Antes da Internet, torcedores de Grêmio e Flamengo já criaram organizadas para combater a homofobia Resposta

O próprio presidnete do Flamengo, Márcio Braga, na época, atribuiu a derrota por 3 a 0 a uma "praga da Flagay" (Foto: Divulgação)

O próprio presidnete do Flamengo, Márcio Braga, na época, atribuiu a derrota por 3 a 0 a uma “praga da Flagay” (Foto: Divulgação)

A iniciativa de criar uma torcida organizada para combater a homofobia no esporte não é inédita no Brasil. No final da década de 1970, dois grandes times do futebol brasileiro tentaram criar torcidas organizadas formadas por gays. Grêmio e Flamengo criaram as torcidas Coligay e Flagay, respectivamente.

Conhecida como a primeira torcida organizada gay do país, a Coligay foi fundada por Volmar Santos (na época, dono de uma boate LGBT chamada Coliseu) em 1977. No final dos anos 70, a Coligay chegou a ter setenta integrantes. Porém, a torcida acabou sendo hostilizada pelos próprios torcedores da equipe e acabou extinta na década de 1980.

A Flagay também foi criada no final da década de 1970. A torcida foi fundada oficialmente em 1979 pelo carnavalesco Clóvis Bornay. Torcedor do Botafogo, Bornay convocou a torcida flameguista homossexual para ir a uma partida contra o Fluminense. Durante o jogo, os próprios torcedores do rubro-negro hostilizaram a torcida. De acordo com relatos de jornais da época, o próprio presidente do Flamengo, Márcio Braga, atribuiu a derrota por 3 a 0 a uma “praga da Flagay”.

No meio da década de 1990, o ativista Raimundo Pereira (que faleceu em 2006) resolveu reavivar a torcida. Carlos Alberto Migon, que fazia parte da torcida, relembra que a iniciativa era mais voltada ao ativismo do que ao clube: “a nossa proposta era ocupar um espaço prioritariamente hétero. Eu nem gosto muito de futebol. Na verdade, torço até pelo Vasco”.

Com mais de 100 pessoas na época, o grupo foi a alguns jogos nos anos de 1996 e 1997. “As pessoas ficavam surpresas no estádio, como se nós não devêssemos estar ali. Mas nunca sofremos represálias”, explica. Carlos conta que a torcida acabou porque os próprios torcedores se desmotivaram. Em 2003, Raimundo chegou a anunciar a volta da torcida. Mas setores de dentro do próprio clube foram contra a ideia e a volta da Flagay não saiu do papel.

Exterior mostra bons e maus exemplos de tolerância no esporte

No exterior, alguns exemplos mostram que é possível as torcidas organizadas anti-homofobia crescerem no mundo do futebol. Na Grã-Bretanha, existe inclusive uma associação: trata-se da GFSN (Gay Football Supporters’ Network). A associação reúne torcedores de diversos clubes do arquipélago. A página oficial da associação divulga campanhas contra homofobia no esporte e também organiza eventos especiais como a liga de futebol LGBTT.

Por outro lado, homossexuais também sofrem no futebol internacional. Um dos casos mais conhecidos foi o da torcida do Zenit (Rússia), que pediu para o time não contratar gays. A torcida do time de São Petersburgo também é conhecida por diversas ações de intolerância contra negros e latinos.

Fonte: EBC

Comitê de Enfrentamento à Homofobia é instalado no Rio Grande do Sul Resposta

O Comitê Estadual de Enfrentamento à Homofobia foi instalado, na tarde desta sexta-feira (26), durante a audiência pública que tratou da criação do Sistema Nacional de Enfrentamento à Violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis (LGBTs) no auditório da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), em Porto Alegre. Composto por representantes dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, organizações não-governamentais e entidades representativas, o Comitê irá, entre outras ações, ajudar a construir o sistema nacional e coordenar a criação do Conselho Estadual de Enfrentamento à Homofobia.

Ao compor o colegiado, a secretária-adjunta da Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH), Maria Celeste, falou do esforço da SJDH, juntamente com secretarias municipais e a sociedade civil, para traçar políticas públicas para a comunidade LGBT. “Temos de dar o exemplo demonstrando que vamos aprovar o conselho estadual e ter uma lei clara quanto aos direitos da população LGBT, para que isso seja uma política de Estado e não uma política de governo. Vamos irradiar uma política construída com a população do RS”, disse.

Número de denúncias 

Antes de começar os debates sobre o Sistema Nacional de Enfrentamento à Violência contra LGBT, o coordenador geral de Promoção dos Direitos LGBT da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, Gustavo Bernardes, realizou uma apresentação das conquistas desse público ao longo dos anos e dos números de denúncias que chegam à SDH, principalmente pelo Disque 100.

