André Fischer chama analista assassinado na Oscar Freire de asno, mané e carente 5



Li, estarrecido, o texto do jornalista André Fischer, sobre o analista de sistema Eugênio Bozola, de 52 anos, assassinado na última terça-feira (23/08) na Oscar Freira, endereço nobre de São Paulo. Um texto equivocado, repleto de preconceito contra gays com mais de 50 anos. André chama Eugênio de asno, mané e carente. Abaixo, o texto na íntegra (clique aqui e leia no blog dele), com comentários do blogueiro em vermelho:

“Conhecia Eugenio Bozola de vista da academia. Ele malhava na Competition da Oscar Freire. Nunca conversei com ele, tenho pouco a dizer sobre a não ser pelo que se comenta agora entre os aparelhos.”

Apesar de malhar na mesa academia que o analista de sistema Eugênio Bozola malhava e no mesmo horário, André nunca conversou com ele. André diz que tem “pouco a dizer”. Na verdade, ele não tem nada a dizer. Tudo que ele dirá é baseado em fofoca ou, como ele prefere escrever, no “que se comenta agora entre os aparelhos”.

“Ele ficava à noite mais batendo papo que malhando. Aos 52 anos, solteiro, gay de classe média alta, era carente, aliás como a maioria dos caras com esse perfil.”

Se ele malhava ou não, é uma informação totalmente desnecessária, já que não acrescenta em nada. E como dizer que Eugenio era carente, se André mesmo escreveu que não conversou sequer uma vez com ele? E como dizer que a maioria dos solteiros gays, com mais de 50 anos e de classe media alta são carentes?

“Ao que tudo indica Murilo nunca teve nada com ele. Eles teriam se conhecido no Rio com um grupo de amigos e como o modelo estava se mudando para São Paulo, Eugenio o teria convidado a dividir seu apartamento para chegar melhor na cidade.
 Devia querer a companhia de um moço bonito. Infelizmente Murilo estava no lugar errado na hora errada.”

Murilo, que André conhecia, tanto que já havia sido capa da revista “Junior”, do André, “estava no local errado e na hora errada”. E o Eugenio, André? Eugenio estava no local certo, na hora certa? E o assassino?

“Eugênio, como muitos homens de meia idade, gostava de caras mais novos. E cometeu a asneira de colocar dentro de casa um psicopata homossexual-homofóbico, que dizia em seu twitter que estava “infiltrado” no meio gay.”

Existem muitos homens gays de meia idade que gostam de caras mais novos. Ok. Existem muitos homens heterossexuais de meia idade que gostam de mulheres mais novas, também, assim como existem mulheres de meia idade que gostam de homens mais novos. E nem por isso a gente vê, o tempo todo, homens gays ou heterossexuais e mulheres de meia idade sendo assassinados, André. E outra, dizer que o Eugenio “cometeu a asneira de colocar um psicopara homosexual-homofóbico que dizia em seu twitter que estava ‘infiltrado’ no meio gay”, é afirmar que o suspeito é culpado. Isso não é tarefa sua, André. Além disso, todos estamos sujeitos a tal tragédia. Pesquisas apontam que o número de psicopatas é bem maior do que imaginamos. Tudo bem, podemos até questioner o fato de pessoas – independente da orientação sexual – levarem desconhecidos para a casa, logo no primeiro encontro. Mas nesse caso a gente não pode afirmar que o Eugênio e o assassim não se conheciam, até porque ainda não sabemos quem é o assassin e, mesmo que seja o Lucas Rossetti, a gente ainda não sabe se ele conhecia ou não o Eugênio. E mais: Eugênio não estava sozinho. Ele estava com o modelo Murilo Rezende. Não sabemos, de fato, o que aconteceu. Então precisamos esperar a apuração dos fatos. E mesmo que o Eugênio tenha sido descuidado, chamá-lo de asno é, no mínimo, deselegante.

“Homens gays mais velhos solteiros, classe média e que gostam de garotos são presas fáceis para oportunistas. Pior ainda para os que têm fantasias de pegar ‘héteros’.”


Apesar de não dizer que o Eugênio tinha tal fantasia, André, que nunca falou com ele, deixa isso subentendido, já que o texto é sobre o Eugênio.

“Conheço vários que se expõem a esse risco e são constantes vítimas de boa-noite-cinderelas, pequenos furtos, agressões. Na melhor das hipóteses perdem apenas o dinheiro com presentes. E se machucam emocionalmente quando se iludem com possibilidades de amor.

“Falar de homofobia no caso do crime da Oscar Freire é um engano, ainda que sem dúvida haja uma boa parcela de homofobia internalizada neste caso.”

Falar que não foi homofobia, também é um engano. Não sabemos o que aconteceu de fato e nem quem é o assassino, apesar dos indícios.

“Colocar dentro de casa um garoto desconhecido, um possível psicopata, é abrir as portas para o inimigo. Trata-se de mais um triste caso de violência urbana. Heterossexuais fazem a mesma coisa, mas é mais difícil que mulheres sejam violentas.”

É mais difícil que as mulheres sejam violentas? Talvez, mas e as mulheres que levam garotos jovens para dentro de casa? Ninguém deve levar desconhecidos para dentro de casa.

“‘Pode acontecer com qualquer um’, me repetem aqui. Mas com qualquer um que for mané o suficiente para se expor a esse tipo de situação.”

Chamar uma pessoa que foi brutalmente assassinada de “mané” é de péssimo gosto. Agora, vamos supor que o Eugênio levasse rapazes para o seu apartamentos. Neste caso, o Murilo que foi morar na casa do Eugênio, sabendo, provavelmente, do estilo de vida dele, era mané também? Ah!, o Murilo o André conhecia…