O ¨travestivismo¨ do governo e o veto da campanha contra a AIDS na tv Resposta

Eu poderia começar esse artigo dizendo o quão difícil é de acreditar que o novo governo da Presidente Dilma Rousseff está fazendo de tudo para esconder e atrapalhar mais ainda a vida dos gays brasileiros. Mas é realmente isso o que está acontecendo. Desde que Dilma se vendeu para a bancada evangélica em maio de 2011 (ou até mesmo durante sua campanha), quando a ¨digníssima¨ vetou a distribuição do kit anti-homofobia nas escolas de ensino fundamental depois de ter sofrido pressão da bancada evangélica no caso Palocci, que os assuntos envolvendo a comunidade LGBT tem sido motivo de preocupação durante esse governo.

Agora, o novo passo de Dilma foi vetar uma peça publicitária a ser veiculada na tv durante o  carnaval que incentiva o uso da camisinha no sexo homossexual. O comercial também foi retirado do site do Ministério da Saúde, por incrpivel que pareça. Esse ministério parece estar escolhendo para que lado eles querem trabalhar suas campanhas. É como só se importasse com a saúde de uma parte da sociedade. O que o país está vivendo neste momento é uma situação de regresso, porque com o número alarmante de novos casos de AIDS entre os jovens no Brasil, o governo deveria se mover e incentivar cada vez mais o uso do preservativo. Mas não! Preferem camuflar a informação e transmiti-la apenas em lugares fechados frequentados pelo público LGBT.

A Presidenta quer nos esconder. Dilma virou uma espécie de travesti, quando acaba vestindo uma fantasia ou assumindo uma identidade que sempre nos fez acreditar que não é a sua. Mas desde sua campanha eleitoral, ela vem se mostrando uma pessoa de ¨valores religiosos¨. Ela já pode, inclusive, pegar sua cadeira na hipócrita bancada evangélica e bater no peito de mãos dadas com Bolsonaro e cia.. Afinal, de que lado está Dilma Rousseff?

O governo fazendo isso esquece que em casa, existe o jovem oprimido que não tem acesso a esses lugares fechados. E essa atitude só confirma o quanto o governo brasileiro quer manter os gays afastados em seus próprios círculos. Ninguém vai prestar atenção nesses comerciais em baladas ou festas. Não tiveram a inteligência de transmitir o comercial na televisão, no intervalo de um jogo ou de um programa de tv, onde aí sim, alcançaria não só os jovens, mas também os pais que podem alertar seus filhos e abrir mais um diálogo entre a família.

O comercial em si não tem nada de constrangedor, ou de repente eu seja liberal demais (confira o vídeo abaixo). Mas de repente, o fato de mostrar dois homens se acariciando em uma balada, pode ter sido um dos motivos do veto feito pelo Ministério da Saúde, o mesmo ministério que divulga os dados sobre a AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis. Em outras palavras, o governo está pouco se importando em realizar uma campanha massiva e forte em combate às doenças sexualmente transmissíveis entre os homossexuais.

A conclusão disso tudo só me leva a crer que sim, querem nos colocar fora da sociedade. Querem nos esconder para não ferir a moral tão íntegra dos brasileiros. E isso vai realmente acontecer se não começarmos a levantar nossas vozes em conjunto e lutar. Lutar muito. Tomar como exemplo a revolução gay em Nova York e na Califórnia, onde os gays se uniram de verdade e foram às ruas, e protestaram. Enquanto continuarmos a ser ¨passivos¨ desse governo hipócrita, vamos perder cada vez mais os nossos direitos de cidadãos até o dia em que passarmos a viver completamente na escuridão.

Confira o vídeo ¨Homofobia Sim¨, que está virando novo hit da Internet 1

Fabrício Mira (Foto: Reprodução)
Está circulando no YouTube o vídeo ¨Homofobia Sim¨, protagonizado e dirigido por Fabrício Mira, em que ele ataca a comunidade LGBT e faz elogios ao deputado homofóbico Jair Bolsonaro e a deputada Myrian Rios, defendendo ainda o dia do orgulho hétero. Mas antes de fazer qualquer comentário, sugerimos que você assista o vídeo até o final!!

Fabrício Mira é um diretor carioca que está se tornando conhecido por porduzir vídeos pornôs de ¨cunho político¨, em que critica políticas públicas, polícia e a sociedade carioca.

Em alguns de seus vídeos ele aparece fazendo sexo com travestis e mulheres. A intenção desse vídeo, que é revoltante nos primeiros minutos, fica claro no final, mas divide opiniões quanto seu conteúdo.

