Vamos casar para celebrar, diz Daniela Mercury sobre união Resposta

Daniela Mercury ao lado da namorada Malu Verçosa, na Parada Gay de São Paulo  (Foto: Marcio Fernandes/Estadão Conteúdo)

Daniela Mercury ao lado da namorada Malu Verçosa, na Parada Gay de São Paulo (Foto: Marcio Fernandes/Estadão Conteúdo)

A cantora baiana Daniela Mercury, que assumiu recentemente sua relação com a jornalista baiana Malu Verçosa, disse em entrevista na manhã desta segunda-feira (3) no programaEncontro com Fátima Bernardes que vai casar no civil com a namorada para celebrar a união.

“Parece que se não for no papel, não vai ser de verdade. Vamos casar para celebrar. Nós ficamos orgulhosas de podermos inspirar tanta gente a se respeitar, de viver na luz. É a representação do amor”, declarou a cantora, que contou também que os filhos Giovana e Gabriel, que também estavam presente no programa, já sabiam que ela e Malu estavam namorando:

“Eles sabiam que eu estava namorando, mas não sabiam que eu tinha casado na França. Malu não suporta chamar atenção, mas não suporta ficar escondida. A liberdade é fundamental para ela. Aí a gente encontrou esse caminho maravilhoso que são as redes sociais”, contou a cantora, referindo-se a foto postada no Instagram quando assumiu publicamente seu relacionamento homossexual.

“Foi surpreendente o tamanho da repercussão. Mas eu fiquei feliz de ela ter levantado esse movimento. Minha mãe é sempre muito corajosa e eu tenho muito orgulho disse”, disse Giovana, filha da artista.

Outro filho de Daniela, Gabriel, também comentou sobre a decisão da mãe de assumir o relacionamento com a jornalista. “Não foi inesperado, a gente já sabia. Mas as coisas foram se delineando”, contou.

Parada Gay 

No domingo (2), Daniela fez o público dançar e cantar durante a Parada Gay de São Paulo,  A artista discursou contra a homofobia e se declarou para sua namorada. O show da cantora começou na Rua da Consolação, com as músicas “O Canto da Cidade” e “Ilê Pérola Negra”.

Por quase duas horas ela agitou o público, inclusive cantando marchinhas de carnaval. Apesar da chuva, o público não se intimidou e seguiu seu trio. No meio da apresentação, Daniela beijou a namorada, sendo ovacionada pelo público.

E se seu filho fosse gay? Artigo de Arthur Henrique Chioramital 1

E seu filho fosse gay, o que você faria? (Foto: Thinkstock)

E seu filho fosse gay, o que você faria? (Foto: Thinkstock)

O Instituto Data Popular perguntou para 1.264 pessoas de cidades em todas as regiões do Brasil “Como você reagiria se seu filho ou filha se declarasse homossexual?”. Os resultados, divulgados na última sexta-feira (31/5), não poderiam ter me deixado mais feliz: 47% dos brasileiros disseram que não teriam problemas em aceitar os filhos caso eles se assumissem gays. O índice é dez pontos percentuais maior do que o de pessoas que rejeitariam seus filhos em função da orientação sexual.

Sério, gente, vocês não têm noção de como esses números são importantes. Mais do que apontar a diminuição do preconceito contra a população LGBT, o que já seria uma grande notícia a ser comemorada, a pesquisa mostra que, em todo o Brasil, gays e lésbicas correm menos risco de sofrerem agressões físicas e psicológicas no ambiente doméstico ou serem expulsos de casa por simplesmente saírem do armário. Vocês conseguem perceber o avanço que isso representa?

Assumir a homossexualidade para a família é um momento para lá de delicado. Mais do que o medo do preconceito e da violência, nos aterroriza a possibilidade de perder o afeto de algumas das pessoas mais importantes de nossas vidas: nossos pais, irmãos e parentes mais próximos. Não sei se vocês conseguem calcular quão angustiante essa situação pode ser. Imaginem correr o risco de ser afastado do convívio das pessoas que você ama, ser punido por algo que faz parte de você, mas que você não escolheu, como a cor dos seus olhos, o talento para os esportes ou inclinação artística. Agora misture tudo isso com a confusão emocional característica da adolescência. Tenso, né?

