‘Todo travesti é uma vítima da pedofilia’, diz senador Magno Malta 1

Em discurso na tribuna do Senado, senador Magno Malta (PR-ES).

 

O senador Magno Malta (PR-ES), que afirmou nesta terça-feira que vai se candidatar ao governo do Espírito Santo ou à presidência da República em 2014, fez declarações polêmicas ao SRZD em relação aos homossexuais. O senador, que presidiu a CPI da Pedofilia, afirmou que os travestis “com certeza” foram abusados na infância ou na adolescência, estabelecendo uma relação entre a orientação sexual e a pedofilia. Malta fez as afirmações ao comentar sobre uma decisão da Justiça holandesa que autorizou a existência de uma associação de pedófilos no país.

“Quando a gente encontra um jovem travesti, com certeza é uma vítima da pedofilia. A criança abusada pode virar um abusador e começa uma geração de pedófilos. Pedofilia não é propriamente homossexualismo, mas conduz para a mesma prática”, declarou Magno Malta.

O parlamentar ainda fez referência a gays, lésbicas, transexuais e travestis como uma “geração” criada a partir da pedofilia. “A pedofilia causa verdadeiramente a desintegração da sociedade criando uma geração de homossexuais, transexuais, casais de lésbicas, gays e milhares de travestis, gerando um grande universo de prostituição e desvio de conduta”, expressou Malta.

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As opiniões manifestadas por Magno Malta foram criticadas por especialistas na mente humana. O psicólogo clínico e doutor em Psicogenética Esequiel Laco ressalta que as afirmações do senador não procedem e que não há regras para prever as reações desenvolvidas em crianças e adolescentes abusados sexualmente. “Pode ser que haja casos em que o homossexual foi vítima de pedofilia e casos em que não foi. Não tem essa regra nem para o hétero nem para o homossexual. Há heterossexuais que foram abusados e não são homossexuais, assim como há pessoas que foram abusadas e são homossexuais”, explicou Laco ao SRZD.

A coordenadora do curso de pós-graduação em Psicossociologia da Saúde Mental da Faculdade de Medicina de Petrópolis, Marília Antunes Dantas, afirma que não há, na literatura médica, qualquer indicação de que uma criança abusada na infância necessariamente se tornará homossexual ou pedófila quando crescer.

“Esse senador não tem a menor capacidade de falar sobre isso. Ele ignora toda a complexidade da sexualidade. A gente não pode considerar um único caminho para a homossexualidade. Existem rapazes, por exemplo, que são estereotipados, que chegam a ser uma caricatura de uma figura feminina que nem é assumida pelas mulheres. Existem outros que não têm esses trejeitos e têm como objeto de desejo um homem”, destaca a professora ao SRZD.

A especialista também critica o termo “homossexualismo” utilizado pelo parlamentar, que dá uma conotação de doença à orientação de pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo. “A homossexualidade tem várias nuances, que, segundo a psicanálise, não tem nada a ver com doença. Isso faz parte das identificações que a pessoa faz e que vão levá-la a formar uma identidade sexual”, diz a psicanalista.

Esequiel Laco acrescenta que a pedofilia é um transtorno que afeta não apenas homossexuais, mas também homens e mulheres heterossexuais. “Nós todos sabemos de casos de homens que só investem em meninas, mulheres que se aventuram com meninos […] É a questão afetiva do pedófilo que não está sendo discutida, de ter uma inserção social na época certa, e vai fixando no modelo infantil sob certa timidez […] Não há domínio da literatura por parte das pessoas fora da área, que colocam a religião como argumento. É mais fruto da ignorância de quem não estuda e quer se posicionar”, conclui o psicólogo.

Debate sobre casamento gay na França é alvo de protestos Resposta

Gays: foi convocada uma grande manifestação para o próximo domingo em Paris, a terceira depois de outras duas que segundo os organizadores reuniram um milhão de pessoas cada uma.

Gays: foi convocada uma grande manifestação para o próximo domingo em Paris, a terceira depois de outras duas que segundo os organizadores reuniram um milhão de pessoas cada uma.

Os deputados franceses iniciaram nesta quarta-feira o segundo e definitivo exame do projeto de lei para legalizar o casamento homossexual na França, enquanto os protestos aumentam nas ruas e se registram alguns episódios de violência e de assédio a políticos.

“Não há uma única maneira de viver em casal e em família”, disse na abertura da sessão na Assembleia Nacional a ministra francesa de Justiça, Christiane Taubira.

Depois que o Senado aprovou na sexta-feira passada o projeto de lei, um promessa de campanha de François Hollande, a resolução entrou hoje em sua reta final para ser aprovada na câmara baixa.

A ministra reconheceu diante dos parlamentares que o texto causa reservas em parte da população francesa, mas ressaltou que isto não deve se confundir com as pessoas “que cospem ódio, praticam a violência e insultam cargos públicos”.

Nos últimos dias vários ministros foram acossados em seus domicílios e em atos públicos. Além disso, foram registradas agressões a homossexuais e a jornalistas a favor do projeto.

O ministro francês de Interior, Manuel Valls, chegou inclusive a denunciar que existem parlamentares “que receberam ameaças de morte” por terem se manifestado a favor do casamento gay.

Enquanto se tenta elucidar que papel desempenharam nesses episódios grupos de extrema direita, como a organização estudantil Gud e o Bloco Identitario, os opositores civilizados do texto anunciaram que se manifestarão de acordo com a lei todos os dias em frente à Assembleia Nacional.

Fonte: EFE

Nova Zelândia torna-se o primeiro país da região da Ásia e do Pacífico a legalizar casamento gay Resposta

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Casais homossexuais comemoraram aprovação do casamento gay no Parlamento da Nova Zelândia

O Parlamento da Nova Zelândia aprovou nesta quarta-feira o casamento gay, tornando-se o primeiro país da região da Ásia e do Pacífico onde casais do mesmo sexo podem se casar legalmente.

A lei foi aprovada por uma ampla maioria, 77 votos a favor e 44 contra, apesar da oposição de líderes religiosos do país.

Pesquisas de opinião mostram que 70% da população da Nova Zelândia são a favor da nova lei.

O país descriminalizou a homossexualidade em 1986 e legalizou as uniões homoafetivas estáveis em 2005.

A Nova Zelândia tornou-se assim o 13º país do mundo a permitir o casamento gay. Na lista estão a Holanda, Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Argentina e Uruguai.

Na Grã-Bretanha e na França, parlamentares já votaram a favor, mas os projetos ainda não se transformaram em lei. No Brasil, em 2011, o Supremo Tribunal Federal legalizou as uniões estáveis homoafetivas, e em março deste ano São Paulo tornou-se o primeiro Estado em que o casamento civil pode ser feito diretamente, sem a necessidade de uma união estável prévia, depois vieram a Bahia e o Paraná.

A medida eliminou o risco de que o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo seja negado pela Justiça.

Na Austrália, país vizinho à Nova Zelândia e com história e identidade cultural muito semelhantes, a grande maioria dos parlamentares votou contra o casamento gay no mês de setembro, embora alguns Estados permitam a união civil.

Informações: BBC Brasil