casamentos heterorossexuais, entre eles o da a adoção.

– Bélgica: os casamentos entre homossexuais são autorizados desde junho de 2003. Os casais gays têm os mesmos direitos que os casais heterossexuais. Em 2006, conquistaram o direito a adotar.

– Espanha: O governo de José Luis Rodríguez Zapatero legalizou, em julho de 2005, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Estes casais, casados ou não, também têm a possibilidade de adotar.

– Canadá: A lei sobre o casamento de casais homossexuais e o direito a adotar entrou em vigor em julho de 2005. Anteriormente, a maioria das províncias canadenses já autorizavam a união entre pessoas do mesmo sexo.

– África do Sul: Em novembro de 2006, a África do Sul se tornou o primeiro país do continente africano a legalizar a união entre duas pessoas do mesmo sexo através do “casamento” ou da “união civil”.

– Noruega: Uma lei de janeiro de 2009, põe em pé de igualdade os casais homossexuais, tanto para o casamento e a adoção de crianças quanto para a possibilidade de beneficiar-se de fertilização assistida. Desde 1993, contavam com a possibilidade de celebrar união civil.

– Suécia: Pioneira no direito de adoção, desde maio de 2009 a Suécia permite a casais homossexuais se casarem no civil e no religioso. Desde 1995 eram autorizadas a se unir por “união civil”.

– Portugal: Uma lei, que entrou em vigor em junho de 2010, modifica a definição de casamento, ao suprimir a referência a “de sexo diferente”. Exclui o direito à adoção.

– Islândia: A primeira-ministra islandesa, Johanna Sigurdardottir, casou-se com sua companheira em 27 de junho, dia da entrada em vigor da lei que legalizou os casamentos homossexuais. Até então, os homossexuais podiam unir-se legalmente mas a unuão não era um casamento real.

– Nos Estados Unidos, cinco estados autorizaram o casamento gay: Iowa, Connecticut, Massachussetts, Vermont e New Hampshire, bem como a capital, Washington, enquanto no México só está habilitado no distrito federal, onde vivem oito milhões de pessoas.

– Argentina: no dia 15 de julho de 2010, a Argentina se tornou o primeiro país da América Latina a autorizar o casamento homossexual. Os casais do mesmo sexo têm os mesmos direitos que os heterossexuais e podem adotar crianças.

-Uruguai: em 10 de abril, se tornou o segundo país latino-americano a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, após a Câmara dos Deputados ratificar o projeto de lei do “matrimônio igualitário”.

– Outros países adotaram legislações referentes à união civil, que dão direitos mais ou menos ampliados aos homossexuais (adoção, filiação), em particular a Dinamarca, que abriu em 1989 a via para criar uma “união registrada”, a França ao instaurar o PACS (Pacto Civil de Solidariedade) (1999), Alemanha (2001), Finlândia (2002), Nova Zelândia (2004), Reino Unido (2005) República Tcheca (2006), Suíça (2007), e o Brasil a União Estável entre pessoas de mesmo sexo (2011).

Fonte: AFP

Casamento gay é aprovado na França sob forte pressão contrária 2

França casamento gay

A Assembleia Nacional da França – órgão equivalente à Câmara dos Deputados – aprovou hoje o projeto de lei que autoriza o casamento gay e a adoção de crianças por casais do mesmo sexo no país. Legisladores na Câmara dos Deputados da Assembleia Nacional, onde os socialistas de Hollande contam com uma maioria absoluta, aprovaram a lei por 331 votos a favor e 225 contra.

Claude Bartolone, presidente da Assembleia Nacional, disse ao anunciar o resultado: “Depois de 136 horas e 56 minutos, a Assembleia aprovou o casamento de casais do mesmo sexo.”

Uma vez adotada, a maior parte dos deputados da direita abandonou a câmara, enquanto os da esquerda, de pé, aplaudiam e gritavam “Igualdade!”.

A ministra da Justiça, Christian Taubira, “madrinha” do texto, disse estar “cheia de emoção” diante o “avanço histórico” que significa a aprovação dessa lei.

“Sabemos que não tiramos nada de ninguém, demos um direito a pessoas que não o tinham. É um texto generoso”, analisou a ministra, que se emocionou especialmente quando lembrou “os adolescentes que foram vítimas de violência por sua orientação sexual”.

“Quero dizer que têm todo o seu espaço nesta sociedade, sem ter que se preocupar por seus gostos, por sua orientação sexual. Não tenham medo nunca mais, vocês não têm nada para censurá-los”, disse.

Se o texto for aprovado, o presidente francês poderá promulgá-lo. Com isso, os primeiros casamentos entre pessoas do mesmo sexo poderão ocorrer em meados de junho no país.

