Absolvido pelo Conselho de Ética, Bolsonaro diz: “eu sou o sonho dos LGBTs” 1


Após o Conselho de Ética (?) e Decoro (?) da Câmara decidir nesta quarta-feira (29), por 10 votos a 7, arquivar o processo de investigação contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), ele não perdeu tempo e resolveu ironizar lésbicas, gays, bissexuais e transegêneros.

Presente à sessão, Bolsonaro disse logo no início que tinha certeza da absolvição e defendeu seu direito de ser contra a causa LGBT, a qual chamou de “fundamentalistas sexuais”.

O deputado provocou a comunidade LGBT ao dizer que uma entrevista sua na capa da revista masculina Playboy deste mês chamou mais atenção dos homossexuais do que a estrela da publicação, a modelo Maria (ex-BBB).

– Estou na capa da Playboy, abaixo ali da Maria, mas o pessoal LGBT vê mais a mim do que a ela. Eu sou o sonho deles.


Bolsonaro ironizou também o episódio em que bateu boca com a senadora Marinor Brito (PSOL-PA), um dos fatos em que a representação estava embasada. Ele se defendeu, disse que foi provocado e que o embate foi de “ação e reação”.


O deputado aproveitou para alfinetar os parlamentares do PSOL presentes na sessão, Jean Wyllys (RJ) e Chico Alencar (RJ).

– Ela [Marinor Brito] me chamou de misógino. Eu fui ao dicionário olhar o que é isso e vi que é quem tem aversão a mulheres. Se eu tenho aversão a mulheres, eu sou do time deles, do PSOL. Sou do time do Jean Wyllys.

Embate


Bolsonaro encerrou sua fala dizendo que “nenhum pai teria orgulho de ter um filho gay” e concluiu: “sou um parlamentar com P maiúsculo, não com H minúsculo de homossexual”.

O deputado Jean Wyllys aguardou ter direito a palavra para respondê-lo. Jean disse que não teria orgulho de ter um pai como Bolsonaro e o acusou de racismo.

– Eu tenho orgulho de ser chamado de veado por um outro veado, não pelo senhor. O senhor tem que lavar a sua boca antes de pronunciar essa palavra. Eu sou homossexual com H de homem, mais homem que o senhor, que diz que não é racista porque racismo é crime então tem que se dedicar à homofobia, que ainda não é crime.

Jean deixou a sala tão logo concluiu sua fala, mas foi provocado por Bolsonaro, que disse que ele deveria ficar para receber a resposta. Jean ignorou a provocação e saiu da sessão sob aplauso.

Acusações


Na representação que foi arquivada hoje, o PSOL alega que Bolsonaro “tem prestado continuamente um desserviço à população brasileira”. O partido lembrou o episódio em que o deputado concedeu uma entrevista ao programa de televisão CQC. Na ocasião, a cantora Preta Gil perguntou ao parlamentar o que ele faria se seu filho se apaixonasse por uma negra. No programa, Bolsonaro deu a seguinte resposta:

– Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. E meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu.

O PSOL diz que, nesse caso, Bolsonaro fez uma relação direta entre e mulher negra e a promiscuidade.

– Esta correlação, por si, despida de quaisquer relativizações, releva a prática do crime de racismo.

O deputado é acusado ainda de abusar da prerrogativa constitucional que o garante imunidade parlamentar no caso em que trava um bate-boca com a Senadora Marinor Brito (PSOL-PA).

No dia 12 de maio, após discussão no Senado sobre um projeto de lei que criminaliza a homofobia, Bolsonaro e a senadora quase partiram para agressão física porque ele apresentou às câmeras de TV um panfleto contra a causa LGBT.
Com informações do R7

Bolsonaro não responderá a processo no Conselho de Ética Resposta

(é.ti.ca) Fil.

sf.

1. Parte da filosofia que trata das questões e dos preceitos que se relacionam aos valores morais e à conduta humana.

2. Conjunto de princípios, normas e regras que devem ser seguidos para que se estabeleça um comportamento moral exemplar.

[F.: Do gr. ethiké, pelo lat. ethica.]

(de.co.ro) [ô]

sm.

1. Atitude de decência, comedimento, compostura (decoro parlamentar) [ antôn.: Antôn.: descomedimento, desregramento. ]

2. Honestidade, integridade, honradez

3. Pudor, recato no agir e falar; MORALIDADE; RESGUARDO: “…todas velhas…nas vestes de veludo ou gorgorão de lã, de golas altas, longas mangas, terrível decoro.” (Guimarães Rosa, Ave, palavra.)) [ antôn.: Antôn.: despudor, impudicícia. ]

[F.: Do lat. decorum, i. Hom./Par.: decoro (sm.), decoro (fl. de decorar).]


Decoro parlamentar

1 Pol. Padrão de comportamento ético que se espera de um parlamentar.

Fonte: Dicionário Aulete

O Conselho de Ética (?) e Decoro (?) Parlamentar decidiu não dar prosseguimento ao processo disciplinar contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Os deputados votaram contra o parecer preliminar do relator, deputado Sérgio Brito (PSC-BA), que defendia a admissibilidade do processo. Foram dez votos contrários ao relatório prévio, sete a favor e cinco ausências.


