Tel Aviv celebra a Parada do Orgulho Gay Resposta

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Milhares de pessoas participavam nesta sexta-feira da Parada do Orgulho Gay de Tel Aviv, um encontro de gays e lésbicas que reúne todos os anos pessoas do mundo inteiro.

Este é o vigésimo aniversário da organização desta manifestação por parte da prefeitura da cidade.

‘Tel Aviv é uma cidade pluralista que defende os direitos dos homossexuais’, disse Mira Marcus, do serviço de comunicação de Tel Aviv.

Desde sua primeira edição, em 1998, a Parada do Orgulho Gay de Tel Aviv se tornou uma das datas chave no cenário homossexual mundial.

Nos bastidores de ‘Crô’, Marcelo Serrado cita influência de Sean Penn para o papel Resposta

Marcelo e Ana Maria durante gravação de 'Crô', num casarão em São Paulo; a comédia de Bruno Barreto é inspirada no personagem da novela 'Fina estampa', de Aguinaldo Silva (Foto: Beatriz Lefèvre/Divulgação)

Marcelo e Ana Maria durante gravação de ‘Crô’, num casarão em São Paulo; a comédia de Bruno Barreto é inspirada no personagem da novela ‘Fina estampa’, de Aguinaldo Silva (Foto: Beatriz Lefèvre/Divulgação)

 

 

Enquanto verifica no monitor o resultado da cena que tinha acabado de gravar, Ana Maria Braga comenta com Marcelo Serrado que o set está repleto de “gente bonita”, citando “o diretor careca”. “Estou até ovulando”, devolve o ator, que vive o protagonista do filme “Crô”. A dupla brinca que o encontro deveria se repetir no “Mais Você”, programa da apresentadora. Marcelo (ou Crô), então, lista pratos que estaria apto a preparar: “Salada de salpicão, croquete…”. O cardápio faz rir Ana Maria e a equipe que ocupa um casarão perto da Avenida Paulista. É lá que acontecem as gravações de “Crô” acompanhadas pelo G1 numa sexta-feira de maio. Dirigida por Bruno Barreto, a produção dedica-se ao personagem da novela “Fina estampa”, de Aguinaldo Silva. A estreia está prevista para novembro.

Na sequência da qual participa, Ana Maria Braga interpreta a si mesma e visita a mansão onde mora Crô, principal cenário do longa. Quer entrevistá-lo. Na novela, ele era mordomo. Agora, depois de ficar milionário e de acumular frustrações, deseja regressar à antiga atividade – ele vai usar a exposição no programa de TV para convocar “patroas” e fazer uma improvável seleção de emprego.

Assim que o diretor grita “ação!”, Ana Maria tenta começar a entrevista fictícia: “Marcelo, meu amor…”. Risos são ouvidos no set. Não é a primeira nem a última vez em que a apresentadora confunde ator e personagem. Mas ela retoma – “Crô, meu amor…”. O breve diálogo mantém-se agora sem interrupções. É tempo suficiente para que Crô insista em “salpicão, croquete e ovular”, especule quanto à orientação do Loro José (“Eu conheço a fauna inteira…”) e convoque a colega a acompanhá-lo em seu grito de guerra: “Over the rainbow!”. Ana Maria pergunta se ele nasceu naquela mansão. Resposta: “Eu nasci aqui, eu cresci aqui… Mas não sou Gabriela!”. Bruno Barreto ri.

Serrado posa com ritmistas fantasiados de Crô (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)

Serrado posa com ritmistas fantasiados de Crô
(Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)

Sean Penn, Sandrinho e Jefferson

Terminadas as gravações, intervalo para almoço. Já despido do pijama de cetim usado por Crô até minutos antes, Marcelo Serrado encontra-se com o G1 no camarim. Ao falar sobre influências para o papel, demonstra vontade de escapar do que ele chama de “caricatura”.

Ele se recorda do casal gay Sandrinho (André Gonçalves) e Jefferson (Lui Mendes), da novela “A próxima vítima” (1995). No cinema, de Santiago, mordomo que é tema do documentário homônimo dirigido por João Moreira Salles. Cita ainda Sean Penn em “Milk – A voz da igualdade” (2008). “É tudo construído no detalhe, no dedo, nas mãos. Botei [em ‘Crô’] essa coisa dos anéis, porque uso muito a mão no rosto”, explica.

