O poder gay e as celebridades Resposta


Nos últimos 30 anos os homossexuais aumentaram o seu “poderio de fogo” junto à mídia e elite americanas. Qualquer atitude considerada politicamente incorreta recebe pronta resposta de organizações e grupos que defendem direitos individuais.

Frequentemente os formadores de opinião dos veículos de comunicação recebem material de convencimento e visitas de “convencimento”.

E quanto às agressivas ações tidas como homofóbicas, mais rápida é a contra-resposta. Uma das ofensas mais bizarras contra os gays foi proferida pelo ator Mel Gibson numa entrevista para uma revista dos Estados Unidos: “O ânus foi feito somente para defecar, as pessoas que fazem mau uso dele o estão transformando numa área de lazer”, disse o ator.

Até o irmão homossexual de Gibson foi obrigado a vir a público defender o irmão: “Ele é heterossexual e estava ilustrando o fato. Do mesmo jeito que um homossexual não gostaria de ter relações sexuais com uma mulher. Ele nunca quis perturbar ninguém. Nunca ouvi nada de homofóbico sair da boca dele. (Se assumir) foi uma das coisas mais terríveis que já fiz. Eu tinha 22 anos. Quando contei para o meu pai ele chorou e se culpou, ele sentia que tinha feito algo errado. Aquilo partiu meu coração e eu disse que não era culpa minha. Eu acho que todos suspeitavam. Eu estava em um jantar de família no restaurante Ariaquando falei para Mel Gibson. Ele apenas disse, ‘Não é minha escolha, mas eu te amo e você é meu irmão”.

Esta semana foi a vez de Paris Hilton sentir o peso das suas opiniões. Ela disse que “homens gays são as pessoas mais excitantes do mundo… Eles são nojentos. Cara, a maioria deles provavelmente tem Aids”, teria dito a modelo e socialite. Hoje ela pediu desculpas.

Mexer com os homossexuais, principalmente com expressões grotescas, é nitroglicerina pura.

*Artigo de Sidney Rezende

Jornalismo & Homofobia Resposta



Desafios e percursos de uma investigação*
Por Bruno Souza Leal e Carlos Alberto de Carvalho em 18/09/2012 na edição 712

Jornalismo e homofobia no Brasil: mapeamento e reflexões, de Bruno Souza Leal e Carlos Alberto de Carvalho, 130 pp., Editora Intermeios, São Paulo, 2012; título original “Desafios e percursos acerca da investigação sobre jornalismo e homofobia”, intertítulos do OI

A aproximação a fenômenos complexos e em constante transformação é certamente desafiadora e exige cuidados, especialmente com respostas fáceis ou prontas. Um dos primeiros textos em que tocamos nas relações entre jornalismo e homofobia tinha, não por acaso, o subtítulo “pensa que é fácil falar?” Afinal, a homofobia é um fenômeno complexo o suficiente para trazer desafios à racionalidade e ao saber jornalístico, pois não se pode dissociar a emergência de atos homofóbicos das tensões identitárias, sexuais, morais, dos diversos grupos e realidades sociais específicas. A diversidade de identidades sexuais e de gênero – e das realidades culturais a elas ligadas – faz ver, portanto, que não só a homofobia se manifesta diferentemente, como sua emergência será percebida, “capturada”, pelas redes noticiosas conforme um julgamento que considera, entre outros fatores, sua relevância, sua representatividade e também as possibilidades de adequação a critérios de noticiabilidade. Sendo assim, o modo como as mídias narram a homofobia faz ver não só as tensões que as permeiam e aquelas da vida afetiva e sexual, mas também o(s) seu(s) modo(s) de saber o mundo e o leitor. Mas a homofobia permite também identificar complexos jogos de negociação de sentido dos acontecimentos que a envolve direta ou indiretamente, dentre os quais aqueles planejados e programados por agentes sociais de defesa de direitos humanos ligados à diversidade sexual com o objetivo de alcançar visibilidade midiática e social.

Assim, essa aproximação entre jornalismo e homofobia vislumbra as articulações entre um modo historicamente constituído de dizer e saber Jornalismo e homofobiano Brasil a vida social, de um lado, e, de outro, um fenômeno marcado por silêncios e esforços de visibilização. Foi exatamente essa tensão que nos chamou a atenção, não no sentido de buscar uma representação da homofobia nas notícias, ou ainda, de dizer de uma atitude geral favorável ou desfavorável às lutas políticas que a envolvem. Ao contrário: cientes de que o jornalismo tem várias e várias faces, assim como a homofobia, vimos esse diálogo como uma condição rica de problematização. Ao investigar as tensões entre um componente das relações sociais cada vez mais central na vida das pessoas e nos debates mais ou menos institucionalizados e um processo social de construção de realidade, encontramos um caminho instigante de reflexão sobre ambos, com inevitáveis desafios metodológicos. Assim, este livro nasce desse esforço de mapear essa articulação e dar forma a algumas dimensões importantes aí presentes. Menos que um diagnóstico que apontaria possíveis soluções – que seriam inevitavelmente frágeis e limitadas – apresentamos questões, procuramos oferecer problemas e reflexões que contribuam para o entendimento da mediação jornalística, da homofobia e das relações de gênero, especialmente no Brasil.

Formas de violência

Este livro resulta de duas pesquisas, conduzidas por nós, por um período de três anos e meio. A primeira delas nasceu do atendimento a um Edital, de 2007, do Ministério da Saúde, interessado em pesquisas sobre comunicação e homofobia. Nesse mesmo ano, no segundo semestre, e ao longo de 2008, refinamos as bases teórico-metodológicas, realizamos os testes metodológicos e fizemos a primeira coleta e sistematização de material, deparando com dados e relações significativas e, às vezes, surpreendentes. Nesse primeiro ano, optamos por trabalhar com mídias nacionais de referência – jornais, revista e telejornal – e dois veículos regionais, na expectativa de verificação de uma hipótese de agendamento. Além disso, em função dos prazos estabelecidos no Edital do Ministério da Saúde, fizemos o acompanhamento diário desses veículos por 6 meses, um período a nosso ver representativo e que tornaria viável a sistematização de dados e a elaboração de relatórios. Esses dados motivaram a continuidade da pesquisa, em 2009 e 2010, desta vez com o apoio do CNPq e da Fapemig.

Nesse momento, optamos por um elemento de coerência com a pesquisa anterior, ou seja, por manter o mesmo período de acompanhamento das notícias – 16 de fevereiro a 17 de agosto –, mas alteramos os veículos, excluindo os veículos regionais e acrescentando outro telejornal e outra revista. Uma das motivações para essa alteração foi a não confirmação da hipótese de agendamento, conforme será discutido no cap. 3 e o reconhecimento da importância de alguns agentes noticiosos que não estavam presentes em 2008. Ao final desse percurso, nos deparamos com um banco de dados com mais de 5 mil textos jornalísticos acerca da homofobia e das relações LGBT, oriundos das mídias noticiosas alvo da investigação. Esse material rico e diverso constitui uma fonte preciosa e rara para diferentes pesquisas e nos fornece, de modo geral, o que apresentamos aqui: um mapeamento das relações que envolvem o jornalismo e a homofobia no Brasil, no final da primeira década do século XXI. Esse mapa pode e deve ser precisado, visto por diversos ângulos e, claro, pode apresentar imprecisões, mas, acreditamos, mantém sua capacidade de exibir formas e contornos, relevos e sombras.

