Bill Gates e sócio da Microsoft doam US$ 100 mil para grupo que apoia casamento gay Resposta

Steve Ballmer e Bill Gates


Bill Gates e Steve Ballmer (atual CEO da Microsoft) declararam nesta quarta-feira (3) que doaram US$ 100 mil para o Washington United for Marriage, grupo que defende o casamento gay no estado de Washington (Estados Unidos) no referendo que acontece no mês de novembro deste ano.
A Microsoft é uma das empresas que defende abertamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Além da Microsoft, o Facebook já havia doado US$ 10 mil para a campanha e inclusive colocado a opção de casamento gay na rede social. De acordo com a agência Associated Press, outras empresas também apoiam essa causa como a Nike, Google, Amazon e Starbucks.
O cheque chegou às mãos da Washington United for Marriage na última terça-feira (2). Zach Silk, que é presente da entidade que defende o casamento gay no estado americano, afirmou que o cheque fará grande diferença na campanha. Até o momento, a entidade havia arrecadado US$ 1,9 milhão desde o início da campanha no mês de junho.
A Preserve Marriage Washington, que é contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, conseguiu recolher 130 mil dólares para a campanha até o momento. De acordo com a comissão de divulgação do referendo, os valores deverão aumentar muito (para os dois lados).   
Desde o início do ano, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal em Washington. O referendo de novembro decidirá se a lei será revogada ou mantida no local.

Fonte: UOL

Ator George Clooney fala sobre rumores de sua sexualidade e defende o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo Resposta

Há anos o ator de Hollywood, George Clooney, recebe especulações sobre sua sexualidade. Mas em uma recente entrevista, Clooney deu a sua opinião a respeito de todos esses rumores e disse que acha um insulto aos amigos gays dele o fato de algumas pessoas pensarem que esses rumores o incomodam:

– Eu acho que é engraçado, mas a última coisa que você jamais vai me ver fazer é sair para cima e para baixo, dizendo: ¨Isso é mentira!¨. Isso seria injusto e cruel com os meus bons amigos da comunidade gay . Eu não vou deixar ninguém fazer com que o ¨parecer gay¨ seja uma coisa ruim. Minha vida privada é privada, e eu estou muito feliz na mesma. Eu vou estar morto há muito tempo e ainda vai ter pessoas que dizem que eu era gay. Eu não ligo.
George também falou sobre a sua amizade com Brad Pitt: 
– As pessoas pensam que Brad e eu saímos o tempo todo, mas a verdade é que nos vemos muito raramente, talvez algumas vezes por ano. Eu tive momentos muito divertidos com meu amigo denovo durante a cerimônia do Oscar. Eu não só gosto dele como pessoa e respeito o seu talento, como também adoro o que ele faz no mundo. Eu não posso falar o suficiente sobre como ele trabalha duro para tornar o mundo melhor. Tenho muito orgulho de chamá-lo de meu amigo. 
Sobre a igualdade no casamento, George acredita que seja uma batalha dos direitos civis: 
– Este assunto sempre se destacou para mim como a etapa final do movimento pelos direitos civis. Um dia a luta pela igualdade no casamento vai ser tão arcaica como George Wallace em pé na Universidade do Alabama impedindo James Hood de cursar a faculdade porque ele era negro. É encorajador saber que isso também vai parecer um argumento muito tolo para a nossa próxima geração. Inclusive, existe um monte de jovens conservadores que não vêem problema na igualdade no casamento. Sempre leva uma geração inteira para o governo alcançar a mente do povo. 
Falou e disse!

Russomanno se diz a favor da união estável entre gays e contra o aborto Resposta

Celso Russomanno (Foto: Fernando Borges/Terra)
O pré-candidato à prefeitura de São Paulo pelo PRB, Celso Russomanno, que esteve no estúdio do Terra para uma entrevista nesta terça-feira, tentou evitar dar opiniões sobre temas polêmicos e falou sobre possíveis alianças partidárias para os próximos meses. Quando questionado sobre a união civil estável entre homossexuais, Russomanno fez rodeios antes de responder qual sua opinião sobre o tema. “Não existe opção sexual, existe atração. (…) Se uma pessoa tem atração pela outra, tem muito a ver com uma questão que não é vontade, é biológica”, disse.

Ao fim, porém, ele respondeu ser favorável aos “direitos” que a união civil estável proporcionam aos casais homossexuais, lembrando que “todo ser humano deve ser respeitado como ele é”. “Não é casamento, eu sou contrário ao casamento. Mas sou favorável aos direitos da união estável”, respondeu.
Já ao ser perguntado sobre sua opinião em relação ao aborto, disse ser contra, “como todo católico”.
Alianças e adversários 
Russomanno não quis revelar com quais partidos o PRB negocia uma aliança, por temer o “assédio” dos adversários. “Nós não queremos que os partidos sofram perseguição, por isso, só vamos divulgar após a convenção”, disse o pré-candidato. A aliança com outros partidos é importante principalmente porque define o espaço que o político terá na propaganda eleitoral na TV e no rádio.
Apesar de proteger seus aliados da “perseguição” dos adversários, Russomanno enfatizou que não partirá para ataques pessoais. Questionado se abordaria a polêmica criada em torno do kit anti-homofobia criado pelo MEC (Ministério da Educação) na gestão de Fernando Haddad, pré-candidato do PT, o ex-deputado foi claro.
“O kit gay é um absurdo. (…) Mas o PRB só abordará questões de interesse da população de São Paulo. Não vamos partir para a polêmica ou ataques pessoais”, disse.
Russomanno também minimizou o fato de o prefeito Gilberto Kassab (PSB) ter se distanciado do PT para apoiar Serra, mas questionou o quanto esse apoio pode ajudar o tucano. “Ele sempre reconheceu isso, que apoiaria o Serra se ele saísse candidato. Então não vejo mal nenhum, acho isso legal da parte dele. Agora, não sei até que ponto o apoio dele pode ajudar, porque o índice de reprovação à administração atual é grande.”
*Com informações do site Terra.

Caetano Veloso vai gravar depoimento apoiando o casamento civil entre homossexuais Resposta

Caetano Veloso (Foto: Reprodução)
Segundo a coluna de Felipe Patury, da revista Época, Caetano Veloso é o próximo artista a gravar um depoimento defendendo o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. O vídeo faz parte de uma campanha elaborada pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), e já contou com participações de Sandra de Sá, Zélia Duncan e da atriz Arlete Sales. 