Segundo Bernardes, no ano passado, a Secretaria recebeu 6,8 mil denúncias de violência contra gays, lésbicas, travestis e transexuais. Foram contabilizadas 1.713 vítimas e um total de 2.275 suspeitos. “O número de suspeitos bem superior ao de vítimas comprova que as agressões geralmente são em grupos que se organizam, muitas vezes, pelas redes sociais para atacarem. Por isso, é preciso ficar de olho”, alertou o coordenador.

Cento e noventa e oito dessas denúncias foram do RS. O Estado aumentou 241,3% o número de denúncias em relação a 2011, quando registrou 58 denúncias. Em todo o Brasil, o aumento foi de 265%. Os dados ainda demonstram que o perfil da maioria das vítimas é mulher, negra e na faixa etária de 14 a 19 anos. Em 2012, foram 278 homicídios.

RJ: Artista plástico e travesti dizem que foram vítimas de homofobia Resposta

O artista plástico Kléber Cardoso, de 56 anos, e o travesti Alexsandro da Cruz de Oliveira, a “Kelly”, de 25 Felipe Carotta

O artista plástico Kléber Cardoso, de 56 anos, e o travesti Alexsandro da Cruz de Oliveira, a “Kelly”, de 25 Felipe Carotta

O delegado titular da 88º DP (Barra do Piraí – RJ), José Mário Omena, disse nesta sexta-feira (26) que instaurou inquérito para apurar denúncia de um suposto caso de homofobia envolvendo o artista plástico Kléber Cardoso (56), e a travesti Kelly, nome social de Alexsandro da Cruz de Oliveira (25). Os dois alegam que estavam num bar, no distrito de Dorândia, também em Barra do Piraí, quando teriam sido chamados de “viadinhos” e expulsos do estabelecimento por um dos frequentadores. O delegado foi informado que o agressor seria um homem conhecido como Baiano.

De acordo com Kléber e Alexsandro, ao saírem do estabelecimento, o acusado de agressão bateu duas vezes na traseira do carro que era conduzido por Kléber. O policial disse que, pela versão do artista plástico, o agressor o agarrou pelo pescoço pela janela do carro e ele acabou batendo num barranco.

Segundo o delegado, no entanto, testemunhas informaram que a confusão não teria começado por motivação sexuais, mas porque o artista plástico estava visivelmente embriagado e teria batido no carro do acusado.

— Ele fez o teste do bafômetro, que indicou altos índice de embriaguez — disse Omena.

O artista plástico confirmou que tinha bebido, mas não estar embriagado. Ele confirmou que foi levado ao posto da Polícia Rodoviária Federal, passou pelo bafômetro e pagou fiança de R$ 700.

O artista plástico disse que chegou a ser medicado antes de ser levado para a delegacia. Ele reclamou ainda do descaso de policiais militares. O delegado disse que está ouvindo testemunhas, mas que, por enquanto, não vê, motivação homofóbica. Para o policial, o artista plástico pode ter sido vitima de lesão corporal, quando o autor agarrou seu pescoço.

— Fui informado que o artista plástico estava embriagado e bateu no carro do agressor, quando ele e o amigo saíram do bar. Mesmo assim, localizamos esse homem apenas como Baiano — disse o delegado.

Os dois moradores do distrito de Vargem Alegre tomaram a iniciativa de denunciar o caso ao Ministério Público, após serem incentivados por uma ativista de um Movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT).

Fonte: O Globo

Comitê de combate à homofobia será instalado no Amazonas 1

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Com a presença de integrantes da comunidade LGBT, o Comitê de Enfrentamento à Homofobia do Estado do Amazonas será lançado, na próxima segunda-feira (29), em Manaus. O lançamento será as 14h30 na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, SeccionalAmazonas, na Avenida Umberto Calderaro Filho, Zona Centro-Sul de Manaus.

Segundo o TJAM, o comitê terá integrantes do Fórum amazonense LGBT, Secretaria Estadual de Articulação de Políticas Públicas aos Movimentos Sociais e Populares (Searp) e Gerência de Promoção dos Direitos Relativos à Livre Orientação Sexual  vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh).

O objetivo do Comitê é garantir os direitos humanos de forma universal, indivisível e interdependente, assegurando a cidadania plena; a promoção e defesa dos direitos humanos do público LGBT; o enfrentamento à homofobia, o machismo e sexismo; a garantia da igualdade na diversidade; a prevenção e enfrentamento à violência homofóbica contra a população LGBT; além do fortalecimento dos princípios democráticos e dos direitos humanos.

Fonte: G1