Marcelo Serrado afirma o seu “é um filme feito por personagens à margem: um mordomo, uma empregada e um motorista”. Acha “engraçado” não existir um casal romântico como protagonista. Ele confessa estar otimista, porque “as pessoas amam o Crô, as crianças amam o Crô”. “Eu viajo pelo Brasil com meu stand up e ponho 2 mil, 3 mil pessoas num fim de semana. Não faço o Crô, mas as pessoas querem ver, se sentem próximas. O Crô é lúdico.”

Lúdico e discreto, insiste Marcelo Serrado. “Apesar de ter essa alegoria toda, se você reparar, Crô é mais fechado, nunca espalhafatoso. Para ele, “o personagem podia virar mais um gay da TV, como vários que existem” – o que foi evitado, na opinião do ator. Bruno Barreto, o diretor, parece concordar. Se no lançamento de “Crô” ele recorreu aos irmãos Coen, Tim Burton, Chaplin e Jerry Lewis, durante a gravação arrisca esta definição: “É meio comédia britânica, não é?”. Nenhum dos presentes no set chega a contestar.

Serrado contracena com Urzula Caneviri no filme 'Crô' (Foto: Lisa Graham/Divulgação)

Serrado contracena com Urzula Caneviri
no filme ‘Crô’ (Foto: Lisa Graham/Divulgação)

Estátua da Ivete

Na entrevista, Marcelo Serrado abordaria tema semelhante. “Crô tem uma coisa comedida, quase inglesa. Ele pode ir para uma boate gay, mas não vai se jogar. Reparou a roupinha dele? Ele usaria isso que você está usando”, brinca, ao apontar a roupa do repórter. “Eu uso, meu pai usava muito isso também! Dá uma postura mais comedida, clássica.”

Nas cenas com Ana Maria Braga, o protagonista vestia casaco azul claro; camisa amarela listrada em branco e azul; gravata amarela, azul e rosa; calças pretas justas; e sapatos dockside (sem meias).

Ele só substitui a roupa na segunda cena gravada naquela manhã, que tem tom menos obviamente cômico. É a vez do cetim. Deitado no sofá, Crô está deprimido, sofre pela falta de companhia. Sua governanta, Marilda (Katia Moraes), se solidariza e oferece um calmante. O terceiro participante é o motorista Baltazar (Alexandre Nero). Mas este logo deixa o recinto – defendendo-se com um “já deu a minha hora” – assim que o patrão lamenta ter de dormir sozinho e lança um olhar carente e suspeito. A sequência se encerra com Crô e a funcionária caminhando pelo átrio central da mansão. Ao fundo, há uma estátua que reproduz Ivete Sangalo, ao pé de uma escadaria. É a cantora a intérprete da mãe de Crô.

Marcelo Serrado e Ana Maria conferem cena que acabaram de gravar no filme 'Crô' (Foto: Beatriz L efèvre/Divulgação)

Marcelo Serrado e Ana Maria conferem cena que
acabaram de gravar no filme ‘Crô’ (Foto: Beatriz L
efèvre/Divulgação)

Oscar x Carnaval
Para a sequência com Ana Maria Braga, são necessárias três repetições – o texto nunca é o mesmo, o improviso é permitido e incentivado. No todo, os 80 minutos de takes vão render para o filme uma “falsa” entrevista com cerca de dez minutos.

Ao se ver posteriormente na tela, a apresentadora conclui: “E eu insisto no ‘Marcelo’ [em vez de falar ‘Crô’]!”. Na conversa pós-cena, ela diz ao parceiro que ele continua parecendo Crô, mesmo com a câmera desligada. “Não pode sair do personagem”, justifica o ator. Depois, Ana Maria pede emprestados os óculos do protagonista. Eles têm armação verde e rosa.

O diálogo avança para as diferenças entre o Crô da novela e o Crô do filme. Para Marcelo Serrado, o original era menos contido – ele usa o termo enquanto indica gestos mais expansivos. No Crô cinematográfico, resta a inspiração no discreto Harvey Milk de Sean Penn. Pelo papel, o ator americano levou o Oscar. Serrado, por sua vez, se lembra de que o Crô de “Fina estampa” lhe rendeu “todos os prêmios de TV que você puder imaginar”. E ainda uma homenagem com a qual o astro americano talvez jamais possa sonhar: Crô foi “tema” da bateria da São Clemente no carnaval do Rio deste ano.

Projeto de lei para banheiro ‘unissex’ causa polêmica em Florianópolis Resposta

Um projeto de lei para a criação de banheiros “unissex” está gerando polêmica em Florianópolis. Escrito na terça-feira (4) pelo vereador Deglaber Goulart (PMDB), o documento especifica, no artigo 1º, que “ficam os shoppings centers, supermercados, restaurantes, cinemas e locais de diversões, no âmbito do Município de Florianópolis, obrigados a instalar banheiros masculino, feminino e unissex”. Questionando o projeto, o também vereador da capital Tiago Silva (PDT) diz que a iniciativa “reforça o preconceito”.