Ao longo desses três anos e meio de trabalho, e mesmo após o encerramento da pesquisa, nós e os demais membros da equipe, sozinhos ou em diferentes parcerias, produzimos e publicamos artigos científicos, participamos de eventos acadêmicos, sempre com o intuito de explorar parte dos dados ou alguma dimensão das relações que encontramos. Muito do que foi produzido está incorporado nesse livro, mas muito também ficou de fora, uma vez que optamos tanto por preservar a especificidade desses artigos, quanto por estarmos cientes de que há muito o que ser desenvolvido e investigado a partir do material coletado e das articulações entre jornalismo e homofobia. Nesse sentido, desenhamos este livro buscando ser fiéis ao espírito inicial da pesquisa e propomos um percurso que traz reflexões fundamentais oriundas do mapeamento que realizamos.

De antemão, queremos chamar atenção para o fato de que os questionamentos sobre potencialidades e limites do atual modo de apreensão da homofobia e do jornalismo resultaram muito menos de uma leitura algo burocrática de autores que já se debruçaram sobre as duas temáticas e muito mais do cotejamento entre o que as investigações teóricas e a realidade empírica, nos corpora narrativos e teóricos, foi indicando como lacunas conceituais. Nesse sentido, foi possível perceber, dentre outros aspectos, que as noções mais correntes de homofobia não são necessariamente capazes de esclarecerem os modos como os preconceitos contra as homossexualidades efetivamente se dão na sociedade brasileira. Como temática “apanhada” pelo jornalismo, por sua vez, esses preconceitos nos permitem também percepções sobre a própria dinâmica das coberturas jornalísticas, conduzindo-nos rumo a um necessário questionamento de noções cristalizadas sobre o jornalismo, especialmente dando relevo às suas interconexões mais abrangentes e tensas com o conjunto social. Dito de outro modo, pareceu-nos que tanto a homofobia pode ser melhor entendida em suas múltiplas significações a partir dos modos como as diversas formas de violências físicas e simbólicas se dão a ver ou são encobertas pelas narrativas jornalísticas, quanto o jornalismo pode se revelar em algumas das suas características a partir dos desafios impostos pela homofobia como acontecimento narrado.

Fontes e artigos

No capítulo 1, apresentamos a pesquisa, em seus resultados gerais e, especialmente, em seus desafios metodológicos. Nessa seção, disponibilizamos os gráficos e dados mais abrangentes, assim como apontamos, criticamente, os procedimentos e escolhas metodológicas que os geraram. Com isso, esperamos tanto oferecer os contornos amplos do mapa que elaboramos como contribuir para outras pesquisas que tenham como tema o diálogo em tela ou outra com preocupações próximas.

No capítulo 2, apresentamos uma reflexão em torno da homofobia, em termos conceituais e do papel que desempenha nas relações de gênero e nas realidades LGBTs. Já o capítulo 3 tem como foco o jornalismo e algumas das dimensões importantes que marcam sua presença na vida social, como um dos seus agentes. Por fim, nos anexos, trazemos os dados por veículo. Como se verá, o volume de dados reunidos na pesquisa é desafiador em sua riqueza e complexidade. Nosso intuito, então, ao invés de apresentarmos, nesse volume, um relatório completo e um tratamento exaustivo dos dados, foi desenvolvermos um conjunto de reflexões que dá forma a algumas das relações que mais nos instigaram.

A exploração cuidadosa dos dados e de outras relações possíveis, deixamos ao sabor do interesse dos leitores, sejam aqueles que queiram mergulhar no material coletado, sejam aqueles que queiram desenvolver seus próprios trabalhos. Por isso mesmo, encerra esse volume uma relação de fontes e artigos que, mais que constituírem as nossas referências, são oferecidas como possíveis fontes de consulta e aprofundamento nas questões aqui levantadas.

[Bruno Souza Leal e Carlos Alberto de Carvalhosão professores da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG]











A orientação sexual de um candidato a prefeito interessa? Resposta


Um post publicado pelo jornalista Vitor Angelo, ontem (12), no Blogay da Folha de São Paulo, questionando se o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, é gay, provocou a ira de alguns. Hoje o jornalista Carlos Brickmann publicou um artigo com duras críticas ao colega no Observatório da Imprensa. Para você, quem tem razão?

Penso que a orientação sexual de um candidato a prefeito é o que menos interessa em uma eleição, assim como não interessa se um candidato heterossexual é casado ou não. O que, de fato, interessa em uma eleição são as propostas dos candidatos!

Leia o primeiro artigo:

Homofobia Eleitoral, por Carlos Brickmann*

O tema da eleição anterior (aquele anúncio nojento, segundo o qual não se sabia se o prefeito paulistano Gilberto Kassab, então candidato, era casado, tinha filhos etc.) está de volta. E, desta vez, mais explícito: na eleição anterior, insinuava-se que alguma coisa estava equivocada na sexualidade do prefeito, como se alguém tivesse algo a ver com isso. Agora, usando a internet – o blog Blogay, abrigado no maior portal do país, o poderoso UOL – a baixaria é mais direta. Já no título, surge a pergunta: “Gilberto Kassab é gay?”

De onde surgiu o título? Segundo o autor do texto, “várias pessoas, vira e mexe”, fazem a pergunta. E têm, sempre segundo o autor, mais curiosidade sobre a orientação sexual do prefeito do que de atores de novela ou estrelas de Hollywood. Na verdade, o objetivo do texto é outro, e aparece logo depois: é dizer que a orientação sexual de Kassab não importa, mas que ele é autoritário.

Truque baixo: se a orientação sexual não importa ao autor, por que está no título? Porque o objetivo, além de chamar a atenção do público, é explicar os defeitos que vê em Kassab pela orientação sexual que lhe atribui. “Alguma coisa deve ter de errado, alguém que só sabe dizer não. ‘Pode ser gay ultra reprimido’, devem pensar muitos que me perguntam sobre sua orientação sexual. Mas este não é o caso nem a explicação muito menos a desculpa, o que existe de verdade e fato é um governo municipal repressor.”

Vale a insinuação, portanto, para atacar o governo municipal, sem ter de falar em política ou administração. A crítica política é livre, mas tem volta; as críticas administrativas podem ser rebatidas; as críticas sobre posturas municipais são frequentemente injustas e a população o percebe. Mas como as insinuações sobre orientação sexual muitas vezes são ignoradas, para que não ganhem corpo, servem para proteger de contestação e resposta as afirmações eleitorais do texto. Falta coragem para afirmar que o alvo é gay, é lésbica, é bissexual, é seja lá o que for. Troca-se isso pela insinuação covarde, cobrindo uma iniciativa eleitoral, partidária, com o manto da fofoca. Pior: com a fofoca que se repete a cada quatro anos, periodicamente, sempre na época das eleições.

É inominável: busca-se o que há de pior na natureza humana, a intolerância, para tentar ganhar alguns votos. O cavalheiro é gay porque alguém disse que é gay; e, se é gay, seu comportamento é sempre nocivo, idêntico ao de todos os gays. São fofocas autoconfirmantes: a informação é verdadeira porque alguém disse que é verdadeira, independentemente do que aconteça. Nos Estados Unidos, onde há bolsões fundamentalistas de grande influência, as mudanças boas aconteceram rapidamente: um católico, John Kennedy, se elegeu presidente, um negro, Barack Obama, está hoje na Casa Branca. Aqui no Brasil, perde-se tempo discutindo se “x” ou “y” é veado ou não – não por preconceito, naturalmente, que o fofoqueiro tem muitos amigos gays, mas porque o homossexual reprimido, seja ele quem for, tem sempre comportamento socialmente inaceitável.
Que feio! Depois esse pessoal reclama quando perde as eleições.

