Presidente da Libéria que recebeu Prêmio Nobel da Paz defende lei que penaliza gays Resposta

Ellen Johnson Sirleaf
A vencedora do Prêmio Nobel da Paz, presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, defende uma lei que criminaliza os atos homossexuais e disse que seu povo gosta de ser do jeito que são.

Em uma entrevista conjunta com Tony Blair, que ficou visivelmente desconfortável com os seus comentários, Sirleaf disse que ela e o país que representa têm ¨certos valores tradicionais em sua sociedade que gostariam de preservar¨. 
A legislação da Libéria classifica a ¨sodomia voluntária¨ como um delito que deve receber punição de até um ano de prisão, porém dois novos projetos de lei foram e teriam como alvo penalizar a homossexualidade com sentenças muito mais duras.
Blair, que estava em visita à Libéria, por ser o fundador de uma insituição de caridade que visa fortalecer os governos africanos, se recusou a comentar sobre as observações de Sirleaf.
Quando perguntado se um bom governo e os direitos humanos andam ed mãos dadas, o ex-ministro inglês disse que não teria uma resposta para essa pergunta: 
– Uma das vantagens de fazer o que eu faço agora é que eu posso escolher as questões que eu falar e as que eu não quero. Para nós, as prioridades são em torno de energia, estradas e entrega de trabalhos. 
Durante seus 10 anos como primeiro-ministro, Blair tornou-se um campeão pela igualdade jurídica dos gays, através de leis sobre uniões civis e levantando questões sobre a proibição de gays nas forças armadas.
Mas os direitos dos gays, segundo ele, não eram algo que ele estava preparado para se envolver como conselheiro para os líderes africanos.
Com Sirleaf sentada à sua esquerda, Blair se recusou a dar qualquer conselho sobre as reformas dos direitos dos homossexuais. Ele soltou uma risada abafada quando Sirleaf o interrompeu para deixar claro que Blair e sua equipe só foram autorizados a fazer o que ela disse que podia. 
Não houve condenações recentes no âmbito da lei de sodomia, de acordo com o mais recente relatório do Departamento de Estado dos direitos humanos dos Estados Unidos. No entanto, ativistas anti-gays promoveram dois projetos novos que levariam a legislação muito mais longe. Alguém poderia alterar o código penal para tornar uma pessoa culpada de um crime de segundo grau se ele ou ela “seduz, incentive ou promova outra pessoa do mesmo sexo a se envolver em atividades sexuais” ou “propositalmente se envolva em atos que despertam ou tendem a despertar uma outra pessoa do mesmo sexo para ter relações sexuais “, passível de uma pena de prisão de até cinco anos.
O segundo projeto de lei – elaborado pela ex-mulher do ex-presidente Charles Taylor – faria o casamento gay um crime punível com até dez anos de prisão. Jewel Howard Taylor disse que ¨[A homossexualidade] é uma ofensa criminal, não é um coisa de africano. É um problema em nossa sociedade e consideramos o comportamento sexual desviante como algo criminal. Estamos apenas tentando reforçar nossas leis locais. Esta não é uma tentativa para acabar com os homossexuais.¨
A homossexualidade já é ilegal em 37 países africanos. Em Uganda, um projeto de lei propondo penas privativas de liberdade para a homossexualidade é ainda considerada, apesar de já não ser mais aplicada a pena de morte. Dez mulheres foram recentemente detidas nos Camarões acusadas de serem lésbicas, enquanto na Nigéria, as atividades homossexuais são punidas com até 14 anos de prisão.
Sirleaf, de 73 anos, recebeu Prêmio Nobel da Paz no ano passado por seu trabalho na campanha pelos direitos das mulheres. Em 2006 se tornou a primeira presidente da África do sexo e foi eleita para um segundo mandato no ano passado. 
Após 14 anos de guerra civil que terminou em 2003, a Libéria é ainda um dos países mais pobres do mundo.