No documento, não está especificado quem usaria o banheiro “unissex”, apenas que a utilização do mesmo seria proibida por criança, a não ser que estivessem acompanhadas de um responsável. O projeto também obriga que esses locais estejam de acordo com as normas da Vigilância Sanitária e que nenhuma construção ou reforma em estabelecimentos citados no artigo 1º será licenciada pelo município caso não haja a instalação do banheiro.

Na justificativa do projeto, o vereador Deglaber afirmou que “impor o seu direito aos demais é ditadura, o que não pode ser tolerado. É o caso de homens que já utilizam o banheiro feminino sob o argumento de que se identificam com o outro sexo, ou seja, se sentem mulheres”. O parlamentar citou um caso ocorrido com o cartunista Laerte Coutinho, que, segundo o texto, “decidiu acionar o dono de uma padaria em São Paulo que o repreendeu por utilizar o banheiro feminino”.

Por fim, o vereador disse que “se a escolha do banheiro feminino depender do livre arbítrio de homens indefinidos quanto à identidade sexual, nossas mães, esposas, filhas e netas não terão mais tranquilidade para frequentar um banheiro público” e que “com a aprovação deste projeto, estaremos mantendo a boa convivência entre todas as pessoas, independentemente de suas preferências sexuais”.

Em entrevista ao Jornal do Almoço desta quinta-feira (6), o vereador Deglaber afirmou que o banheiro seria usado por simpatizantes do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). “Não há discriminação. Se tem no Rio de Janeiro, em Curitiba, em outras cidades, por que só em Florianópolis que existe discriminação?”, questionou o vereador.

“Eu acredito que há constrangimento do movimento gay às vezes de até entrar no banheiro masculino, então pode usar esse aí”, continua Deglaber. Por fim, ele afirma que “isso é atualizar a cidade hoje, que é o nosso dever” e que o documento “vai sofrer emendas para melhorar”.

Questionando o projeto, o também vereador de Florianópolis Tiago Silva acredita que a iniciativa “reforça o preconceito, o retrocesso, o apartheid do século 21”. Para ele, “nós temos tantos problemas aqui na cidade, mobilidade, plano diretor, transporte público, que deve ser discutido. Nós vamos gastar energias e esforços para um projeto desse”?

Pesquisa indica que 3 de 4 americanos consideram casamento gay ‘inevitável’ Resposta

Quase três de quatro americanos consideram a legalização do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo algo ‘inevitável’, independentemente de serem a favor ou contra, segundo uma pesquisa do instituto americano Pew publicada nesta quinta-feira.

A pesquisa foi realizada por telefone com 1.504 pessoas nos Estados Unidos durante os primeiros cinco dias de maio, um mês antes de a Suprema Corte dos Estados Unidos se pronunciar sobre o tema.

No total, 72% dos consultados acreditam que a legalização do casamento gay é ‘inevitável’. E entre aqueles que se opõem ao matrimônio homossexual, 59% acreditam que esta mudança é ‘inevitável’.

Quase nove em cada dez americanos conhece um gay ou uma lésbica (contra 6 de 10 em 1993). Dentro deste grupo, composto em sua maioria por mulheres e jovens urbanos pouco religiosos, um terço conhece homossexuais que criam filhos e dois terços apoiam o casamento gay.

‘No entanto, a oposição ao matrimônio gay continua sendo grande’, disseram os pesquisadores do Pew. Entre os americanos, 45% acreditam que o homossexualismo é um pecado (contra 55% em 2003).

Embora 51% dos americanos sejam a favor do casamento gay, 40% dos consultados disseram que é difícil, e 19% consideram muito difícil, aceitar ter um filho gay.

O matrimônio entre pessoas do mesmo sexo é legal em 12 estados do país e na capital federal, Washington. As constituições de 31 estados de 50, e em nível federal, definem o casamento como a união entre um homem e uma mulher.

O Pew publicou os resultados de sua pesquisa no site: http://www.pewcenter.org

Fonte: France Presse

PSC entra com nova ação no STF contra casamento gay em cartório Resposta

O Partido Social Cristão (PSC) entrou com uma nova ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a suspensão da resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que obriga os cartórios de todo o país a celebrar o casamento civil e converter a união estável homoafetiva em casamento.