Eu mesmo demorei anos para abrir o jogo lá em casa. Com exceção da minha irmã mais velha, só no ano passado minha família ficou sabendo que eu gostava de meninos, oito anos depois de eu ficar com um cara pela primeira vez. E olha que minha mãe é uma mulher moderna e esclarecida, dessas que saem para dançar com as amigas, discutem política na mesa de jantar e não têm medo de mudar de ideia com relação a questões polêmicas diante de bons argumentos. Por que eu demorei tanto? Porque eu não sabia como ela reagiria. Eu sou o primeiro gay assumido da minha família e a falta de referência me deixava inseguro sobre como a situação poderia se desenrolar. Só tive coragem para me abrir depois que fui morar sozinho.

Meu caso está longe de ser trágico ou triste. Olhando para trás, tenho quase certeza que não havia motivos para temer uma reação negativa da minha mãe. Ela levaria um susto, sem dúvida, e precisaria de um tempo para se acostumar com a ideia de que seria apresentada a um genro e não a uma nora em um almoço de domingo qualquer. Nada além disso. Ainda assim demorei quase dez anos para ser honesto com ela.

Por isso o resultado da pesquisa feita pelo Instituto Data Popular é tão importante. Porque mostra a boa parte dos jovens gays e lésbicas de todo o País que não há o que temer, que eles vivem em lares inclusivos onde sua sexualidade é respeitada e a diversidade é vista com bons olhos. Lares onde eles são apenas filhos, com demandas e receios de filhos, com sonhos e anseios de filhos, independentemente do gênero da pessoa por quem se apaixonem. E isso, meus caros, é tudo o que podemos querer.

Engana-se quem pensa que queremos privilégios ou direitos que extrapolam a esfera do sensato. Engana-se quem pensa que queremos chamar atenção, chocar ou agredir quem quer que seja. Queremos apenas existir de forma plena. Queremos andar de mãos dadas na rua e ficar abraçados na fila do cinema. Queremos levar o namorado para dormir em casa e dormirmos juntos ou separados, de acordo com o que ditam as regras da casa, assim como nossos irmãos fazem.

Penso que cada vez mais gente começa a entender o que Boaventura de Souza Santos quis dizer quando afirmou que temos o direito de sermos iguais quando a diferença nos inferioriza e temos o direito de sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. Fico feliz em saber que uma parcela importante dessa tomada de consciência está acontecendo dentro das casas, no meio das famílias, de dentro para forma, como toda mudança consistente deve acontecer. Sou um otimista incorrigível. Escolho acreditar, todos os dias, que os bons são maioria. Pesquisas como essa mostram que há grandes chances de eu estar certo. Ainda bem.

Tribunal alemão ordena igualdade fiscal para casais do mesmo sexo 1

Corte alemã determinou igualdade fiscal para casais homossexuais (Foto: Christof Stache/AP)

Corte alemã determinou igualdade fiscal para
casais homossexuais (Foto: Christof Stache/AP)

O Tribunal Constitucional da Alemanha, principal instância judicial do país, determinou nesta quinta-feira (6/6) a equiparação do regime fiscal do casais do mesmo sexo com o dos heterossexuais.

A corte de Karlsruhe (oeste) considerou inconstitucional o tratamento fiscal diferente baseado na orientação sexual.

Desde 2001, os casais homossexuais podem oficializar sua união na Alemanha com a assinatura de um “contrato de comunidade de vida”.

O contrato concede direitos similares aos de um casamento, exceto na área fiscal e para adoção.

Com a determinação, a lei deve ser alterada de modo retroativo até 2001 na área fiscal.

Os casamentos gays não existem na Alemanha, já que para isto seria necessária uma alteração na Lei Fundamental de 1949, que atua como Constituição do país.

De todos os partidos representados no Bundestag – Câmara Baixa do Parlamento alemão -, apenas os conservadores da chanceler Angela Merkel (CDU e seu braço bávaro CSU) eram contrários ao alinhamento do regime fiscal dos casais do mesmo sexo com os casais heterossexuais.

DJ que tocou na Parada diz que tatuagens não são nazistas e que imagem de Mussolini é de soldado 1

Reprodução: Rash-SP

“Foto do DJ com imagem do fascista Mussolini e símbolos neonazistas no site Rash-SP”

Após a divulgação de imagens que fazem alusão ao fascismo e nazismo serem divulgadas em redes sociais, o DJ EnricoTank, que tocou em um trio da Parada Gay no domingo, divulgou nota afirmando que se trata de uma tentativa de denegrir sua imagem.

Ele dá explicações para cada uma das tatuagens. Afirma que uma conhecida imagem do fascista italiano Benito Mussolini é a de “um combatente desconhecido, uma vez que o DJ é aficionado pela temática da guerra”.

