Projeto de deputados evangélicos não propõe cura, mas a possibilidade de tratamento para gays 1

Roberto de Lucena (PV-SP), relator do decreto
 (Reprodução)
Lucena, redator do decreto, se manifestou sobre a abordagem que os meios de comunicação deram sobre a proposta, qualificando-a como preconceituosa. 


O deputado federal Roberto de Lucena (PV-SP) explicou que o projeto apresentado pelo deputado federal João Campos (PSDB-GO), do qual era relator, não tinha como objetivo a cura de homossexuais, mas o tratamento, uma vez que a Resolução do Conselho Federal de Psicologia estabelece normas em relação à questão da orientação sexual.

Para Lucena a forma como a mídia divulgou o Projeto de Decreto Legislativo 321/2011 foi preconceituoso, pois olharam o projeto de um ângulo específico para acusar os deputados, que são evangélicos, de preconceituosos.

O deputado, que faz parte da bancada evangélica, se refere ao termo “cura gay” como foi divulgado o projeto. Na verdade o objetivo é defender o direito da pessoa de pedir ajudar se ela desejar fazer um tratamento a respeito de sua orientação sexual.

“Nenhum paciente, seja ele homossexual, heterossexual, bissexual, transexual, assexual, ou que tenha qualquer outra orientação sexual, deve ser cerceado do direito psicológico, quando voluntariamente buscá-lo, com o objetivo de mudar a sua orientação”, diz nota enviada pela assessoria de Lucena.

No parágrafo único do Art. 3º e o Art. 4º, da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 de 23 de Março de 1999, fica estabelecido as normas de atuação que os profissionais da área precisam seguir quando o paciente quiser tratar sobre sua orientação sexual que não é mais caracterizada como doença.

Ao propor o decreto legislativo os deputados entendem que antes o tema precisa ser debatido em audiências públicas onde profissionais da saúde, psicólogos, juristas e de pessoas que buscam tratamento psicológico nesta área possam apresentar suas ideias sobre a matéria.

Lucena deixa claro que o decreto não tem como objetivo curar gay, pois não se trata de uma doença, mas sua proposta tem como prioridade proporcionar aos psicólogos garantias e condições para atenderem as pessoas que os procuram por estar insatisfeitas e desejam, voluntariamente, mudar de opção sexual.

*Com informações do site Gospel Prime.
Como se isso mudasse alguma coisa no absurdo que é esse decreto. Os profissionais da área da psicologia devem estar preparados para atender os pacientes que buscam a ajuda profissional, mas jamais, devem interferir na opinião dos seus pacientes e jamais devem fazer com que eles se sintam errados da forma que eles são.
O papel do psicólogo é fazer com que o paciente se aceite do jeito que é, e que ele ache a melhor maneira possível de viver bem consigo mesmo.
O absurdo desse país é tão grande, que estes deputados da bancada evangélica querem ter a audácia de mudar uma regra mundial da psicologia. As pessoas parecem não estar prestando atenção no rumo que o país está seguindo. A presidenta Dilma já está se vendendo cada vez mais para a bancada evangélica, colocando bispos da Igreja Universal em cargos importantes do governo.
Isso não seria um problema se estes membros não governassem o país de acordo com os códigos bíblicos. Mas eles usam de seus poderes públicos para governarem o país conforme suas crenças religiosas. O quão ridículo é isso? É como se gays ocupassem cargos políticos e criassem leis obrigando todo mundo a sair na rua vestidos de drag queens. 
COMUNIDADE LGBT, ACORDEM PARA O QUE ESTÁ ACONTECENDO NESSE GOVERNO DA PRESIDENTA DILMA. 

Igreja Universal é processada depois de vídeo de ¨exorcismo¨ e ¨cura gay¨ ir ao ar 2

Bispo Edir Macedo em cena de suposto exorcismo
e ¨cura¨ de jovem homossexual (Reprodução)
A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), entrou com um pedido de investigação no Ministério Público de São Paulo contra a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), depois que um programa exibido em um canal da igreja na internet exibiu um vídeo em que apareceia um jovem sendo supostamente exorcisado e ¨curado¨ de sua homossexualidade.


De acordo com a associação, as imagens exibidas seriam uma prova de charlatanismo, já que desde 1990 a homossexualidade não é tratada como uma doença pela Organização Mundial de Saúde, e por isso, não pode ser algo que tenha algum tipo de cura.


