Alexandre Borges, sobre vídeo com travestis: “Ali ninguém está fazendo mal a ninguém” Resposta

Alexandre Borges

Foto: Keny Andrade/Folhapress

Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, Alexandre Borges falou sobre o vídeo em que ele aparece com duas travestis.

“Não entendi muito bem uma coisa assim ser um escândalo, vamos dizer assim. Era uma coisa de pessoas tomando uma cerveja. Eu estava me divertindo, me descontraindo, uma coisa supernatural. Nada pesado.”

Ali ninguém está fazendo mal a ninguém. Não tem desrespeito. Foi chegando gente, de repente tocou uma música, uma menina começou a dançar e gravaram”, diz. “Não me preocupei em saber que gênero era, que raça era, que partido era… Não tem isso”, emenda.
Lido com pessoas de todos os tipos. O que me interessa é o bem estar. É eu não criar um conflito, uma coisa que me deixe arrogante.”

Não me privo de nada. Vivo a minha vida normalmente”, afirma o ator. “Quero descobrir o que eu tenho de autêntico, o que é meu. Para o bem e para o mal.”

O episódio ocorreu em 2016, desde então, Alexandre não teve mais nenhum papel em novelas.

Alexandre estreia na sexta (16) a temporada paulistana do espetáculo “Palhaços”, no Centro Cultural Banco do Brasil. É a sua terceira peça como diretor desde que ele “meteu as caras” na função, em 2014.

Com o ex-Trapalhões Dedé Santana no elenco, “Palhaços” conta a história de um bufão que se encontra com um espectador em seu camarim. Os dois começam a refletir sobre a vida.

Para ler a entrevista completa, clique aqui.

Jair Bolsonaro processa Marcelo Tas, por ter sido chamado de homofóbico (mas é!) e racista Resposta

Jair e Tas

Jair processa Tas e garante não ser homofóbico, nem racista

O deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) está processando o aprensentador e jornalista Marcelo Tas. Pasmém, porque foi chamado de homofóbico e racista. Jair assegura que não é homofóbico.

Tas teria chamado teria atribuído essas acusações em entrevista ao programa ao Blog do Rica Perrone em 22 de julho de 2017. A ação, segundo o blog TelePadi, corre na 31a Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo e requer R$20 mil de Tas por reparação de danos morais. A ação pede que Tas pague R$10 mil a cada vez que Tas acusar Jair de racista ou homofóbico.

“Lamento que ele se junte a outros parlamentares brasileiros, de direita e esquerda, é bom notar, que não suportam a convivência com a crítica ou com quem pensa diferente deles. Temo que, com a aproximação das eleições, surjam tentativas de intimidação e censura à livre expressão. Isto só vai contribuir para tumultuar o debate a atrasar o aperfeiçoamento da frágil democracia brasileira, diz Tas.

E dispara: “É patético. Os políticos estão mais por baixo que cocô de cavalo de bandido, mesmo assim não abrem mão da blindagem do fórum privilegiado. Não aceitam opiniões contrárias. Querem viver numa redoma, rodeados apenas por quem pensa igual a eles. A atitude do Bolsonaro reforça a minha suspeita: apesar de vender a imagem de novidade na corrida presidencial, ele é um político antigo como qualquer outroÆ.

Thiago Thomé se diverte com cantadas de mulheres e de gays Resposta

Thiago Thomé

Instagram: @thiagothome

 

No ar como Radu, o segurança bonitão da mocinha Clara, na novela das 21h, “O Outro Lado do Paraíso” (Globo), Thiago Thomé falou sobre assédio feminino e masculino à revista Tititi.

Segundo Thomé, o público feminino se manifesta “muito (risos).Mas é normal, há toda uma exposição nacional de um personagem sério, misterioso, agora cuidadoso, educado… Assim fica fácil para Radu conquistar todos os corações (gargalhadas)”.

Thiago conta que “os gays são bem mais assanhados (gargalhadas)! Levo na boa, respondo a todos com carinho e respeito”.

E para a tristeza de muito, Thiago dá o recado “Sou casadíssimo com uma baiana arretada, a Camila Lima (gargalhadas).

Gol faz voos com comissária transexual e tripulação exclusivamente feminina Resposta

Gol

Gol/Divulgação

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta quinta-feira (8), a Gol Linhas Aéreas preparou 14 voos com tripulação exclusivamente feminina. A ação começou na segunda-feira (5) e segue até domingo (11). As cidades escolhidas foram Caxias do Sul, São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Maringá, Vitória, Ilhéus e Juazeiro do Norte.

Nesta quinta, o voo 1.020 da empresa, com saída do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, contou inclusive com a presença de Nicole Cavalvante, a única comissária de bordo transexual da empresa e, segundo a Gol, a primeira do país.

– A transexualidade a gente sabe desde criança, mas nessa minha depressão fiz tratamento e terapia, e descobri que a depressão vinha disso, de não me assumir. Aí o médico disse: “ou você vai ser quem você é ou vai passar a vida toda infeliz e tomando medicação”. Hoje, estou supersatisfeita, feliz e realizada – contou Nicole em entrevista ao UOL.