O projeto é uma proposta de emenda constitucional que permite o casamento civil entre homossexuais e precisa de mais de 70 assinaturas de parlamentares para começar a tramitar nas comissões técnicas da Câmara. A campanha de Jean Wyllys será veiculada na internet a partir do mês que vem. 
Ótima iniciativa do deputado Jean Wyllys. Acredito que artistas tenham um papel importante na formação de opinião do público de massa, por mais que alguns desses que já gravaram a campanha, não atinjam diretamente a massa popular do país. Mas é um início, e espero que o deputado tenha grande êxito na campanha e consiga fazer com que vários outros artistas de diversos segmentos também participem. A campanha já tem o apoio do blog Entre Nós!

Tênis: Gays organizam ato contra Court, após polêmica Resposta


A recente declaração da australiana Margaret Court contra o casamento de homossexuais continua gerando críticas. Court conquistou 11 títulos no Aberto da Austrália, o último há 40 anos. Desde a década de 1990, tornou-se ministra pentecostal.
Sua atitude causou a criação de um grupo no Facebook, “Rainbow Flags Over Margaret Court Arena”, que está conclamando o público a exibir faixas com as cores do arco-íris – símbolo do movimento gay – no estádio que leva seu nome, a partir desta segunda-feira, quando tem ínicio o Grand Slam australiano.
A declaração que vem causando polêmica foi dada em dezembro passado em entrevista ao jornal The Western Australian, de Perth, onde mora. “A educação politicamente correta conduziu de forma magistral a homossexualidade do armário para uma comunidade aberta que agora pede agressivamente o direito de se casar que não é seu”, afirmou Court, de 69 anos.
Rennae Stubbs, também australiana, dona de quatro títulos de duplas de Grand Slam e que há seis anos revelou sua homossexualidade, apoia a manifestação contra Court.
“Margaret disse seus sentimos e é público. Então, acho que esta é a única forma de as pessoas serem ouvidas, através de um sinal de solidariedade. Contanto que seja de bom gosto, isso é o mais importante para mim.”
Anteriormente, Martina Navratilova e Billie Jean King também já haviam lamentado o comentário de Court. Falando ao TennisChannel.com, Navratilova disse: “A mim parece que muita gente evoluiu, assim como a Bíblia. Infelizmente, não Margaret Court. Sua visão míope é atemorizante assim como prejudicial para milhares de crianças que já vivem em famílias do mesmo sexo.”
Kerryn Phelps, ex-presidente da Associação Médica Australiana e um dos mais influentes porta-vozes gay, pediu ao governo do estado de Victoria e à federação australiana de tênis que retire o nome de Margaret Court do estádio de 6 mil lugares. “Hora de rebatizar a Margaret Court Arena”, disse através do Twitter,nesta semana. Um internauta sugeriu o nome de Martina Navratilova.
Através de um comunicado à imprensa, a Tennis Australia afirmou que, embora respeite as conquistas de Court na quadra, “suas visões pessoais são só dela e, definitivamente, não são compartilhadas pela Tennis Australia. Assim como a WTA, acreditamos que todos deveriam ser tratados igualmente e de forma justa. A Tennis Austrália não apoia qualquer visão que contrarie os direitos humanos.” O último título de Court no Aberto foi em 1973.

*Reportagem Tênis Brasil

Jean Wyllys associa Bento XVI ao nazismo e o chama de genocida 1



O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) ficou indignado com as declarações do Papa Bento XVI contra o casamento civil gay e comparou o pontífice aos nazistas e ainda o chamou de genocida.
“O papa suspeito e acusado de ser simpático ao nazismo disse que o casamento civil igualitário é uma ameaça à humanidade. Ameaça ao futuro da humanidade são o fascismo, as guerras religiosas, a pedofilia e os abusos sexuais praticados por membros da Igreja e acobertados por ele mesmo”.
A resposta foi dada em relação aos recentes comentários de Bento XVI que afirmou que o casamento gay é uma ameaça e coloca em xeque “o próprio futuro da humanidade”. O líder da Igreja Católica ainda afirmou a relação homoafetiva atrapalha na educação das crianças que precisam de ambientes adequados. “O lugar de honra cabe à família, baseada no casamento de um homem com uma mulher”, disse ele.
Mas o deputado brasileiro, um dos principais defensores da causa LGBT se incomodou com a maior autoridade do Vaticano e protestou dizendo que Bento XVI é como  “genocida em potencial”. “Espero que os estados laicos do Ocidente não cedam à pressão desse genocida em potencial”.

Com informações Jornal do Brasil e do Notícias Gospel

Casamento gay é uma ameaça à Humanidade, diz Bento XVI 2


O papa Bento XVI disse na segunda-feira (09/01) que o casamento homossexual é uma das várias ameaças atuais à família tradicional, pondo em xeque “o próprio futuro da humanidade”. Foram as declarações mais homofóbicas já proferidas pelo pontífice contra o casamento civil gay, durante um pronunciamento de ano novo a diplomatas de quase 180 países acreditados no Vaticano, abordando questões econômicas e sociais contemporâneas.
Segundo Bento XVI, a educação das crianças precisa de “ambientes” adequados, e “o lugar de honra cabe à família, baseada no casamento de um homem com uma mulher”. “Essa não é uma simples convenção social”, disse o Papa, “e sim a célula fundamental de cada sociedade.
“Consequentemente, políticas que afetam a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade”.
Em vários países – principalmente no mundo desenvolvido -, autoridades eclesiásticas católicas protestam contra iniciativas voltadas para a legalização do casamento gay. Nos EUA, um dos principais paladinos dessa causa é o arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, que será sagrado cardeal pelo Papa em fevereiro. Numa recente carta, Dolan criticou o presidente Barack Obama por sua decisão de não apoiar uma proibição federal ao casamento homossexual, e alertou que essa política pode “precipitar um conflito nacional de enormes proporções entre a Igreja e o Estado”.
A Igreja Católica, que tem 1,3 bilhão de seguidores no mundo (nem todos praticantes), prega que as tendências homossexuais não são pecado, mas que os atos homossexuais são, e que as crianças devem crescer em uma família tradicional, com um pai e uma mãe. “A unidade familiar é fundamental para o processo educacional e para o desenvolvimento dos indivíduos e Estados; daí a necessidade de políticas que promovam a família e auxiliem na coesão social e no diálogo”, disse Bento XVI a diplomatas. O casamento gay já é legal em vários países europeus, como Espanha e Holanda.
Interessante notar que a declaração vem de um senhor que nunca se casou e não teve filhos, que dirige uma religião em que os sacerdotes não podem se casar, constituir uma família tradicional e nem perpetuar a espécie. Além de cometer o crime de proibir o uso do preservativo, ainda vem com esse papo de perigo para a humanidade. O que dizer de inúmeras crianças que precisam ser adotadas e de outras formas (não convencionais) de se ter filhos?