Nas imagens, o bispo Edir Macedo, líder da IURD, junto com o pastor Clodomir Santos, fazem uma sessão de ¨exorcismo¨, com um jovem supostamente homossexuai. Durante a sessão, os pastores gritam, algo bem comum nos cultos de igrejas como a IURD e falam que todas as enfermidades, inclusive a AIDS, se houver, serão queimadas pelo Espírito Santo.

No vídeo também podemos ver o pastor Clodomir Santos conversando com o ¨demônio¨ e chegando à conclusão de que o jovem teria sido vítima de um ¨trabalho de macumba¨, feito por um vizinho. Depois disso, cenas de circo tomam conta do vídeo, que mostra o rapaz se contorcendo, mudando a voz e gritando. Depois de toda essa cena, o jovem parece acordar e se diz outra pessoa, sentindo-se ¨curado¨.

O bispo Edir Macedo ainda solta algo do tipo: ¨Agora você está até falando grosso.¨ Assista ao vídeo do ¨exorcismo¨:

Bancada evangélica quer implementar projeto de ¨cura gay¨ 1

Deputado João Campos cria projeto de ¨cura¨
dos homossexuais
Eles fazem de tudo para impedir que gays tenham os mesmos direitos que outros cidadãos na sociedade, mas agora o próximo passo é ¨curar¨ os homossexuais e transformá-los em heterossexuais. 

Isso porque o líder da Frente Evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), criou um projeto de decreto legislativo que visa sustar dois artigos instituídos pelo Conselho Federal de Psicologia que proíbem os psicólogos de emitir opiniões públicas ou tratar a homossexualidade como um transtorno. 
A idéia surgiu depois que Campos disse que o conselho ¨extrapolou seu poder regulamentar ao restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional¨. 
Esse deputado, diz em seu discurso que o Conselho Federal de Medicina, impede que pacientes homossexuais sejam tratados por psicólogos e então, ¨curados¨. É muito comum gays procurarem atendimento especializado, porém, ao começar um tratamento, o profissional ajuda o paciente a encontrar a melhor maneira de ele se aceitar como ele é, não tratando a homossexualidade como uma doença, mas sim, como um comportamento nato da pessoa. 
A homossexualidade deixou de ser tratada pela primeira vez como doença em 1973. Segundo o site ¨Psicologia on Line: 
Desde dezembro de 1973, a homossexualidade deixou de ser classificada como transtorno mental pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), sendo retirada do Manual de Diagnóstico e Estatística de Desordens Psiquiátricas; em 1975, a Associação Americana de Psicologia adotou o mesmo procedimento, deixando de considerar a homossexualidade como doença, distúrbio ou perversão. 

No Brasil, em 1985, o Conselho Federal Medicina (CFM) deixa de considerar a homossexualidade como desvio sexual, esclarecendo aos médicos, em particular aos psiquiatras, que homossexualismo não pode ser aplicado nem sustentado como diagnóstico médico.  

A 43ª Assembléia Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), no dia 17 de maio de1990, retirou a homossexualidade da sua lista de doenças ou transtornos mentais, suprimindo-a do Código Internacional de Doenças (CID-10), a partir de 1993.  

Em 1991, a Anistia Internacional passa a considerar a discriminação contra a homossexualidade como violação aos direitos humanos.  

Em 22 de março de 1999, o Conselho Federal de Psicologia, por meio da resolução 01/1999, estabelece normas para atuação dos psicólogos em relação à questão da orientação sexual, 

“…considerando que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão (…) e que a Psicologia pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações (…)”; 
resolve: 

Art. 1° – Os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão notadamente aqueles que disciplinam a não discriminação e a promoção e bem-estar das pessoas e da humanidade.  

Art. 2° – Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas. 

Art. 3° – Os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados. 

Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades. 

 
Art. 4° – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica. (…)  

Decisões como as do CRP-05 e do CFP, vêm reforçar o combate ao preconceito e a discriminação, como também, reafirmar o respeito aos Direitos Humanos de todas e todos. 


Para o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Toni Reis, é o preconceito que leva um gay a procurar tratamento e deve-se curar a ¨síndrome de patinho feio, e não a homossexualidade em si¨. 
Já o pastor e deputado Roberto de Lucena (PV-SP), relator do projeto de João Campos, acredita que os pais têm o direito de mandar seus filhos para redirecionamento sexual, e ele acredita que o tema deve ser discutido em audiência pública, o que deve acontecer nas próximas semanas em Brasília. 
Como nosso país é praticamente um circo dominado por líderes evangélicos que vivem no tempo de antigamente, não fiquem surpresos se ficar decidido que homossexualidade é doença, assinado embaixo pela presidenta Dilma.