*Jornalista e diretor da Brickmann&Associados.

Segue o artigo publicado no blog gay do jornal Folha de São Paulo:

Gilberto Kassab é Gay, por Vitor Angelo*

Gilberto Kassab (Rahel Patrasso/Folhapress)
Várias pessoas, vira e mexe, me fazem esta pergunta: “Gilberto Kassab é gay?”. Se Datafolha fosse, diria que o prefeito de São Paulo é o personagem sobre o qual os meus amigos mais têm curiosidade de saber a orientação sexual, tipo 69% a mais do que a de algum ator de novela ou de alguma estrela de Hollywood.

Explico: a pergunta não se trata porque acham que sou algum tipo de Mãe Dinah das orientações sexuais, mas é sabido que os homossexuais possuem algo conhecido como “gaydar”, uma espécie de radar que detecta se tal pessoa prefere pessoas do mesmo sexo ou não.

Assumo que o meu radar, eu o uso pouquíssimo. E em geral, quando me fazem esta pergunta, a resposta vem pronta: “Não sei, nem me interessa”. E ela, muito menos ríspida do que possa parecer, é uma sinalização para um desvio de assunto.

Interessa-me muito pouco a sexualidade dos outros, ela só desperta curiosidade quando estou também interessado sexualmente pela figura, senão, pouco me importa se é gay, hétero, bissexual. Prefiro saber se a pessoa é ética, tem bom humor, opiniões inteligentes.

Porém, entendo o interesse das pessoas pela sexualidade de Kassab. Um prefeito que proíbe artistas de rua, ovos com gema mole, gritos de feirantes anunciando seus produtos na feira ou o sopão para mendigos, deve ser alguém que é um prato cheio para os psicanalistas. Alguma coisa deve ter de errado, alguém que só sabe dizer não. “Pode ser um gay ultrareprimido”, devem pensar muitos que me perguntam sobre sua orientação sexual. Mas este não é o caso nem a explicação muito menos a desculpa, o que existe de verdade e fato é um governo municipal repressor.

Xico Sá listou quase todas as suas proibições. É transparente seu problema com os pobres desta cidade, principalmente os mendigos. Basta saber que ele tem uma polícia municipal que rouba e agride a população de ruapara a gente perceber o tamanho do problema. Ao não gostar da cidade, ele denuncia que também não se gosta, pois mais do que a comandar, ele aqui vive.

É evidente que ele também não gosta dos que habitam São Paulo, até fechar shopping, a praia infeliz e medonha mas única do paulistano , ele está fazendo.

Sinceramente, eu não sei se ele é gay, ou um gay ultrareprimido, isto pra mim pouco importa. Mas sei que nunca na historia desta cidade, nem com Jânio Quadros, o não, o veto, a negativa prevaleceu sobre uma possibilidade de sim. Com certeza é o artigo melancólico de muita repressão, muito mais do prefeito do que da cidade.

*Jornalista e roteirista.

Morte emocional Resposta


Você também pode enviar o seu artigo para: oblogentrenos@gmail.com


Temos visto casos em que vários homossexuais são mortos, mas quero falar um pouco dos que são mortos diariamente com palavras de afrontas, acusações, agressões de seus familiares e que não aparece na mídia. Homossexuais que, dia após dia, sofrem mortes emocionais dentro de suas próprias casas.

Não vou revelar meu nome aqui, mas vou contar um pouco da minha história, para que alguém em algum lugar saiba que o que sofre, todos sofremos.

Tenho 21 anos, venho de uma família tradicional “evangélica”, fui criada na igreja desde que me entendo por gente. Tive relacionamentos com rapazes, porém, aos 19, tive um relacionamento com uma amiga, o que me fez entrar em crise, afinal: “Jesus não ama os homossexuais”. Sim, em um local onde JESUS deveria ser pregado como AMOR, Ele era pregado como PRECONCEITUOSO. A crise foi grande, corri para lideres da igreja que me “internaram” em um lugar para “libertação”, foram longos 5 dias sem comunicação com ninguém, apenas ouvindo que eu tinha que me confessar e me arrepender dos meus pecados. Me conta qual pecado existe em Amar, se o próprio DEUS é Amor? Mas enfim.. fiquei lá até que depois de uma lavagem cerebral, eu entendi que estava errada.

Voltei pra casa, porém minha vida nunca mais foi a mesma. Na igreja, quem sabia me olhava e tratava diferente. Aquelas pessoas que eu confiei, não confiavam em mim. Não pude estudar no seminário da igreja porque havia tido caso com mulher. Não pude ter ministério na igreja, porque eu poderia cair em pecado de novo. O DEUS que me disseram que me perdoaria, pode até ter perdoado, porém os “Ungidos” dEle, jamais o fizeram.

Pouco tempo depois perdi minha mãe, a única que me aceitou da maneira que eu sou. Uma cirurgia sem sucesso a levou pro céu, e não, ela não era evangélica, porém tinha o melhor coração que já vi na vida: uma mãe que sonha ver a filha casar com um militar e ter filhos, simplesmente diz que ama a filha mesmo ela sendo homossexual, não merece outro lugar.

Mamãe se foi, e junto dela foi-se a família que eu pensei ter.

Os pastores que eu havia contado do meu “pecado” entraram em contato com a minha família para falar que eu tinha um caso com uma amiga – na época era amiga, hoje minha namorada. Entraram em contato com a família dela para falar que eu era homossexual e que era para afastá-la de mim. E eu ali, no enterro da minha mãe, enquanto várias pessoas me julgavam ser homossexual. No mesmo dia apanhei em casa por ser homossexual, depois disso, a luta se tornou diária.

Afrontas, agressões, perseguições.. Não tinham fim. Tentei me matar algumas vezes, a dor da morte era mais doce do que imaginar que eu teria que voltar pra casa e ver aquelas pessoas “tão cheias de DEUS”, me perseguindo, me tirando sangue, me atormentando.

De lá pra cá, a vida mudou.. Eu mudei, me tornei alguém mais tolerante com as diferenças, que respeita mais as pessoas e que ama mais as pessoas..
Contei um pouco de mim, porque sei que varias pessoas sofrem com isso. Nossos familiares nos amam, até descobrir que somos homossexuais. Tudo bem ir para balada e pegar 100 rapazes, mas se você tem um relacionamento sério homossexual, você não vai pro céu, você é sujo, é olhado de maneira diferente. Você pode ser o melhor no que faz, mas sempre vão te achar inferior.

Pra você que sente/passa por isso, fica aqui meu conselho: não desista de você e do que te faz feliz. Sei que é difícil, acredite que eu já passei por MUITA coisa, mas é a luta pela minha felicidade, pela sua felicidade. Não deixe de ser quem você é porque querem que isso aconteça, ou porque acham errado. 

Se todos temos liberdade de ir e vir, temos liberdade de Amar a quem quisermos.

Li algo hoje que me fez pensar: a Lei de Deus diz amai-vos uns aos outros, não falou em gênero.
Que nos apoiemos nisso!!!