Casagrande se solidariza com palmeirense que reclamou de homofobia nos estádios e sofreu ataques homofóbicos 1

casagrande

Além da boa atuação do Palmeiras, o clássico envolvendo o Verdão e o São Paulo na última quinta-feira (8) repercutiu por uma atitude além das quatro linhas. William De Lucca, torcedor palmeirense, se manifestou contra músicas homofóbicas cantadas pela torcida do próprio clube no estádio. A atitude repercutiu na Internet e recebeu apoio de Walter Casagrande. No programa “Seleção SporTV”, desta sexta-feira, o comentarista afirmou que se sentiu muito feliz com a atitude do torcedor.

“Essa atitude foi fantástica. Apoiei e gostei muito. A pessoa que está em casa pode achar muito fácil defender ou atacar, porque não sente na pele. Eu sinto na pele porque sou dependente químico. Os que me ofendem nas redes sociais, me chamam de viciado, drogado… Não posso falar nada de ninguém por causa do meu passado. Quem sou eu para falar de alguém se fiquei internado. Eu sofro isso diariamente”, disse.

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O blog já postou diversas vezes a respeito da homofobia no futebol. Uma pena que isso ainda persista.

Bruna Linzmeyer participa de manifestação lésbica no Rio Resposta

Bruna e Namorada

Bruna Linzmeyer participou de uma manifestação pelo Dia Internacional da Mulher na noite desta quinta-feira (8), no Rio. A atriz, que namora Priscila Visman, publicou registros de uma passeata que aconteceu nas ruas do Centro e deu ênfase ao lema da manifestação: “O corpo é da mulher, ela dá pra quem quiser. Inclusive pra outra mulher”.

Nas imagens publicadas por Bruna no Instagram, é possível ver um grupo de moças segurando uma faixa que diz: “Lésbicas resistem e existem. Nenhum direito a menos”. Bruna ainda completou: “Eu vou dar pra quem quiser. Inclusive para outra mulher”.

A atriz, desde que assumiu a sua homossexualidade, bissexualidade ou “liberdade”, se transformou em uma das pessoas mais influentes entre os LGBTs brasileiros.

Parabéns, Bruna!

Ricardo Tozzi conta que já sofreu com homofobia: “Nasceu viadinho a gente mata.” Resposta

Ricardo Tozzi

Crédito: Jorge Bispo

 

Durante coletiva da próxima novela das 18h “Orgulho e Paixão” (Rede Globo), Ricardo Tozzi, que irá interpretar um coronel, contou que se assustou com coronel homofóbico na vida real.

“Estive no interior de um estado de um estado que não vou dizer qual é, um pouco distante daqui (Rio de Janeiro), fazendo um trabalho. Era um desfile no meio de uma loja. O proprietário me buscou no aeroporto, um cara com um carrão… no interior, interior, interior, lá pra cima do norte. Então ele me disse: “Aqui não tem problema nenhum.” Eu falei: “Não?” Ele respondeu: “Não. Aqui a gente resolve tudo… A gente faz isso, isso, isso e mata doentinho. Os viadinhos. Nasceu viadinho a gente mata”, afirmou o empresário.

“A vontade era de eu parar o carro e pedir pra sumir dali. Gente… Era um coronel. O cara nasceu gay, morre. Então quando eu falo que o Brasil é muito grande e tem muita diversidade cultural, social… Tem muito coronel por aí. Cadê a liberdade da existência do ser humano?”

Homofóbica? (relembre os casos lendo a postagem), Joelma anuncia apresentação em boate LGBT. A casa está quase lotada 3

Joelma

Joelma, a cantora homofóbica (?), que já tentou mudar a orientação sexual de um fã (veja vídeo abaixo) e se disse contra o casamento gay, se apresentará em uma boate LGBT em Recife.

A rede social não perdoa:

Joelma Homofobia

No Instagram, os perfis dos fãs-clubes de Joelma que anunciam o show bloquearam os comentários. Apesar das manifestações contrárias, os ingressos para a apresentação estão quase esgotados. Pelo palco da boate, já passaram nomes como Gretchen, Pabllo Vittar, Lia Clark, Karol Conka e Valesca Popozuda, entre outras musas do público LGBT.

Joelma Homofóbica

Para quem não se lembra, Joelma havia declarado, em entrevista ao programa “Roberto Justus +” que acredita na recuperação dos homossexuais, comparando esse processo ao dos drogados: “É como um drogado tentando se recuperar”.

O que esses fãs LGBTs têm na cabeça? Será que a fofa vai tentar converter todos eles? Eu, hein…

Na época, Joelma se defendeu:

Então tá…

Sou mulher trans, e o 8 de março é meu dia Resposta

Mulheres

Marquesa Santos e Estrela Barbosa (Foto: André Soares/PorAqui)

 

O Dia Internacional da Mulher refere-se às várias as mulheres que habitam o mundo. São elas brancas, negras, indígenas, ricas, pobres, héteros, lésbicas, bissexuais… Os matizes são incontáveis, a pluralidade é marca genuína das mulheres. E que lindo ser assim! Dia 8 de Março é o dia de todas elas. E também é dia de Estrela Barbosa e Marquesa Santos, mulheres trans. É dia também das mulheres trans, de todas elas.

PorAqui conversou com as duas sobre o que é ser mulher trans nos dias de hoje e o que o 8 de Março significa para elas.