Nas fotos, divulgadas no site do grupo anti-intolerância Rash-SP, Tank tem uma tatuagem com o número 88, representação da oitava letra do alfabeto, usado para simbolizar a saudação nazista “Heil Hitler”. De acordo com a nota enviada pela assessoria dele, é uma referência ao ano de 1988, quando fez a primeira viagem ao exterior. “Ao retornar ao Brasil recentemente, sendo informado da possível interpretação deste número como algo ligado ao nazismo, decidiu reformular a sua tatuagem, modificando-a com o número 8 e o desenho de uma bola de bilhar”, afirma a nota.

Também há símbolos usados pela organização racista white power e a imagem da bandeira confederada americana (adotada por grupos racistas). O primeiro, de um punho cerrado, é um sinal de resistência, segundo ele. A bandeira é uma homenagem ao estilo country rock.

Pelas fotos, também é possível encontrar simbologia muito similar a grupos neonazistas internacionais, como Combat 18 e Blood and Honour. O primeiro, segundo a nota, foi uma alusão à guerra e o outro, a um filme de mesmo nome.

A assessoria de Tank afirma que, mesmo sendo heterossexual, ele fez toda a carreira em clubes gays da Europa. O DJ é ex-integrante da boy band Twister e já posou na G Magazine.

Depois da divulgação das imagens, a apresentação dele prevista para a Parada Gay de Santo André, no ABC, foi cancelada. A organização encaminhou o caso para a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e para a Secretaria de Estado da Justiça.

Casamento gay supera novo obstáculo no Parlamento britânico 1

A Câmara dos Lordes britânica se pronunciou nesta terça-feira (4/6) contra uma emenda que poderia enterrar o projeto de lei promovido pelo governo para legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Grã-Bretanha.

Após um debate de dois dias que confirmou as profundas divisões na Câmara Alta do Parlamento, apenas 148 membros se pronunciaram a favor da emenda para impedir uma segunda leitura, enquanto 390 votaram a favor de levar o processo adiante.

O texto já foi aprovado em 21 de maio, na Câmara dos Comuns, depois de um acordo entre o governo de coalizão do conservador David Cameron e a oposição trabalhista para compensar uma tentativa dos deputados da ala mais dura dos “Tories” de afundar o projeto.

Os críticos do casamento homossexual argumentam que sua legalização destruirá o conceito tradicional do matrimônio. Já seus defensores insistem na necessidade da igualdade.

O resultado da votação desta terça-feira foi recebido com entusiasmo do lado de fora do Parlamento por um grupo de manifestantes favoráveis à iniciativa.

“Essa é uma vitória para o amor, o casamento e a igualdade”, comemorou Peter Thatchell, um conhecido defensor da causa gay.

O projeto de lei propõe a legalização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo na Inglaterra e no País de Gales. Também permitirá a união no religioso, com a única exceção sendo para a Igreja Anglicana oficial.

O primaz da Igreja da Inglaterra, o arcebispo de Canterbury Justin Welby, que ocupa uma cadeira na Câmara, afirmou hoje durante o debate que o casamento entre pessoas do mesmo sexo “abolirá” a instituição atual e a substituirá por outra mais fraca que “não será nem igualitária, nem eficaz”.

O debate continua agora na Câmara dos Lordes. Se alguma emenda for apresentada, o texto voltará para a Câmara dos Comuns. A previsão é que, se aprovado, os primeiros casamentos poderão começar a ser realizados em meados de 2014.

Até agora, 14 países legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo, entre eles Argentina, Espanha e Uruguai.

Novo ministro do Supremo Tribunal Federal é favorável ao casamento gay 2

O constitucionalista Luís Roberto Barroso (primeiro à esq.) durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (Foto: Geraldo Magela/Ag.Senado)

O constitucionalista Luís Roberto Barroso (primeiro à esq.) durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (Foto: Geraldo Magela/Ag.Senado)

Durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (5), o futuro ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso falou de questões polêmicas, como o julgamento do processo do mensalão,  união homoafetiva e Lei da Anistia.

Barroso tem 55 anos e foi indicado pela presidente Dilma Rousseff para ocupar vaga de ministro do Supremo no fim de maio. A 11ª cadeira do tribunal está vaga desde novembro do ano passado, quando o ministro Carlos Ayres Britto se aposentou compulsoriamente ao completar 70 anos. A data da posse ainda não foi definida.