Na semana passada, o ministro Luiz Fux determinou o arquivamento de outro processo, um mandado de segurança, por entender que o instrumento usado para questionar a regra não é válido. Desta vez, o partido ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade.

O PSC é o partido do deputado federal Marco Feliciano (SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e alvo de protestos desde que assumiu o comando da comissão por falas supostamente homofóbicas e racistas.

O PSC apresentou os mesmos argumentos, de que caberia ao Congresso Nacional decidir sobre o tema. Na nova ação, o partido diz que o CNJ cometeu “abuso de poder”.

“Uníssono que o Conselho Nacional de Justiça, na pessoa de seu ministro presidente, buscou legislar, e, data máxima vênia, com abuso de poder, apropriando-se de prerrogativas do Congresso Nacional”, afirma a ação.

De acordo com o processo o conselho não tem competência para criar uma regra do tipo.

“A inovação do CNJ no ordenamento jurídico ao tratar de uma matéria estranha a sua competência, o que fatalmente extrapola os limites encartados na Constituição da República, indica ofensa ao postulado nuclear da separação de poderes e de violação ao princípio da reserva constitucional de competência legislativa.”

Na decisão que rejeitou a primeira ação, Fux entendeu que o CNJ tem, sim, competência para regular o tema em relação aos cartórios. O magistrado citou outra norma imposta pelo CNJ, a que proíbe o nepotismo no Poder Judiciário. “É inelutável a sua competência [do CNJ] para regular tais assuntos.”

Decisão do CNJ

Pela decisão do CNJ, que começou a valer no dia 16 de maio, os cartórios não poderão rejeitar o pedido, como acontece atualmente em alguns casos. Segundo o presidente do CNJ e autor da proposta, Joaquim Barbosa, que também é presidente do STF, a resolução visa dar efetividade à decisão tomada em maio de 2011 pelo Supremo, que liberou a união estável homoafetiva.

Conforme o texto da resolução, caso algum cartório se recuse a concretizar o casamento civil, o cidadão deverá informar o juiz corregedor do Tribunal de Justiça local. “A recusa implicará imediata comunicação ao respectivo juiz corregedor para providências cabíveis.”

Para Joaquim Barbosa, seria um contrassenso esperar o Congresso analisar o tema para se dar efetividade à decisão do STF.

“Vamos exigir aprovação de nova lei pelo Congresso Nacional para dar eficácia à decisão que se tomou no Supremo? É um contrassenso.”

Apenas um processo de casamento gay está em andamento no Amapá Resposta

Aislan (esq.) e Bruno (dir.) estão juntos há 10 anos (Foto: Foto: Arquivo Pessoal)

Aislan (esq.) e Bruno (dir.) estão juntos há 10 anos
(Foto: Foto: Arquivo Pessoal)

Desde que entrou em vigor a resolução 175/2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) há três semanas, apenas um processo de casamento civil entre pessoas do mesmo sexo está em andamento no Amapá. Um casal do sexo feminino – que preferiu não ter a identidade revelada – deu entrada ao processo no 2º Cartório de Notas Cristiane Passos, localizado na capital amapaense.

O casal procurou a instituição uma semana depois que o CNJ determinou que cartórios de todo o país celebrem casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e convertam em casamento civil, uniões estáveis homoafetivas. Até quinta-feira (6), o Cartório Jucá, também localizado em Macapá, não havia confirmado nenhum registro.

A resolução do CNJ partiu da recusa de cartórios de alguns estados brasileiros em registrar escritura pública civil de união estável entre pessoas do mesmo sexo, medida já referendada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) desde 2011.

No Amapá, antes mesmo de a resolução do CNJ entrar em vigor em 16 de maio deste ano, os dois cartórios do Estado têm registrado normalmente escrituras públicas civis de união estável homoafetiva – uma espécie de pacto entre duas pessoas que assegura a partilha universal de bens. “Estamos aqui para cumprir o que determina o Poder Judiciário”, diz a cartorária Cristiane Passos.

Direitos iguais

A técnica judiciária, Fátima Gama, diz não ter enfrentado dificuldades para registrar sua união estável de 18 anos com a sua companheira. O casal é um dos 28 que registraram sua situação conjugal entre pessoas do mesmo sexo no Cartório Jucá, também localizado em Macapá. O Cristiane Passos registrou 20 escrituras públicas civis de união estável homoafetiva.

