Mulheres que inspiram: Laura Cardoso: Gosto mais de ser chamada de inteligente que de bonita Resposta

Laura Cardoso

“Sempre fui muito determinada e não me permiti ser prejudicada por ser mulher”. (Reprodução/GShow/)

“Gosto mais de ser chamada de inteligente que de bonita. O tempo passa. Se a mulher for inteligente saberá aceitar todas as idades, dos 15 aos 100. A vida é maravilhosa, nos traz oportunidades e encantos, ela não para nunca. É preciso caminhar com o tempo, independente da idade.”, diz a atriz Laura Cardoso (90), uma das mais queridas e talentosas do Brasil.

A atriz soma quase 80 títulos entre novelas, minisséries, séries e teleteatros. No ar como a cafetina Caetana em “O Outro Lado do Paraíso” (Globo), Laura afirma não poder fazer planos futuros, mas se tiver vida, ressalva, fará um filme com as cineastas Tereza Aguiar e a Ariene Porto após finalizar as gravações da novela de Walcyr Carrasco, em maio. Diz que atuou com as cineastas no filme “O Crime da Cabra”, ao lado do Lima Duarte, e que tem um novo convite.

“É bom que fico empregada. Fico bem. É sempre um presente e uma sorte estar trabalhando. Um bom papel depende do ator. Com inteligência é possível fazer de qualquer personagem um grande papel. Mas precisa ser ator, não pode ser enganação.”

Laura Cardoso

Laura Cardoso interpreta a divertida Caetana em O Outro Lado do Paraíso (Foto: Raquel Cunha/Globo)

Pioneira na teledramaturgia brasileira, Laura Cardoso começou a carreira aos 15 anos em radionovelas da Rádio Cosmos e migrou para a televisão quando a nova mídia surgiu, na década de 1950. Ao longo da carreira, diz, nunca se sentiu prejudicada por ser mulher. “Sempre fui muito determinada, na minha carreira e na vida, e não me permiti ser prejudicada.”

A atriz conta ter crises de choro ao ler jornais e se deparar com mães cujos filhos passam fome, ou que têm que deixar os filhos sozinhos em casa para trabalhar. “Ser mulher no Brasil não é fácil. Mas se pensarmos nas classes sociais, é pior para a classe pobre. Para a mulher que não tem alimentos para dar para o filho, cuja criança não tem acesso a escolas e hospitais.”

Com 75 anos de carreira e diversos prêmios no currículo, Laura Cardoso diz se inspirar na obra da poetisa Cora Coralina (1889-1985), da antropóloga Ruth Cardoso (1930-2008), e da psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999), que dedicou à vida ao combate aos tratamentos agressivos, como eletrochoque, insulinoterapia e lobotomia.

“Muitas mulheres que me inspiraram. Nise fez um trabalho magnífico sobre as pessoas, sobre a mente, sobre a loucura. O trabalho dela esclarece a vida. Já Ruth Cardoso foi um exemplo de pessoa e de mulher.”

Para as mulheres, Laura Cardoso aconselha a serem guerreiras, corajosas e “mulheres na verdadeira concepção da palavra: a mola que move o universo”.

Para ler a reportagem completa, clique aqui.

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