Confira abaixo posições que Barroso manifestou aos senadores sobre diversos temas:

Visão de mundo

“Nós vivemos a época da tolerância, época em que se deve respeitar todas as possibilidades razoáveis de uma vida boa. A verdade não tem dono, existem muitas formas de ser feliz. Cada um é feliz a sua maneira, desde que não interfira na vida de outrem.”

Ativismo do Judiciário

Quando haja um ato do Congresso, uma manifestação política do Congresso ou mesmo do Presidente da República, o Judiciário não deve ser ativista. O Judiciário deve ser autocontido e respeitar a deliberação política. Porém, situações há em que o Judiciário precisa resolver um problema e não há norma editada pelo Congresso. Foi o que aconteceu no caso de anencefalia.

O Poder Judiciário entendeu que uma mulher deveria ter o direito de interromper a gestação na hipótese de o feto ser anencefálico, portanto não ter cérebro e não ter viabilidade de vida extrauterina.

E o Judiciário entendeu, a meu ver com acerto – respeitando quem pensa diferentemente –, que obrigar uma mulher que faz o diagnóstico no terceiro mês a permanecer com mais seis meses de gestação, para ao final dessa gestação o parto para ela não ser uma celebração da vida, mas um ritual de morte, o Judiciário entendeu que essa mulher deveria ter o direito de interromper a gestação.

Eu penso que entendeu corretamente. Essa foi uma decisão, em alguma medida, criativa? Penso que sim. Essa foi uma medida desrespeitosa ao Congresso? Penso que não, porque no momento em que o Congresso legislar a respeito, é essa a vontade que vai prevalecer.

Casamento gay

“Não havia no direito brasileiro uma regra específica para tratar dessa questão. Mas há uniões homoafetivas, esse é um fato da vida, e o juiz precisa decidir se há direito à sucessão, se o patrimônio é comum, se na hipótese de venda de um bem, o casal homoafetivo deve assinar junto. Portanto, os problemas surgem. Como o Congresso, compreensivelmente, tem dificuldade de produzir uma norma nessa matéria, o Judiciário teve que produzi-la.

Portanto, eu acho que se alguém quiser chamar isso de ativismo, que eu acho que talvez seja uma denominação um pouco pejorativa, eu acho que essas decisões são legítimas.

Portanto, onde faltava uma norma, mas havia um direito fundamental a ser tutelado, eu acho que o Judiciário deve atuar. Quando o Congresso tem atuado ou atue posteriormente, essa é a vontade que deve prevalecer.”

Mensalão

“Eu também escrevi, portanto não tenho nenhum constrangimento de dizer, que eu examinei a jurisprudência do Supremo no ano de 2012, quando fiz uma resenha para o site Consultor Jurídico. E eu pensei que fosse chegar à conclusão de que o Supremo tinha endurecido em matéria penal na sua jurisprudência.

A conclusão a que eu cheguei é que o Supremo manteve as suas linhas jurisprudenciais tradicionais, mais garantistas, mas endureceu no caso do mensalão. Eu acho que o mensalão foi, por muitas razões, um ponto fora da curva, mas não correspondeu a um endurecimento geral do Supremo, foi um endurecimento naquele caso específico. Eu estou me manifestando sobre isso, porque já escrevi sobre isso quando não imaginava estar aqui.”

Reforma política

“Uma democracia, um país, precisa do Congresso, precisa que o povo tenha identificação. Uma reforma poderia ajudar a produzir essa aproximação. Acho ruim que certos debates tenham mais visibilidade quando está no Judiciário do que quando está no Legislativo. O único consenso é que tem que ter reforma. Alguém vai perder, mas precisa urgentemente.”

“Falando doutrinariamente, concordo que fidelidade partidária é fator importante. E concordo que excesso de atomização dos partidos não ajuda processo político. Acho que um dia é possível fazer reforma. Mas essa é uma questão que depende desta Casa [Senado].

Não há muito que o Supremo possa fazer, se tivesse um desejo, seria a reforma política para baratear as eleições, dar autenticidade programática aos partidos e formar maiorias consistentes para o chefe do Executivo poder governar […]. No Supremo dificilmente vou ter qualquer papel nesse sentido, e acho que nesse ponto o Brasil precisa dos senhores [senadores].”

Lei da Anistia

“A situação que vigora é: o Congresso Nacional editou uma lei de anistia política. O Congresso Nacional não reviu a Lei de Anistia política, e o Supremo Tribunal Federal disse que é constitucional a lei que concedeu anistia política aos dois lados. Há uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos dizendo que não se deve anistiar na hipótese de grave violação de direitos humanos, julgando um caso brasileiro.