Para Fátima, que também é fundadora do Grupo das Homossexuais Tildes do Amapá (Ghata) e atual tesoureira da entidade, a determinação do CNJ “foi uma demonstração de solidariedade do Poder Judiciário ao direito de igualdade na sociedade brasileira”.

A técnica judiciária também considera importante a atualização das leis por acreditar que seja uma forma de frear a discriminação social. “Ao dispormos de instrumentos legais, não poderemos mais ser ‘clandestinos’ na sociedade, como costumo me referir ao nosso caso”, declara.

Juíza Elayne Cantuária explica a diferença entre união estável e casamento civil (Foto:Maiara Pires/G1)

Juíza Elayne Cantuária explica a diferença entre
união estável e casamento civil (Foto:Maiara
Pires/G1)

A juíza Elayne Ramos Cantuária, titular da 2ª Vara de Família da Comarca de Macapá, explica que a grande diferença entre casamento civil e união estável está no regime de bens. “Quem casa, escolhe sob que regime patrimonial quer casar. Quem convive em união estável, não escolhe. A legislação já estabelece o regime patrimonial que é 50% para cada parte”, afirma.

A procura por informações a respeito do assunto também aumentou nos dois cartórios. O funcionário público Aislan Viana Magalhães, 33, e o despachante de ônibus, Bruno da Silva Feio, 33, moram juntos há 10 anos, em Macapá.

A notícia da legalidade do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo agradou o casal que já estuda a possibilidade de registrar a união em cartório. “Vamos nos informar quais são os trâmites legais para, no futuro, celebrarmos nosso casamento. Mas só de saber que temos esse direito, já me deixa feliz”, comemora Magalhães.

Homossexuais em números

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 188 casais declararam viver em união estável homoafetiva no Amapá. Desse total, apenas 48 registraram sua situação conjugal em cartório.

“Dos 188 casais, 80% é do sexo feminino. Mas esses números, certamente, são maiores. Há mais casais homossexuais vivendo sob o mesmo teto e que não passaram a informação ao Censo. Como foi primeira abordagem sobre o assunto muitos ainda estavam retraídos e com vergonha de declarar que viviam juntos”, afirma o tecnologista do IBGE/AP, Raul Tabajara.

A maior concentração de casais homossexuais está em Macapá, de acordo com o Censo 2010. São 141 no total, seguido do município de Santana com 15 e o município de Oiapoque figura em terceiro lugar com 14. “Mas temos a presença desses casais em todos os municípios amapaenses”, diz Tabajara.

Paulo Vanucchi é eleito para Comissão de Direitos Humanos da OEA Resposta

Paulo Vanucchi é eleito para Comissão de Direitos Humanos da OEA

Paulo Vanucchi é eleito para Comissão de Direitos Humanos da OEA

O ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos e atual diretor do Instituto Lula, Paulo de Tarso Vannuchi, foi eleito para uma das vagas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA). A eleição ocorreu ontem durante a 43ª Assembleia Geral da OEA, em Antígua, Guatemala. A CIDH é composta por sete integrantes, que têm mandato de quatro anos, com direito a uma reeleição.

Três vagas estavam em disputa por seis países: Brasil, México, Colômbia, Estados Unidos, Equador e Peru. José de Jesús Orozco Henríquez, do México, e James Cavallaro, dos Estados Unidos, foram os outros dois eleitos.

Em nota divulgada na quinta-feira à noite, o Ministério de Relações Exteriores, diz que a eleição de Vanucchi fortalece o Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Vanucchi foi o principal articulador da terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), aprovado no fim de 2009 e que apresentou entre suas diretrizes a criação da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que apura violações de direitos humanos cometidas no Brasil entre 1946 e 1988. O atual coordenador da Comissão da Verdade, Paulo Sérgio Pinheiro, integrou a Comissão Interamericana por oito anos.

Histórico

As relações entre o Brasil e a OEA ficaram estremecidas em 2011, quando a comissão da organização pediu a interrupção das obras da usina hidrelétrica de Belo Monte devido às críticas das comunidades indígenas da região.

À época, o governo chegou a retirar a candidatura do próprio Vannuchi ao cargo devido ao mal estar diplomático causado pelo posicionamento da instituição. Ele concorreria à vaga aberta com o fim do mandato de Paulo Sérgio Pinheiro.

Autoridades do Palácio do Planalto veem a eleição de Vannuchi como sinal dos demais membros da comissão de que há vontade de ver o Brasil totalmente reintegrado ao colegiado. Diplomatas já ponderaram que, apesar da surpresa causada pelo posicionamento da entidade em relação a Belo Monte, o episódio foi superado. E lembram que o Brasil, um dos principais responsáveis pelo financiamento da OEA, normalizou as contribuições à organização e tem trabalhado para fortalecer a organização e o sistema interamericano de direitos humanos.