Travestis e homossexuais: Presença, ódio e impunidade Resposta

Na capital da Paraíba, segundo divulgou o IBGE, apenas em três bairros de João Pessoa não houve quem se declarasse viver em união homoafetiva no recenseamento de 2010: em 95% dos bairros que compõem João Pessoa houve quem se declarasse viver em união estável com companheira ou companheiro do mesmo sexo.

Segundo os registros do IBGE, há em toda João Pessoa  718.919 domicílios. Destes, 396 apresentaram declaração de vida conjugal homoafetiva: “Dos 63 bairros de João Pessoa, 38 têm até cinco domicílios nestes moldes segundo a apuração.” 

Ocorre, porém, que na mesma Paraíba, em 19 de novembro de 2011 a Ong Movimento do Espírito Lilás (MEL) apurou que teria havido uma média mensal de 2  lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais assassinados na Paraíba, somente nos oito dos 223 municípios da Paraíba: “ Em dez meses, 18 pessoas foram mortas no estado [afirmou o presidente do MEL, Renan Palmeira]


Ainda segundo matéria publicada no sítio Gay 1 Brasil, integrantes da Ong MEL percorreram, por dois meses, às próprias expensas e em companhia de representantes da OAB, seccional da Paraíba, delegacias de 8 municípios do estado (Santa Rita, Sousa, Patos, Bananeiras, Campina Grande, Queimadas, Cabedelo e João Pessoa), levantando dados acerca dos delitos por motivação de ódio contra LGBTTs: “‘Não existe um levantamento oficial. Nós viajamos com recursos próprios para realizar a primeira parte do levantamento’, disse Renan Palmeira.

Fato. Até o ano passado, apenas se podia contar com o trabalho sistemático (e por muitos anos incompreendido) do antropólogo fundador do GGB e principal responsável pela iniciativa da reunião das notícias veiculadas na imprensa sobre crimes vitimando homossexuais, travestis e transexuais. Hoje, nem isso. O acadêmico Luiz Mott comunicou publicamente em dezembro de 2011 que não mais faria essa compilação dos crimes de natureza homofóbica praticados (impunemente) no Brasil: “aviso pela última vez: transfiro à Secretaria de Direitos Humanos a responsabilidade pela manutenção do banco de dados sobre assassinatos de LGBT no Brasil.

Desde o início dessa catalogação, divulgada em agosto de 1981, no Boletim nº 1 do GGB (MOTT, 2011, pág. 11), o Grupo deixava explícito que ela era certamente incompleta. No entanto, nesses já mais de 17 anos que se tem podido contar com linhas de financiamento (nacionais, internacionais)  para pesquisas e projetos, jamais qualquer Ong ou núcleo acadêmico de pesquisa teve a iniciativa de tomar a si a tarefa de aperfeiçoar aquela compilação. A única pesquisa que se tem notícia a monitorar o encaminhamento dado pelas instituições policiais e judiciárias aos delitos originários pelo ódio a LGBTTs foi realizada pelos antropólogos Sérgio Carrara e Adriana R. B. Vianna, do IMS/UERJ, e divulgada em 2004.

Segundo informam, os pesquisadores partiram de notícias veiculadas em jornais e, em seguida, buscaram localizar os seus desdobramentos nos arquivos da polícia e do Judiciário fluminenses. Foram encontrados “105 registros de ocorrência e 57 processos, envolvendo 108 vítimas do sexo masculino que apareceram na imprensa como homossexuais” (CARRARA e VIANNA, 2004, p. 366, nota 5). Parte do mesmo contexto no qual, em 1992, por exemplo, 92% dos homicídios foram arquivados no município do Rio de Janeiro (Soares et al apud CARRARA e VIANNA, 2004, p. 372, nota 9), aqueles 105 registros de ocorrência resultaram em apenas 57 processos. Dos 23 discutidos no artigo, 15 foram arquivados; em 5 houve condenações; e em 3, absolvição (CARRARA e VIANNA, 2004, p. 366, nota 5 e p. 372).

Os 23 processos analisados tratam de crimes de latrocínio (art. 157 do CP). Para melhor observar e discutir as sociodinâmicas presentes nesse tipo penal quando homossexuais (masculinos) são as vítimas, em contexto onde a homossexualidade é culturalmente desqualificada, Carrara e Vianna trabalham a partir da noção de “crimes de lucro”, proposta por Ramos e Borges em 2001. Estes autores definem “crimes de lucro” como formas de violência que visam a obtenção de algum ganho – chantagem, extorsão, por exemplo (RAMOS e BORGES, 2001, 75). Conseqüência da fixação dos homossexuais no lugar da abjeção e da ignomínia, a engendrar relações pautadas pela clandestinidade, predominaram, nos casos presentes nos autos examinados, a assimetria socioeconômica e geracional entre os assassinos e suas vítimas. Em diversos deles os criminosos foram apresentados como “garotos de programa”, embora igualmente tenha-se verificado exceções a essa característica geral (CARRARA e VIANNA, 2004, p. 367 e nota 7).

Depois de examinarem os 23 processos criminais autuados entre 1981 e 1989, tendo homossexuais masculinos como vítimas, Carrara e Vianna concluíram que os campos policial e judiciário penal (neste incluídos advogados, promotores e magistrados) mostravam-se fortemente influenciados pelas noções fixadas “por psiquiatras, sexólogos e médicos-legistas ao longo do século XX, segundo as quais a homossexualidade era compreendida como doença ou anomalia” (CARRARA e VIANNA, 2004, p. 366). Essa forma de representação da homossexualidade (“a gramática ativo-passivo”, aliada às noções das vítimas como seres “melancólicos”, “tristes”, “solitários”, “promíscuos”, adictos ao sexo, degenerados, anômalos) marcava de forma determinante os discursos dos profissionais de ambos os campos e, via de conseqüência, os modos de desempenho das funções investigativa e julgadora.

Por um lado, a sexualidade da vítima aparece majoritariamente vista no interior dessa moldura desqualificatória e culpabilizadora, enquanto que a dos agressores “nunca é problematizada de fato, uma vez que a capacidade de ser sexualmente ‘ativo’ os inclui na categoria mais geral de ‘homens’”, isto é, livres da classificação desqualificante de homossexuais (CARRARA e VIANNA, 2004, p. 381). 

Profundamente influenciados por tais representações sentenças ambivalentes foram produzidas:
Em pelo menos um dos casos, o assassinato do professor AVB, sua evocação com sucesso parece ter sido decisiva para a absolvição do réu confesso. Em um maior número de casos, ou porque a vítima não consegue ser inteiramente capturada nessa imagem ou porque para alguns juízes ela não justifica inocentar um assassino, os réus acabam condenados (CARRARA e VIANNA, 2004, p. 382).

Os achados nessa pesquisa nos levam à constatação de que, longe do ideal de neutralidade e imparcialidade difundido como sendo o seu modus operandi, o Judiciário na realidade de seu ofício cotidiano tem produzido decisões marcadamente influenciadas pelas pessoais representações da homossexualidade que seus agentes sejam portadores. Por ausência de pesquisas e dados estatísticos, não sabemos como o Judiciário tem enfrentado tais crimes em épocas mais recentes.