Estrela Barbosa tem 33 anos e mora em Santo Amaro. É militante da causa LGBT há 10 anos, faz parte da coordenação da Nova Associação de Travestis, Transexuais e Transformistas de Pernambuco (NATRAPE) e é estudante, depois de 17 anos afastada das salas de aula. “Aos 16 anos, quando comecei minha transição, fui expulsa da escola porque resolvi ir de saia”, lembra. A partir daí, uma busca pela sua essência teve um tanto de percalços, lutas e descobertas.

Marquesa Santos tem 42 anos. É agente social na Prefeitura do Recife e trabalha diretamente com a população LGBT e com pessoas em situação de vulnerabilidade – álcool e outras drogas, e vínculos familiares rompidos. Seu processo de transição também se deu aos 16 anos e foi envolvido por muito medo. Medo da aceitação, medo do mundo que a aguardava e que poderia ser impiedoso com uma escolha tão sua: ser, de fato e plenamente, quem ela era de verdade.

“Sempre tive certeza do que eu queria ser, desde criança. Eu já me via no feminino”, diz Estrela. Quando foi expulsa da escola e se viu sem norte, o caminho da prostituição foi inevitável. Nesse período, tentou a hormonização, que não surtiu efeito. Com o dinheiro de um programa, acabou implantando silicone industrial.

“Eu me olhava no espelho e faltava algo: era o peito. Era essa coisa do ego feminino mesmo”, conta ela. Já para Marquesa, a transição física foi mais conflituosa. Por algum tempo, era meio menino, meio menina. Mas o incômodo com isso a fez se lançar.

“Ser ou não ser? Vestir a camisa ou rasgar? Então, pensei: o ‘não’ eu já tenho. Então, eu fui em busca do ‘sim’, que, hoje, eu tenho. E foi tudo muito melhor pra mim: amigos, trabalho, faculdade”, diz Marquesa, que cursou Pedagogia.

Para elas, a empregabilidade para a mulher trans ainda é um desafio gigante a ser enfrentado. “Como é que a população trans vai sair da margem se não se tem projeto ou qualificação?”, questiona Estrela.

E o perigo iminente que muitos olhares e pensamentos enviesados ainda simbolizam. “A gente sabe que não é fácil viver nesse mundo, com a violência, o homicídio. Já perdemos várias amigas por conta da homofobia”, confessa Marquesa.

Mudanças no Mundo

Mas ambas acreditam que o mundo de hoje, apesar de ainda não ser o ideal para as mulheres trans, já deu alguns passos. “Os tabus estão sendo quebrados, estamos sendo mais aceitas. As pessoas estão começando a compreender mais”, diz Marquesa.

“A internet, os movimentos sociais e até a mídia vêm ajudando nisso”, endossa Estrela. “O jovem que vem hoje já vem com outra cabeça” continua. “Se a população LGBT tá crescendo, esse tema vai ser cada vez mais presente. E a gente vai mostrando a cara, matando um leão por dia”.

“Ser mulher não é só se vestir de mulher”, diz Estrela. E ser mulher trans, para elas, é reafirmar diariamente a sua existência legítima, num mundo onde ainda não basta apenas ser. Não basta apenas o direito de ser quem se é.

“Somos humanas, o coração bate e o sangue corre na veia. Não queremos ser melhores ou piores do que ninguém. Queremos ser empoderadas e reconhecidas como mulheres trans”, deseja Marquesa.

Foi incrível ouvir vocês, Estrela e Marquesa. Feliz Dia das Mulheres para vocês e para todas iguais e diferentes de vocês.

Reportagem completa você vê clicando aqui.

Mulheres que inspiram: Bruna Linzmeyer, Camila Pitanga, Leandra Leal e Taís Araújo Resposta

Atrizes

Leandra, Camila, Taís e Bruna: atrizes feministas poderosas

Durante muito tempo, as mulheres não foram ouvidas e nem eram levadas a sério se ousassem dizer suas verdades sob o poder dos homens, mas esse tempo acabou!” A frase é parte do discurso feito pela apresentadora norte-americana Oprah Winfrey na edição deste ano do Globo de Ouro, realizado na esteira das denúncias contra o megaprodutor Harvey Weinstein.

Além de contundente, a manifestação da apresentadora pode servir como resposta a uma das dúvidas masculinas mais frequentes no debate: qual é, afinal, o papel dos homens no feminismo?

As atrizes feministas Bruna Linzmeyer, Camila Pitanga, Leandra Leal e Taís Araújo, estrelas de capa da revista GQ deste mês, têm uma opinião em comum sobre essa dúvida masculina: “O grande papel do homem agora é escutar”. A declaração, dada por Leandra Leal durante o ensaio para a revista, em uma tarde de fevereiro, em São Paulo, resume o raciocínio de suas colegas.

Taís Araújo

Foto: Instagram (taisdeverdade)

Taís Araújo complementa: “Melhorar a escuta, estabelecer um diálogo honesto e aberto é o primeiro passo. Nesse diálogo, as pessoas vão escutar coisas que não vão gostar, mas é importante saber que não é nada pessoal – é para nos reestruturarmos enquanto sociedade, para ficar bom para todo mundo”. Camila e Bruna seguem o raciocínio. “As mulheres estão perdendo o medo de falar, de reivindicar seus direitos, e estou vendo cada vez mais homens querendo escutar, repensar”, diz a primeira.