Assista ao vídeo e dê a sua opinião:

Se os gays querem se ver, precisam ir ao cinema Resposta

Domingo passado (20/03), li, estarrecido, uma crítica a respeito da novela “Ti-ti-ti”, que terminou em 19/03. O texto, escrito por uma famosa colunista de um dos maiores jornais do país, dizia que a discussão a respeito do beijo entre dois gays ou duas lésbicas, “além de surrada, parece uma guerra perdida”. Depois, a colunista ainda dizia que esse debate “surpreendentemente, também perdeu um pouco sua importância”, a partir do momento em que um casal de homossexuais foi tratado “como nunca antes um folhetim tinha feito”, segundo palavras da jornalsita. A julgar pelos comentários dos leitores dela e, também, pelo comunicado recente enviado pela Rede Globo à imprensa a respeito do tema, não é verdade. Isso, sem contar as palavras do autor Gilberto Braga que, antes de estrear a sua, “Insensato Coraçã” (Globo), prometia um núcleo gay, mas após o início da novela, foi taxativo: “Não vai ter beijo gay”, disse Gilberto, um gay assumido. Até um jornalista do “Guardian”, da Inglaterra, entrou na discussão a respeito do “beijo proibido, que o Brasil espera ver”.
Só sei que depois de ler a tal crítica, me deu vontade de deixar de lado as novelas, até que elas passem a retratar o mundo em que eu vivo de forma real. “Insensato Coração” é um exemplo negativo de como a homossexualidade vem sendo tratada: sob o viés, única e exclusivamente, da violência. No caso, a homofobia. É um ponto positivo? Claro! Mas gay também ama, sofre, sente e, claro, beija na boca! Até transa!
Parece, enfim, que estamos todos os LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgêneros) fadados a sermos retratados de maneira caricata ou pouco natural na teledramaturgia da TV brasileira. Por que insisto no assunto? Porque a novela é um poderoso veículo de comunicação, talvez o único capaz de, realmente, atingir todas as classes sociais e gerar uma discussão nacional sobre algum tema. Exemplos não faltam. Acontece que a teledramaturgia brasileira, de pelo menos uns dez anos pra cá, tem se mostrado conservadora. Na caretice atual, não há espaço para discussões mais ousadas a respeito de nada.
O cinema ainda me parece o lugar ideal para os LGBT se verem. Seja em filmes mais sérios ou em comédias leves, estamos lá. E somos retratados como seres humanos, com toda a complexidade de um heterossexual. Afinal, o que muda é a orientação sexual. No mais, somos todos iguais.
Correspondi ao meu desejo de apagar todos os capítulos que havia gravado – até para comentar aqui no blog – de “Insensato Coração”. Não vou mais assistir Isso aconteceu depois de eu ter ido ao cinema, no fim de semana passada.
O meu reencontro com o cinema – fiquei afastado das salas de cinema por um bom tempo, por questões pessoais – foi para assistir ao filme “O primeiro que disse”, com um amigo. O filme italiano conta a história de Tommaso que, após voltar de viagem, decide contar à família que é homossexual. Só que, para espanto de todos os familiares, em uma cena típica de família italiana (e, por que não dizer, de famílias brasileiras também), com todos os parentes à mesa, quem conta que é homossexual é Antonio, irmão de Tommaso.