Tendo em vista a espiral ascendente dos delitos motivados pela representação desqualificadora e estigmatizante da homossexualidade e da travestilidade, é possível supor a permanência da impunidade específica, no grande oceano de impunidade geral que nos caracteriza. Fator que atua como elemento estimulador, ao lado dos discursos reprovadores das homossexualidades, que partem de personalidades públicas como determinados parlamentares e autoridades religiosas, que se notabilizaram por manifestações nesse sentido. Na opinião da Senadora Marta Suplicy, de 1995, quando ela apresentou o projeto de parceria civil homoafetiva, até os dias atuais, “o Brasil retrocedeu e muito. O Judiciário avançou e o Executivo avançou […], ele avançou corajosamente, quem se apequena, quem tem medo, é o Legislativo. O Legislativo não avança.” (FILHO, 2011)

No canal de denúncias de violações dos direitos humanos instituído pelo Governo federal em janeiro de 2011, após seis meses o Módulo LGBT (disque 100) ostentava 560 reclamações – o que representa 3 por dia. Desse total, 20% se originaram em São Paulo. O Presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis e Transexuais – ABGLT -, Toni Reis, afirma tratar-se de um número muito elevado e grave, principalmente tomando em referência o fato de que o número da central de denúncia ainda não era de amplo conhecimento do público-alvo. Em novembro de 2011 o serviço contabilizava 1.067 denúncias. Destas, foram apuradas 3.455 violações. No topo aparecem a violência psicológica, com 46,5%  e a discriminação, com 29,41% (DISQUE, 2011). A Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, divulgou nota afirmando que “a situação é urgente e merece toda a nossa atenção para a promoção de um ambiente de paz e respeito à diversidade” (GAY1, 21/07/2011).

Alie-se a este quadro a capacidade que tem demonstrado o bloco religioso para inviabilizar a aprovação de todos os projetos de lei que contrariem a sua peculiar visão de mundo (aborto, aborto de fetos anencefálicos, reconhecimento das uniões homoafetivas, casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, adoção conjunta por parceiros homossexuais), inclusive a obstaculização do projeto que visa regulamentar o artigo 5º, inciso XLI da Constituição da República, fixando as sanções decorrentes das práticas discriminatórias também em razão de orientação sexual e identidade de gênero. Embora minoritário, tem conseguindo – desde o Congresso Constituinte, em 1987 – aparelhar o Congresso Nacional, assegurando a não aprovação de textos legislativos que promovam efetiva cidadania isonômica aos LGBTTs. Ao imporem sua visão de mundo sobre o Legislativo, terminam por impô-la sobre toda a nação.

Enquanto o Congresso Nacional brasileiro tem sido pautado pelas pessoais convicções religiosas de uma diminuta parcela de seus parlamentares (66 deputados e 3 senadores), são passados 24 anos desde que a Constituição estabeleceu o princípio da não discriminação, independentemente do motivo (artigo 3º, inc. IV c/c art. 5º, inciso XLI). No curso desse tempo, o mundo civilizado tem cada vez mais reconhecido as homossexualidades enquanto simples modalidade de orientação sexual e avançado na efetividade da cidadania isonômica em relação aos heterossexuais.

A Alta Comissária da ONU, Navy Pillay, já se manifestou expressamente sobre o continuado aumento dos crimes homofóbicos e exortou os governos nacionais a tomarem medidas para acabar com a discriminação e com o preconceito baseado na orientação sexual ou na identidade de gênero. Segundo Pillay, “Ninguém tem o direito de tratar um grupo de pessoas como sendo de menor valor, menos merecedores ou menos dignos de respeito” (ONU, 2011). Também o Ministro do STF, Carlos Ayres Britto, já se declarou publicamente favorável à criminalização da homofobia. Em sua opinião, trata-se de uma “prática que chafurda no lamaçal do ódio” (entrevista ao jornal Folha de São Paulo, em 04/07/2011):


Enquanto o Legislativo nacional segue dominado pelo projeto teocrático, apenas nos primeiros vinte dias desse ano de 2012 o Brasil supostamente fraterno já assassinou barbaramente 20 LGBTTs, sendo seis na Bahia, 4 na capital Salvador, cidade do histórico GGB. Única e exclusivamente em razão de sua orientação sexual e, em alguns casos, também pela sua identidade de gênero.

Essa continuada ascensão da violência homofóbica tem nos discursos desqualificadores e na ausência de lei complementar fixando o tipo penal e a sanção, os seus fatores mais graves, vez que fomentadores das agressões e sua impunidade, conforme conclui o fundador do Grupo Gay da Bahia, o antropólogo Luiz Mott (BARROS, 2012). 

Diante de semelhante conjuntura, cabe a pergunta:
- Quantos mais precisarão ser assassinados e espancados, até que o Congresso aprove a Lei Antidiscriminação?

Referências:


BARROS, Ana Claudia. Bahia começa 2012 liderando ranking de assassinatos de homossexuais. Terra Magazine, 20/01/2012. Disponível em: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5569036-EI6578,00-Bahia+comeca+com+numero+recorde+de+assassinatos+de+homossexuais.html
CARRARA, Sérgio e VIANNA, Adriana R. B. “As vítimas do Desejo”: Os tribunais cariocas e a homossexualidade nos anos 1980. In: PISCITELLI, Adriana, GREGORI, Maria Filomena e CARRARA, Sérgio (orgs.). Sexualidades e Saberes: Convenções e Fronteiras. Rio de Janeiro: Garamond, 2004, p. 365-383.
COLAÇO, Rita. PLC 122/2006: O Parlamento, o Executivo, os Direitos Humanos, o fisiologismo e o obscurantismo religioso e cultural. Disponível em: 
http://comerdematula.blogspot.com/2011/12/plc-1222006-o-parlamento-o-executivo-os.html
DISQUE Direitos Humanos. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. http://www.sedh.gov.br/clientes/sedh/sedh/2011/12/22-dez-2011-orcamento-2012-para-populacao-lgbt-sera-64-maior-em-relacao-a-2011
ELEIÇÕES Hoje. 235 LGBTs assassinados até novembro. 14/12/2011. Disponível em: http://www.eleicoeshoje.com.br/235-lgbt-assassinados-novembro/#axzz1kgULKI00
FILHO, Hélio. Legislativo tem medo de avançar na questão LGBT, diz Marta. Mix Brasil, 05/04/2011. Disponível em: http://mixbrasil.uol.com.br/pride/politica/legislativo-tem-medo-de-avancar-na-questao-lgbt-critica-marta-suplicy.html#rmcl
GAY1. Em 6 meses o Disque 100 recebeu 560 denúncias de agressões a LGBTs. 21/07/2011. Disponível em: http://www.gay1.com.br/2011/07/em-6-meses-o-disque-100-recebeu-560.html#
GAY1. Cerca de dois LGBTs são mortos na Paraíba por mês. 19/10/2011. Disponível em: http://www.gay1.com.br/2011/07/em-6-meses-o-disque-100-recebeu-560.html#
GAY1. 95% dos bairros de João Pessoa têm domicílios com casais LGBTs. 16/11/2011. Disponível em: http://www.gay1.com.br/2011/07/em-6-meses-o-disque-100-recebeu-560.html#
GERALD. Marcelo. Dilma, a presidenta submissa. Sítio Eleições Hoje, 06/01/2012. Disponível em http://www.eleicoeshoje.com.br/dilma-presidenta-submissa/#axzz1kgULKI00.
JOYCE, Karla. Histórico do PLC 122/2006. Disponível em: http://www.plc122.com.br/historico-pl122/#axzz1lXz29X5p
MOTT, Luís (Editor). Boletim do Grupo Gay da Bahia 1981-2005. Salvador: Ed. GGB, 2011.
ONU. No Dia Internacional contra a Homofobia e a Transfobia, ONU alerta para aumento dos crimes homofóbicos, 17/05/2011. Disponível em: http://www.onu.org.br/no-dia-internacional-contra-a-homofobia-e-a-transfobia-onu-alerta-para-aumento-dos-crimes-homofobicos/
RAMOS, Silvia e BORGES, Doriam. Disque Defesa Homossexual: Números da violência. In: Violência e minorias sexuais. RJ: Comunicações do ISER, nº 56, Ano 20, 2001, p. 67-78.
RIOS, Roger Raupp. Notas sobre o substitutivo ao projeto de lei 122 (criminalização da homofobia). Disponível em: http://www.plc122.com.br/crticas-de-roger-raupp-rios/#ixzz1lYU6H4f4
SELIGMAN, Felipe e NUBLAT, Johanna. Pela 1ª vez, ministro do STF defende criminalização da homofobia. Jornal Folha de São Paulo, 04/07/2011. Disponível em: http://comerdematula.blogspot.com/2011/07/ayres-brito-min-do-stf-constituicao-e.html
VALENTINA. Exclusivíssimo do Valnaweb: Entrevista com Fátima Cleide – março 2011. Disponível em: http://memoriamhb.blogspot.com/2011/07/exclusivissimo-do-valnaweb-entrevista.html
VECCHIATI, Paulo Roberto Iotti. Críticas à proposta de nova emenda ao PLC 122/06. Disponível em: http://www.plc122.com.br/criticas-proposta-emenda-plc122/#axzz1lXz29X5p