“Com certeza, um homem pode ser feminista. Todos podemos. A luta feminista é a luta pela igualdade de gêneros. Mas é importante na perspectiva do homem, mesmo aquele que já se diz feminista, ouvir o que a mulher tem a dizer”, completa a segunda.
Leandra Leal

Foto: Instagram (leandraleal)

Leandra é reconhecida nos debates pró-feminismo. Tem se manifestado publicamente em artigos, entrevistas e em seus perfis nas redes sociais sobre assuntos como direito ao poder de decisão sobre o próprio corpo e ao aborto. “Eu não acho que estou no papel de ensinar algo aos homens”, ela diz.

“Acho que esse novo normal tem de ser construído meio a meio. Mas algumas questões são nossas, femininas, e têm de ser radicais. O direito da mulher ao seu corpo, por exemplo, tem de ser radical. Não dá para uma comissão de 18 homens chegar agora e dizer que a mulher não tem direito a abortar. Simplesmente não dá!”, defende.

A voz de Taís tem sido bastante ouvida nas questões de gênero e raça. Mãe de dois filhos, um menino e uma menina, ela causou comoção ao discursar no seminário TEDXSão Paulo, em agosto do ano passado.

Camila Pitanga

Foto: Instagram (caiapitanga)

“Quando engravidei do meu filho, fiquei muito, mas muito aliviada de saber que no meu ventre tinha um homem, porque eu tinha a certeza de que ele estaria livre de passar por situações vivenciadas por nós, mulheres. Teoricamente, ele está livre. Mas meu filho é um menino negro, e liberdade não é um direito que ele vai poder usufruir.

Se ele andar pelas ruas descalço, sem camisa, sujo, saindo da aula de futebol, ele corre o risco de ser apontado como um infrator, mesmo aos 6 anos de idade. No Brasil, a cor do meu filho é a cor que faz com que as pessoas mudem de calçada, escondam suas bolsas e blindem seus carros. A vida dele só não vai ser mais difícil do que a da minha filha.”

Bruna Linzmeyer

Foto: Instagram (brunalinzmeyer)

Bruna Linzmeyer, por sua vez, que no ano passado declarou-se sem rótulos, tem levantado a bandeira das mulheres homossexuais, bi e trans. E ela tem clara noção do peso de suas manifestações na luta por igualdade. “O fato de eu me declarar mulher lésbica é um ato político”, disse ela em um dos intervalos de sua sessão de fotos, também realizada em São Paulo. “Eu não sou só lésbica, eu não caibo em nenhuma dessas caixinhas.

Sou um ser humano livre. Mas dar nome a essas caixinhas é importante para podermos jogar luz sobre elas. Estamos fazendo uma curva positiva no mundo, e isso passa pela segurança que tenho de estar falando isso tudo agora. Cinco anos atrás, eu não podia, como mulher, como mulher lésbica, falar. Agora posso.”

Camila Pitanga é uma figura agregadora e disseminadora de discursos. Não à toa, abriu as portas de sua casa, no Rio de Janeiro, para aulas semanais sobre temas ligados ao feminismo com a filósofa e ativista Djamila Ribeiro. “Criei esse grupo porque achei que era importante a gente conhecer melhor o feminismo, ter mais referência, trocar ideias, se provocar junto.

Quando teve aquela sinergia do Mexeu com Uma, Mexeu com Todas, diz ela, fazendo referência à campanha que se criou no ano passado com a denúncia de assédio feita pela figurinista Su Tonani contra o ator José Mayer, “achei que era o momento de dar a mão, trocar confidências, não ficar só numa pesquisa intelectual, porque o problema não acontece só nesse campo, acontece na pele, no dia a dia”.

Cada uma à sua maneira, as quatro exercem o feminismo, e essa batalha vai ganhar um novo capítulo em breve. Desde o ano passado, produtores e produtoras, roteiristas, atores, atrizes e entidades ligadas à indústria trabalham na criação do movimento Não Vamos Mais Tapar os Olhos. Depois de meses de debates, a primeira reunião do grupo aconteceu em janeiro. A próxima está agendada para este mês, na sede da Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (Apro), em São Paulo. Do encontro devem sair as diretrizes finais de trabalho do movimento.

Mais do que reforçar a mensagem pelo fim do assédio sexual, o movimento trabalha na criação de um código de conduta a ser adotado por profissionais, produtoras e contratantes. A ideia é criar uma espécie de modus operandi da indústria do audiovisual, tanto para evitar casos de assédio quanto para agir quando surgir uma denúncia de um episódio do gênero.

“Digamos que você esteja fazendo um filme e seu principal ator assedia uma funcionária da equipe. Que medidas serão tomadas? A quem essa funcionária vai recorrer? É esse tipo de coisa que queremos estabelecer”, diz Betão Gauss, sócio da Prodigo Films e um dos coordenadores do Não Vamos Mais Tapar os Olhos.

O grupo vai produzir um vídeo de orientação para ser distribuído entre os profissionais e produtoras. Com a participação dos principais sindicatos da indústria do audiovisual – a interlocução com as entidades tem sido feita pela Apro  –, o movimento quer que os pontos discutidos na montagem do Não Vamos Mais Tapar os Olhos passem a fazer parte das cláusulas dos contratos do setor. “O assédio não pode mais acontecer em nossa indústria. Ter essas quatro atrizes como parte do movimento dá um peso enorme. A mensagem vai chegar a muito mais gente”, afirma Gauss.

