Travesti é assassinada no bairro Cidade Industrial, em Contagem (MG) Resposta

Uma travesti de 20 anos foi assassinada na madrugada desta quarta-feira (12/06) no bairro Cidade Industrial, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar (PM), o corpo foi encontrado por um homem que ia para o trabalho, por volta das 4h30. A vítima tinha um tiro no rosto e estava caída na Rua José Maria de Lacerda.

Um colega do travesti morto disse à polícia viu o amigo saindo em um carro para fazer programa com um homem. Esta foi a última vez que ele o viu. Não há identificação do veículo.

A PM desconhece a motivação do crime e até a publicação desta reportagem ninguém havia sido preso.

O que é que tem colocar uma saia ou uma calça? Resposta

Não é a primeira vez que casos como o do colégio Bandeirantes ou da USP Leste chamam a atenção do cotidiano brasileiro.

Os jovens estão vivos e a sociedade precisa de suas vozes e gestos de contestação.

Generificar o vestuário é uma forma de manter-se a homofobia e preconceitos patriarcais arraigados na sociedade há bastante tempo.

O que é que tem colocar uma saia ou uma calça?

Não é a roupa que incomoda, até porque a saia que foi utilizada nem era curta, como muitas mulheres utilizam para chamar a atenção sobre as suas pernas torneadas.

A questão é contracultural. Usar saias, pintar unhas, usar batom, usar calcinhas em vez de cuecas, desestabiliza a questão relacional de gênero em sua normatividade.

Homens vestem isto, mulheres aquilo. E os homossexuais e travestis subvertem esse sistema, porque não se enquadram no que a sociedade obriga os sujeitos a vivenciar no dia a dia público.

É preciso haver uma discussão mais profunda sobre essa contestação. Há casos em que o jovem exposto a deboches e piadinhas se fecha, vai para os guetos, se evade das aulas, corre para as drogas, se entristece. Às vezes se mata, como já vimos em trabalhos feitos por nós da Unesp (Assis, Ourinhos e Prudente com o ensino médio) sobre o homosuicídio.

Engraçado é que isto é cultural. Em outras sociedades, a saia faz parte da vida cotidiana, como os ingleses. O problema não é a saia. É ter direito de vestir o que se quiser. Amar a quem se quiser, desde que se respeite o outro.

Alguém reclama dos héteros vestirem o que quiserem, extravagantemente? Uma loira colocar um collant bem apertado ou um homem vestir-se de caubói com a calça ultrapertada? São valores condicionados a uma moral pouco cidadã.

ARILDA INES MIRANDA RIBEIRO é coordenadora do Núcleo de Diversidade Sexual na Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp de Presidente Prudente.

Identificado corpo de maquiador morto a pauladas em Cabo Frio Resposta

Parentes e amigos durante velório do maquiador Rodrigo Millão, de 35 anos Renata Christiane

Parentes e amigos durante velório do maquiador Rodrigo Millão, de 35 anos Renata Christiane

O corpo do maquiador e cabeleireiro Rodrigo Millão (35), foi identificado por parentes e amigos, na manhã desta terça-feira (11/06), no bairro de Portinho, em Cabo Frio, Região dos Lagos. Ele foi morto a pauladas no último fim de semana, no próprio bairro. Desde o dia 8, amigos já compartilhavam fotos nas redes sociais, em busca de informações sobre a vítima. O sepultamento de Rodrigo estava marcado para a tarde desta terça-feira, no Cemitério municipal de São Pedro da Aldeia, cidade onde Rodrigo morava.

A polícia ainda investiga o assassinato, que pode ser sido motivado por homofobia. O presidente do Grupo Iguais, Rodolpho Campbell, manifestou repúdio ao caso:

— Como se já não bastasse uma batalha contra o fundamentalismo religioso, agora temos refletido e multiplicado diariamente, em todos os cantos do Brasil, barbaridades como essa, cometidas única e exclusivamente por repulsa.

O corpo de Rodrigo foi encontrado em um terreno baldio, na tarde do último domingo (09/06), com marcas de pauladas. A polícia só conseguiu identificar a vítima com a ajuda dos familiares.

Cláudio Nascimento, superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos e coordenador do Programa Rio sem Homofobia da Secretaria estadual de Ação Social e Direitos Humanos (Seasdh), acompanhou o velório. Ele lembra que nos últimos 30 dias foram nove crimes contra homossexuais.

— Ainda não podemos afirmar, mas os crimes de homofobia têm características semelhantes. São sempre muito agressivos, com requintes de crueldade. Em Angra dos Reis, por exemplo, o rapaz levou 33 facadas no fim de semana passado. Por enquanto não posso afirmar, mas é importante que essa linha de investigação seja incluída.

Fonte: O Globo