Pais gays descobrem os limites da parceria Resposta

Maria von Känel Scheibling (dir.) com sua família. (von Känel Scheibling)


Mais de dez mil pessoas se casaram na Suíça nos últimos cinco anos, desde que uma nova lei possibilitou a parceria civil para casais homossexuais.
Agora a visita ao cartório tem sido um momento marcante para muitos. Com a assinatura dos papéis, eles conquistam o reconhecimento oficial da sua união e garantem os mesmo direitos dos casais heterossexuais.
As prerrogativas abrangem importantes áreas como pensões, herança e vistos de residência para parceiros estrangeiros e o status de parente próximo. Porém quando o assunto é criança, casais homossexuais são tratados de forma diferente. Adoção e reprodução assistida ainda são consideradas tabus para eles. 
 
No entanto, desde 2007 a realidade ultrapassou a lei. O desejo de criar uma família continua sendo um objetivo fixo para muitos casais. Aqueles que acabam tendo filhos dentro da parceria, terminam em uma situação longe de ser ideal.
História de duas mães 
Maria von Känel Scheibling e sua parceira vivem juntas há 14 anos. Elas sempre desejaram poder se casar “para dar a cada uma a segurança legal”.
 
”Mas como tínhamos também o desejo de ter uma família, ficamos desapontadas ao descobrir que a adoção estaria descartada (dentro do contexto da nova lei de parceria registrada)”, declara Känel Scheibling à swissinfo.ch.
 
”Mas mesmo assim queríamos registrar a nossa parceria. Era um sinal importante para mostrar que casais como nós existem”, acrescenta.
 
Assim, em 2007, as duas mulheres participaram de uma cerimônia simples, seguida logo depois por uma pequena festa. Foi a preparação para começar a assinar de uma forma diferente os formulários do cotidiano, não mais riscando no quesito “solteiro”, mas sim em “parceria civil”.
 
Então chegaram os filhos. “Nossas crianças nasceram dentro de uma relação lésbica. Eu tive o primeiro filho e a minha parceira deu a luz ao segundo.”
Paradoxo 
Apesar de terem a relação oficializada, as duas mães não têm legalmente os direitos de tutela do filho da outra e estão impedidas de fazê-lo através da adoção.
 
Paradoxalmente, solteiros gays ou lésbicas podem adotar na Suíça. Os homossexuais perdem apenas o direito de adotar quando entram em uma parceria legal.
 
”Como vivemos realmente como uma família no seu dia-a-dia, vemos que a proibição de adotar é algo injusto não apenas para os pais. O que mais dói é que a realidade é negada a essas crianças”, explica Känel Scheibling.
 
Como co-fundadora do grupo de apoio Famílias Arco-íris, ela assumiu a luta em prol da igualdade de direitos entre pais heterossexuais e homossexuais e chegou até a última instância legal na Suíça, o Tribunal Federal. Porém, sem sucesso. Agora o grupo deve entrar com um recurso na Corte Europeia dos Direitos Humanos.
 
Uwe Splittdorf, da organização Pink Cross, ressalta que 30 mil crianças na Suíça crescem nas chamadas famílias “arco-íris”, onde pelo menos um dos pais é homossexual ou bissexual. Outras estimativas falam de seis mil crianças. 
Tempos de mudança 
O casamento pleno é o objetivo final dos ativistas gays. “Sim, é um desejo. Penso que podemos alcançá-lo em cinco ou seis anos”, declara Splittdorf à swissinfo.ch.
 
”Adoção de enteados é o próximo passo onde queremos focalizar”, acrescenta.
 
A Lei de parceria colaborou bastante para melhorar a aceitação dos gays na sociedade, considera Splittdorf. “Ela foi muito bem recebida pelas famílias e amigos. A maioria das pessoas a considera maravilhosa.”
 
”Pois ela resolve um monte de problemas práticos como a herança e a permissão de residência para parceiros de outras nacionalidades. Porém ainda existem alguns gays que levam uma vida dupla”, diz.
 
O professor de sociologia René Levy concorda. “Penso que existem muitas situações em que os homossexuais escondem sua sexualidade. Revelar sua opção sexual não é um ato trivial, mas um tema sério e que pode ser doloroso e difícil devido as conseqüências de assumir essa condição.”
 
”Apesar de existir hoje em dia um forte reconhecimento das identidades não heterossexuais, as mudanças têm ocorrido de forma lenta. Foi mais uma mudança no nível do politicamente correto do que uma forte tendência”, lembra Levy.
 
O sociólogo considera que a Lei da parceria registrada é um mau compromisso. “Não existe mais uma lei que proíba a homossexualidade, mas também nenhuma que declare sua igualdade.”
 
A Suíça continua sendo uma sociedade conservadora na visão de Levy. “As normas de igualdade, abertura social e multiculturalismo são compartilhadas por pessoas oriundas de meios urbanos e com alto nível de educação, um grupo que é apenas uma minoria, embora uma minoria barulhenta.
Ladeira escorregadia 
Quando a Lei de parceria estava sendo debatida, tinha um apoio moderado. Ao mesmo tempo era abertamente combatida pelo Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão, partido majoritário e de tendência conservadora), que representa mais de um quarto dos eleitores no país.
 
O partido argumentava que “essa lei desnecessária” seria parte de uma tendência geral na desvalorização do casamento. “Isso mina a base da nossa sociedade, a família”, explicava um comunicado do SVP.
 