Durante nossa entrevista, em uma manhã de domingo, no Rio de Janeiro, Taís Araújo relembra situações em sua carreira que gostaria de esquecer. “Foi tanta cena que eu fiz e não queria ter feito. Fiz porque achava que ia ser cortada”, conta a atriz.

“A verdade é que aquela única cena não ia definir a personagem, mas eu tinha medo, tinha um sonho. A quantas coisas eu disse sim e me violentei para poder chegar onde estou hoje? Agora percebo: fiz sem a menor necessidade. ‘Essas coisas acontecem porque é assim que é’, eu pensava. Mas não pode mais ser, a gente precisa redesenhar isso”. Afinal, como disse Oprah: Time’s up!

Fonte: GQ

Mulheres que inspiram: Laura Cardoso: Gosto mais de ser chamada de inteligente que de bonita Resposta

Laura Cardoso

“Sempre fui muito determinada e não me permiti ser prejudicada por ser mulher”. (Reprodução/GShow/)

“Gosto mais de ser chamada de inteligente que de bonita. O tempo passa. Se a mulher for inteligente saberá aceitar todas as idades, dos 15 aos 100. A vida é maravilhosa, nos traz oportunidades e encantos, ela não para nunca. É preciso caminhar com o tempo, independente da idade.”, diz a atriz Laura Cardoso (90), uma das mais queridas e talentosas do Brasil.

A atriz soma quase 80 títulos entre novelas, minisséries, séries e teleteatros. No ar como a cafetina Caetana em “O Outro Lado do Paraíso” (Globo), Laura afirma não poder fazer planos futuros, mas se tiver vida, ressalva, fará um filme com as cineastas Tereza Aguiar e a Ariene Porto após finalizar as gravações da novela de Walcyr Carrasco, em maio. Diz que atuou com as cineastas no filme “O Crime da Cabra”, ao lado do Lima Duarte, e que tem um novo convite.

“É bom que fico empregada. Fico bem. É sempre um presente e uma sorte estar trabalhando. Um bom papel depende do ator. Com inteligência é possível fazer de qualquer personagem um grande papel. Mas precisa ser ator, não pode ser enganação.”

Laura Cardoso

Laura Cardoso interpreta a divertida Caetana em O Outro Lado do Paraíso (Foto: Raquel Cunha/Globo)

Pioneira na teledramaturgia brasileira, Laura Cardoso começou a carreira aos 15 anos em radionovelas da Rádio Cosmos e migrou para a televisão quando a nova mídia surgiu, na década de 1950. Ao longo da carreira, diz, nunca se sentiu prejudicada por ser mulher. “Sempre fui muito determinada, na minha carreira e na vida, e não me permiti ser prejudicada.”

A atriz conta ter crises de choro ao ler jornais e se deparar com mães cujos filhos passam fome, ou que têm que deixar os filhos sozinhos em casa para trabalhar. “Ser mulher no Brasil não é fácil. Mas se pensarmos nas classes sociais, é pior para a classe pobre. Para a mulher que não tem alimentos para dar para o filho, cuja criança não tem acesso a escolas e hospitais.”

Com 75 anos de carreira e diversos prêmios no currículo, Laura Cardoso diz se inspirar na obra da poetisa Cora Coralina (1889-1985), da antropóloga Ruth Cardoso (1930-2008), e da psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999), que dedicou à vida ao combate aos tratamentos agressivos, como eletrochoque, insulinoterapia e lobotomia.

“Muitas mulheres que me inspiraram. Nise fez um trabalho magnífico sobre as pessoas, sobre a mente, sobre a loucura. O trabalho dela esclarece a vida. Já Ruth Cardoso foi um exemplo de pessoa e de mulher.”

Para as mulheres, Laura Cardoso aconselha a serem guerreiras, corajosas e “mulheres na verdadeira concepção da palavra: a mola que move o universo”.

Para ler a reportagem completa, clique aqui.

Mulher estuda mais, trabalha mais e ganha menos do que o homem Resposta

Desigualdade

As mulheres trabalham, em média, três horas por semana a mais do que os homens, combinando trabalhos remunerados, afazeres domésticos e cuidados de pessoas. Mesmo assim, e ainda contando com um nível educacional mais alto, elas ganham, em média, 76,5% do rendimento dos homens. Essas e outras informações estão no estudo de Estatísticas de Gênero, divulgado nesta quarta-feira, 07/03, pelo IBGE.

Vários fatores contribuem para as diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Por exemplo, em 2016, as mulheres dedicavam, em média, 18 horas semanais a cuidados de pessoas ou afazeres domésticos, 73% a mais do que os homens (10,5 horas). Essa diferença chegava a 80% no Nordeste (19 contra 10,5). Isso explica, em parte, a proporção de mulheres ocupadas em trabalhos por tempo parcial, de até 30 horas semanais, ser o dobro da de homens (28,2% das mulheres ocupadas, contra 14,1% dos homens).

“Em função da carga de afazeres e cuidados, muitas mulheres se sentem compelidas a buscar ocupações que precisam de uma jornada de trabalho mais flexível”, explica a coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE, Bárbara Cobo, complementando que “mesmo com trabalhos em tempo parcial, a mulher ainda trabalha mais. Combinando-se as horas de trabalhos remunerados com as de cuidados e afazeres, a mulher trabalha, em média, 54,4 horas semanais, contra 51,4 dos homens”.