Cura da Aids está mais próxima, dizem cientistas Resposta

HIV, causador da Aids, já é o vírus mais conhecido pelos cientistas




São Paulo — O HIV é o vírus mais conhecido pela ciência, como resultado de grandes investimentos em pesquisa nas últimas décadas. Os inúmeros avanços conquistados modificaram muito, para melhor, a realidade dos portadores do vírus. Mas ainda há um longo caminho pela frente para que se possa controlar a epidemia de HIV-Aids.

A conclusão é de Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) que organizou, na semana passada, em São Paulo, o 6º Curso Avançado de Patogênese do HIV, no qual foram discutidos temas como tratamento, desenvolvimento de vacinas e epidemiologia do vírus.

O curso, que trouxe ao Brasil 30 dos principais especialistas em HIV de todo o mundo, integrou as atividades do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Investigação em Imunologia (INCT-iii), cuja área de HIV-Aids é coordenada por Kallás.

O Programa INCT foi lançado em dezembro de 2008 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com recursos obtidos em parceria com as fundações de amparo à pesquisa estaduais. A Fapesp financia 50% dos valores destinados aos institutos sediados no Estado de São Paulo.

Três desafios

Segundo Kallás, as apresentações dos especialistas durante o curso mostraram que as descobertas relacionadas a vários aspectos do vírus e da Aids não cessaram nos últimos anos – e melhoraram efetivamente a vida dos pacientes –, mas ainda é preciso avançar.

“Os avanços que tivemos desde a identificação da síndrome da Aids até hoje foram imensos. Mas ainda temos três grandes desafios pela frente. O primeiro é desenvolver uma vacina protetora. O segundo, compreender o mecanismo de degeneração e combater o envelhecimento dos portadores. O terceiro é descobrir como curar o indivíduo. Quando cumprirmos esses três objetivos, poderemos controlar ou eliminar a epidemia”, disse ele.

De acordo com Esper Kallás, os investimentos na pesquisa sobre o HIV, que sempre foram consideráveis, precisam permanecer no mesmo patamar para que seja possível chegar a esses objetivos.

“O HIV é seguramente o vírus que mais conhecemos hoje em dia e para o qual nós mais tivemos investimentos em pesquisa. Mas é preciso dar continuidade a isso. É importante observar, no entanto, que os recursos investidos na pesquisa sobre Aids não ficam restritos a essa área, mas acabam se replicando para várias outras. Não podemos esquecer que esse tipo de investimento é feito principalmente a longo prazo, na formação de recursos humanos, na disseminação de conhecimento e na capacitação de grupos de pesquisa”, destacou.

A situação dos pacientes atualmente, em comparação com a do início da epidemia na década de 1980, é bastante diferente, segundo Kallás. Mas isso não significa que a doença possa ser encarada com indiferença.

“Naquela época, ser portador da doença tinha um significado ainda mais dramático. Hoje é diferente, mas a doença não pode ser ignorada. Ela ainda tem um impacto muito grande, em termos de saúde pública, de saúde individual e até mesmo no que diz respeito ao custo financeiro. A condição do doente melhorou muito em relação ao que era antes, mas ainda temos muito o que fazer”, afirmou.

Vacinas experimentais

Durante o curso, uma revisão do tema da patogênese do HIV foi apresentada aos estudantes, médicos e outros profissionais participantes. Mas o aspecto principal do curso consistiu em estreitar o contato com os dados recentes das pesquisas realizadas pelos cientistas que apresentaram conferências.

“Tivemos a oportunidade de ver o que está na fronteira do conhecimento da patogenia do HIV tanto em relação à transmissão, como à prevenção, à resposta imune, à virologia e ao tratamento da infecção”, disse Kallás.

Todas essas áreas apresentaram avanços recentes de grande importância. “Na questão da prevenção, por exemplo, tivemos aqui a apresentação dos dados mais recentes relacionados à profilaxia da pré-exposição ao vírus. Na parte de imunologia, tivemos a identificação de novas subpopulações celulares envolvidas na resposta imune”, afirmou.

Degeneração
Já na área de reconhecimento dos aspectos biodegenerativos da infecção pelo HIV, o curso proporcionou discussões sobre senescência celular e marcadores de ativação. Na parte de virologia, foi apresentada a identificação de novos alvos para a ação antirretroviral e mecanismos de defesa celular.