Rita Rodrigues é Graduada em Direito pela UFRJ; Doutoranda em História Social pela UFF e Mestre em Política Social (Proteção Social) pela mesma Universidade.

Revista Consultor Jurídico, 10 de fevereiro de 2012

Para a Rede Globo, gays só servem para ser piada. Emissora veta abordagem homossexual em Insensato Coração. Resposta

Crime homofóbico pode. Amor entre gays não pode! Essa é a Globo. 

Chamados para uma reunião com o diretor geral de entretenimento da Rede Globo, Manoel Martins, os autores da novela Insensato Coração, Gilberto Braga e Ricardo Linhares, foram proibidos de continuar abordando a homofobia na novela, e inclusive de defender a lei que criminaliza a homofobia. 

Manoel Martins pediu que o romance entre Eduardo e Hugo, personagens vividos por Rodrigo Andrade e Marcos Damingo, respectivamente, fosse esfriado na trama. 

Em nota, a Rede Globo informou que ¨a televisão é um veículo de massa que precisa contemplar todos os seus públicos e faz parte do papel da direção zelar para que isso aconteça¨. 

O interessante é que o assassinato de um jovem gay cometido por um homofóbico não foi tema da reunião. A cena continua, os ataques homofóbicos continuam, mas o amor e a relação entre dois homens não pode continuar. 

Acho que está chegando a hora de fazer um boicote também na emissora hipócrita que é a Rede Globo. A intenção dos autores foi a melhor possível, inclusive sempre é. Mas a alta direção da emissora sempre vem e corta a possibilidade de fazer com que esse país evolua. Principalmente por ser a televisão um veículo de massa, formadora de opiniões, é que ela tem a obrigação de ajudar na evolução da sociedade, de mostrar os caminhos que levam à uma sociedade mais igualitária e melhor. 

Quem iria imaginar que em pleno ano de 2011, um simples beijo gay seria causa de CENSURA na televisão? O mundo gay está na nossa cara o tempo todo, nos jornais, em programas de humor (fazendo dos gays motivo de piada), nas rádios, na internet. Os gays estão nas ruas, em paradas gays que levam 4 milhões de pessoas para uma das avenidas mais importantes do país. E agora qual o motivo de essas emissoras criarem essa polêmica toda em torno de algo que todo mundo já está cansado de saber que existe há muito tempo? 

A emissora tida como poderosa, justifica essas atitudes colocando a culpa no telespectador que, segundo ela, NUNCA ESTÁ PREPARADO para ver tal cena. E pelo visto, se depender da Rede Globo, nunca vai estar. 

Uma vergonha ver que ao invés de estimular o pensamento e contribuir para uma convivência melhor entre as diferenças, o que a televisão está fazendo a cada dia, é alienar a população, e mostrar que gay só serve para ser piada nos humorísticos ou mortos por homofóbicos.

Pai, você é gay? Eu também sou… Resposta

Christopher Harrity abraça o pai que, como ele, é gay
Por conta do mês do Orgulho gay, um site americano está explorando o assunto sobre as formas de como as pessoas assumem sua homossexualidade para a família e amigos. Pensando nisso, os funcionários gays da empresa estão contado suas histórias pessoais de como aconteceu com eles, e um dos relatos foi sobre um filho gay que descobriu que seu pai também é gay. Confira a história na íntegra: 

Na véspera de Ano Novo de 1966, meu pai e seu namorado (que todos nós fingíamos acreditar que não era o seu namorado) veio jantar comigo, minha mãe, meu padrasto, meu irmão mais velho e meu irmão mais novo. Meu pai e seu namorado Tanner ficaram bastante bêbados. Minha mãe não estava muito feliz, mas nós já estávamos acostumados com as travessuras do meu pai, e secretamente eu amava aquele drama.

Depois de um jantar desleixado e sem jeito, meus irmãos e padrasto foram para o andar superior, e minha mãe e Tanner foram para outra parte da casa.

Meu pai estava muito nervoso e logo ele estava tremendo.

“Tenho algo a te dizer, mas estou com medo”, disse ele, e então começou a chorar. Nós nos abraçamos e ele meio que caiu da cadeira, e acabamos sentados sob a mesa de jantar.

Ele me disse que ele estava em algum tipo de problema legal – de que a polícia tinha ido a sua casa por causa de uma festa louca ou algo assim, e ele estava com medo que a história fosse parar nos jornais. Ele queria ser o primeiro a me contar. 

Ele queria que eu soubesse que ele era gay antes de eu ler nos jornais. Ele realmente perdeu o controle nesse ponto.

“Eu não queria que fosse desse jeito”, disse ele. “Eu queria fosse de uma maneira feliz.”

Agora eu estava chorando também. E, com medo, eu sabia que tinha que lhe dizer sobre mim.

Como alguém nunca soube disso? Eu tive uma iniciação sexual muito cedo pelos meninos mais velhos. Eu gostava muito de perucas da minha mãe e maquiagem. E eu tinha criado várias coreografias de cada trilha sonora da Broadway que meus pais tinham na sala.

Mas a minha identidade – minha auto-proclamação – ainda era um segredo.

Eu também era uma espécie de garoto inocente. Perguntei ao meu pai se minha mãe sabia sobre ele. Ele revirou os olhos e riu: “O que você acha?” Nós dois rimos, meio chorosos, e nós nos abraçamos.

Papai ficou tranquilo novamente e me perguntou: “Tudo bem para você? O que você acha sobre isso?”

Eu respirei fundo e disse: “Eu acho que eu sou gay também.” Este momento nos levou para uma nova rodada de abraços e choro.