Ao notar que a adoção e a reprodução assistida estavam descartadas na lei, os representantes do partido questionaram: “Mas por quanto tempo? Assim que a lei entrar em vigor, seus defensores virão com mais exigências”, reclamou o SVP.
 
Maria von Känel Scheibling justifica estar reivindicando mais do que já foi permitido na lei, pois tem uma “paixão pela ideia de ver seus filhos terem os mesmos direitos das outras crianças”.
 
Embora não acredite que outras ações futuras legais levantadas por ela e outros pais tenham sucesso, von Känel Scheibling acredita ser importante para famílias como a dela terem visibilidade. “Pelo menos eles sabem que estamos aqui.” 
Reportagem Clare O’Dea, swissinfo.ch 
Adaptação: Alexander Thoele

Em decisão inédita, STJ reconhece casamento civil gay Resposta



Em decisão inédita, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por maioria, proveu recurso de duas mulheres que pediam para ser habilitadas ao casamento civil. Seguindo o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, a Turma concluiu que a dignidade da pessoa humana, consagrada pela Constituição, não é aumentada nem diminuída em razão do uso da sexualidade, e que a orientação sexual não pode servir de pretexto para excluir famílias da proteção jurídica representada pelo casamento.

O julgamento estava interrompido devido ao pedido de vista do ministro Marco Buzzi. Na sessão desta terça-feira (25/10), o ministro acompanhou o voto do relator, que reconheceu a possibilidade de habilitação de pessoas do mesmo sexo para o casamento civil. Para o relator, o legislador poderia, se quisesse, ter utilizado expressão restritiva, de modo que o casamento entre pessoas do mesmo sexo ficasse definitivamente excluído da abrangência legal, o que não ocorreu.

“Por consequência, o mesmo raciocínio utilizado, tanto pelo STJ quanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para conceder aos pares homoafetivos os direitos decorrentes da união estável, deve ser utilizado para lhes franquear a via do casamento civil, mesmo porque é a própria Constituição Federal que determina a facilitação da conversão da união estável em casamento”, concluiu Salomão. 

Em seu voto-vista, o ministro Marco Buzzi destacou que a união homoafetiva é reconhecida como família. Se o fundamento de existência das normas de família consiste precisamente em gerar proteção jurídica ao núcleo familiar, e se o casamento é o principal instrumento para essa opção, seria despropositado concluir que esse elemento não pode alcançar os casais homoafetivos. Segundo ele, tolerância e preconceito não se mostram admissíveis no atual estágio do desenvolvimento humano.

 Divergência

Os ministros Antonio Carlos Ferreira e Isabel Gallotti já haviam votado com o relator na sessão do dia 20/10, quando o julgamento começou. O ministro Raul Araújo, que também acompanhou o relator na sessão da semana passada, retificou seu voto. Segundo ele, o caso envolve interpretação da Constituição Federal e, portanto, seria de competência do STF. Para o ministro, o reconhecimento à união homoafetiva dos mesmos efeitos jurídicos da união estável entre homem e mulher, da forma como já decidido pelo STF, não alcança o instituto do casamento. Por isso, ele não conheceu do recurso e ficou vencido.

Raul Araújo defendeu – em apoio a proposta de Marco Buzzi – que o julgamento do recurso fosse transferido para a Segunda Seção do STJ, que reúne as duas Turmas responsáveis pelas matérias de direito privado, como forma de evitar a possibilidade de futuras decisões divergentes sobre o tema no Tribunal. Segundo o ministro, a questão tem forte impacto na vida íntima de grande número de pessoas e a preocupação com a “segurança jurídica” justificaria a cautela de afetar o caso para a Segunda Seção. A proposta, porém, foi rejeitada por três a dois. 

O recurso foi interposto por duas cidadãs residentes no Rio Grande do Sul, que já vivem em união estável e tiveram o pedido de habilitação para o casamento negado em primeira e segunda instância. A decisão do tribunal gaúcho afirmou não haver possibilidade jurídica para o pedido, pois só o Poder Legislativo teria competência para insituir o casamento homoafetivo. No recurso especial dirigido ao STJ, elas sustentaram não existir impedimento no ordenamento jurídico para o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Afirmaram, também, que deveria ser aplicada ao caso a regra de direito privado segundo a qual é permitido o que não é expressamente proibido.

Casamento gay já tem maioria de votos no Superior Tribunal de Justiça Resposta

Luís Felipe Salomão: Lei precisa evoluir para que não haja dúvidas sobre a possibilidade do casamento gay Foto: STJ

A maioria da 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça votou a favor do casamento civil entre duas pessoas do mesmo sexo. Em julgamento de recurso na tarde desta quinta-feira (20/10), quatro ministros declararam que o casamento gay é legal, mas a discussão ainda não acabou. O ministro Marco Aurélio Buzzi, recém-chegado e único que ainda falta votar, pediu vista do processo.
O STJ decidia em recurso levado por duas mulheres que tentam obter em cartório a habilitação para o casamento no Rio Grande do Sul. Elas tiveram o pedido negado na primeira instância e também pelo Tribunal de Justiça do estado. Ambos entenderam que o Código de Processo Civil só autoriza o casamento entre pessoas de sexos diferentes.
Esta é a primeira vez que o STJ analisa um caso do tipo depois que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união estável entre homossexuais. O relator do recurso no STJ, ministro Luís Felipe Salomão, destacou em seu voto a evolução do significado da família e a impossibilidade legal da exclusão de direitos civis no Brasil. “A Constituição de 1988 deu uma nova fase ao Direito de Família, reconhecendo que os núcleos multifacetados são famílias e merecem proteção do Estado. Sem ressalvas, sem poréns sobre a forma de como deve ser essa família”, votou.
Para Salomão, ao autorizar o casamento de pessoas do mesmo sexo, o Estado cria novas garantias de proteção à família. Salomão lembrou que a legislação em vigor não proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas disse que as normas precisam evoluir para que não haja dúvidas sobre essa possibilidade.
Já a ministra Isabel Galloti argumentou que, se o STF entendeu que a Constituição não faz diferença entre homem e mulher na formação da família, o CPC não pode ser interpretado de forma diferente. Também votaram os ministros Antônio Carlos Ferreira e Raul Araújo.
Por mais que falte apenas um voto, ainda não pode dizer que a discussão está encerrada. Existe a possibilidade de o voto do ministro Marco Aurélio Buzzi mudar o entendimento dos demais integrantes da 4ª Turma, e eles reformem seus respectivos votos. 