Além de Paulo Sérgio Pinheiro, o Brasil já integrou a comissão com Hélio Bicudo. Nas últimas semanas, Paulo Vannuchi esteve em contato com autoridades de todos os países que integram a OEA. Ao todo, realizou cerca de 70 conversas para apresentar sua candidatura. A campanha é baseada em sua experiência na área dos direitos humanos e na ligação histórica que mantém com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Defensor da punição de torturadores e de uma reinterpretação da Lei de Anistia pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Vannuchi foi preso pela ditadura militar. O ex-ministro também tem defendido um maior ‘equilíbrio’ da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e, nessa questão, é um porta-voz da agenda do PT. Na opinião dele, a CIDH tem dirigido suas discussões para a questão da liberdade de imprensa, esquecendo outros temas. O assunto é caro ao PT, que tenta avançar na criação de um marco regulatório dos meios de comunicação.

Fonte: G1

Novo ‘Sai de baixo’ tem ‘chupa, Feliciano!’, Tony Ramos e ‘erros’ 3

Da esq. para dir., Luis Gustavo, Márcia Cabrita, Aracy Balabanian, Tony Ramos, Marisa Orth e Miguel Falabella na gravação do novo 'Sai de baixo' (Foto: Divulgação)

Da esq. para dir., Luis Gustavo, Márcia Cabrita, Aracy Balabanian, Tony Ramos, Marisa Orth e Miguel Falabella na gravação do novo ‘Sai de baixo’ (Foto: Divulgação)

A gravação tinha iniciado fazia apenas dois minutos quando aconteceu o primeiro erro. Do alto-falante, veio a voz do diretor, Dennis Carvalho: “Começou esquecendo já na primeira cena… Essa é Aracy Balabanian!”. Após aplausos do público no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, a intérprete de Cassandra recomeça, dando sequência ao primeiro dos quatro episódios inéditos de “Sai de baixo”, que volta ao ar após 11 anos de seu fim.

O equívoco da atriz estava de acordo com o que o elenco antecipava na entrevista coletiva da véspera: o compromisso com o texto não era próprio do humorístico originalmente exibido pela TV Globo entre 1996 e 2002 e que, a partir de junho, volta em novos capítulos no canal Viva. O G1 acompanhou na noite desta terça-feira (4/6) a segunda das duas sessões de gravação desta reestreia do programa.

Antes do princípio, o mesmo Dennis Carvalho afirmava que “todo o elenco, um por um, quando chegou aqui chorou”. E deu um aviso: “É uma gravação, tem erros, voltam falas, eles esquecem, para variar… O Miguel [Falabella] está com a cabeça fundida, não está mais entre nós. Caçulinha, eu tirei do asilo”, alertou, referindo-se, respectivamente, ao ator que faz o alérgico a pobres Caco Antibes e ao músico que conduz a trilha.

Das passagens de “amnésia” dos atores aos bordões e às piadas que soam como comentários políticos ou sociais, o novo “Sai de baixo” reproduz o essencial de sua versão anterior. Agora, alternam-se tiradas aleatórias – caso de “Estou mais apertado que saco que dupla sertaneja”, dita por Vavá (Luis Gustavo) – e citações a Marcos Feliciano, ao preço do tomate, à ascensão da classe C, ao PEC das empregadas domésticas, à situação dos aeroportos, aos ex-BBB, à mastectomia de Angelina Jolie e até aos obscuros critérios de correção da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Tony Ramos e Luis Gustavo na gravação do 'Sai de baixo' (Foto: Divulgação)

Tony Ramos e Luis Gustavo na gravação do
‘Sai de baixo’ (Foto: Divulgação)

De cara, o capítulo inaugural apresenta uma surpresa: abrem-se as cortinas e quem ocupa o palco, sozinho, é Tony Ramos. Ele não estava no elenco fixo e, aqui, faz um mordomo que fala – ou tenta falar – francês. O cenário é o de sempre, um apartamento no Largo do Arouche, região central de São Paulo. Conforme a campainha vai soando, o mordomo recebe os antigos moradores do local. Pela ordem: Cassadra; Vavá (que surge ao som do hino do São Paulo, time de Luis Gustavo, e Tony mostra estar com uma camisa do mesmo time por baixo do traje de serviçal); Magda (Marisa Orthx, que entra de quatro e usa saia curta e decote, como de hábito); e Caco Antibes (ao som do hino do Vasco da Gama).