“Tivemos também a discussão de novos dados de diversidade genética do HIV e novos dados de distribuição e transmissão de HIV no Brasil e no mundo. No que se refere ao tratamento, discutimos as novidades de desenvolvimento de novas drogas e debatemos situações especiais como a infecção aguda, ou pessoas que não respondem com a elevação de linfócitos TCD4. O curso teve ainda extensas discussões sobre a questão da resistência”, disse Kallás.

Na área de vacinas, foram apresentados resultados recentes de diversos grupos com vacinas experimentais candidatas para combater a transmissão do HIV. Foram debatidos alguns dos principais gargalos para o avanço científico em imunologia.

“Um dos gargalos é que ainda não temos um marcador de proteção bem definido. Não conseguimos dizer com precisão, com base em um teste específico, se uma pessoa vai ficar protegida ou não. Em segundo lugar, o vírus é muito diverso, muda muito de pessoa para pessoa e até mesmo dentro de um mesmo indivíduo ele possui uma grande diversidade. Uma vacina tem dificuldade de identificar e reconhecer essas variações virais”, disse.

Outro gargalo, ainda segundo Kallás, é que não se sabe exatamente qual é a região do vírus e o tipo de resposta que consegue de fato gerar proteção. “Há várias tentativas, sabemos algumas dessas coisas, mas não sabemos ainda com certeza essa definição. Tivemos avanços que foram apresentados e que permitem entender alguns desses problemas, mas ainda temos um longo caminho pela frente”, disse. 

Fonte: Agência Fapesp

Evangélico fundador de grupo de ‘cura de homossexuais’ se assume gay Resposta


Nada melhor do que um exemplo para refutar a eficiência de tratamentos para a conversão de orientação sexual, que dizem que gays podem se ‘converter’ em heteros. O professor de inglês, filosofia e teólogo carioca Sergio Viula, 42 anos, foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), ONG evangélica que dá auxílio a pessoas que desejam abandonar a homossexualidade. Ele casou-se, teve dois filhos e viu de perto os métodos de ‘reorientação sexual’. Sergio conversou com William De Luca, repórter de economia do Jornal da Paraíba com exclusividade, e mostra que os métodos de mudança de orientação sexual são ineficazes e causam dor e sofrimento a quem se dispõe a passar por qualquer deles.

Leia também: Pastora famosa por pregar a conversão de gays, assume ser lésbica

 
Como começou sua vida junto à igreja evangélica? Como foi a sua entrada?

 – Eu comecei aos 16 anos, numa igreja noepentecostal, mas depois migrei para a igreja batista. Eu me converti a partir da pregação de colegas, não era de família, que era católica. Hoje parte é católica e parte é evangélica.
Nessa época você já sabia que era gay? Já tinha tido relacionamentos com guris?

 – Havia tido relacionamentos gays, sim, mas não assumia, eu pensava que fosse passageiro. Meu primeiro relacionamento foi aos 12 anos, com um garoto um pouco mais velho, de forma escondida, é claro, durante dois anos. Na verdade, queria pensar que tudo isso fosse passageiro, por causa das pressões em casa. Minha família era muito tradicional.
Como foi o processo de “virar ex-gay”?

 – Na verdade, ex-gay não existe, é pura auto-sugestão. Eu comecei a ir à igreja e percebi que os homossexuais não tinham como lidar com suas ‘dificuldades’, por falta de orientação das lideranças, então decidi fundar o Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), junto com João Luiz Santolin e Liane França. Foi aí que comecei realmente a dizer em momentos oportunos que era ex-gay.
Você nunca se convenceu que tinha virado ex gay? Sempre soube que estava se enganando?

 – Hoje sei que estava me enganando. Na época, pensava que qualquer sentimento ou atração fosse mera ‘tentação’ e que isso poderia ser superado com oração e dedicação a deus. No grupo, basicamente, pensávamos que ser gay fosse pecado, que devia ser confessado e abandonado e para isso, fazíamos proselitismo, aconselhamento, oração, pregação, recomendávamos certos livros, leitura bíblica, coisas que os crentes geralmente fazem, mas com foco na homossexualidade, sempre demonizando a homoafetividade, infelizmente. Eu trabalhei com a igreja num total de 18 anos, o Moses começou em 1997, em 2003 eu estava fora, foram quase sete anos. Tínhamos psicólogos parceiros e contávamos com vários voluntários. Uma vez enchemos um ônibus e levamos para o Miss Brasil Gay em Juiz de Fora só para evangelizarmos os LGBT que foram ao evento, mas na diretoria eram cerca de 10 pessoas.