O processo foi provocado por uma representação do Psol, que acusa Bolsonaro de abusar das prerrogativas de parlamentar ao disseminar preconceito e estimular violência com declarações contra negros e homossexuais. A representação cita declarações do parlamentar e uma discussão entre ele e a senadora Marinor Brito (Psol-PA) no dia 12 de maio, durante debate sobre o projeto que criminaliza a homofobia (PLC 122/06, que tramita no Senado).

A senadora sentiu-se ofendida pelas palavras pronunciadas por Bolsonaro após uma confusão enquanto o deputado tentava expôr, durante uma entrevista da senadora Marta Suplicy (PT-SP), uma cartilha com críticas ao que ele chama de “kit gay” do Ministério da Educação. A senadora bateu-boca e foi acusada, pelo deputado, que a chamou de “heterofóbica”. “Eu sou homofóbico? Ela é heterofóbica. Não pode ver um heterossexual na frente dela que alopra!”, esbravejou Bolsonaro. Marta Suplicy não se manifestou sobre o assunto.

Segundo o Psol, o deputado teria ofendido a senadora. Já Bolsonaro afirma que ele é quem foi agredido verbalmente por Marinor.

Livre expressão


O principal argumento dos integrantes do conselho para rejeitar o processo foi o direito de expressão dos parlamentares. O deputado Vilson Covatti (PP-RS) disse que o conselho pode “concordar ou não com as ideias de um parlamentar, mas tem que respeitá-las, porque ele foi trazido aqui [ao Congresso] por essas ideias”.

Já o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) afirmou que “acima do Código de Ética vem a Constituição, que diz que os parlamentares são invioláveis, civil e penalmente, por opiniões, palavras e votos.”


Preconceito


O líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), disse que “há indícios de que Bolsonaro faz do direito de opinião, sagrado, o direito de agressão e estímulo ao ódio, à discriminação e ao preconceito, o que não tem nada a ver com manifestação de opinião.” Após o resultado, o líder afirmou que agora Bolsonaro irá ofender as minorias “com o aval da Câmara”, que, com essa decisão, diz que o deputado pode dizer o que quiser.

Para o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), o princípio soberano da Constituição é o da dignidade humana, sem nenhuma forma de discriminação. “A liberdade de expressão é limitada à dignidade do outro, e o que o deputado vem fazendo sistematicamente é violar esse princípio”, argumentou.

A reunião do conselho foi encerrada.


Reportagem: Agência Câmara

Corregedoria da Câmara notifica Bolsonaro em investigação por racismo e homofobia Resposta

A Corregedoria da Câmara dos Deputados conseguiu notificar hoje o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) a respeito das quatro representações encaminhadas contra ele pelas suas declarações racistas e homofóbicas no programa “CQC” (Band). Bolsonaro terá até qaurta-feira da semana que vem para apresentar sua defesa.


Após isso, o corregedor da casa, o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), vai elaborar parecer a partir da defesa de Bolsonaro. Esse parecer será enviado à Mesa Diretora. As quatro representações vão formar um único processo.
Relembre:

Na segunda-feira (28/03), Jair Bolsonaro, deu entrevista racista e homofóbica ao programa “CQC” (Band). Ao responder a pergunta: “Se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que o senhor faria?”, o deputado respondeu que não iria discutir “promiscuidade” com ela.


O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), encaminhou quatro representações contra Jair Bolsonaro. As ações foram protocoladas pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, pela seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil, pelo Deputado Edson Santos (PT-RJ) e pela Comissão de Direitos Humanos, assinada por um grupo de 19 deputados. Vários parlamentares protestaram.

O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Tony Reis, protestou: “É muito triste a gente perceber que temos parlamentares com esse nível de discussão. Ele rasga a Constituição Federal a cada declaração”. Tony citou trechos da Carta Magna que teriam sido violados por Bolsonaro. “Ele tem que ler – e se for analfabeto, a gente pode fazer uma leitura apra ele – o artigo 3º e o artigo 5º da Constituição que dizem: “todos são iguais perante a lei e não haverá discriminação de qualquer natureza”. “Ele se lixa pela questão dos direitos humanos, ele se lixa pela democracia, pelos principais valores republicanos. Ele já teve declarações em que mandou o [ex-presidente] Fernando Henrique [Cardoso] para o paredão, já chamou nosso [ex]presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva] de bêbado, já chamou nossa presidente [Dilma Roussef] de ladra, terrorista… então é uma pessoa que realmente está caindo no ridículo”, afirmou. “Se ele quer aparecer, que ele amarre uma melancia no pescoço e não fique fazendo esse tipo de sensacionalismo”, reclamou. “Quando ele atacou só os gays, era uma coisa, mas agora ele está mexendo com muita gente. Então estamos muito tranquilos de que esse senhor vai ser punido”, disse Tony.

O Conselho Nacional de Combate à Discriminação Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNDC/LGBT) divulgou nota repudiando “com veemência as declarações racistas, sexistas e homofóbicas feitas pelo deputado federal”.

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa fez um ato de repúdio às falas do deputado Jair Bolsonaro. Além dos religiosos, diversas autoridades estiveram presentes.

O presidente da Fundação Palmares, Eloi Ferreira de Araujo disse que a entidade estuda, com o seu departamento jurídico, a adoção de medidas contra o ato de racismo.