Portanto, nós temos uma decisão do Supremo Tribunal Federal e uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos; o Supremo validando a Lei da Anistia e a Corte Interamericana dizendo que é ilegítima uma lei de anistia naquela circunstância. É essa a questão, e ela vai voltar para o Supremo Tribunal Federal.

Eu não debati isso na ocasião por causa da discussão do caso do Cesare Battisti. Eu era advogado quando isso foi julgado e construí uma afirmativa que corresponde um pouco ao meu modo de ver a vida, que é: na vida existem missões de justiça e na vida existem missões de paz. As duas podem ser legítimas. Portanto, quem tem competência política é que deve decidir se a hora é de uma missão de justiça ou se a hora é de uma missão de paz.”

Maioridade penal

“Eu acho que as cláusulas pétreas, ou seja, as normas constitucionais que impedem o próprio Congresso de modificar a Constituição, são cláusulas antimajoritárias, são cláusulas que impedem a maioria de se manifestar, são cláusulas que fazem com que a maioria do passado, que fez a Constituição, faça a sua vontade prevalecer sobre a maioria do presente. […]

De modo que esta é a minha posição doutrinária, sem avançar um juízo na questão específica da maioridade penal, embora quando surgir o debate público, mas essa não é uma questão constitucional, é um debate político, é preciso ter em linha de conta que diminuir a maioridade penal é aumentar a clientela do sistema penitenciário, e, portanto, é preciso ter em conta e fazer um levantamento de quantos mandados de prisão existem não cumpridos para saber se queremos criar mais demanda no sistema.”

Poder de investigação do Ministério Público

“Enquanto não vier uma lei interditando, eu acho que o Ministério Público pode, sim, conduzir a investigação por exceção e, em certos casos, acho até que deve. Porém, acho que, por ser excepcional…

Se o Ministério Público assumir o papel da polícia, ele passará a ter os mesmos problemas da polícia e deixará de haver alguém que controle a polícia, quando for o caso. E como nem sempre é fácil controlar o Ministério Público, também não se deve dar a ele esse poder ilimitado.

A minha proposta, portanto, é: o Ministério Público pode, a legislação deve disciplinar as hipóteses, e essa jamais deverá ser a regra; essa deverá ser a exceção.

Liberdade de expressão

“Todos os meus sentimentos em relação à liberdade de expressão são bons. Eu sou de uma geração que viveu a censura, enfrentou a censura; essa é a assombração da minha geração.

De modo que eu, em matéria de liberdade de expressão, tenho uma posição bastante libertária – devo francamente dizer isso aos senhores – e acho que a melhor forma de lidar com a liberdade de expressão e com eventuais abusos da liberdade de expressão é multiplicar a liberdade de expressão, dar voz a todos, inclusive, tentar dar voz a quem não tem.

Portanto, em matéria de liberdade de expressão, como em outras matérias, eu acho que o que liberta é o pluralismo e a diversidade.

Agora, nenhum direito é absoluto. Portanto, a imprensa pode muito, a liberdade de expressão é desejável, mas para tudo existem limites. Como regra geral, esses limites jamais deverão se manifestar numa censura prévia, mas esses limites podem se manifestar no dever de reparar ou no exercício do direito de resposta.”

Conflitos com indígenas no campo

“Claro que este processo [de demarcação de terras indígenas] que está pendente deverá ser visto como prioridade necessária […]. Mas a complexidade da questão indígena, essas provavelmente terão de ser resolvidas no Legislativo e no âmbito do Executivo, nos órgãos próprios. Se houvesse solução fácil, já teríamos chegado até ela.

É uma questão complexa […]. É preciso que se procure conciliar interesses legítimos do agronegócio com interesses legítimos dos grupos indígenas.”

Raposa Serra do Sol

“Eu sei que há embargos de declaração. A propósito das condicionantes, eu acho que as condicionantes, no geral, explicitavam deveres ou conseqüências que já estavam na Constituição. Onde elas explicitavam ou veiculavam ideias que não decorriam diretamente da Constituição, aí acho que vale apenas para o caso concreto da Raposa Serra do Sol, mas aí, sim, acho que o Supremo não tem competência normativa para disciplinar ad futurum, quando vão ser feitas as demarcações.”

Royalties do petróleo

“Me sinto moralmente impedido de votar sobre algo em que tenha me manifestado. Nos royalties, por exemplo, tenho posição declarada. Não posso julgar, não me considero com imparcialidade nem distanciamento.”