Com informações da Agência Brasil e do Consultor Jurídico.

Mulheres conseguem converter união em casamento Resposta

A justiça paulista inovou mais uma vez e converteu a união estável entre duas mulheres em casamento civil. A decisão foi de um juiz de São Bernardo do Campo (SP). As mulheres optaram por usar os nomes de solteira e o regime de comunhão parcial de bens. 


Essa é a segunda decisão do tipo no estado e a primeira envolvendo relacionamento homoafetivo entre duas pessoas do sexo feminino. No fim de junho, ocorreu o primeiro casamento gay do país entre dois homens, em Jacareí, no interior do estado.

As duas mulheres que viviam juntas há sete anos recorreram à Justiça após a decisão do Supremo Tribunal Federal, que afastou a aplicação do artigo do Código Civil que admitia a união estável apenas entre pessoas de sexos diferentes. Apesar do posicionamento do Supremo, o Ministério Público paulista se manifestou contra o pedido.

O juiz que oficializou o novo casal disse que uma das consequências da união estável entre pessoas de sexos distintos é exatamente a possibilidade de conversão em casamento. “Anoto que a própria Constituição Federal determina que a lei deverá facilitar a conversão da união estável em casamento”, afirmou. 

*Com informações do site Consultor Jurídico.

Casal gay de GO registra nova união e estuda processar juiz Resposta

(Foto: Mirelle Irene)
Após o que qualificaram como “dias de martírio”, o casal Liorcino Mendes, 47 anos, e Odílio Torres, 26 anos, oficializariam pela segunda vez sua união na tarde desta quarta-feira, no Rio de Janeiro. A cerimônia, prevista para iniciar às 16h, na Central do Brasil, reuniria cerca de 45 casais homossexuais, em um casamento coletivo, promovido pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio.

“É a primeira vez que isso acontece no mundo”, disse Liorcino, mais conhecido como Léo Mendes, para quem o ato é um protesto contra a decisão do juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública Municipal e Registros Públicos de Goiânia, Jeronymo Pedro Villas Boas, que anulou a união registrada por eles, na última sexta-feira.

Na terça-feira, o ato de ofício do juiz foi cancelado pela corregedora do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), desembargadora Beatriz Figueiredo Franco. No entanto, Léo Mendes diz que o casal decidiu oficializar pela segunda vez a união para não ser pego de surpresa. “Para a gente não correr o risco de algum maluco de novo tomar esse tipo de decisão, estamos registrando também aqui no Rio. Vamos ficar com dois registros”, disse.

Segundo Mendes, não é de conhecimento da maioria das pessoas que a união estável pode ser registrada diversas vezes em qualquer cartório do Brasil. “Então, se juiz começar a perseguir gays em uma cidade, é possível ir para outra e fazer um registro.” Ele ainda diz que, ao ter a primeira união anulada, o casal pensou em registrar nova em Aparecida de Goiânia, a 15 km de Goiânia, mas, ao receber o convite do governo do Rio de Janeiro na segunda-feira, resolveu participar do evento coletivo.

Símbolo
Para Mendes, o juiz Villas Boas resolveu pela anulação por ter sido ela a primeira registrada no Brasil. “Vários casais se uniram, mas ele visou especificamente a gente porque nós fomos os primeiros do Brasil a registrar uma união estável. Foi uma forma simbólica dele dizer que ele não concordava com isso”, afirmou.

O casal acredita que a anulação de sua união estável, e a polêmica que causou, mostra que as instituições no Brasil estão muito longe de respeitar o artigo 19 da Constituição, que fala sobre o Estado laico, onde o Estado não pode ter elo de ligação com religião. Na sentença, o juiz declarou sua fé religiosa como argumento, afirmando que compreende que o mundo foi feito para um homem e uma mulher, e não para dois homens. De acordo com Mendes, o juiz teria os classificado como “terceiro sexo”, que seria “linguajar que está sendo muito utilizado pela Assembleia de Deus”, afirmou Mendes.

Para ele, todas as vezes que se barra direitos de homossexuais no Legisativo, Executivo ou Judiciário, o pano de fundo é a religião. “Essa promiscuidade da entrada da religião dentro do Estado tem prejudicado, e muito, a cidadania de muitos cidadãos, inclusive os homossexuais. Não é a moral, já que pelo costume, há casais homossexuais na prática há muito tempo”, afirmou. Para Mendes, quando servidores públicos, como o juiz, colocam a religião deles a frente do trabalho, o resultado é desastroso. “Estamos estudando se vamos processar o juiz por danos morais”, disse.

Odílio Torres, que é evangélico e cresceu frequentando a Assembleia de Deus, também lamenta a confusão entre o público e o privado, protagonizada pelo juiz Villas Boas. “Sempre fui religioso, minha formação toda foi evangélica, mas não sou um fundamentalista religioso. Eu sei separar as coisas, a religião e a vida particular. Com essa, ninguém tem nada a ver”, afirmou.

O casal acredita que o caso trouxe lições e alguns alertas para eles. “Nós aprendemos que a gente deve ficar o tempo todo antenado, na defesa dos nossos direitos. Porque, a qualquer momento pode aparecer um parlamentar preconceituoso querendo cassá-los”, disse Mendes.

Para Mendes, apesar do avanço que a união gay trouxe, os homossexuais estão longe de ter conquistado seus direitos no Brasil. “Ainda falta o casamento civil, por exemplo, e nossa luta é para ter os mesmos direitos dos casais heterossexuais, nem mais, nem menos. E ainda não conseguimos.” Segundo o jornalista, em São Paulo, há pouco tempo, foi negado um pedido de casamento civil, que seria a progressão da união estável. “Então, vamos começar a fazer pedidos de transformação de uniões estáveis em casamento civil no Brasil inteiro. Alguma hora um juiz vai dar uma decisão favorável”, afirmou Mendes.