“Oh, Deus. Oh, eu sabia, mas eu não sabia se você já estava certo disso. Estou bêbado demais para fazer isso agora”, disse papai. “Este fim de semana, estaremos juntos. Quero saber muito mais sobre você. Eu te amo.”

Eu não consegui dormir naquela noite, a primeira noite de 1967. Eu estava completamente encantado por finalmente abrir esta porta. Eu estava vivendo uma vida dupla por quase todos os meus 12 anos. Mas a sensação de solidão que eu tinha há muitos anos tinha ido embora.

Eu tentei manter a coisa da vida dupla até o ensino médio, mas crescendo em Alameda, tão perto de São Francisco no final dos anos 60, tive uma influência libertadora. No meu último ano no colégio, eu já tinha me assumido.

Christopher Harrity é um produtor no site Advocate.com, um dos principais sites de notícias LGBT.

Entre valsa e recordes: Paradas Gays do Brasil esquecem o real propósito da marcha Resposta

2007: Jovem é espancado no RJ por ser homossexual
Do G1:



Como algumas pessoas sabem, eu moro nos Estados Unidos e este ano estou participando da organização da Parada Gay de Nova York, que tem como tema ¨Loud and Proud¨, algo como altos e orgulhosos em tradução livre. Alto no sentido de gritarem em alto e bom som do orgulho que eles têm de serem gays. Não vai haver quebra de recordes. Não vai haver disputa de DJ´s e nem shows.

A parada de Nova York é um desfile politizado, importante, onde todos os setores da sociedade se juntam para mostrar que somos iguais e que existimos. São pessoas comuns, artistas, policiais, bombeiros, políticos, empresas que apóiam a causa LGBT, todos juntos orgulhosos e felizes por merecerem respeito.

No Brasil a coisa é completamente diferente. Em uma de minhas conversas com outros organizadores da Parada Gay de Nova York, todos muito curiosos sobre o que acontece no Brasil, eu disse que a nossa parada não é tão politizada. É uma festa. Um carnaval.

São Paulo quer entrar no livro dos recordes colocando o maior número de pessoas dançando valsa. Enquanto o momento é de protesto. Enquanto religiosos fundamentalistas de todas as partes do país se juntam e coletam milhões de assinaturas contra o kit anti-homofobia, enquanto milhares de evangélicos e católicos saem às ruas em protesto a favor da anulação dos direitos concebidos pela união civil entre homossexuais, enquanto nossa presidenta assume que não viu o material completo de um kit, que foi entregue de forma errada por pessoas de má fé, e diz que não fará propaganda de opção sexual, São Paulo se prepara para levar pessoas a dançarem valsa na Avenida Paulista, enquanto não temos nem 100 mil assinaturas a favor do PLC 122/06, que visa criminalizar a homofobia.

O Brasil é um dos países que mais matam homossexuais, e nem é por motivos de lei, pois não é crime ser homossexual, diferente de outros países como a Arábia Saudita, Sudão e Irã, entre outros. E mesmo assim, várias pessoas morrem em decorrência do preconceito.

Cadê as organizações que lutam pelos direitos dos gays no Brasil que não tomam vergonha na cara e ao invés de saírem às ruas protestando, preferem fazer um carnaval fora de época com gays desrespeitando as famílias, fazendo atos sexuais pelas ruas durante a parada e travestis quase nus em ato quase de confronto com as outras pessoas. É isso que o movimento gay prega?

Eu sei que gay é alegria, que temos que ir para a parada do orgulho gay e celebrar, festejar, mas não é só isso. Como pode a parada gay de São Paulo ser a maior do mundo e não termos passeatas sérias de protesto contra esse povo religioso que cisma em nos derrubar e também aos nossos direitos? Como pode mais de 1 milhão de pessoas participarem da festa na Avenida Paulista e quando precisamos de assinaturas para projetos de lei, não conseguimos nem 100 mil?

Precisamos nos unir de verdade e planejar um ato forte, com artistas que vistam a camisa, gays, familiares, amigos, heterossexuais, todos que acreditam que precisamos vencer uma luta contra aqueles que querem fazer do Brasil um templo de uma igreja. Nós somos diversos, nós somos plurais e não podemos deixar que pessoas que pregam o ódio e a diferença vençam.

Não sou contra a parada gay, apenas acho que poderíamos aproveitar melhor o momento em que temos milhões de pessoas nas ruas em um único dia para divulgarmos melhor nossa luta e conquistar mais simpatizantes a favor da nossa causa. Vamos deixar um pouco os gogo boys de lado, os melhores Dj´s, a valsa, ou pelo menos vamos tentar usar isso de uma forma construtiva para que as pessoas se conscientizem e percebam que querem acabar com os poucos direitos que temos, e que se isso acontecer, nunca no Brasil teremos uma voz que seja ouvida. Precisamos acordar!

A mordaça religiosa Resposta

Por muito tempo em nossa luta que ouvimos dos evangélicos e homofóbicos desse país, que os gays querem colocar uma mordaça na sociedade, impedindo que as pessoas tenham suas próprias opiniões a respeito da homossexualidade.

Afim de tornar crime a homofobia, ativistas e simpatizantes vêm trabalhando duro para que exista uma sociedade de direitos iguais para todos, sem preferências para nenhum lado.
Essa luta começou depois que se percebeu, ainda que tarde demais, que pessoas estavam morrendo no Brasil por serem homossexuais. E as causas da morte não eram por que dividiam a mesma seringa ou porque viviam na promiscuidade da noite, como diz o deputado homofóbico e racista Jair Bolsonaro. O Brasil é um dos países com maiores índices de assassinatos de homossexuais por conta da ignorância e intolerância da maioria das pessoas.
Para alguns, somos minoria. Eu quero dizer que não sei se concordo com este termo, mas afirmo que neste caso, a maioria está errada. Em vários discursos políticos ouvimos as pessoas dizerem que o Brasil é um país laico. Não é. Como os fanáticos religiosos que confundem o Congresso com o templo de suas igrejas dizem, os gays querem botar uma mordaça na sociedade. Os gays querem impedir que os pais ensinem o que é correto para seus filhos. Os gays querem impedir que igrejas condenem a homossexualidade como pecado, como diz a bíblia. Os gays querem isso, os gays querem aquilo.
Agora eu digo o que é que os gays querem. Os gays querem o direito de amar e serem amados sem serem punidos por isso. Os gays querem ter um Deus para seus confortos. Os gays querem ter uma família. Os gays querem ter direitos iguais concedidos à todos da sociedade. Os gays querem respeito.
E por não permitirem os mesmos direitos aos gays, só por que eles amam as pessoas do mesmo sexo, é que eu digo que quem coloca a mordaça nessa história são os religiosos. Um país plural como o Brasil, com diferentes raças e culturas, e diferentes religiões e seitas ou o que quer que seja, os evangélicos e católicos querem colocar uma mordaça nas pessoas para que seja feito apenas o que está escritoi na Bíblia.
Querem fazer do Brasil uma Jerusalém, querem espancar os homossexuais, querem ameaçar o governo. Os religiosos intolerantes e radicais querem calar os nossos direitos, e é por isso que segundo eles, somos minoria. Muitos com medo dessa repressão vivem escondendo sua homossexualidade porque não querem ter que aguentar a viver em uma sociedade dominada pelo preconceito e guiada pela religião.
Não se pode governar um país com fundamentos bíblicos. Os religiosos usam suas bíblias de conveniência porque nem eles mesmos seguem à risca tudo o que diz o ¨livro sagrado¨. Eles dizem que na bíblia é dito que homossexualidade é pecado. Oras, a bíblia também diz que as pessoas podem possuir escravos, que as pessoas podem vender as filhas como escravas, que não podemos usar roupas feitas de dois tipos diferentes de tecido, que a pessoa que trabalhar no sábado deve ser morta, se a pessoa for cega ou ter algum problema de visão, não pode chegar no altar de uma igreja, que homens não podem aparar a barba e que não podemos plantar dois tipos de vegetais em um mesmo terreno.
Citações absurdas que não são seguidas pelos religiosos, porque não convém. Mas ser gay é abominável. Precisamos acordar e retirar essa mordaça imposta pelos religiosos. Temos que ser livres. A bancada religiosa não deve ter o poder de ameaçar toda uma pátria para que seja feita a vontade deles. Nosso governo não pode ceder a essa chantagem e colocar o poder de governar uma nação nas mãos desses fanáticos idiotas! Não somos mais um país de ditadura e não podemos deixar que pessoas como Jair Bolsonaro e família, Silas Malafaia, Magno Malta, Marco Feliciano, entre outros, façam que nosso país volte para o ventre da intolerância e prendam nossas opiniões.