Aborto de anencéfalos

“Eu penso que obrigar gestante a ter que passar por transformação que passa a mulher por filho que não vai vir. Penso que sofrimento pode ser evitado, o titular do sofrimento é que deve escolher. A medicina assegura que se o diagnóstico é certo que há chance de sobrevida, não é anencefalia.”

Cesare Battisti

“Cesare era uma figura menor de um movimento político menor que participou da conflagração armada em um momento difícil da história da humanidade em diferentes partes do mundo. E, 30 anos depois, a Itália o transformou num símbolo do acerto de contas com o passado.

O Brasil e o Supremo Tribunal Federal já haviam negado a extradição de diversos militantes da esquerda armada italiana, um deles defendido pelo advogado Técio Lins e Silva aqui presente. De modo que o Cesare foi transformado num símbolo.”

Constituição de 1988

“Sou crítico da circunstância de que existem mais de 70 emendas na Constituição brasileira e acho que isso decorre da circunstância de que é uma Constituição excessivamente abrangente, cuida de temas demais e, além de cuidar de temas demais, faz de maneira excessivamente detalhista.

Isso faz com que, em parte, a política ordinária, no Brasil, se faça por via de emendas constitucionais. Como está tudo na Constituição, qualquer governo, para implementar o seu projeto político, precisa fazer emendas à Constituição.

Já convivemos há 25 anos com esses defeitos da Constituição brasileira e, tendo em vista os muitos sucessos que ela proporcionou ao país, sobretudo de uma estabilidade institucional duradoura, com alternância de poder e absorção das crises políticas pelas instituições existentes, dificilmente me animaria a desperdiçar o capital político da Constituição de 1988, quer convocando outra Constituição, outra Constituinte, quer mesmo fazendo uma reforma profunda.

Acho que o Congresso fez as reformas pontuais que precisava fazer e acho que o Supremo conseguiu, de certa forma, moldar a Constituição na parte de separação de poderes, na parte de organização federativa, na parte de direitos fundamentais, de modo que a Constituição brasileira trata de tudo, só não traz a pessoa amada em três dias”.

Indicações ao Supremo

“O Presidente da República tem uma responsabilidade pessoal muito nítida, o que os americanos chamam de ‘accountability’. Todo mundo sabe que foi o Presidente Fernando Henrique que nomeou o Ministro Gilmar Mendes; todo mundo sabe que o Presidente Sarney nomeou Sepúlveda Pertence; todo mundo sabe que o Presidente Lula nomeou o Ministro Carlos Ayres. Essa possibilidade de reconduzir a responsabilidade política a um agente político eletivo eu pessoalmente acho melhor.

Se se deveria ou não discutir critérios prévios para que se oferecesse uma lista ao Presidente da República, e, portanto, a escolha não fosse tão discricionária, acho que pode ser um bom debate e acho que este é o lugar próprio para se travar esse debate.”

Expectativas

“Espero que a virtude, que é pelo bem dentro de mim, espero ter sabedoria para identificar onde está o bem no caso concreto, que às vezes é difícil. E coragem moral para fazer o que deve ser feito.”

Milhares protestam em Brasília contra aborto e casamento gay 6

Evangélicos fazem ato por liberdade religiosa no gramado em frente ao Congresso Nacional, em Brasília (Foto: Valter Campanato/ABr)

Evangélicos fazem ato por liberdade religiosa no gramado em frente ao Congresso Nacional, em Brasília (Foto: Valter Campanato/ABr)

Sob um sol intenso, milhares de evangélicos (40 mil, de acordo com o comando da Polícia Militar; 70 mil, segundo os organizadores) ocuparam nesta quarta-feira (5) os gramados da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para protestar contra a descriminalização do aborto e o casamento gay e pedir liberdade de expressão religiosa.

O palco montado em frente ao Congresso Nacional atraiu líderes evangélicos, políticos de vários partidos e artistas gospel.

O evento organizado pelo pastor Silas Malafaia, um dos líderes da igreja Assembleia de Deus, foi realizado em um dos dias de maior movimentação no Legislativo. Dezenas de parlamentares ligados à bancada evangélica se revezaram para discursar no ato religioso.

Um dos temas mais recorrentes dos oradores do evento foi o casamento entre casais homoafetivos. Recentemente, decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que os cartórios do país oficializem casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Durante as manifestações ao público aglomerado diante do palco, os líderes evangélicos criticaram os esforços de parlamentares ligados a movimentos sociais de tentar criminalizar a homofobia.