Celebridades
O casal está surpreso com a repercussão que o caso causou. Odílio acha engraçado ter que dar autógrafos nas ruas do Rio, para pessoas – gays e héteros – que os reconhecem. “Fiquei triste, mas ao mesmo tempo estou feliz também, porque esta história toda vai servir de exemplo para outras pessoas da comunidade gay, para incentivar ainda mais a luta pelos seus direitos”, disse. Depois do Rio, o casal deve seguir para São Paulo, onde participará da Parada Gay, a maior do mundo, no próximo domingo.

*Com informações do Terra.

Tribunal de Justiça de Goiânia cassa decisão de juiz que anulou união civil gay Resposta

Leo Mendes e Odílio Torres na cerimônia da União Civil em Goiás.
(Foto: Diomício Gomes/O Popular/ AE)
Depois que resolveu anular o contrato de união estável realizado pelo casal Leo Mendes e Odílio Torres, em Goiânia, e tambpem tentar impedir que outros casamentos entre pessoas do mesmo sexo sejam realizados em Goiânia, o juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Goiânia, Jeronymo Pedro Villas Boas, teve seu pedido de anulação cassado.

A corregedora do Tribunal de Justiça de Goiás, desembargadora Beatriz Figueiredo Franco, decidiu hoje (21/06) tornar ¨sem efeito¨ a decisão do juiz, que acreditava que o Supremo Tribunal Federal tinha mudado a Constituição, algo que somente o Congresso teria competência para isso.

O Supremo Tribunal Federal disse que através de uma nova interpretação da Constituição, é possível desde o mês passado, que casais de homossexuais tenham seus direitos registrados como família. Com a cassação da decisão do juiz, o Tribunal de Justiça de Goiânia anulou todos os efeitos da ordem do juiz.

O caso ainda pode ser usado contra Villas Boas, que pode responder um processo administrativo aberto pela Corte Especial do TJ-GO.

Como previsto, deputados da bancada religiosa assinam projeto de decreto para anular a união civil Resposta

Como já era de se esperar, após o escândalo do veto do kit anti-homofobia feito pela presidenta Dilma Roussef depois da ameaça feita pelos religiosos, o alvo agora é anular a decisão do Supremo Tribual Federal que reconheceu como entidade familiar a união entre pessoas do mesmo sexo. Agora então que esses religiosos estão achando que são os reis do mundo, eles vão tentar fazer tudo o que puderem para regular o país. Será que vem nova ameaça por aí?

Em reunião na última quarta-feira, parlamentares se juntaram ao presidente da Câmara, o deputado Marco Maia, para protocolar um Projeto de Decreto Legislativo com o intuito de anular a decisão do Supremo Tribunal Federal e todos os atos decorrentes dessa decisão.

Com argumentos de que a atitude tomada com a união civil é inconstitucional, eles clamam pela suspenção dos direitos conseguidos depois de muita luta pelos homossexuais.

O projeto é assinado pelo deputado João Campos e, óbvio, com o apoio de outros religiosos. Confira as cinco páginas do documento:

Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT quer tornar homofobia crime e levar debate à sociedade Resposta

Na última terça-feira (29/03), a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgênero) foi relançada na Câmara dos Deputados. O evento reuniu militantes e parlamentares ligados à causa e trouxe ao Brasil parlamentares estrangeiros que conseguiram aprovar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. O deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) coordenou o evento e frisou as prioridades do grupo, que já reúne 175 parlamentares. A frente defente a aprovação do PLC 122/06 (Projeto de Lei da Câmara), da ex-deputada Iara Bernardi considera crime o preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.

O texto foi aprovado na Câmara em 2006, mas até hoje não foi analisado pelos senadores.
Além disso, a união e o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a mudança de nome social feita por transexuais e travestis são prioridades do movimento LGBT e da frente.
A senadora Marta Suplicy (PT-SP), lembrou que quando era deputada, nos anos 1990, foi à Argentina e o conservadorismo era maior que no Brasil, mas os vizinhos conseguiram fazer avançar o debate que a frente agora se propões a recomeçar.
O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Toni Reis, ao falar sobre a união entre pessoas do mesmo sexo, citou o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele esteve com o ministro Carlos Ayres Britto, relator de um processo que avalia conceder esse direito a parceiros homossexuais.
O vereador espanhol de Madri, Pedro Zerolo, que também é assessor do presidente da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, disse que na Espanha as coisas não foram fáceis; o segredo, segundo ele, é distanciar o debate do tema religioso.
Toni Reis e Jean Wyllys ressaltaram que não querem briga com os evangélicos, e que as reivindicações são para um reconhecimento do Estado brasileiro, que é laico.
*Com informações da Agência Câmara

Reportagem de "O Globo" aborda a briga entre deputados e senadores que defendem os direitos LGBT e a bancada evangélica 1

A partir da esquerda, os deputados Jean Wyllys e Arthur Bruno
e as senadoras Marinor Britto e Marta Suplicy

Reportagem de Isabel Braga, do jornal “O Globo” deste domingo (06/03) aborda a briga entre os parlamentares liberais e defensores dos direitos humanos, incluindo os direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) e a bancada evangélica. O jornal afirma que o embate deve se acirrar a partir da chegada do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), segundo deputado homossexual a assumir uma vaga na Câmara – o primeiro foi o estilista Clodovil, Hernandes (1937-2009) – e a volta da ex-deputada e agora senadora Marta Suplicy (PT-SP).

No dia 08/02, a senadora Marta Suplicy, que há décadas luta pelos direitos LGBT, desarquivou o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006, de autoria da então deputada Iara Bernardi (PT-SP), que criminaliza a homofobia em território nacional. A senadora conseguiu o número de assinaturas necessários para desarquivar o projeto e disse que o debate irá acontecer “com muita calma e sem pressa e com ampla espaço para o contraditório”.

O PLC 122/06 havia sido enviado ao arquivo, porque o Regimento Interno do Senado estabelece que, ao final de uma legislatura, todas as propostas em tramitação há mais de duas legislaturas sejam arquivadas. Ele tinha sido aprovado na Câmara em dezembro de 2006. A proposta altera a Lei n 7.716, de 5 d ejaneiro de 1989, que tipifica “os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. A proposta inclui entre esses crimes o de discriminação por gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

No último dia 24, o deputado Jean Wyllys foi à tribuna da Câmara, intitulou-se primeiro representante legítimo da comunidade LGBT e avisou que irá coletar assinaturas para a proposta de emenda constitucional (PEC) que garante casamento civil homossexual.