O estudo mostra ainda que, em 2016, 62,2% dos cargos gerenciais, tanto no poder público quanto na iniciativa privada, eram ocupados por homens e 37,8% por mulheres. A participação das mulheres em cargos gerenciais era mais alta entre as gerações mais jovens, variando de 43,4% entre as mulheres com 16 a 29 anos, até 31,3% entre as mulheres com 60 anos ou mais de idade.

Quanto ao acesso e uso de novas tecnologias, importante para análise do grau de autonomia da mulher, os resultados indicam que a proporção de mulheres que possuem telefone celular no Brasil (78,2%) é levemente superior a dos homens (75,9%). Tal proporção é superior para as mulheres em todas as grandes regiões, com exceção da região Sul, onde a masculina (82,1%) é ligeiramente maior que a feminina (81,9%).

As informações são das pesquisas do IBGE – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD e PNAD Contínua), Projeções da População, Estatísticas do Registro Civil, Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic), além do Ministério da Saúde, Presidência da República, Congresso Nacional, Tribunal Superior Eleitoral e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP.

Fonte: Convergência Digital

Pilota de Temer é 1ª mulher a comandar avião presidencial Resposta

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Capitão da Força Aérea Brasileira, Carla Borges é primeira mulher a pilotar o avião presidencial (Foto: Sargento Manfrim/FAB)

 

A capitão da Força Aérea Brasileira (FAB), Carla Borges, é a primeira mulher a pilotar um avião presidencial no Brasil. A militar se destaca em meio a um universo historicamente masculino. Apenas um em cada seis pilotos da instituição é mulher.

As flexões “capitã” e “pilota” estão registradas oficialmente no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp). Mas a maior parte das mulheres na carreira militar diz preferir o termo “neutro” – neste caso, as palavras flexionadas no masculino.

A capitão assumiu o posto na aeronave presidencial em 2016, quando completou 13 anos de habilitação para conduzir aviões.

Ela também foi a primeira mulher a integrar o Esquadrão Escorpião, em Roraima, que emprega o modelo A-29 Super Tucano na defesa das fronteiras brasileiras. Além disso, ela foi a primeira mulher a chegar ao seleto gruo da aviação de cação. Atualmente, a equipe tem nove homens e ela.

Em pouco mais de 10 anos de carreira, Carla acumulou mais de 1,5 mil horas de voo no comando de nove modelos diferentes de aeronaves. Durante todo esse período, ela disse não ter sentido diferença de gênero no tratamento entre os colegas militares dentro da FAB.

Apesar disso, a capitão recorda o fato de, ainda na primeira turma de mulheres aviadoras, em 2003, compor um grupo de apenas 20 mulheres em um universo de 180 pessoas. A FAB só passou a aceitá-las na corporação a partir de 1982.

Nathalie

Nathalie Porto na cabine do avião (Foto: Arquivo Pessoal)

Outra pioneira na profissão é a piloto Nathalie Porto. Aos 25 anos, mesmo com a formação em arquitetura, ela optou por deixar o lápis e a prancheta de lado para assumir o controle de aviões.

Dez anos depois, Nathalie é piloto de uma companhia aérea comercial – a mudança para Brasília aconteceu em outubro de 2017. A comandante da Avianca era a única mulher em meio a 30 homens que participaram da turma de formação.

Apesar da percepção da piloto sobre o aumento da participação feminina no setor, Nathalie diz que no contato direto com os passageiros e funcionários do setor – ou seja, quando não está na cabine –, as pessoas ainda estranham a presença dela no cargo.

Apesar da formação como piloto e instrutora de voo, Nathalie diz que a trajetória na profissão nem sempre foi fácil. Ela relembrou o momento em que foi rejeitada por uma empresa de táxi aéreo.

“Eles não queriam me contratar por ser mulher, para economizar com diárias da tripulação”, diz. “Alegaram despesa extra com a acomodação no hotel, já que não poderiam me colocar no quarto com os copilotos”.

Mulheres na aviação

Passados 36 anos do ingresso das mulheres na carreira militar da Aeronáutica, a presença feminina na FAB corresponde a apenas 17% do efetivo. No total, de 67,1 mil militares, 55,7 mil são homens e 11,3 mil mulheres. Os números dizem respeito a todas as funções dentro da corporação.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), no período de 2015 a 2017, o número de mulheres na aviação aumentou em 106%. O aumento mais expressivo é no de mulheres com licença de pilotas privadas de avião  – um salto de 165%, passando de 279 para 740 em dois anos.

O número de mecânicas também cresceu 30% no período, passando de 179, em 2015, para 233 em 2017. No entanto, o número ainda é pequeno quando comparado aos profissionais do sexo masculino. O último balanço mostra que há 8.092 homens na área de conserto e manutenção de aeronaves – número quase 35 vezes maior.

A reportagem completa, com a entrevista, você encontra no G1

Fábio Porchat diz que, enquanto mulher não duvidar de sua heterossexualidade, ele está tranquilo Resposta

Fábio Porchat

NX Rio de Janeiro (RJ) 03/05/2013 – Entrevista com Fabio Porchat. Foto Marcelo Theobald/Extra/Agência O Globo.

O apresentador Fábio Porchat (Record), resolveu falar pela primeira vez sobre a sua possível homossexualidade, ao canal Pingue-Pongue com Bonfá.