Um escândalo acontece, com muito dramalhão e algumas risada em meio a um fato triste e, infelizmente, muito comum ainda: Vincenzo, o pai de Tommaso e Antonio, resolve expulsar o segundo de casa. Tommaso se acovarda e não sai do armário.
O filme trata – em meio a muitos clichês, é verdade – de questões profundas que envolvem o relacionamento entre um homossexual e a sua família. O diretor Ferzan Ozpetek, aliás, dedica o filme ao pai.
Em determinado momento do filme, os amigos de Tommaso – todos gays e bem pintosos – chegam da capital. A família parece não querer enxergar que são gays e nem que, com tantos amigos gays e outros indícios mostrados no filme, o Tommaso também é gay. Só quem parece compreender tudo – inclusive o Antonio – são a avó, que tem todo um passado que fez com que ela fosse mais tolerante e uma tia louca da família. A avó acaba se matando no final do filme. Ali, podemos ver a dor de alguns gays que, sem saber como lidar com a família, se perdem e, em muitos casos, se matam.
Já em espírito, a avó visita Tommaso, e em um diálogo comovente, diz nas entrelinhas que, é possível ser feliz, se assumir e ser bem resolvido de forma menos dramática do que foi com o seu irmão Antonio.
Aliás, vem do diálogo entre os irmãos, quando Antonio já havia se assumido, uma frase impactante que, talvez justifique todo o filme. Antonio, gay assumido, diz ao irmão Tommaso, gay enrustido: “Em nossa família começaram a roubar nossa dignidade”. E é justamente isso o que acontece em muitas famílias. O amor que sufoca e quer impor, moldar, reprimir, faz com que muitos percam as suas “dignidades”, os LGBT então…
Outro tema relevante é a respeito da dificuldade de se publicar um livro com conteúdo homoerótico na Itália (só lá?). Tommaso tem o seu livro recusado pela editora. Mas ele, sem desanimar, diz que continuará escrevendo.
O filme também aborda, superficialmente, o amor de uma heterosexual, Alba (Nicole Grimaudo), por um gay: Tommaso.
Apesar de eu ter escrito algumas vezes a palavra “dramático”, todos os temas são tratados de maneira leve, com muita comédia. Os clichês são justificáveis, para que o filme abranja vários tipos de público. Não tem nenhuma cena forte, que possa causar espanto. Aliás, se não me engano, o filme tem apenas uma cena de beijo gay. Vi casais de heterossexuais assistindo.
Saí da sessão feliz, com a certeza de que vi uma história sobre gays completa e não uma história conservadora, e moralista. Pude refletir sobre a minha vida, sobre o universo LGBT e conversar sobre isso com o meu amigo. Por enquanto, isso só é possível mesmo no cinema, em alguns casos em teatro e também na literatura. Na TV fechada é possível, com menos intensidade, alvo algumas exceções. Por isso, o melhor saída, por enquanto, é vermos menos TV aberta.

Crítica: Fall From Grace (documentário) Resposta

Fall From Grace, um documentário criado e dirigido por K. Ryan Jones, é um daqueles filmes que quando acabamos de ver, damos um grande suspiro. É um suspiro pesado, triste, impressionado. O documentário conta a história da família Phelps e da igreja fundada pelo líder Fred Phelps, a Westboro Baptist Church. 


Claro, é um documentário que mostra a guerra entre os fanáticos religiosos e os homossexuais. O documentário mostra a visão que a igreja de Kansas tem sobre os homossexuais, mas vai além, detalhando o pensamento deles em relação aos Estados Unidos em relação a alguns fatos marcantes do país. 

Se engana quem pensa que assistir a esse documentário não vale a pena, por se tratar de algo que acontece nos EUA. Mas é importante para que todos no mundo possam assistir, principalmente os gays, para verem como é o mundo em que vivemos. 

A igreja liderada pela família Phelps, é tida como um grupo de ódio, que usa o nome de Deus para propagar a ignorância através dos ¨ensinamentos bíblicos¨. Esse grupo é o mesmo responsável pela campanha ¨God Hates America¨ (Deus odeia a América), que se extende, inacreditávelmente, a outras campanhas do tipo ¨God Hates Fags¨ (Deus odeia viado), ¨Thank God For The AIDS¨ (Obrigado Deus pela AIDS) e ¨Pray For More Dead Soldiers¨ (Rezo para mais soldados mortos). 

Esse é o tipo de ensinamento que os membros desta igreja aplica para os filhos deles. É interessante ver o momento em que o diretor conversa com as crianças sobre essas campanhas, e pergunta qual destas é a preferida deles. As crianças, na maioria meninos, preferem às que ofendem os homossexuais. Quando perguntados o que estas frases significam, as crianças não sabem explicar, porque elas não sabem o que significa tudo aquilo. Um menino, em especial, chegou a demonstrar uma vontade de matar os ¨fags¨(termo pejorativo que significa algo como ¨viado¨), mas que ele sabe que não pode fazer isso, que Deus tem que matar. 

É triste. O documentário apresenta citações de pastores que atribuem o ataque de 11 de setembro, à ira de Deus contra os homossexuais. É algo absurdo que alguns acreditam que não existe! Mostra a forma como este grupo de ódio protesta em enterros de soldados americanos, desrespeitando a família dessas pessoas, e o líder vagabundo dizendo que ao invés de 200 mil soldados mortos, ele espera que sejam 200 milhões. 

Este documentário serve para abrir os olhos de toda a comunidade LGBT, e, principalmente, dos que vivem alheios ao preconceito extremo que existe no mundo, e mostra que cada vez mais precisamos lutar e lutar sempre, que a guerra não está vencida e não podemos nos acomodar! 

