Após discutir aborto, ‘Saramandaia’ discutirá homofobia, bullying e mensalão Resposta

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No ar há menos de dois meses, a nova versão da novela “Saramandaia” (Globo) se propõe a ser mais do que uma atualização da obra original, exibida em 1976.

Para além dos tipos curiosos criados por Dias Gomes para denunciar desmandos da ditadura militar, como o político corrupto que espirra formiga pelo nariz ou a jovem que queima os lençóis a cada lampejo de prática sexual, a adaptação de Ricardo Linhares tem promovido um debate aberto de temas sociais.

O folhetim já tratou do direto à prática do aborto, por meio da adolescente Stela (Laura Neiva), que bradou que “a mulher é dona do próprio corpo” após descobrir que a tia sofrera por causa de um procedimento mal feito.

A defesa da legalização da prostituição também encontrou eco em “Saramandaia”, em um relato de Risoleta (Débora Bloch). “Se há consenso entre as pessoas, se não existe violência nem exploração, é uma profissão tão digna quanto todas as outras”, afirmou a personagem, uma ex-profissional do sexo.

“Sou um escritor progressista. Acredito que a TV pode estimular a discussão de ideias, ao mesmo tempo em que entretém”, diz Linhares.

Para ele, esse é o seu trabalho “mais contestador”. “Tenho 30 anos de carreira. Quando comecei, era proibido adultério na novela das 18h. O mundo mudou e a televisão acompanhou essas mudanças, algumas vezes abrindo caminho na modernização dos costumes, outras vezes pegando carona em movimentos da vida real.”

“VEM PRA RUA, VEM”

Logo na estreia de “Saramandaia”, lembra o autor, houve a coincidência entre as manifestações que tomaram conta do Brasil e um movimento de jovens da trama, em busca de novos direitos e com uma bandeira clara de repúdio à corrupção.

Essas cenas haviam sido escritas e gravadas com meses de antecedência.

“Comecei em sintonia com o que estava acontecendo no país e sigo tratando de temas que estão na ordem do dia. É hipocrisia negar a realidade”, diz o autor. “Aproveito a liberdade que o horário proporciona para tocar em determinados temas que considero relevantes. A dramaturgia não pode ser chapa-branca.”

Segundo Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia brasileira e latino-americana pela USP e membro da Academia Nacional de Artes da Televisão e Ciências de Nova York (uma das responsáveis pelo prêmio Emmy), o caráter progressista de “Saramandaia” está em sintonia com as telenovelas do país, a partir de 1970.

“Tem sido este um grande diferencial e exemplo da telenovela brasileira ao redor do mundo. Uma contribuição que teve seu início na década de 1970, particularmente com a vinda de dramaturgos para a TV”, afirma.

Alencar e Ricardo Linhares concordam, no entanto, que a sociedade brasileira e mundial tornou-se mais conservadora nas últimas décadas.

“Tenho em mente que o grande público [brasileiro] não mora na zona sul do Rio, nem nos Jardins de São Paulo. É heterogêneo e deve ser tratado com respeito”, diz o autor, que colocará a homofobia, o bullying e o mensalão no foco dos próximos capítulos de “Saramandaia”.

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