Do outro lado, a frente parlamentar evangélica fez sua primeira reunião na quinta-feira passada (03/03), quando traçou a estratégia de ação conjunta dos 75 parlamentares que compõem o colegiado (72 deputados e três senadores). Em relação à última legislatura, quando foram eleitos 36 parlamentares evangélicos, segundo “O Globo”, a bancada recuperou sua capacidade de articulação no Congresso. Na pauta da primeira reunião, discutiu-se o acompanhamento de projetos que tramitam no Congresso e contrariam os princípios que a bancada defende.

Entre os alvos da bancada conservadora, que mistura religião com Estado, está o projeto que criminaliza a homofobia. A proposta tem como relatora a senadora Marta Suplicy, que desarquivou o projeto. De acordo com o deputado João Campos (PSDB-GO), o PLC 122/06 tem que ser modificado porque fere a liberdade de expressão. Segundo o parlamentar, não é possível aceitar que os pastores e evangélicos não possam dizer que “homossexualismo é pecado”, porque esse é um dos princípios que defendem e que estaria na Bíblia.

A reportagem mistura o assunto com aborto, o que não tem nada a ver e deveria ser incluído em outra reportagem.

Voltando ao assunto que interessa, os deputados João Campos e Ronaldo Fonseca (PR-DF) foram à Justiça contra a decisão da Receita Federal de estender a todos os parceiros do mesmo sexo o direito de inclusão como dependentes na declaração do Imposto de Renda. Isso fere os princípios evangélicos? Em que isso afeta a vida deles? Mas, não, claro, eles não misturam religião com estado e nem são preconceituosos…

Deputados da bancada evangélica também foram ao Ministério da Saúde, na última quarta-feira, pressionar por mudanças na campanha de carnaval da pasta. Entre eles estava Anthony Garotinho (PR-RJ), que, durante o encontro, manifestou preocupação com o desarquivamento, no Senado, do PLC 122/06:
– Temos que avaliar o pensamento de todos, sem discriminação, mas com ponderação, já que nem portadores de deficiência, idosos e crianças têm tantos privilégios em nosso país.
O deputado Jean tem conversado com colegas de plenário para tentar reativar a frente mista em defesa da cidadania, além do apoio à PEC do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.
– Não quero integrantes da bancada evangélica como meus inimigos. Quando há um conflito de ideias, temos opositores, e uma parte vence a outra com argumentos – disse o parlamentar.
A adesão à frente vem crescendo, e mais de 70 parlamentares já assinaram o documento para a sua criação. No entanto, à PEC do casamento civil encontra resistência. A deputada evangélica Benedita da Silva (PT-RJ) foi uma das que não assinou.
– Eu disse ao Jean: pegue minha história, veja minha luta contra a homofobia, o que fiz como secretária (estadual de Assistência Social) no Rio. Não jogue fora essa parceria.
A deputada Benedita é favorável ao direito do parceiro do mesmo sexo à herança do patrimônio. Mas ela afirma que “o que não podemos é obrigar, com lei, pastores a fazer casamento”. Como assim? Casamento civil não tem nada a ver com religioso. Existem igrejas inclusivas que aceitam casamento religioso homossexual. Uma coisa independe da outra. Quem está jogando no ralo “a própria história” é a deputada, misturando alhos com bugalhos.
A senadora Marta Suplicy, admite que a iniciativa do casamento civil, sugerida por Jean, é mais ampla:
– Decidi desarquivar o projeto de união estável. Acho que tem mais possibilidade no Senado, não é PEC. Mas é importante caminharmos juntos. Se passar o casamento civil, a união cai. O casamento é o objetivo dos homossexuais. A iniciativa do Jean é ousada e corajosa, provoca discussão necessária.
O jornal não aborda a luta de deputados evangélicos e conservadores contra material didático que o Ministério da Educação (MEC) pretende distribuir em seis mil escolas públicas do ensino médio. Deputados como Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já se manifestaram contra, o primeiro em violentos discursos com teor homofóbico, na Câmara dos Deputados.
Mas você pode ajudar na luta a favor da educação e contra o preconceito: Assine o manisfesto e apóie o kit de combate à homofobia. Faça a sua parte!

Jean Wyllys: "Clodovil tinha homofobia internalizada" Resposta

O site da revista VEJA, publicou uma matéria em que apresenta uma entrevista com o deputado Jean Wyllys, onde ele comenta sobre seus planos em defesa do casamento gay cita Clodovil como um gay que tinha homofobia internalizada. Confira na íntegra a matéria de Gabriel Castro:

Jornalista, professor e ganhador do BBB, deputado do PSOL defende casamento gay e critica “fundamentalismo” cristão no Congresso

(Foto: Diógenis Santos/Agência Câmara)
O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) é uma figura peculiar no Congresso. Primeiro, por ser o único homossexual assumido entre os 594 parlamentares. Segundo, por ser um dos três integrantes da minúscula bancada do estridente PSOL. Terceiro: como ex-participante do Big Brother Brasil, programa do qual foi vencedor em 2005, é um integrante da chamada “bancada dos famosos”, embora se sinta desconfortável com o rótulo. Na semana passada, em seu primeiro discurso na Câmara, levantou uma bandeira polêmica: a institucionalização do casamento gay – e não só da união civil, ele ressalta – na Consituição Federal. Wyllys conversou com o site de VEJA.

Em discurso, o senhor prometeu trabalhar para aprovar uma proposta de emenda à Constituição que institucionalize o casamento gay. Será sua principal bandeira? Pretendo ter uma atuação ampla na defesa dos direitos humanos e sociais. Antes de ser deputado, sempre fui ligado ao movimento GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Travestis). Tenho que prosseguir e atender às demandas desse grupo. E a PEC do casamento civil é uma demanda do movimento há muito tempo. Este é o primeiro projeto na área de direitos humanos e de minorias que eu proponho.