Não sabia da fama. Não acho que a orientação sexual do moço seja assunto relevante, mas vamos à entrevista. Afinal, existem muito s curiosos na internet…

Rubens Ewald Filho pode ser vetado da TNT após comentários transfóbicos em transmissão do Oscar Resposta

Rubens Edwald FIlho

Comentários transfóbicos complicam vida de crítico de ciema.

Além de interromper e ser grosseiro com a sua colega, Domingas Person, na apresentação do Oscar, Rubens Ewald Filho indignou o público da TNT ao fazer comentários machistas e transfóbicos durante a apresentação da festa.

Ao comentar sobre Daniela Vega, primeira atriz transexual convidada a apresentar um musical na premiação, o crítico disse que “essa moça, na verdade, é um rapaz”. Mais tarde, quando Frances McDormand subiu ao palco para receber o prêmio de Melhor Atriz, Rubens a chamou de feia e citou rumores de que ela estaria bêbada em uma premiação anterior. “Acho interessante que essa senhora não é bonita, deu um show de bebedeira no Globo de Ouro e, de repente, o filme é um sucesso”, disse.

Muitos internautas reclamaram da postura do veterano e o acusaram de preconceito. A TNT também não gostou nada dos comentários, e chegou a repudiar o ocorrido através de uma nota:

“Rubens Ewald Filho é um dos mais respeitados e conceituados críticos de cinema do país e há anos leva informação, conhecimento e sua paixão na cobertura das premiações pela TNT. Rubens se desculpa pelos termos que possam ter ofendido ou provocado mal-estar. Em nenhum momento, houve a intenção de endossar qualquer posicionamento preconceituoso”, finaliza. Ainda durante a premiação, o canal usou as redes sociais para se retratar, embora não tenha conseguido dispersar as críticas. “Sim, a Daniela Vega é uma mulher. E que mulher!”, dizia a publicação da TNT.

A emissora discute o afastamento dele.

“Não sou sexista ou transfóbico”

Em entrevista à revista Veja, o crítico se defendeu:

“O que aconteceu com relação à atriz Daniela Vega, foi, no fundo, uma confusão minha de termos técnicos de expressão, mas nunca, em hipótese alguma, uma atitude sexista e transfóbica”, afirma o crítico ao site de VEJA. “Que tudo isso que aconteceu sirva para se falar ainda mais sobre o assunto, para se promover ainda mais esta causa. Que pessoas leigas aprendam os termos técnicos, e me coloco neste caso, aprimorem seu vocabulário nesse sentido.”

Então tá…

*Com informações do TV Foco

Facebook censura vídeo postado por filho de Bolsonaro, a pedido de Alckmin, onde tucano aparece com movimento LGBT Resposta

CHUVA / CAOS EM SP

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), moveu uma ação contra o Facebook para retirar do ar um vídeo postado pelo perfil atribuído ao vereador Carlos Bolsonaro (PSC), filho de Jair Bolsonaro (PSC-RJ) do Rio de Janeiro. Na ação, Alckmin pede que o vídeo seja excluído da rede social e que o Facebook quebre o sigilo dos dados de quem fez a postagem.

Na última sexta-feira (2), a Justiça Estadual de São Paulo negou, em caráter liminar, os pedidos de Alckmin. Mas, após Alckmin recorrer, o vídeo foi banido.

O vídeo que a Justiça excluiu, a pedido de Alckmin, foi postado em 25 de dezembro de 2017. Nele, Alckmin aparece celebrando a criação do secretariado de diversidade tucana, uma instância dentro do PSDB voltada para a discussão de políticas públicas voltadas para a comunidade LGBT. O vídeo foi editado e mescla momentos em que Alckmin aparece discursando com fotos de manifestações promovidas por integrantes da comunidade LGBT.

Junto ao vídeo, o perfil, claro, critica Alckmin. “Como se não bastasse estar metido na Lava-Jato e tantos outros escândalos de corrupção, mais esta do candidato que querem induzi-lo (sic) a acreditar que é de centro-direita, mas em conluio com a militância que você já conhece. Este que a mídia diz que ganhará as eleições de 2018”.

Para o advogado Fábio de Oliveira, que defende Alckmin, o vídeo dele com ativistas tucanos LGBTs ridicularizaria o candidato à Presidência do Brasil.

O Facebook retirou o vídeo, alegando que ele fere os padrões da comunidade. A decisão aconteceu, mesmo depois de a Justiça de São Paulo negar, em caráter provisório, ter liberado o vídeo.

Na tarde da última segunda-feira, Carlos Bolsonaro utilizou sua conta no Twitter para acusar o Facebook de retirar o vídeo do ar. Ele aproveitou a postagem para publicar o vídeo novamente.

Informações: UOL

Quatro travestis são atacadas em dez dias em Salvador Resposta

Transfobia

Em apenas 10 dias, quatro travestis foram atacadas em Salvador. Um número assustador.

Três vítimas foram esfaqueadas no rosto e uma quarta foi espancada com barra de ferro. Os golpes foram todos na região da face.
Segundo o jornal Correio, as travest estavam em seus pontos quando foram atacadas por um homem em dias distintos o bairro da Pituba, região nobre da capital baiana, Salvador. Os ataques ocorreram de madrugada.

O agressor seria um homem alto, moreno, com cavanhaque e em todas as ações usava a mesma roupa: boné azul, casaco e calça jeans.