Os pastores e políticos defenderam que qualquer cidadão tenha o direito de se expressar contra as uniões entre homossexuais. Durante o evento, alguns defensores dos direitos dos homossexuais chegaram a bater boca com evangélicos. A polícia interveio e controlou a situação.

Para Silas Malafaia, “o ativismo gay quer criminalizar a opinião”. O pastor evangélico ressaltou que, na opinião dele, “não existe delito de opinião”.

“Não existe opinião homofóbica. Existe homofobia. A sociedade é livre para criticar evangélico, criticar católico, criticar deputado. Agora, se criticar a prática homossexual é homofobia. Vai ver se eu estou na esquina”, discursou Malafaia.

Alvo de protestos por conta de declarações publicadas em redes sociais consideradas racistas e homofóbicas, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Marco Feliciano (PSC-SP), disse que os críticos do casamento homossexual não lutam contra os gays, e sim “a favor da família”.

“[O evento] é uma resposta aos governantes e a todas as pessoas que chamam de progresso aquilo que não é, que é retrocesso. A família é a base de toda a sociedade. A minha permanência na Comissão de Direitos Humanos é a favor da família. Eu mostrei isso sem xingamento, sem briga, sem nada”, afirmou Feliciano.

Deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, durante a manifestação evangélica na Esplanada dos Ministérios (Foto: Valter Campanato/Abr)

Deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, durante a manifestação evangélica na Esplanada dos Ministérios (Foto: Valter Campanato/Abr)

Louvor e discursos

O evento evangélico teve início com breve discurso do pastor Silas Malafaia, que defendeu a “família tradicional” e a liberdade religiosa. Em seguida, o público ouviu de pé o Hino Nacional. Vários evangélicos carregavam bandeiras, a maioria com mensagens em defesa do casamento heterossexual e contra o aborto.

Após pregações de vários pastores, Silas Malafaia voltou ao palco para um último discurso antes dos shows de bandas gospel. O pastor da Assembleia de Deus fez duras críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal, defendeu o direito de protestar contra a união homossexual e condenou o aborto.

No discurso, Malafia afirmou que o “ativismo gay” é “lixo moral”. “Eles nos chamam de fundamentalistas. Fundamentalistas porque defendemos a família, defendemos valores morais, somos contra as drogas. Sabe o que eles são? Os fundamentalistas do lixo moral! Escreve aí que o pastor Silas Malafaia chamou o ativismo gay de fundamentalismo do lixo moral”, disse.

O pastor criticou o Supremo Tribunal Federal por ter considerado constitucional a união civil entre pessoas do mesmo sexo, e o Conselho Nacional de Justiça por ter determinado que cartórios realizem casamento civil de homossexuais.

“O Supremo, que nós sustentamos, na caneta deu o casamento gay. O CNJ obriga cartório a casar. Uma mudança de paradigma tem que ser feita ou no Congresso ou por plebiscito. Isso é uma vergonha! Isso é uma afronta à sociedade, é uma afronta à maioria.”

Manifestante segura bandeira do Brasil com as cores do movimento gay durante manifestação de evangélicos na Esplanada dos Ministérios nesta quarta (5) (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Manifestante segura bandeira do Brasil com as cores do movimento gay durante manifestação de evangélicos na Esplanada dos Ministérios nesta quarta (5) (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Malafaia também criticou o advogado constitucionalista Luís Roberto Barroso, indicado pela presidente Dilma Rousseff para uma vaga no Supremo. A indicação foi aprovada nesta quarta pelo plenário do Senado. Barroso atuou como advogado no STF pela defesa da união homoafetiva e a liberação do aborto de anencéfalos.

“Agora mesmo estão sabatinando o novo candidato ao Supremo. O cara diz: ‘Sou a favor do aborto porque as mulheres sofrem’. Eu nunca vi uma resposta imbecil como essa. Diga a ele que qualquer tipo de aborto traz sofrimento para a mulher. Diga a ele, que defendeu gay como advogado, é ele que defende aborto”, afirmou Malafaia.

Malafaia também defendeu o deputado Marco Feliciano (PSC-SP). “Esse jogo contra Feliciano não é contra ele, é contra nós. Esses deputados hipócritas que defenderam tirar o Feliciano defendem o aborto.”

Ele criticou ainda tentativas de regulamentar a atividade da imprensa. “Esses esquerdopatas querem controlar a imprensa. Estão pensando que somos uma Bolívia, uma Venezuela. Aqui não! Aqui é imprensa livre. Os esquerdopatas querem um novo marco regulatório para controlar a imprensa, o Estado e a sociedade. Querem colocar a mão na gente, querem colocar a mão em nós. E ninguém vai nos calar. Para calar a nossa voz, vai ter que rasgar a Constituição do Brasil.”