Já há um projeto no Senado tratando da união civil. A proposta do senhor é diferente? Tem diferença, sim. Os heterossexuais podem optar pelo casamento ou pela união estável. Os homossexuais não podem optar por nada porque eles não têm direito a nada. O Judiciário está em vias de fazer valer a união estável para todo o Brasil, mas os gays precisam recorrer à Justiça para ter o direito a isso. Estou propondo uma coisa diferente: uma alteração na Constituição que passa a estender o direito do casamento civil ao conjunto da população. Se o estado é laico, se os homossexuais têm todos os deveres civis, ele tem que ter todos os direitos civis. Eu faço questão de falar em casamento civil entre homossexuais. A simples expressão “casamento gay” gera um equívoco na cabeça das pessoas, a ideia de que está se pleiteando o casamento nas igrejas cristãs. Não é isso. É o casamento civil.

O senhor tachou a maior parte dos deputados de “fundamentalistas cristãos”. Não teme criar uma animosidade com um grupo influente? Não marquei posição de maneira a criar animosidades. Mas o que obstrui a extensão da cidadania a grupos minoritários no Brasil é uma interpretação equivocada dos parlamentares fundamentalistas. E eu faço uma distinção: existem parlamentares cristãos que não são fundamentalistas. Os fundamentalistas são aqueles que nem sequer querem sentar para um debate. Nenhum valor cristão está sendo violado, é uma questão de tratamento civil. Como pedir, hoje, para os negros sentarem nos bancos traseiros dos ônibus. É simples assim. Não estou fazendo uma crítica dos cristãos de uma maneira geral.

Mas há quem argumente que o casamento é uma instituição que nasceu com a religião, e que não pode ser dissociada de sua origem. Uma pessoa que não quer dissociar o casamento civil da relação religiosa é alguém que quer fundar um estado teocrático, que vai contra o princípio republicano: a ideia de que estado e igreja vivem separados, e de que o estado não tem paixão religiosa nem pode se orientar por princípios de uma religião. Ainda mais num país diverso culturalmente, com a pluralidade religiosa com a nossa. É um absurdo.

O senhor rompeu com a Igreja Católica por causa da homossexualidade? Eu me engajei muito cedo no movimento pastoral da Igreja Católica. A teologia da Libertação é muito forte, especialmente nos bolsões de pobreza. Muito cedo, eu me engajei na fé católica e no movimento pastoral. Era uma igreja muito mais comprometida com a questão social, entendia que a gente precisava construir aqui o reino dos céus. Mas chegou um momento em que, do ponto de vista pessoal, o Cristianismo já não me dava mais as respostas que eu queria. Na medida em que o papa insiste numa demonização da homossexualidade, não me cabia mais seguir. E aí me abri para as regiões afro-brasileiras. Estudei isso, sou professor de cultura brasileira. E hoje eu posso dizer que sou um simpatizante dessas religiões.

O senhor disse ser o primeiro homossexual militante e “sem homofobia internalizada” a chegar ao Congresso. Foi uma referência direta ao ex-deputado Clodovil? O Clodovil nunca teve um engajamento gay. Ele acabou fazendo um ativismo involuntário, porque era homossexual assumido e estava na TV. Ele era adorado pelas senhoras que votaram nele, pelas donas de casa. Se o Clodovil se levantasse como um ativista, não seria adorado pelas senhoras. O Clodovil tinha homofobia internalizada. Ia a público se colocar contra as bandeiras do movimento. Não foi uma nem duas vezes que ele deu declarações à imprensa contra o casamento gay. Fazia até deboche disso. “Detonou” a parada do orgulho gay, quando foi perguntado. Embora fosse homossexual assumido, ele não levou essa discussão para o Congresso Nacional. Eu tinha até uma relação pessoal com ele, era um cara que me respeitava bastante, mas a verdade é que ele não carregava nem defendia essas bandeiras.

Em seu discurso, o senhor lembrou fases da sua vida, mas não fez referência ao Big Brother Brasil. Como vê a participação no progama? Minha participação no Big Brother tem uma grande relevância na minha vida e na vida de muita gente, levou para a sala de estar um debate que ninguém tinha travado, sobre a representação da homossexualidade na TV. Entrei não em busca de fama imediata ou efêmera na carreira artística, entrei em busca de um objeto de estudo e porque queria estudar o reality show – é meu objeto de doutorado. De bônus, veio o impacto político. Em todos os lugares em que eu vou as pessoas falam da importância da participação, de ampliar o leque de representação da homossexualidade. Tenho o maior orgulho de ter feito aquele programa, mas não fiz uso disso na minha campanha. A candidatura aconteceu seis anos depois da minha participação, depois de uma ausência voluntária minha doshow business. Não tem porque agora eu ficar ressuscitando isso em cada entrevista que dou. O Big Brother é uma obsessão de vocês, jornalistas. Qual é a relevância disso hoje, ainda mais nesse outro espaço que eu ocupo?

Ser colocado na lista dos famosos da Câmara, junto com deputados como Romário e Tiririca, é um incômodo? Não me sinto incomodado, só acho que não há termos de comparação entre a gente, a não ser por essa coisa sem consistência da fama. Fora isso não, existe coincidência entre nossa história de vida, nossas propostas, nossas campanhas, nossos partidos. Não há qualquer termo de comparação. Acho legítimo que os dois estejam lá. A Constituição garante o direito de se candidatar para representar os interesses do povo brasileiro. Acho lamentável que a imprensa fique dando atenção demasiada e jocosa aos nossos mandatos e esqueça de vigiar os outros deputados. Não somos nós que vamos fazer negociatas. Não fomos nós que fomos eleitos pela força da grana, pela compra de votos.

Em primeiro discurso na Câmara, deputado Jean Wyllys promete lutar pelo casamento civil gay Resposta

Veja o pronunciamento do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Ele falou em inclusão e justiça social e direitos LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgênero) e disse que apresentará um projeto de emenda constitucional (PEC) que garanta o direito ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo:
“Eu sou o primeiro homossexual assumido, sem homofobia internalizada e ligado ao movimento LGBT a se eleger deputado federal”.
“Em parceria com outros sete parlamentares, eu estou reestruturando a Frente Parlamentar Mista de Cidadania LGBT e apresentando uma proposta de emenda constitucional que assegura dos homossexuais ao casamento civil.
“Se o Estado é laico, se os homossexuais têm todos os direitos civis, então, por uma questão de justiça os homossexuais têm que ter todos os direitos civis garantidos, inclusive o direito ao casamento civil.
“Se um casal pode se divorciar e em seguida partir cada um para novos casamentos é porque o casamento civil não é da competência de igrejas e religiões”.