As vítimas são jovens entre 18 e 22 anos. Os crimes ocorreram entre os dias 21 de fevereiro e 3 de março.

A Polícia Militar (PM) informou ao que atuou em duas ocorrências nas madrugadas do dia 28 de fevereiro e 3 de março. Nelas, há o relato de um agressor que vitimou duas pessoas com golpes de lâminas no rosto.

O primeiro ataque foi contra Luana, que estava sozinha quando foi golpeada por trás, por uma barra de ferro. “Quando ela caiu, ele correu. Desde então, Luana sumiu, com medo de ser novamente agredida ou até morta”, contou outra travesti, de nome Celine.

Outra vítima foi Bianca – ela foi esfaqueada e socorrida a uma unidade médica. “Ela disse que ele falou quando saiu: ‘Só vou parar quando matar uma’”, contou Celine.

A terceira vítima foi Rafaela. Ela também foi esfaqueada.

Pânco

O medo fez com que as vítimas não procurassem a polícia. Nenhuma delas registrou queixa em delegacia. “Elas achavam que se denunciassem, esse bandido poderia voltar para terminar o que começou. Mas já estávamos adotando medidas cabíveis: na próxima segunda-feira (12/03) iremos à Defensoria Pública”, contou Celine.

O pânico está instalado entre as profissionais do sexo que atuam na Pituba. “Todas estão apavoradas. Então, estamos pedindo para todas ficarem mais juntas, não se afastarem uma das outras, já que a maioria dos ataques acontece quando a vítima está sozinha”, declarou Celine.

Transfobia

Para a psicóloga Ariane Senna, transfeminista e vice-presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT do Estado da Bahia, os ataques na face são casos típicos de transfobia. “É quando o cidadão quer desfigurar, ele quer dizer que o rosto de mulher não pertence ao corpo de um homem. Geralmente, são crimes com requinte de crueldade. Isso falando psicologicamente”, disse.

Segundo Ariane, estes casos não são isolados. “Já soube de outros casos entre profissionais do sexo, mas não deu em nada, por que as vítimas tiveram medo de denunciar. É preciso ter coragem para tentarmos mudar esse cenário”, disse.

Ainda de acordo com Ariane Senna, se a vítima não se sentir confortável em ir a uma delegacia, ela pode procurar o Conselho Estadual dos Direitos LGBT, a Defensoria Pública ou grupo de ativistas, a exemplo da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

As vítimas dos ataques na Pituba serão encaminhadas para a Casarão da Diversidade, onde todas terão acompanhamento psicológico, jurídico e social.

Delegada promete busca implacável

A Polícia Civil já investiga o ataque, apesar de as vítimas não terem prestado queixa.

“O que aconteceu é inadmissível. Vamos atrás dele”, afirmou ao Correio, a delegada Maria Selma, titular da 16ª Delegacia (Pituba).

Vulnerabilidade

“Qualquer ato violento a gente reage com indignação. As travestis estão renegadas a sua própria sorte. Estão vulneráveis”, declarou a presidenta da Antra, Keila Simpson. Segundo ela, há razões para que as vítimas não tenham prestado queixa em nenhuma delegacia. “Por duas razões: a primeira, por causa do processo de vulnerabilidade. Elas não têm ninguém que possam ampará-las de fato e temem que o agressor possa voltar de forma mais violenta. A segunda é que não são tratadas como cidadãs, são desrespeitadas quando chegam nas delegacias”, declarou Keila.

As vítimas já começaram a receber o apoio de entidades ativistas. “Consegui localizar Rafaela e daremos todo o apoio necessário. Vou ao encontro dela”, disse Millena Passos diretora da União LGBT do Estado da Bahia (Una), coordenadora do Grupo Gay da Bahia (GGB) e da Associação de Travestis (Atras).

Millena quer encorajar as vítimas a prestarem queixa na delegacia. “Isso não pode ficar impune. O Brasil é o país que mais mata travesti no mundo. De hoje em diante a gente não sabe quem é quem. Esse criminoso é uma pessoa transfóbica. Elas não fizeram nada a ele e mesma que tivessem feito, isso não justifica”, declarou.

Em nota, a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social ( SJDHDS), condenou e repudiou veementemente todos os casos de agressão, violência e ataques aos direitos humanos e à população LGBT.

“Os últimos episódios, registrados no bairro da Pituba, apresentam características típicas de transfobia, uma violência brutal que precisa ser investigada e combatida. A SJDHDS atua em favor dos direitos da população LGBT, do respeito à diversidade e as pessoas, oferecendo acolhimento às vitimas, com orientação psicológica, social e jurídica, através da Coordenação LGBT, pertencente a esta secretaria. Para reforçar esse trabalho de acolhimento e enfrentamento às violações dos direitos e aos atos de agressão, desrespeito e violência contra essa população, está em fase final de estruturação Casarão da Diversidade, onde funcionará o Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT, com equipe especializada e focada no combate a essas e demais práticas de violação aos direitos da população LGBT”, destacou o órgão. A Coordenação LGBT da secretaria informou ainda que está em contato com as vítimas, desenvolvendo o trabalho de acolhimento, além de encaminhamento no que se refere as orientações e demais providências cabíveis.”

O Casarão está localizado no Centro Histórico e sua inauguração está prevista para ocorrer até o mês de abril.