Condomínimo para aposentados gays gera polêmica na França 1

Imagem de divulgação do empreendimento voltado para o público gay no sul da França Foto: Divulgação

Imagem de divulgação do empreendimento voltado para o público gay no sul da França
Foto: Divulgação

A criação de um condomínio residencial para aposentados gays na França, o primeiro empreendimento desse tipo no país, suscita debates sobre o “comunitarismo homossexual” e divide opiniões de associações que lutam contra discriminações.

O projeto imobiliário, situado no sudoeste da França, também provocou reações negativas por parte do prefeito e de moradores do pequeno vilarejo de Sallèles d’Aude, nos arredores do condomínio.

O empreendimento Village ─ Canal du Midi “é um oásis privado para a comunidade gay e lésbica que deseja levar uma vida ativa e sadia em um clima quente e amistoso do sul da França”, diz o catálogo de vendas da empresa britânica Villages Group. O grupo constrói condomínios residenciais na França para pessoas com mais de 50 anos e visa normalmente a clientela inglesa.

O condomínio para gays terá 107 casas “ecológicas”, vendidas entre 236 mil e 248 mil euros (entre R$ 717,3 mil e R$ 753,8 mil), além de duas piscinas, quadra de tênis, campo de golf, sauna, centros de lazer e ainda um hotel e um restaurante, abertos ao público em geral. O catálogo também afirma que o condomínio será protegido por um muro.

“Estamos chocados e somos desfavoráveis”, disse Michel Germain, presidente da associação francesa de gays aposentados, que luta contra o isolamento, em entrevista à radio RTL. “Não aprovo a ideia de viver em gueto como ocorre nos Estados Unidos ou na Alemanha, onde há condomínios desse tipo. Os gays não devem criar um grupo à parte”, afirma .

Para Catherine Tripon, porta-voz da associação Outros Círculos, que luta contra a homofobia, “é preciso entender que os gays aposentados viveram em outra época, em um período onde a homossexualidade era (considerada) um crime ou uma doença”.

Mercado fraco

Inicialmente, o projeto não previa que o condomínio fosse destinado aos gays, disse à BBC Brasil o inglês Danny Silver, diretor do The Villages Group. “É puro negócio. Quando começamos a vender as casas, em junho, o mercado estava muito fraco. Tivemos então a ideia de visar a clientela gay, com alto poder aquisitivo”, contou Silver.

O catálogo de vendas foi reeditado para incluir na capa uma bandeira com as cores do arco-íris, principal símbolo da comunidade LGBT. “Em três dias, recebemos 200 pedidos de informações. O mesmo total que havíamos recebido durante três meses”, afirma Silver. Segundo ele, o projeto do condomínio francês está fazendo sucesso nos Estados Unidos e 12 reservas de casas já foram realizadas pela clientela americana.

Já o prefeito do vilarejo de Sallèles d’Aude, Yves Bastié, afirma “ter caído das nuvens” quando soube, recentemente, que o condomínio terá moradores gays. Ele havia concedido em janeiro as autorizações para construir. “Quando assinei os documentos, o projeto não era esse e poderia ter sido um motivo para recusá-lo”, diz o prefeito do vilarejo de 3 mil habitantes.

Bastié, que ressalta não ser homofóbico, lamenta “ter sido colocado diante do fato consumado e não ter podido informar os habitantes do vilarejo previamente”. Mas ele destaca o impacto financeiro positivo do projeto. Segundo Silver, do The Villages Group, o investimento será de 25 milhões de euros e prevê a criação de 60 empregos.

O prefeito convocou reuniões de emergência com os moradores para explicar a situação. Nesses encontros, segundo a imprensa francesa, alguns habitantes afirmaram temer a criação de um gueto no local.

Outros fizeram comentários irônicos e até mesmo discursos homofóbicos. Mas também há moradores que destacam o lado positivo do investimento, que deverá atrair novos consumidores ao vilarejo onde várias lojas têm sido fechadas nos últimos tempos em razão da crise.

“O problema é que na França as pessoas têm a visão de que um local para aposentados deve ser um asilo onde as pessoas vão para morrer”, diz Silver. “Os franceses não entendem que pode ser um lugar com estilo de vida para pessoas ativas e não algo para quem precisa de cuidados médicos”, afirma.

Ele destaca que não é possível impedir, por razões legais, a venda das casas a heterossexuais. As obras começarão em setembro e projeto deverá ser inaugurado no início de 2015, segundo Silver.

O condomínio fica próximo ao Canal do Midi (que liga o rio Garonne ao mar Mediterrâneo), um dos mais antigos canais da Europa ainda em funcionamento, construído no século 17 e tombado pelo patrimônio mundial da Unesco.

Fonte: BBC Brasil

Um Comentário

  1. Não gosto dessa separação que fazem às vezes.
    Isso não é enfrentar ou solucionar o problema, é fugir!
    Temos que parar de criar grupos, somos todos “humanos”, temos que aprender a conviver pelas qualidades em comum e não pelas diferenças.

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