‘Doei todo meu salário para tentar me curar’, diz pastor de igreja gay 3

Os pastores Fábio Inácio de Souza e Marcos Gladstone durante culto da Igreja Cristã Contemporânea (Foto: Divulgação)

Os pastores Fábio Inácio de Souza e Marcos Gladstone durante culto da Igreja Cristã Contemporânea (Foto: Divulgação)

Ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, onde atuou por quatro anos, o evangélico Fábio Inácio de Souza é fundador, junto com o hoje marido Marcos Gladstone, da Igreja Cristã Contemporânea, conhecida por defender a causa gay. Em entrevista, ele conta que deixou a congregação anterior após diversas tentativas de ocultar e até se “libertar” da homossexualidade.

“Fazia tudo o que me ensinavam, mas não conseguia me libertar. Fazia corrente de oração, subia para rezar em montes e até doei todo meu salário para tentar me curar. A igreja falava que está errado, mas tinha consciência da minha homossexualidade. Minha noiva era como uma irmã para mim”, conta.

Neste sábado (27/4), a São Paulo ganhará a primeira sede da igreja, que já possui templos em Minas e no Rio, no bairro do Tatuapé. Pais de dois filhos adotivos, os pastores falaram a Veja São Paulo.

Como era sua vida antes da Igreja Cristã Contemporânea?

Fábio — Aos sete anos fui para a igreja evangélica e sempre soube que era diferente dos outros meninos. Para mim, era pecado ser gay. Meus pais tinham orgulho de mim, então, mesmo sabendo da minha sexualidade, tentava esconder para não ferir ninguém. Aos 18 anos, fiquei noivo de uma menina para entrar no padrão da sociedade. Mesmo não sentindo nada ficamos noivos por quatro anos.

Você buscou a cura da homossexualidade na igreja?

Fábio — A Igreja Universal trabalha com o exorcismo. Fui pastor de lá durante quatro anos. Fazia tudo o que me ensinavam, mas não conseguia me libertar. Fazia corrente de oração, subia para rezar em montes e até doei todo meu salário para tentar me curar. A igreja falava que está errado, mas tinha consciência da minha homossexualidade. Minha noiva era como uma irmã para mim.

Como saiu da igreja?

Fábio — Eu já estava perto de casar. Já tinha comprado móveis e tudo, mas pensei: “não posso destruir minha vida”. Arrumei uma desculpa, terminei o noivado e saí da igreja. Na Universal, eu vivia na hipocrisia. Quando era pastor de lá, um rapaz me disse que precisava de uma oração porque estava apaixonado por outro homem. Orei para expulsar o demônio dele, mas não conseguia expulsar o demônio que vivia dentro de mim. Como eu, existiam outros pastores gays dentro da Universal.

Como descobriu a Igreja Cristã Contemporânea?

Fábio — Sentia falta de ter religião. Descobri uma igreja que não condenava a questão da homossexualidade e conheci o Marcos, que hoje é meu marido. Juntos, estruturamos a congregação. Existem vários pastores gays que não conseguem se libertar e vivem numa mentira. A gente acompanha casos aqui na igreja de pastor que vem com namorado. São muitos exemplos.

Qual a diferença entre a Igreja Cristã Contemporânea e outros templos evangélicos?

Fábio — Não vejo nenhuma diferença. A Bíblia que usamos é a mesma. A gente acredita no relacionamento a dois, na fidelidade, no respeito. A única diferença é que vemos a homossexualidade como algo normal e natural.

Marcos — Na verdade, o que existe na Bíblia são problemas de tradução. Lá, há um trecho que diz: “Como homem não te deitarás como se mulher fosse, pois é abominação.” Tenho duas considerações sobre essa passagem: erro na tradução e uma teoria construída de forma a rejeitar homossexuais. A palavra foi manipulada. No Antigo Testamento, abominação significa idolatria. A Bíblia tem que ser vista de acordo com o contexto histórico. Naquele tempo retratado na Bíblia, havia prática de sexo como oferecimento de sacrifício a um deus e havia prostitutos que se deitavam com homens que desejavam prosperar. Esse mesmo trecho fala que não se pode usar dois tipos de tecido numa roupa, não comer carne de porco, não pode cortar barba, mas há toda uma interpretação teológica para não se condenar essas coisas.

A Bíblia condena a homossexualidade?

Marcos — A Bíblia condena a promiscuidade. No Novo Testamento, há um trecho que diz: os afeminados não herdarão o reino dos céus. Quando você vai nos originais da Bíblia, você não encontra a palavra afeminado e, sim, depravado e infame. E depravado não é sinônimo de gay.

Qual a diferença entre a Igreja Cristã Contemporânea e outras igrejas inclusivas?

Marcos — Não somos igreja de militância gay. Não levantamos bandeira. A militância luta pelo direito de casar, a gente luta mostrando os casais, mostramos a família constituída com filhos adotivos. Exercitamos a prática, não a teoria. Não nos consideramos diferentes dos heterossexuais.

  1. Oportunismo. O cara vai pra IURD, faz escola para arrecadar dízimo gay. Eu ri muito dessa parte:

    “Qual a diferença entre a Igreja Cristã Contemporânea e outros templos evangélicos?

    Fábio – Não vejo nenhuma diferença. A Bíblia que usamos é a mesma. A gente acredita no relacionamento a dois, na fidelidade, no respeito. A única diferença é que vemos a homossexualidade como algo normal e natural.”

    Pelo que eu saiba, não é o que diz a bíblia. E não me venha com papo de interpretação. Está muito claro na bíblia. O negócio é ficar de olho no dízimo gay, que me parece mais generoso…

  2. O que eu acho que é uma delícia viver uma vida sexual satisfatória num relacionamento. E que é horrível fazer sexo na marra. Então, se eu ñ gosto do sexo oposto e gosto de pessoas do mesmo sexo eu tenho que procurar minha felicidade. Ñ vou me tornar uma pessoa infeliz só porque terceiros tem suas convicções. Cada um que vá procurar ser feliz sem se intrometer na vida do outro.

  3. Igreja inclusiva não é suficiente. Tem que ser inclusiva, mas também tem que se diferenciar das demais igrejas evangélicas que abusam da boa fé dos fieis, que enfraquecem o estado laico, que buscam benefícios governamentais, que enriquecem seus lideres e que não se preocupam com questões sociais como fome, analfabetismo, violência, discriminação, preconceito.
    Não existe esta história de igreja não militante. Quando se abraça a causa do bem, automaticamente abraça-se a causa da luta pelos direitos humanos.
    Estou esperando para ver os caminhos que serão tomados, e desejo que sejam os melhores.

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