Por fim, vem Neide Aparecida (Márcia Cabrita). Enfim, uma década e pouco adiante, estão todos reunidos. Com a diferença de que agora Neide, que era empregada, virou dona do imóvel. É ela quem convida os ex-patrões para um jantar, mas eles vão ficando, ficando… Assim se desenrola, basicamente, o enredo do episódio.

Marisa Orth e Miguel Falabella voltam aos papéis de Magda e Caco Antibes (Foto: Divulgação

Marisa Orth e Miguel Falabella voltam aos papéis
de Magda e Caco Antibes (Foto: Divulgação

Um enredo que, por óbvias razões de saudosismo, desperta aplausos recorrentes ao trazer de volta gracejos já familiares à audiência. Um exemplo. Magda não é propriamente conhecida pela inteligência e jamais acerta um ditado. Por conta disso, “Sai de baixo” popularizou o bordão “Cala a boca, Magda!”. Em dado momento do episódio, a personagem fala algo como “árvore ginecológica” – é a senha para Miguel Falabella pedir ajuda ao público do teatro e todos gritarem juntos a reprimenda.

Curiosamente, contudo, é Falabella quem mais vezes demanda a interferência do diretor, ao esquecer suas falas – embora não se possa precisar o quanto disso é voluntário. E Marisa é a única que parece ter o texto todo decorado. Tanto é verdade que, diante de um erro da atriz, o intérprete de seu marido comenta: “Alguma vez na vida Marisa Orth errou!”. A autorreferência e o ato de se comunicar com a audiência reforça a vocação de “teatro filmado” que tem o “Sai de baixo”.

No conjunto, o que marca a reaparição do programa é o convívio entre um humor inconsequente e repetitivo, como o assédio sexual incessante de Caco sobre Cassandra (sua sogra) e menções à pauta cotidiana. É assim na cena em que Caco insinua sexo a três com Magda e o mordomo, a quem chama de “urso”. Ali, ele grita: “Chupa, Feliciano!”. São passagens que, de tempos em tempos, revelam uma preocupação e servem de recado: o humor de “Sai de baixo” não é gratuito – ou ao menos não deseja ser percebido como tal.

Miguel Falabella, Luis Gustavo, Aracy Balabanian e Marisa Orth criticam o preço do tomate em novo episódio de 'Sai de baixo' (Foto: Divulgação)

Miguel Falabella, Luis Gustavo, Aracy Balabanian e Marisa Orth criticam o preço do tomate em novo episódio de ‘Sai de baixo’ (Foto: Divulgação)

 

 

Miguel Falabella, Luis Gustavo, Aracy Balabanian e Marisa Orth em novo episódio de 'Sai de baixo' (Foto: Divulgação)

Miguel Falabella, Luis Gustavo, Aracy Balabanian e Marisa Orth em novo episódio de ‘Sai de baixo’ (Foto: Divulgação)

Roberto Gurgel pede ao STF a absolvição de Marco Feliciano Resposta

O procurador-geral da república, Roberto Gurgel, pediu no último dia 27, ao Supremo Tribunal Federal, a absolvição do deputado federal Marco Feliciano, do PSC de São Paulo.

Ele foi acusado de estelionato por ter recebido R$ 13 mil para participar de um culto evangélico, mas não compareceu.

Segundo o procurador, as investigações não revelaram provas de que Feliciano tenha participado ou soubesse das negociações entre a organização do evento e sua assessoria. O relator do caso no Supremo, ministro Ricardo Lewandowski, vai analisar os argumentos do deputado e do Ministério Público antes de levar o processo para julgamento em plenário.

Renan Calheiros diz que projetos contra tortura e homofobia serão prioritários no Senado Resposta

O presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou que passará a dar prioridade à votação de propostas contra a tortura e de projetos que criminalizam a homofobia

O presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou que passará a dar prioridade à votação de propostas contra a tortura e de projetos que criminalizam a homofobia

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), afirmou nesta terça-feira (4/6) que passará a dar prioridade à votação de propostas contra a tortura e de projetos que criminalizam a homofobia.

Ele anunciou a decisão ao discursar durante encontro com a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. De acordo com o senador, o pedido de votação prioritária de propostas sobre esses temas partiu da própria ministra.

“Assumi com a ministra o compromisso de priorizarmos a apreciação de alguns projetos dessa agenda de direitos humanos. Eu considero fundamental que vá adiante, para esse aumento do diálogo com a sociedade”, declarou.