Mas como era esse processo de ‘abandonar o pecado’? Era como um tratamento?
 – Isso não acontecia de fato, era o que se chamava discipulado, acaba sendo uma lavagem cerebral. Você tem que se isolar do seu antigo círculo de amigos, começar a se enfiar nas reuniões da igreja, fazer sessões de aconselhamento, orar, jejuar, essas coisas. Quando acontecia de alguém se envolver com outro homossexual, ele tinha que confessar o que fez, UMA LOUCURA DO CARALHO! Desculpe, mas ainda hoje tenho até raiva de lembrar disso.
Por que raiva?
 – Ninguém deixava de ser gay, houve relacionamentos até dentro do grupo, entre uma atividade e outra da igreja, eles sempre arrumavam tempo pra isso. Você consegue imaginar quanto sofrimento para mim mesmo e para todos os que atuaram ou foram influenciados por esse trabalho? É irritante! E tem gente até hoje repetindo esse discurso imbecil.
O que tu sente quando vê pessoas como o pastor Silas Malafaia fazendo pregações do tipo que você fazia? É um discurso parecido?
 – Ele é um idiota! Eu era um garoto quando me envolvi com tudo isso, tinha pouquíssima experiência de vida e não ainda não havia tanta informação como hoje. Agora, ele atua na base da má-fé mesmo, com interesses financeiros, projetos de poder, etc. E diz ele que nunca foi gay, será? Fico muito desconfiado de gente que gasta tanta energia e dinheiro para combater algo que não tenha nada a ver consigo mesma. Entendo heterossexuais que compreendem os riscos da homofobia, mas não entendo heterossexuais que quase surtam só por saberem que os gays estão felizes, saudáveis e produzindo para o país…
Será que não é pra ter uma bandeira atualmente? Ganhar visibilidade, sei lá…
 – Não deixa de ser má-fé. Só confirma minha tese.
Quando você decidiu que era momento de parar? Você saiu do movimento ao mesmo tempo em que saiu do armário?
 – Sim, saí ao mesmo tempo. Tudo aconteceu quando eu tive certeza de que já tinha feito e crido ao máximo. A gota d’água foi uma viagem a Cingapura, durante a qual conheci um filipino e fiquei com ele. Já voltei decido que iria colocar um fim nessa panacéia. Fiz isso e comecei imediatamente a repensar diversas das minhas posturas e crenças, levou ainda dois anos para que eu dissesse tudo o que digo até hoje. Houve perseguição por parte do Moses, muita gente ficou em choque, mas eles tiveram que se dobrar, pois minha atuação no movimento era grande. Minha maior projeção, porém, se dava na igreja. Eu era pastor, editor do jornal Desafio das Seitas, que teve seu auge durante minha atuação, e por aí vai…
E na sua família? Qual foi a reação?
 – Houve um choque por parte dos meus pais, mas meus filhos nunca criaram problema, só ficaram perplexos, porque eu saí da igreja, já que eu era tão dedicado. Separei-me da mãe deles, mas isso não criava grandes problemas, aparentemente. Só me perguntaram francamente sobre o assunto aos 12 (ela) e aos 11 (ele). Ambos compreenderam numa boa e sempre foram meus amigos. Relacionam-se muito bem comigo e com meu parceiro Emanuel.
Você hoje se sente completo, feliz?
 – Sim, hoje me sinto em paz comigo mesmo, feliz e me pergunto como pude ter suportado tanta castração inútil por tanto tempo.
Você acha que o que vocês faziam era uma violência, contra vocês mesmos, e contra os outros?
 – Sim, era uma violência contra nós mesmos, por termos internalizado a homofobia que nos circundava desde cedo, e contra os outros, porque reproduzíamos essa mesma homofobia que eles mesmos já tinham internalizado. Só reforçávamos ainda mais isso.
Você não apenas largou a igreja, o movimento, como deixou de acreditar em deus… Como se deu isso?

