Jogador de futebol, Robbie Rogers, assume ser gay e se aposenta aos 25: “Impossível continuar” Resposta

Robbie Rogers deu entrevista ao jornal Guardian e posou para fotos. Depois de abandonar o futebol, ele pensa em seguir nova carreira no mundo da moda (Foto: Tom Jenkins/Guardian)

Robbie Rogers deu entrevista ao jornal Guardian e posou para fotos. Depois de abandonar o futebol, ele pensa em seguir nova carreira no mundo da moda (Foto: Tom Jenkins/Guardian)

Um jogador de futebol abandonar a carreira aos 25 anos é sempre um fato surpreendente. Mas essa foi a decisão de Robbie Rogers, americano que atuava na Inglaterra. O motivo? Ele assumiu que é gay em fevereiro. Quantos jogadores gays assumidos jogam profissionalmente? Os que jogam estão escondidos sob o medo. Um medo justificado e isso fica evidente no relato de Robbie Rogers, que jogou por Columbus Crew, dos Estados Unidos, Heerenveen, da Holanda, Leeds e Stevenage, da Inglaterra.

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“No futebol é obviamente impossível se assumir gay”, disse o jogador, de 25 anos, em entrevista ao jornal Guardian. “Imagine ir para o treino todos os dias e estar com esse holofote?”, comentou o jogador. “É um circo todo dia”. Rogers relatou que a reação dos companheiros de time era um problema que ele tinha que lidar por ter revelado ser gay enquanto sua carreira ainda estava em curso.

Nascido em Rancho Palos Verdes, na Califórnia, o jogador começou a carreira no Orange County Blue Star antes de se transferir para o Heerenveen, da Holanda. Jogou então no Columbus Crew entre 2007 e 2011, onde chamou a atenção do Leeds, que o contratou em 2012. Sem conseguir ter sequência de jogos por suas lesões, foi emprestado ao Stevenage, mas também não conseguiu sucesso. Acabou dispensado em janeiro. Rogers foi parte do elenco da seleção dos Estados Unidos na Copa Ouro de 2011. O meia-atacante não entrou em campo naquele torneio, mas jogou 18 partidas pela seleção americana e marcou dois gols.

“As coisas irão mudar. Haverá jogadores gays”

“Eu sei que as coisas irão mudar. Haverá jogadores gays. Eu só não sei quando e como e quanto tempo levará”, afirmou o americano. “O próximo passo é como criar uma atmosfera onde homem ou mulher sintam que não há problema em assumir sua sexualidade e continuar a jogar? É uma grande pergunta”, disse ainda o agora ex-jogador. “O futebol tem muita história. É um grande esporte com muita cultura e tradição. Mas eu estou otimista que haverá mudanças”, disse, esperançoso, Rogers.

Tomar a decisão de se assumir gay em um meio onde isso não é bem aceito é um desafio que fez Robbie Rogers hesitar antes de se decidir por sair do armário. “Eu tive medo sobre como meus companheiros iriam reagir. Isso os faria mudar?”, contou Rogers. “Mesmo eu sendo a mesma pessoa, isso iria mudar o modo como eles agem comigo quando estamos no vestiário ou no ônibus?”, disse ainda o americano.

“Adicionar o aspecto gay não torna as coisas mais fáceis”, disse Rogers, que admitiu que não sabia se aguentaria ter que aguentar as possíveis ofensas que ele ouviria se continuasse jogando. “Eu posso ser forte o suficiente, mas eu não sei se isso é o que realmente quero. Eu quero apenas ser um jogador de futebol. Eu não quero lidar com o circo. As pessoas virão me ver só por que sou gay?”, desabafou.

Em entrevista ao New York Times, Rogers falou sobre uma das questões que são sempre faladas como um impeditivo aos jogadores gays: o momento de tomar banho no vestiário. “Eu tomei banho com homens no vestiário a minha vida inteira. E eu nunca fiquei excitado, como “Oba, é hora de tomar banho com os caras”. Não é assim. Não há interesse. Você não pensa em caras do seu time desse jeito. Simplesmente não pensa”, contou.

Ele contou que desconfiava ser diferente dos garotos que conhecia aos 10 anos e que com 14 tinha certeza que era gay. Mas tentou evitar que isso fosse revelado a público. Ele não contou para ninguém. Ninguém da sua família sabia, nem seus amigos mais próximos. “Eu sou um católico, conservador, jogador de futebol e gay”, disse, mostrando por que ele tinha receio de revelar a sua sexualidade. “Imagine viver o tempo todo com uma cãibra no estômago. Eu ficava pensando, eu espero que eu não faça nada que faça as pessoas pensarem ‘o Robbie é gay?’”, contou. “Eu nunca estive perto de me assumir antes. Nunca. Eu nunca fui a nenhum bar gay, nunca fiquei com um cara. Era tão pouco saudável e tão ruim me sentir assim. Dois anos atrás, eu pensava que nunca iria assumir na minha vida inteira”.

“Eu pensei em pegar um avião para casa e contar a todo mundo, mas eu precisava apenas fazer isso e tirar do meu peito”, conta. “A única vez que eu realmente chorei durante todo esse processo foi quando eu contei à minha mãe e ele disse apena: ‘Robbie, nós não nos importamos com isso. Nós amamos você’”.

Preocupação com a repercussão na carreira

Rogers também se preocupava com a reação dos torcedores e da imprensa sobre o fato de ele ser gay. “Se estivesse jogando bem, os relatos seriam: ‘O jogador gay está jogando bem’. E se eu jogasse mal, seria: ‘Ah, aquele cara gay, ele está com problemas porque é gay’”, avaliou o agora ex-jogador, que irá tentar ganhar a vida no mundo da moda. Ele é dono de uma marca de roupas masculinas, a Halsey.

Apesar de todos os problemas que tem que enfrentar um jogador que assume ser gay, Rogers não acredita que o esporte seja homofóbico. “Não acho que o futebol é homofóbico. Mas claramente há algo ali. Porque ninguém estendeu a mão. Nenhum outro jogador disse que era gay. Então definitivamente ainda há trabalho a ser feito, certo?”, concluiu.

A constatação de Rogers é clara. Não é o primeiro caso de jogador gay, mas é evidente que a reação do mundo do futebol a isso ainda está longe do ideal. O ambiente é masculinizado e machista e há um excesso de preocupação com um jogador gay, como se isso fosse interferir no time.

O preconceito ainda é forte em ambientes como o futebol, muito machistas e onde a força física e virilidade são vistos com bons olhos – e são características não associadas aos gays, por um preconceito que homossexuais do sexo masculino são afeminados, algo que não tem embasamento algum.

Está na hora de superar isso. Mas esse não é um problema só do futebol. Esse é só um exemplo de uma sociedade que ainda tem problemas em reconhecer liberdades individuais. Há gays em qualquer área profissional e isso não é problema algum. A qualidade do jogar dentro de campo não é influenciada pelo fato do jogador ser heterossexual ou homossexual. O que deveria importar é apenas o desempenho em campo. Será que um dia só isso já será suficiente?

Informações: Trivela

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