Malafaia encerrou o discurso dizendo que os evangélicos voltarão a se reunir em Brasília se for preciso protestar.

Chuva, política e Daniela Mercury marcam Parada Gay mais vazia 1

Márcio Fernandes/Estadão Daniela Mercury e sua mulher, Malu Verçosa

Márcio Fernandes/Estadão
Daniela Mercury e sua mulher, Malu Verçosa

Notícia um pouco atrasada. O blogueiro está viajando e pede desculpas aos leitores.

A 17.ª edição da Parada Gay foi marcada por uma chuva insistente que afastou parte do público, muitos protestos contra o deputado e pastor Marco Feliciano e Daniela Mercury como grande personagem. A cantora baiana arrastou o público da Avenida Paulista, transformou a Rua da Consolação em um grande bloco, cantou o Hino Nacional e dedicou o show à companheira, Malu Verçosa.

A organização do evento estimou o público em 3 milhões de pessoas – 1,5 milhão a menos do que em 2012. A medição da Polícia Militar foi bem inferior: 1,5 milhão de participantes – o mesmo número de 2004.

De capa, guarda-chuva – muitos com as cores do arco-íris – ou sem nenhuma proteção, quem participou do evento deste ano ouviu um discurso contundente de Daniela Mercury. “Se a gente não vai para a rua dizer que não quer certas pessoas na Comissão de Direitos Humanos, não vai tirar ele (Feliciano) de lá. A gente já tirou um presidente da República. Não é possível que o governo brasileiro continue mantendo pessoas que não nos representam”, discursou no microfone.

O show da cantora começou com duas horas de atraso e só na Rua da Consolação porque o trio dela, que foi trazido de Salvador e patrocinado pelo governo baiano, não foi autorizado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) a cruzar a Paulista. O veículo tem 4,8 metros de altura, mas o máximo permitido na via é 4,5 metros. Ela, então, cantou em um outro trio.

O pastor também foi alvo de piadas por parte do público. Como protesto às declarações do deputado, o enfermeiro Rogério Rocha, de 43 anos, carregava consigo a cartilha dos “defeitos humanos”. “O Feliciano fala muito dos direitos humanos e diz que nós, gays, somos os defeitos. Pois fiz uma sátira a ele.”

O tom político começou antes mesmo do evento. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) aproveitou a coletiva de imprensa para desmentir a informação de que é do prelado católico Opus Dei, Marta Suplicy (PT) classificou a gestão de Feliciano na Comissão de Direitos Humanos como “tragédia grega” e o deputado Jean Wyllys (PSOL) discursou contra o “fundamentalismo religioso”. Já o prefeito Fernando Haddad (PT) decidiu subir em um trio elétrico – no ano passado, o então prefeito Gilberto Kassab (PSD) preferiu ficar no camarote. “Existe amor em São Paulo. Vamos lutar contra a intolerância e resgatar os direitos civis”, disse Haddad.

Religião

Homossexuais da Igreja Cristã Evangélica Para Todos fizeram a campanha Para Deus, Somos Todos Iguais. Jair Simão de Souza, de 27 anos, que há cinco milita na causa, defendeu que as igrejas sejam mais inclusivas. “Deus nos fez livres, então o outro tem de ser livre como Deus manda. É possível, sim, ser cristão de tendência evangélica e homossexual”.

Não só os evangélicos foram alvo de protestos. A Igreja Católica também. O estilista José Roberto Fernandes, de 62 anos, fantasiou-se de papa. Não foi o único. Já seu companheiro, Marcos Oliveira, de 40, vestiu-se de São Francisco. Na Avenida Paulista, também era possível encontrar várias pessoas fantasiadas de freiras e padres.

Esticada

Ao todo, foram 16 carros alegóricos. Por volta das 18 horas, por causa de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que estabelece horário para o fim do evento, a Avenida Paulista já estava praticamente vazia.

A festa, porém, acabou mais tarde. Boa parte do público desceu a Consolação rumo à Praça da República, onde foi montado o palco para o show de encerramento da parada.

O principal nome da apresentação foi a cantora Ellen Oléria, vencedora do programa The Voice Brasil, da TV Globo, que sempre deixou clara sua orientação sexual no programa. A expectativa era de que o evento durasse três horas mais do que no ano passado.

O efeito Daniela Mercury levou muito mais casais de mulheres a esta edição da Parada, tradicionalmente dominada pelo público masculino.