 – Isso se deu em função de questionamentos honestos e ousados sobre deus/deuses, escrituras cristãs e de outras religiões, igreja e outras instituições religiosas. Meu pensamento e atitude com relação a ideia de deus/deuses não é mero fruto de sofrimento com essa ou aquela igreja ou crença. Na verdade, muitas igrejas se abriram para mim quando saí do armário e confessaram seu interesse em que eu, não só participasse da vida da igreja, como ministrasse como pastor dela. O próprio bispo fundador da Metropolitan Community Church, Troy Perry, me disse isso pessoalmente. Também não foi por ver mau comportamento de crentes em geral, uma vez que conheço alguns que considero pessoas fantásticas até hoje (tanto do mainstream evangélico e protestante, como das modernas igrejas inclusivas). Tendo isso em mente, nem deus, nem escrituras, nem igrejas passam pelo crivo da razão, e não me refiro à razão de uma mente brilhante como a de Nietzsche, Darwin, Sartre, Hopkins, Dawkins, etc., refiro-me à razão de uma mente mediana como a minha. Não posso ir contra mim mesmo e contra aquilo que enxergo tão distintamente. No entanto, defendo a liberdade. E por isso, crer e não crer são coisas que não podem ser controladas, coibidas, exceto quando colocam os direitos humanos em xeque.

Pra terminar, o que você diria pra um jovem gay que está passando por este processo de ‘cura espiritual da homossexualidade’? Vale a pena?

 – Conversão religiosa que não admite e CELEBRA sua homossexualidade não merece seu tempo e talento. Se quiser frequentar alguma comunidade, procure uma que tenha maturidade até para questionar a validade das assertivas religiosas. Mas, preferencialmente, viva sem depender de muletas existenciais quaisquer que sejam elas. Aproveito para sugerir a leitura de um post escrito por mim. Esse post nasceu do esboço de uma palestra que dei na Igreja Ecumênica de Copacabana por ocasião das comemorações do dia da Bíblia no calendário católico. Foi esse ano.



Entrevista dada ao William De Luca, repórter de economia do Jornal da Paraíba. Jornalista, ativista LGBT.

Cursos para reverter homossexualidade preocupa Argentina Resposta

A proliferação dos chamados tratamentos de “restauração sexual”, que pretendem “reverter” a prática homossexual, acendeu a luz de alerta no Instituto Nacional Contra a Discriminação (Inadi) da Argentina, o único país latino-americano que reconhece o casamento gay.

As oficinas e cursos de capacitação sobre orientação sexual despertaram uma “preocupação” em algumas organizações sociais argentinas que estudam empreender ações legais por considerar seu conteúdo “discriminatório”.

A diretora do Inadi, Analia Mas, lembra que o objetivo de “curar o homossexual” viola o primeiro artigo da Lei Contra a Discriminação.

O chamado Ministério de Restauração Sexual da Igreja da Cidade oferece cursos de educação sexual em níveis básico e avançado.

“É uma educação sexual integral, emocional e espiritual com valores religiosos e princípios de vida básicos”, segundo Adriana Sanz, capacitadora do centro que oferece cursos em diferentes pontos do país.

Sanz afirma que homossexuais representam uma “porcentagem grande” que vai à instituição para superar “problemas sexuais”.

“Se alguém sente que a homossexualidade é problema, lhe causando dor, damos recomendações e múltiplas soluções para mudar”, afirma a professora Sanz. Segundo ela, “a homossexualidade não é uma doença, é um desvio sexual. Se ‘aprendermos’ a função sexual, então podemos corrigir todos os desvios”.

Outro grande centro de restauração sexual na Argentina é a Fundação Pró-Integração e Saúde Sexual, que organiza cursos e tratamentos em Buenos Aires, para pessoas “em conflito com a sua sexualdiade”.

Segundo Esteban Paulón presidente da Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (FALGBT), a maioria das pessoas que procuram estes tratamentos são adolescentes conduzidos pelos seus pais.

É importante lembrar que a homossexualidade não é doença e nem desvio, diferente do que disse a anta que é professora.

Em 1973, a Associação Psiquiátrica Americana (APA) propôs e aprovou a retirada da homossexualidade da lista de transtornos mentais. Ela passa a não ser mais doença.

Em 1985, o Conselho Federal de Medicina do Brasil (CFM) retira a homossexualidade da condição de desvio sexual.

Em 1990, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), onde são identificado por códigos todos os distúrbios mentais e que serve para orientar a classe médica, principalmente para os psiquiatras, também retirou a homossexualidade da condição de distúrbio mental.

Em 1993, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou o termo “homossexualismo”, que dá ideia de doença e adotou o termo homossexualidade.

O Conselho Federal de Psicologia (CPF) divulgou nacionalmente uma resolução que estabelece normas para que os psicólogos contribuam, através de sua prática profissional, para acabar com a discriminação em relação à orientação sexual.

O que causa dor, é a discriminação, a maldade travestida de boas intenções, a indiferença e a ignorância. Se você acha que é lésbica, gay, bi… não se espante. É natural. É normal. E portanto, não precisa de cura.