A ministra foi ao Senado para entregar a Renan Calheiros e ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, o substitutivo do projeto de lei que cria o Estatuto da Pessoa com Deficiência.

Segundo Maria do Rosário, o texto garante o acesso de pessoas com deficiência ao mercado de trabalho e à educação. Henrique Alves afirmou que o texto deve ser votado até outubro, para em seguida ser analisado no Senado.

Homofobia

Questionado sobre as divergências que o projeto que criminaliza a homofobia gera no Congresso, Renan Calheiros afirmou que será preciso levar o texto para votação.

“O processo legislativo caminha mais facilmente pelo acordo, pelo consenso , pelo entendimento. Quando isso não acontece, você tem que submetê-lo à votação, à apreciação, à deliberação. É o que vai acontecer com relação ao projeto da homofobia”, disse.

Atualmente, projeto que criminaliza a homofobia tramita na Comissão de Direitos Humanos do Senado.

“Os projetos de tortura e de homofobia, essas coisas terão de ser priorizadas, a exemplo do que estamos fazendo com a pessoa com deficiência”, declarou Renan.

Tortura

Também tramita no Senado sem previsão de votação no plenário,projeto de autoria do Executivo que cria o Sistema Nacional de Combate à Tortura.

A proposta estabelece a criação de um comitê que terá livre acesso, sem aviso prévio, a instituições de privação de liberdade ou de longa permanência – como presídios, delegacias e hospitais psiquiátricos – para verificação de incidência de tortura.

RJ: Policiais civis e militares serão capacitados para lidar com vítimas de homofobia Resposta

Perfilados no auditório Adauto Belarmino, no 7º andar do Edifício Central do Brasil, dezenas de oficiais da Polícia Militar e delegados de Polícia Civil acompanharam de pé, na tarde desta terça-feira, a execução do Hino Nacional, cantado pela travesti Jane Di Castro. Era o início da segunda edição da “Jornada Formativa de Segurança Pública e Cidadania LGBT”, que vai qualificar seis mil policiais civis e militares para lidarem com a diversidade e os direitos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.

O projeto pioneiro já capacitou cinco mil agentes que atuam em delegacias e batalhões da capital, e foi premiado pela União Europeia com a certificação de boas práticas de políticas públicas LGBT. Nesta nova edição, mais de seis mil PMs e inspetores de Polícia Civil que trabalham em unidades fora da capital serão treinados para o atendimento destinado ao público LGBT.

Durante 18 meses, esses agentes participarão de 40 encontros regionais com multiplicadores e especialistas formados pelo Programa Estadual Rio Sem Homofobia. Por dia, cerca de 200 policiais vão participar de palestras e debates. Um dos idealizadores da jornada, Cláudio Nascimento afirmou que este é o maior programa de capacitação de policiais sobre homofobia e cidadania LGBT já colocado em prática no país.

Ainda durante a cerimônia, Cláudio Nascimento, que é superintendente de direitos individuais, coletivos e difusos da secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, anunciou que, até o fim do ano, o estado irá dobrar o número de Centros de Cidadania LGBT, com a instalação de quatro novas unidades, sendo duas nos municípios de Queimados e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a terceira em Macaé, no Norte-Fluminense. O local da quarta unidade ainda não foi estabelecido.

De acordo com o secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Zaqueu Teixeira, a escolha das cidades que receberão os novos centros teve como critério a quantidade de casos de violência praticada contra gays, lésbicas e travestis. Ex-chefe de Polícia Civil, Teixeira diz empregar os registros de crimes de homofobia para nortear a implantação dos centros de cidadania.

Segundo Zaqueu Teixeira, até 2014 o estado contará com 13 unidades voltadas ao atendimento LGBT. Nesses locais, as vítimas de crime de homofobia e suas famílias recebem atendimento jurídico, psicológico e social.

Para se ter uma ideia da demanda por esse tipo de serviço, até março de 2012, 12 mil atendimentos foram prestados nos quatro centros de cidadania LGBT em atividade atualmente no estado e que funcionam no Centro, em Duque de Caxias, Friburgo e Niterói.

Ainda durante a cerimônia de abertura da jornada foram homenageados os delegados Monique Vidal e Márcio Mendonça, e os tenentes-coronéis Cláudio Costa de Oliveira e Luiz Octávio Lopes da Rocha Lima, considerados precursores da capacitação “Homofobia, Cidadania LGBT e Práticas Policiais”. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, ressaltou a importância da qualificação para que os policiais do estado possam lidar de maneira correta com todas as minorias.

Fonte: O Globo