Você Entre Nós: ¨Um momento de reflexão¨, por Márcia Nunes 1

A leitura Márcia Nunes mandou seu artigo e agora está tendo o seu texto publicado no blog Entre Nós. Participe você também e mande sua opinião, seu texto, poema, um momento especial. Você pode ter seu material publicado no blog. Basta escrever para oblogentrenos@gmail.com .

Confira agora o texto de Márcia Nunes:

Um Momento de Reflexão
Não é preciso ir longe ou em algum lugar específico para encontrá-los. Seja nas ruas, dentro de uma igreja em meio a uma oração, caminhando no parque ou indo a mais um dia de trabalho, lá estão eles, como qualquer outra pessoa. Apesar da imagem vinculada à profissão de cabeleireiro, maquiador ou estilista de moda, eles também são médicos, advogados, atendentes de telemarketing, professores, autônomos, mas acima de tudo, são seres humanos. 

Pessoas dotadas de sentimentos e razão. Com defeitos e qualidades. Apesar de serem julgados por uma característica especifica do seu ser: Amar uma pessoa do mesmo sexo. Alguns acham que isso é doença. Amar é doença? Talvez não seja este tipo de “doença” que a nossa sociedade mais precise? Outros acham que é questão de opção. Será que alguém optaria por ser discriminado e sofrer a dor de ser rejeitado pela família, que na maioria das vezes, não aceita a homossexualidade? Ou pela intolerância da sociedade? 

Alguns se escondem por conta disso, mas não se escondem da sua própria identidade. Quem é homossexual reage às condições de sua mente que pede, de seu corpo que deseja e do seu coração que sente, assim como qualquer pessoa que se sente atraída por outro. São reconhecidos pelo símbolo de um arco-íris, mas por conta do preconceito, suas vidas não são tão coloridas assim. O fardo que carregam por serem considerados diferentes transformam seu mundo em preto e branco. Sem vida. Sem luz.

Não deveria haver qualquer lei, qualquer preconceito que impedisse alguém de amar outra pessoa. Seja homem ou seja mulher, que o respeito, a dignidade e o amor sejam direitos para todos e não apenas para alguns. Enquanto a condição sexual de uma pessoa for mais importante do que a verdade em seus olhos e o que traz em seu coração, haverá preconceito.

Artigo: O beijo proibido que o Brasil espera ver, por Tom Phililips Resposta

Gilberto Braga, um dos autores de Insensato Coração. (Foto: Reprodução)
O jornalista Tom Phililip escreveu para o site inglês ¨Guardian¨ sobre a nova novela da Rede Globo, ¨Insensato Coração¨, e contou sobre a expectativa do beijo gay nas novelas, mostrando ainda dados da homofobia no país. Confira o artigo na íntegra:


Triângulos amorosos, corações partidos e uma estrela de reality show, acompanhados por uma otimista trilha sonora de samba. Só podia ser a mais recente novela do Brasil, que estreou na semana passada. Mas ¨Insensato Coração¨,deverá quebrar o molde com pelo menos seis personagens gays. 

“Estamos abordando um tema contemporâneo e pertinente”, Ricardo Linhares, um dos criadores da novela contou ao site de notícias R7; ele disse esperar que a novela ajude a “combater preconceitos e promover a aceitação”. 

A maioria das cidades brasileiras possuem comunidades gays, mas a homofobia e a violência 
persistem. Segundo o Grupo Gay da Bahia, 198 homossexuais foram assassinados no Brasil em 2009, 122 mortes a mais do que há dois anos atrás. 

As novelas muitas vezes chegam perto de 50 milhões de espectadores. Algumas têm tentado mostrar os tabus, tais como saúde mental, toxicodependência e alcoolismo. “Este é um passo à frente”, disse Julio Moreira, presidente dos direitos gays do grupo Arco-Íris, para o jornal Extra. “Os gays sempre foram retratados como (personagens) marginais ou de alguma forma negativa. É importante mostrar a diversidade e levantar questões políticas. ” 

Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e transexuais, disse que Insensato Coração é uma oportunidade importante para quebrar estereótipos e trazer visibilidade. É a chance de mostrar uma realidade e um vocabulário que pode influenciar na cultura brasileira como um grande negócio.” 

“Hoje nós somos o país com o maior número de marchas do orgulho gay no mundo … mas a novela da noite atinge todos os lares do Brasil “, disse Reis, que fez história jurídica em 2003 pela obtenção de um visto permanente para seu parceiro britânico. 

Reis disse que a televisão do Brasil geralmente apresenta uma “imagem distorcida” da comunidade gay, com menções à homossexualidade restrito a três tipos de programas: comédia, programas sobre crime e canais religiosos, onde evangélicos pregadores vão contra a homossexualidade. 

Em contraste, entre os personagens gays de ¨Insensato Coração¨, está um advogado, um professor, um jornalista e um comerciante. A obra ainda possui a sua própria boate gay, a luxuosa Barão da Gamboa, inspirada na boate carioca ¨The Week¨, e as iniciais do clube, ¨BG¨, também representam ¨Boate Gay¨.

Fãs gays da novela estão há muito tempo esperando por um beijo nas obras, e em 2005 pensaram que conseguiriam, quando a mídia local anunciou que dois personagens masculinos iam dar um beijo na novela América. A cena acabou sendo cortada, e por isso, houve um protesto com beijos gays no Congresso do Brasil.

Os criadores de Ïnsensato Coração¨ dizem que se os espectadores esperam por um beijo gay, ficarão desapontados. Em uma coletiva de imprensa de lançamento da novela, Gilberto Braga, um dos autores, foi categórico. “O público não está pronto.” 

Reis disse que a decisão mostrou “falta de coragem e ousadia. Beijar é uma demonstração de carinho, e não uma afronta à sociedade. Corrupção, violência, acidentes: estes são afrontas, e são mostrados na TV em excesso “. 

“Eu não acho que vai demorar muito para acontecer um beijo gay em uma novela,” ele acrescentou. “Se não houver um beijo, então isso será um sinal de preconceito.”

Leia também: Gays na TV