A primeira-dama francesa Valerie Trierweiler comemorou a decisão em seu twitter: “Realmente eu amo 23 de abril. E ainda mais. # Dia histórico. # Igualdadeparatodos”, escreveu.

A ministra da Família da França, Dominique Bertinott, sempre favorável à votação, também escreveu na rede social: “Como cidadã, como uma mulher de esquerda, estou satisfeita e orgulhosa pela aprovação dessa lei de igualdade # Casamentoparatodos”.

A oposição conservadora anunciou que recorrerá perante o Conselho Constitucional, que deverá se pronunciar nas próximas semanas, antes de a lei entrar em vigor, o que é previsto para os próximos meses. A direita planeja ainda continuar os protestos. Novas manifestações estão previstas para 5 e 26 de maio, em Paris.

Protestos

O projeto encontrou forte oposição de conservadores e grupos religiosos, e a discussão mobilizou centenas de milhares de franceses contrários e favoráveis ao casamento gay em todo o país, em protestos que muitas vezes acabaram em prisões e confronto com a polícia. Com a lei aprovada, a França se transformará no 14º país a estender os direitos do casamento aos casais homossexuais.

O texto foi aprovado pela Assembleia em fevereiro, em primeira votação, e pelo Senado no último dia 12.  Como os senadores fizeram algumas alterações no texto, o projeto volta agora aos deputados. Devido à maioria parlamentar de esquerda na Assembleia –na primeira votação foram 329 votos a favor e 229 contra -, a aprovação do casamento gay é tida como certa.

A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma das promessas de campanha do presidente François Hollande, eleito no ano passado.

Duas grandes marchas contra o casamento gay em janeiro e em março levaram, cada uma, cerca de 300 mil manifestantes às ruas, segundo números da polícia -organizadores das passeatas estimam mais de 1 milhão em cada protesto. Em março, após tumultos, a polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes, e dezenas de pessoas foram presas.

No domingo (21), opositores e defensores do projeto voltaram a protestar nas ruas de Paris. Favorável ao casamento gay, o prefeito Bertrand Delanoe denunciou o clima de homofobia desencadeado no país com a participação de partidos de direita e de extrema direita nos protestos, após o registro de casos de agressão a homossexuais.

Para os socialistas, o terreno preparado pelas manifestações favoreceu o aumento das agressões denunciadas por entidades LGBT – como no último sábado (20), quando um casal gay foi pisoteado quando saía de uma boate gay de Nice.

Embora faça questão de se distanciar de todos os incidentes violentos, o coletivo “La Manif Pour Tous” (“Manifestação Para Todos”) assegura que os protestos continuarão mesmo após a aprovação da lei.

Ameaça

Ontem (22), o presidente da Assembleia, Claude Bartolone, recebeu uma carta de ameaça que o advertia sobre as “consequências” de submeter o projeto a votação.

A carta, que continha pólvora de munição em seu envelope e dizia que “a família política” de Bartolone poderia “sofrer fisicamente”, foi encerrada com a seguinte ameaça: “Nossos métodos são mais radicais e rápidos que as manifestações. Vocês queriam guerra e a terão”.

Casamento gay no mundo

Permitido atualmente em 13 países, o casamento gay foi aprovado primeiro na Holanda e depois adotado por Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia, Portugal, Islândia, Argentina e Dinamarca e, recentemente, Uruguai e Nova Zelândia.

No Brasil, o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu em 2011 a união estávelentre casais homossexuais. No Estado de São Paulo, desde março deste anocartórios deixaram de exigir autorização judicial para oficializar uniões civis homossexuais, medida seguida pelo Rio de Janeiro neste mês.

De acordo com a ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transsexuais), Bahia, Alagoas, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Piauí, Sergipe e Ceará e Distrito Federal têm normativas similares.

Nos Estados Unidos –com Barack Obama como o primeiro presidente a declarar publicamente seu apoio à legalização do casamento gay–, dez Estados já reconhecem a união gay. A Suprema Corte americana se reuniu em março para discutir mudanças nos direitos dos homossexuais, mas a decisão foi adiada para junho. (Com agências internacionais).

*Informações UOL

Opinião

Quando se tem uma esquerda e em particular um presidente comprometido com os direitos humanos, tudo fica mais fácil. Aqui, o PT se aliou a evangélicos fundamentalistas e o governo Dilma Rousseff parece refém dele, tanto é que a presidenta não se manifestou diante do absurdo que é a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Justiça estar nas mãos do Pastor Marco Feliciano. Comissão, aliás, que por ironia do destino fez uma moção de repúdio por homofobia ao então candidato Maduro, na Venezuela, moção proposta pelo pastor João Campos e não por um homossexual assumido como Jean Wyllys, que se calou por questões ideológicas.