Por outro lado, o filme mostra uma entrevista com dois filhos da família Phelps, que decidiram sair de casa por não concordarem com os ensinamentos do pai. Mostra a opinião de outro pastor, que se diz indignado com a forma odiosa que Fred Phelps dissemina a palavra de Deus, e aplica uma interessante explicação a respeito das passagens bíblicas em referência ao homossexualismo. 

Independente de acreditar ou não em Deus ou na Bíblia, o documentário mostra bem o ódio e o retrocesso de alguns setores da comunidade americana e que serve de exemplo para o mundo inteiro. O filme (em inglês) pode ser visto completo no YouTube

Assista ao trailer:

Crítica: Lady Gaga nasceu assim? Resposta

Cantora lançou na manhã de ontem (28/02) o vídeo clipe de sua nova canção Born This Way


Muitos eram os ansiosos para a estréia do novo clipe de Lady Gaga, Born This Way, em que ela auto classifica como o novo hino gay do século. Deixando de lado as comparações da música com canções de Madonna e plágios de uma canção da década de 1970, o vídeo, que gerou curiosidades mesmo antes de ser lançado, não mostra claramente que ela está lutando pelos direitos LGBT.

Ok, mas a letra da música é muito gay, segundo Perez Hilton e outros little monsters (monstrinhos como Lady Gaga costuma chamar seus fãs). Mas uma coisa que fica na minha cabeça é o seguinte: será que Lady Gaga realmente é um ícone gay por natureza, ou ela usa disso para conseguir legiões de fãs ao redor do mundo? Como uma cantora que diz ser totalmente a favor dos gays, elogia uma menina de 10 anos que canta sua múscia em uma rádio canadense que retira as palavras gay, lésbica e bissexual da letra? E como no vídeo não existe nenhuma manifestação visualmente gay?


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A não ser pelo início e fim do vídeo que aparece o triângulo rosa, símbolo que antes foi usado para identificar os homossexuais nos campos de concentração nazista, e que após adotado pelos gays como um símbolo de protesto no início dos anos 70.

Não estou aqui dizendo que é necessário mostrar homens se beijando ou mulheres se agarrando. Mas porque creditar a Lady Gaga uma atitude de luta pela igualdade sexual, onde o que ela mostra, não é bem assim?

O vídeo tem início com a mãe monstro, que vive no espaço e dá luz aos seres extraterrestres, criando um exército, uma nova raça, sem diferenças e que vivem em enorme harmonia. Depois existe o mal, também interpretado pela cantora, afim de começar uma batalha contra a igualdade entre os seres. O vídeo não é completamente diferente do que Lady Gaga costuma mostrar em suas produções. Muitos dizem que esse é mais simples, mas o fato de ter duas mulheres enfiando a mão em sua vagina para que ela possa parir um ¨ser estranho¨, não me parece algo convencional.

Mas boa parte do clipe é composto por uma coreografia em que todos os dançarinos e cantora usam o mesmo figurino, calcinha e sutiã para as mulheres e short para os homens. São todos iguais. Em uma parte, Gaga aparece com o rosto todo tatuado em referência a um esqueleto. Algo que mostraria que ninguém é melhor do que ninguém, que por trás da pele e dos músculos, todos são iguais pelo conjunto de ossos. Achei a referência interessante.

Mas em uma letra que fala abusivamente de gays, lésbicas e afins, nãoa chei que o vídeo foi complemento. Faltou personagens da música no vídeo. E podemos comparar Born This Way com We R Who We R (Somos o que somos, em tradução livre) , da Kesha e Beautiful de Christina Aguilera. A mensagem visual é a mesma. Tudo bem que a letra de Born This Way é ¨super gay¨, mas o resultado visual dos vídeos de Gaga, Kesha e Aguilera é o mesmo: Somos assim, ninguém é melhor do que ninguém, e temos que ser quem nós somos e o mundo tem que nos ouvir. A não ser no vídeo de Beautiful, onde Aguilera mostra uma Cross Dresser (homem que gosta de se vestir como mulher), beijo entre casais gays, punks e diferentes formas expressadas na sociedade. Sem falar também que Firework, de Katy Perry, faz um trabalho parecido.

O vídeo de Gaga me faz pensar se ela realmente nasceu assim ou diz que nasceu para conseguir o voto do povo. Nãoa cho que ela mereça ter validado o seu passaporte como Rainha dos Gays e revolucionária da década. O vídeo de Born This Way tem qualidade, segue a mesma linha dos sucessos anteriores, mas o que ela quis passar com O VÍDEO não é bem o respeito e o direito de amar quem a gente quiser, independente do sexo.

Confira o vídeo de Born This Way: